A Filha Perdida da Tempestade
3 De mendigo, pra executivo E deus
Notas iniciais
Dia 16 *será? Nem sei*, desde aquele dia, nada de muito diferente aconteceu. Eu fiz amizade com um mendigo aqui da rua, o Tom. Ele é legal, mas tem cheiro de sopa velha...
Eu acordo, e me jogo no banheiro. Rotina de sempre: banho, uniforme, café da manhã e escola. Eu engulo um biscoito de chocolate, e saio correndo igual um asiático atrás de um pastel de flango. Já tô fuckin 20 minutos atrasada.
Bom, durante a aula de história, o professor decidiu falar sobre religiões *chaaaato*. Ele ficou falando sobre deuses, mitos e blábláblá.
Fora isso, quase não tivemos aula. A maioria dos professores havia faltado, então eu decidi sair mais cedo com umas amigas. Dessa vez, Aurora não falou sobre meninos *obrigada sua linda ♥*. A Aly e a Giulia decidiram vir junto, mas quase não ficaram com a gente.
Depois de irmos no parque e roubarmos uma loja de sorvete, eu fui comprar algumas coisas pra deixar no esconderijo. Comprei uns 20 pacotes de amendoim, umas frutas secas e umas 30 garrafinhas de água *é, os tios ricos vieram a calhar*.
Depois disso, eu me despedi das meninas, e fui de bicicleta até o velho apartamento da minha mãe. Esse é um dos poucos lugares aonde eu realmente me sinto... Não Sei... Segura. Calma. Em casa.
Eu deixei as coisas na gaveta escondida, junto com um kit de primeiros socorros meio velho, uma camisa do Bring Me The Horizon, e uma foto da minha mãe.
Aquela foto era a coisa mais preciosa que eu tinha. Nem sei o que eu faria sem ela. É uma das únicas fotos que eu tenho dela, e desde que ela morreu, eu não larguei dela.
Bom, depois disso eu achei melhor voltar pra casa, se não meus tios iriam surtar *de novo*, e isso não ia ser bom, então eu ativei o modo Usain Bolt atrás de um peru no natal e pá, welcome home.
Aí se iniciou a sessão-de-tortura-nossa de cada dia. Meus tios acham que eu sou, sei lá, um filhotinho que eles adotaram, mas se arrependeram.
"Ellie, já que você mora aqui, vai ajudar sua vadiazinha."
"Menina, eu já fiz muito por você pra você ficar sentada ai sem fazer nada, vagabunda."
Ah é, já ia esquecendo, minha prima continuou me usando como empregada, mas até ai sem novidades. Aquela vagaba nariguda queria que eu penteasse o cabelo dela, e como eu sou uma ótima *ótima!* prima, eu ajudei ela.
O meu plano era cortar umas mechas, e dar uns nós, mas pra isso eu ia ter que distrair ela.
"Então prima... Como vai a faculdade?", eu tentei puxar assunto.
"Bom, não te interessa. Mas já que você quer saber, eu estou indo muito bem. Eu conheci um menino hoje, e ele bláblábláblá"
~Cérebro is buum~
"Blábláblá diferente daquela vadia da sua mãe, eu tenho bom gosto"
"Como é sua piranha?!"
"É, aquela desocupada. Saiu dando pra qualquer um, olha no que deu. Bem que ela podia ter procurado, pelo menos"
Bom, nessa hora meu plano foi pra privada. Não por que deu merda, mas por que eu acabei fazendo uma coisa melhor, eu puxei ela pelo cabelo, cortei metade dele, e depois joguei ela na parede.
Eu tenho que admitir que eu gostei de fazer isso, mas não gostei da gritaria que veio depois.
~le gritinho fino~ "VOCÊCORTOUMEUCABELOSUAVADIAMAGRELAEUVOUTEMATARPAAAAAAAAAAAI!!!", e ela começou a gritar.
