A Filha do meu chefe
8 Capítulo 10: O Jantar da Revanche
Seis meses se passaram. Lucas não apenas se reergueu, como se tornou o CEO de uma startup de logística que estava engolindo o mercado da Logos Tech. Ele estava mais rico, mais respeitado e, acima de tudo, emocionalmente blindado.
O Dr. Otávio, sentindo o peso da ausência de Lucas e o declínio da empresa sob a gestão emocional da filha, decidiu organizar um grande jantar beneficente. Era uma tentativa desesperada de reunir a elite e, secretamente, tentar uma reconciliação entre seus dois maiores talentos.
Lucas chegou ao evento sob os holofotes. Ele não estava mais sozinho. Ao seu lado, uma mulher deslumbrante, Isadora, uma advogada de renome, segurava seu braço com uma elegância natural.
O Encontro no Hall
Antes mesmo de entrarem no salão principal, Beatriz interceptou Lucas no corredor dos mármores. Ela estava diferente. Não havia a arrogância de antes; seus olhos estavam fundos, e o vestido, embora caro, parecia pesar sobre ela.
— Lucas... — ela chamou, a voz trêmula. — Eu preciso falar com você. Eu fui uma idiota. A empresa está desmoronando sem você, e eu... eu não durmo há meses pensando no que eu fiz naquela reunião.
Lucas parou, mas não soltou a mão de Isadora. Ele olhou para Beatriz com uma indiferença que doía mais do que qualquer grito.
— Beatriz, eu estou em um evento oficial. Não tenho tempo para as suas crises — Lucas disse, a voz gélida.
— Por favor, eu mudei! Eu entendi que o que eu sentia não era ódio, era...
— Eu não me importo com o que você sente — Lucas a cortou, seco. — Para mim, você é apenas a filha do meu ex-chefe. Uma página que eu fiz questão de queimar. Agora, com licença, minha noiva e eu temos pessoas importantes para cumprimentar.
Ele passou por ela como se ela fosse invisível, deixando Beatriz estática, sentindo o gosto amargo da própria medicina.
A Apresentação Oficial
O salão estava lotado quando o Dr. Otávio subiu ao pequeno palco para agradecer a presença de todos. Ele viu Lucas na primeira mesa e sorriu, embora o sorriso não chegasse aos olhos ao ver a filha sentada sozinha em um canto, observando Lucas de longe.
Após o discurso, Lucas se levantou e caminhou até a mesa principal, onde Otávio estava com os maiores investidores do país.
— Dr. Otávio, que prazer revê-lo — Lucas disse, com um aperto de mão firme que demonstrava que agora eles eram iguais, de CEO para CEO.
— O prazer é meu, Lucas. Vejo que a vida tem sido generosa com você.
— Tem sido justa, senhor. — Lucas trouxe Isadora para o centro do círculo. — Gostaria de apresentar a todos a minha noiva, Isadora Cavalcanti. Estamos oficializando nosso compromisso e planejando o casamento para o próximo semestre.
O anúncio foi como uma bomba silenciosa. Isadora sorriu, cumprimentando a todos com uma classe que Beatriz nunca conseguiu alcançar no escritório.
— Parabéns, meu rapaz — Otávio disse, mas seus olhos desviaram para a lateral do salão.
Beatriz estava de pé, a poucos metros de distância, segurando uma taça de champanhe com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos. Ela ouviu a palavra "noiva" e sentiu como se o mundo estivesse desabando novamente. O homem que ela tentou destruir estava agora apresentando a mulher que ocuparia o lugar que, no fundo de sua mente perturbada, ela sempre achou que seria dela.
Lucas olhou para Beatriz por cima do ombro, apenas por um segundo, e deu um sorriso de canto — um sorriso de quem venceu a guerra.
— Isadora é o tipo de mulher que sabe construir, Dr. Otávio. Diferente de quem só sabe destruir — Lucas arrematou, alto o suficiente para que Beatriz ouvisse.
Ele se virou de costas para a elite e para os Vanhansen, conduzindo Isadora para a pista de dança. Beatriz saiu do salão às pressas, escondendo o rosto entre as mãos, enquanto o Dr. Otávio suspirava, percebendo que, desta vez, não havia internato na Suíça nem pedido de perdão que pudesse trazer Lucas de volta.
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