A Force Called Love
34 Como assim... pai???
Notas iniciais
POV’S JESS
O velório foi tão horrível que não quero comentar.
Choro foi o que não faltou, e apesar de apoiar Guto, eu chorei também.
Era como se uma parte nossa tivesse se soltado e ido embora com o vento. Anne sempre estaria conosco, eu sentia isso.
Fomos tomar sorvete depois. A ideia foi minha, e Guto não parava de me olhar com um brilho estranho nos olhos verdes.
Eu fazia piadas, eu tentava quebrar a tristeza, porque odiava ver meus amigos daquele jeito. Julie foi para casa com o Mike e eu com o Guto. Fomos na casa dele e ficamos o resto da tarde e boa parte da noite jogando videogame, até ele dormir com a cabeça no meu colo.
~*~
POV’S GUTO
No outro dia, acordei com Jess fazendo café.
Ela disse que naquela casa não ia ter mais tristeza, porque nós íamos sair. Não fiz mais perguntas, e alguns minutos depois, ela estava dirigindo meu carro para Deus sabe onde.
Enquanto ela dirigia, eu a observava. Ela era tão perfeita que eu ficava sem palavras. Seu nariz levemente arrebitado com sardas que ela nunca escondera, seu sorriso contagiante e incrível, sua voz envolvente, o jeito como ela conseguia gesticular até dirigindo.
Ela fizera de tudo para me alegrar nesse momento difícil, eu devia minha sanidade à ela.
Se não fosse pela Jess, eu provavelmente teria feito alguma loucura.
Ela estacionou no centro de Gramado e fomos na Subway. Com ela tão perto, eu não via mais por que ficar mal. Principalmente quando ela me beijou e disse que me amava. Ela não sabia o quanto aquilo era importante para mim.
Voltamos para minha casa no fim da tarde. Ela tirou a calça jeans e colocou uma camisa minha, se sentando na frente da TV com sucrillhos na mão para ver a novela.
Eu fiz o mesmo, e cerca de duas horas depois, recebi um telefonema.
~*~
POV’S JESS
Juro que o Guto ficou dois tons mais pálido quando atendeu ao telefone. Ele dizia “o quê?” e “tem certeza?” e “eu entendo” o tempo inteiro. Eu já estava ficando um pouco preocupada. Ele desligou e ficou olhando para o aparelho em mãos, sem foco.
– Guto? Quem era? – Ele me olhou. Um olhar diferente, como se não suportasse mais. Naquele momento parecia que com um olhar ele poderia cair.
– Meu... meu pai está em um coma alcólico. – Ele fechou os olhos. – Na Rússia.
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