"É, eu cortei, e se você falar mal da minha mãe de novo, eu juro que corto sua garganta, puta de bar mal-desenvolvida".
De repente, meu tio chegou chutando a porta e entrando com um fuckin machado *sério? Um ma-cha-do? Que tu quer, fazer uma mesa pra mim?*
"MAS QUE PORRA É ESS... Filha, tem cabelo faltando na sua cabeça...".
"É, essa prostituta cortou meu cabelo lindo!", ela começou a choramingar e a tentar me esganar com a mente.
"Bom, ela falou da minha mãe! O que você queria que eu-"
"MAS VOCÊ FEZ O QUE?! VOCÊ TÁ ENCRENCADA!", ai ele que começou a berrar.
Bom, a gritaria durou mais 5 minutos, por que eu cansei disso, peguei minha blusa de pandas e saí correndo. Eu não fazia ideia pra onde, até que eu tive uma, só uma boa ideia. O esconderijo.
Eu pulei na bicicleta alá parkour *oui, mui parkour" e fui o mais rápido possível. No meio do caminho, eu comecei a sentir uma coisa estranha. Como se eu estivesse sendo observada.
Era 5:50 da noite, e já começava a ficar escuro, mas eu não me importava, o escuro é legal. No meio do caminho, eu podia jurar que tinha visto aquele mendigo esquisitão dos olhos azuis, mas eu estava muito rápido pra ter certeza.
Quando eu cheguei lá, eu escondi a bike em um buraco na parede, como sempre, e me enfiei debaixo das madeiras. Mas alguma coisa parecia estranha, diferente. O ar estava com cheiro de cachorro molhado, e baba.
Logo depois de passar pelas madeiras, eu abri a porta quebrada, e eu vi a cena mais assustadora, estranha e considerávelmente bizarra que eu podia imaginar:
Um cachorro, quase do tamanho do apartamento estava com a minha camisa no focinho, olhando pros amendoins com um par de olhos vermelho sangue, e do lado dele tinha uma coisa que era a cria de uma velhinha, um morcego e um motoqueiro.
Essa hora, eu não sabia o que fazer, não sabia se eu corria, gritava, ficava parada, me escondia, tinha AVC. Mas uma coisa eu sei, é que eu nunca fiquei tão puta por falar coisas estranhas quando eu me assusto.
"Putaquelhepariuaminhacamisatavacheirosaaimeudeuscorre" *ou alguma coisa assim, é que eu tava nervosa*.
Aí a velhinha morcego virou pra mim e falou com voz de satã
"Ah, você chegou. Ótimo. Eu já estava ficando com fome.", aquela carinha de voutematei.
Porra, eu nunca corri tão rápido na minha vida. Imagina um velociraptor, montado num guepardo, montado em cima da senhora *volta aqui senhora!*. É, eles correm metade do que eu corri.
Ai eu fiz a burrada de olhar pra trás, e o que eu vi me deu arrepios até no pé, o cachorrão tava correndo igual um monster truck, com a velhinha morcego/motoqueira em cima, balançando um chicote.
De repente, eu fui jogada pro lado, pra dentro de um beco, e eu caí de cara no chão. Quando eu olhei Pra cima, adivinha quem? O nosso miguxo Mendigo do Olho Azul *surprise, modafoca*.
Bom, eu ia ser estuprada E comida, ótimo. Mas quando eu pensei que ele ia tentar me comer ou alguma coisa assim, ele simplesmente me levantou, e começou a andar.
"Caralho, que foi isso? Por que vc me puxou? Por que a gente tá andando e não correndo daquele FUCKIN CACHORRO GIGANTE???", eu comecei a gritar.
"Primeiro, aquilo era um cão infernal, e uma Fúria, se eu não me engano. Segundo, eu te salvei, por nada. E terceiro, não se preocupe filha, eu nos envolvi na Névoa, eles não vão nos achar tão cedo". OK, a essa altura eu já tinha travado.
