A Filha De Afrodite Feia
27 Você não é meu pai.
Notas iniciais
Enfim, boa leitura :D
João’s POV
Estou vivo, mas sinto um vazio tão grande dentro de mim que chego a sentir raiva. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria que enfrentar meus “amigos”, sabia que iria ter que ser forte em não cair nas tentações de um lar perfeito, como o Acampamento Meio-Sangue.
Eu sempre soube que era um semideus? E não tenho um pingo de orgulho disso. Semideuses são como bonequinhos para os deuses. Você brinca com eles sem pensar nas consequências e depois os “majestosos” querem que você salve o mundo enquanto eles ficam com os traseiros gordos nos próprios tronos.
Eu não gosto nem um pouco disso. Não gosto de ser só uma peça no jogo deles.
Tenho que admitir, a proposta de Annie era tentadora, tão tentadora que aceitei sem pensar duas vezes. Se ela fosse morrer, que fosse lutando não é? Eu sempre fui melhor que ela na esgrima. Embora ela use uma foice enorme e eu só uma espada. É mais fácil matar teus oponentes com uma lâmina mais curta e mais fácil de controlar.
Annie se levantou com cuidado e eu vi a camiseta de Jake enrolada na sua perna. Uma coisa eu tinha que admitir, ela era a menina mais corajosa que eu já conheci. Mas quem se importa? Eu vou matá-la do mesmo jeito.
Ela mal ficava de pé. Tay puxou Jake até o canto da sala e pegou Leo e Piper nos espionavam e amarrou os dois junto com Jake. Annie tocou seu colar e uma foice apareceu em suas mãos.
- Está na hora de morrer, “amorzinho” – falei a última palavra com nojo na voz e ela sorriu fria.
- Suas palavras não me machucam mais – e me atacou.
Fiquei surpreso com a garra que ela lutava, é muito difícil controlar uma foice, mas Annie parecia acostumada, aparava todos os meus golpes mesmo com uma perna ferrada.
Estávamos praticamente brincando. Quer dizer, eu estava. Eu quase bocejava ao lutar, ela aparava meus golpes e eu aparava os dela.
De repente eu escutei um ruído vindo do meu lado esquerdo e perdi um pouco da concentração, fazendo com que Annie coloca-se a foice em minha garganta.
- Perdedor – ela disse entre dentes.
- Não tão rápido – sorri e me desvencilhei da foice.
Inverti nossas posições e apontei a espada para sua garganta. Ela foi mancando mais para trás e acabou prensada na parede. Por instinto agarrei sua foice e a joguei para trás.
- Mate-a João! MATE-A – Tay gritava atrás de mim.
Esse era o meu destino, me vingar dos deuses, de meu pai, de todos. Eu morreria, é claro. Mas todos iriam comigo. Eu colocaria um fim ao mundo. E tudo começaria pela morte da garota que estava a minha frente.
E por que eu achava isso tudo tão errado? Por que eu não tinha coragem de matar a menina a minha frente? Ela nunca foi nada pra mim certo? Ou foi? Não, não foi.
Era só enterrar a espada um pouco mais fundo e acabaríamos logo com isso. Era só eu usar um pouco da minha força e eu desencadearia o fim do mundo.
Olhei nos seus olhos, eu podia ver ódio, raiva, mas via também um pouco de pavor. Annie era uma menina com medo do mundo, mas que se fazia de forte. A maldição era prova disso, esse ponto era para ela não querer mais se mexer, não falar, não comer. Ela era forte e eu a respeitava por isso.
- Escute esse cachorro e me mate, traidor – Annie rosnou.
Nunca ouvi palavras que me machucaram tanto. Traidor? Sim eu era. Mas não me sentia confortável nessa posição. Eu não era um matador. Eu era apenas um garotinho indefeso que precisava da atenção do pai.
Era assim que se ganhava atenção? Fazendo coisas ruins? Daqui a 30, 40 anos os deuses se lembrariam de mim como: O traidor. Meu pai se lembraria se mim assim. Como um traidor.
Traidor... traidor... traidor...
Essas palavras martelavam a minha cabeça.
- Está esperando o que João? MATE-A SEU INFELIZ! – Tay gritou novamente.
A raiva me invadiu, eu estava pronto para mata-la. Olhei fundo naqueles olhos castanhos, lembrando de nossos momentos bons. Era possível que tudo aquilo era farsa? Que nada foi real? Não era para ser. Mas eu tinha dúvidas.
Forcei um pouco mais a espada e olhei para Annie. Seus olhos estavam queimando em ódio e raiva. Raiva de mim. E eu me senti a pior pessoa de toda a galáxia.
- MATE-A!
- Não! – me virei com raiva e me lancei para cima de Tay.
Leo’s POV
O mundo ia acabar. Nós morreríamos? Mas e daí? Eu beijei Piper. Vocês entenderam o que eu disse pessoas? EU BEIJEI A PIPER! Por um momento eu achei que as coisas ficariam bem e que sairíamos salvos de tudo isso.
Minhas esperanças foram por água abaixo quando João colocou a espada na garganta de Annie.
Eles ficaram lá, se encarando. Annie irradiava ódio e João... bem, eu odiava João com todas as minhas forças, mas algo estava errado ali.
A esperança voltou quando João se virou e atacou Tay, que pareceu surpreso, mas depois se recuperou e se lançou para João também.
Bem, Percy tinha machucado Ares a alguns anos. Só um detalhe: João não era Percy. Ou seja, era suicídio atacar o deus.
Me forcei a olhar para uma “bolinha” negra encostada na parede. Essa “bolinha” produzia ruídos e gemidos. Essa “bolinha” era Annie, que estava toda encolhida, ela vomitava algo verde e se contorcia de dor.
- TRAIDOR – Tay gritava ao lutar com João.
- Seria um traidor de qualquer jeito não? – João deu de ombros.
- Por que não a matou? – Tay ainda gritava.
Eu tinha que admitir, os dois lutavam bravamente, mas Tay parecia mais se divertir do que lutar sério. João estava soando e Tay completamente seco.
- Eu não poderia, você sabe por quê! – João gritou de volta – nem você poderia. Matar sua própria filha Tay? — o sorriso de Tay vacilou por um instante e João sorriu vitorioso.
Epa epa, foi isso mesmo que eu ouvi produção? Matar, filha... Tudo isso na mesma frase? Fui juntando as peças, uma por vez e no fim eu consegui isso: TAY É PAI DE ANNIE!
Olhei apressado para Annie, que tinha a atenção presa em Tay. Ela parecia chocada. João e Tay pararam de lutar e ficaram encarando Annie, que com cuidado, se levantou fracamente e os encarou.
- Pode repetir por favor? – ela perguntou, sua raiva brilhava ainda mais.
- Isso mesmo filhinha querida. Eu aqui, sou seu pai. Você acha que eu sempre fui jovem? Não, consegui minha imortalidade a menos de dois anos. E você está com quando? 15? – ele fez uma pausa – Eu sou assim realmente...
Pisquei e quando abri os olhos eu via um homem com cara de 40 anos, ele era bonito, de verdade, como um galã de novela. Annie vacilou um pouco e Tay sorriu.
- É, sou o mesmo do sonho não? As bênçãos de Hipnos e Morfeu me ajudaram bastante a implantar um sonho falso em seu sono. Depois foi só fingir que eu estava sendo esmagado por algo invisível e bum: Papai está morrendo.
Tay deu uma gargalhada escandalosa e maligna e Annie parecia chocada.
- Você não é meu pai – ela usou seu resto de força e agarrou sua foice do chão e arremessou em direção do deus. O atingindo com força na perna.
Notas finais
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