A Filha Perdida da Tempestade

2 É, velhinhas, doces e mendigos...


Notas iniciais
Yo! Aloh niggas, mais um capítulo. Espero que gostem. Desculpem pelos eventuais erros. Pax!!!

Bom, hoje é dia 12 de novembro de 2015 *ou 16, talvez 17*, mais uma linda horrível manhã aqui na Lefferts Boulevard, em Richmond Hill, Nova York, que é aonde meus tios construíram a sua humilde, singela mansão. Normalmente, eu vou de bicicleta até a escola, a Richmond Hill High School, por que meus tios insistem que é bom fazer exercícios matinais. Quase sempre eu faço o mesmo caminho, um quilômetro e meio até a escola +/-, mas de vez em quando meu tio me leva *vai entender*.

A vizinhança é legal até, se você não se importar com uns mendigos aleatórios, crianças idiotas e velhinhas do mal *muito, muito do mal*. Eu lembro que quando eu era mais nova, uma vez eu estava andando na rua com nosso cachorro, o Benley, e uma velhinha tentou me morder. Eu podia jurar que ela tinha olhos vermelhos e dentes afiados, mas é claro que ninguém acreditou. Bom, só sei que uma semana depois, o Benley foi achado morto. Disseram que tinha sido um guaxinim, mas eu acho que a Sra. Tomson comeu ele *que guaxinim come um cachorro quase inteiro??*.

É, minha vida é cheia de coisas bizarras, acontecimentos inexplicáveis, coisas realmente loucas. Tipo, na quarta série, eu estava brincando com uma amiga na escola, e sem querer dei um choque nela. Normal, né? Baaam, errado. O choque foi tão forte, que ela saiu voando, e as sobrancelhas dela queimaram. Acho que ela ainda não me perdoou por isso...

Teve uma vez, que eu e meu tio estávamos voltando pra casa, depois de ir numa excursão ao Departamento de Polícia de Nova York, e estava chovendo, com direito a raios e trovões. Ai eu olhei pra fora, e comecei a fingir que eu podia desenhar raios, e tentei fazer um coraçãozinho de raios... Bom, digamos que eu fiquei o resto do caminho gritando "Ô tio, olha lá, olha lá. Viu o que eu fiz?". Bem louco né? Infelizmente eu nunca mais consegui fazer corações de raios *le carinha triste*...

Bom, voltando ao presente *já tava na hora, pqp*. Hoje de manhã eu estava indo pra escola, e eu podia jurar pela vida da minha tia, que tinha um mendigo me seguindo. Como eu sou uma pessoa fuckin ótima em fingir e disfarçar o medo, corri mais que o Usain Bolt atrás de água pra escola. Chegando lá, eu guardei a bicicleta, tomei uma ducha e fui pra primeira aula.

Já começa o dia fodendo tudo, física... Por que demônios purpurinados eu vou precisar de física pra minha vida?? Não é como se eu quisesse ser uma *insira profissão que usa física* da vida. Na verdade, eu nem sei o que eu quero ser... Sem brincadeira, não faço ideia. Bom, não é minha culpa eu ter TDAH, arritmia mental, Parkinson cerebral e síndrome de Dory *aquela Dory do filme de peixinho que eu não lembro o nome*.

Ok, tudo bem, sobrevivi a física, e a química, biologia, sociologia, ginástica, filosofia e geometria *nem eu sei como*. Na hora do intervalo, eu e minha amiga Aurora decidimos ir numa loja de doces, umas duas ruas da escola. No caminho, ela decidiu me contar sobre todos os meninos que ela queria pegar até o fim do ano.

"Ai, você viu o Jack hoje? Ele tava tããão lindo... Ai, e o primo dele, o Pete? Aqueles olhos... Você viu como o bláblábláblá..."

"Uhum, claro... É, uhum... Sim, músculos... É, olhos legais..."

~Cérebro is off~

"...Blábláblá olha ali é a loja de doces?"

~Cérebro is on~

Quando nós chegamos lá, eu enfiei 10291792472 tipos de doce na bolsa e saí correndo, quase esqueci de pagar o tiozinho da loja. *ele ficou me olhando com cara de voutematei...*

No caminho de volta, ficamos conversando sobre comida e filmes de terror. Ela insistia em dizer que sopa de repolho é ótima, e que Pesadelo em Elm Street é ruim *ainda tenho muito que ensinar pra essa ai*. A maior parte do caminho foi normal, até que eu comecei a sentir alguma coisa estranha, sabe aquela sensação de vai dar merda? Então. Foi ai que eu comecei a agradecer por ter hiperatividade.

Eu não sei explicar direito, mas quando eu fico muito nervosa, é como se o tempo passasse mais rápido, acho que é só o meu cérebro tendo uma overdose de adrenlina, mas de vez em quando isso é realmente útil. de repente eu comecei a observar tudo, todos os detalhes, e comecei a vasculhar a rua em busca de algo que trouxesse merda pro meu lado.

Bom, vejamos: pra frente, tudo normal, cara do cachorro quente, uma senhora lavando o quintal, um carro estacionado. Pra trás, tudo certo, dois carros, um casal andando de mãos dadas, uma menina correndo atrás do gato, um mendigo suspeito... Pera, mendigo?

Eu olhei mais uma vez, e percebi que era o mesmo mendigo que estava me "seguindo" de manhã... Cara de malvado, roupas sujas e rasgadas, cabelo grisalho, quem sabe uns 40 anos. Mas ele parecia diferente dos outros mendigos. Tinha alguma coisa nele... Quase familiar... E os olhos... Olhos azuis. Mas não azuis do tipo galã de Hollywood, azuis do tipo... Bom, do tipo que dava pra ver de lá da ásia ocidental, e eram quase brilhantes... É como se fossem duas bolinhas de pura energia, mas dentro dos olhos de alguém.

De repente, a descarga de adrenalina passou, e eu fiquei meio tonta *sempre acontece*. Eu olhei pra Aurora, pra ter certeza de que ela não tinha morrido, e quando eu voltei a olhar pro mendigo, ele... Pera, cadê mendigo? *Que merda é essa? Ele não pode ter sumido do nada, é uma rua aberta... Virou o que? Clichê de suspense de 1990?*

Depois disso, nós apertamos o passo, e fomos pra escola. Até o fim do dia, não aconteceu nada de mais, só uns idiotas se matando na sala. Quando a última aula acabou, nós fomos pra casa. Nada de diferente aconteceu, mas a sensação de vai dar merda não passou. Bom, à noite eu fiquei olhando o céu até desmaiar. E, de algum jeito, eu sentia que alguma coisa lá em cima, ou alguém estava olhando de volta pra mim.