"É... Hã? Cão infernal? Fúria? Névoa, e principalmente, antes de tudo, pra começar, FILHA?".
Por favor, se existe alguma justiça nesse mundo, me diz que meu pai não é um mendigo. De repente, eu ouço um latido que faz o chão tremer, literalmente, eu quase caí com o latido. Eles nos acharam? Ótimo.
"Bom, eles nos acharam. Acho melhor te levar até a casa dos seus tios, depois, pro Acampamento."
"Pera, que Acampamento? Eu preciso é da polícia, do exército! Porra, tem um 4x4 em forma de cão infer-sei-lá-o-que atrás da gente, e uma velhinha do mal!"
"Não se preocupe, eu estou aqui, eles não vão ser loucos de encostar um dedo na minha filha"
"Ah, agora você é o pai superprotetor, atencioso? Me poupe. Eu nem sei seu nome!"
"Por que você não perguntou? Então está bem, vou me apresentar... Eu sou Zeus, o rei dos deuses, senhor do Olimpo, deus dos raios e tempestades, dos céus e dos ventos."
"Hã... Eita... Tu fumou não né?"
"Não seja idiota. Agora, não temos tempo para isso, vamos até seus tios, e você vai arrumar suas coisas", ele falou, com ar digno de um rei da idade média.
Tenho que admitir, eu gostei da parte de arrumar as coisas. A ideia de sair daquela mansão me deixava brilhando de felicidade. De repente, eu comecei a brilhar, mas de verdade. Eu olhei pro meu pai, Zeus ou sei lá, e ele também brilhava.
Quando eu pisquei, estávamos na mansão, e ele estava... Com um terno? Do nada, de mendigo ele passou pra executivo de empresa? Gostei.
Agora ele usava um terno grafite com riscas brancas, com uma camisa branca por baixo, e uma gravata grafite. Seu cabelo estava todo arrumado, e ele estava com um ar mais... Respeitável *sem cheiro de batata velha, yay*.
Eu subi e comecei a arrumar minhas coisas. Joguei 103864976481 tipos de roupa na mala, e taquei o foda se. Desci as escadas correndo, e quando eu voltei, "sem querer" quebrei um vaso. Zeus ficou me olhando com cara de 'gostei, é das minhas'.
Infelizmente, meus tios vieram correndo pra ver a fonte do barulho. Meu tio ficou encarando Zeus, *vamos chamá lo de pai*, e depois começou a gritar.
"O que está fazendo na MINHA mansão? Não te dei autoridade pra voltar aqui!"
Calma, voltar??
"Ah, olá Arnold. Olá Amelia. Vim para levar Ellie até o Acampamento, ela não está mais segura aqui com vocês".
"Você não pode fazer isso! Ela está sob NOSSA guarda, e NÓS vamos protegê-la, não vocês e seus amigos loucos."
"Isso não cabe a você decidir. Ellie, você quer ir ao Acampamento, ou continuar morando com seus tios?"
Todo mundo olhou pra mim, esperando uma resposta. Bom, é claro que seria uma decisão muito importante, então eu pensei muito bem a....
"FODA SE, EU QUERO IR PRA ESSA BOSTA"
"Ótimo, então estamos partindo agora, se vocês não se importam." disse ele, já saindo da mansão.
"Claro que eu me importo! Ela não vai com você. Ei, eu estou falando com você!"
Quando meu tio Arnold tentou agarrar o ombro de Zeus, ele saiu voando, como se tivesse tomado um fuckin senhor choque.
"Você não pode entrar na MINHA mansão, e levar a MINHA sobrinha desse jeito! EU SOU ARNOLD ADASKJFHASDKFJHAAOIDAFGK" *sim, isso foi ele tomando um choque e voando pelo hall de entrada*.
"Hmpf, mortal estúpido... Então, vamos filha?"
*Nota mental
1• Eu estava amando tudo isso
2• Ele continua sendo um babaca, mas um babaca foda
3• Chupa tio!*
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