Os portões se abrem e as cornetas tocam novamente, todas as servas estão do lado de fora junto a minha família, assim que apareço todos falam ao mesmo tempo:

—Vida longa a rainha! — Todos jogam pétalas de rosas para cima de mim. Sorrio tentando disfarçar o mal humor e entro no castelo.

A única coisa que eu quero é ficar deitada, já são 17:00, foram 5 horas de caminhada andando pelo reino todo além de todo aquele estresse com Arya e a mensagem de meu pai que eu tenho que resolver urgentemente, mas sei que de cabeça cheia nada que eu fizer dará certo.

—Irina! — Vozes me chamam, de novo. Já cansei de ouvir meu nome. — Irina!
—Fala! — Digo sem me virar para ver quem me chama.
—Filha, para de andar e me escuta é sobre suas tias!! — Na mesma hora minhas pernas travam. Bufo de impaciência e me viro aproximando-me de minha mãe.
—O que tem elas?
—O que tem? Irina preciso te lembrar que sua tia Anne foi baleada pelo seu amigo e que Lizzie foi brutalmente atacada pelo seu dragão?
—Ah brutalmente nada, Fergus é todo manso!
—Com você só se for porque eu vi ele atacando Lizzie, você estava com Luke em cima de você então duvido que tenha prestado atenção em algo.
—MÃE!!
—O que foi? Estou só falando a verdade! Mas indo direto ao ponto, sua tia Anne morreu e você terá que preparar o enterro!
—Por que eu? Joga em um mato qualquer, já é muita consideração que estou tendo, já que por mim, eu mandava queimar e tacar em um lixão mesmo!
—IRINA!! Ela é sua tia! — Bronqueia ela indicando que não gostou.
—Ela matou seu irmão e seu pai!
—Isso é passado!
—Não era passado a 2 meses atrás quando você ficava falando que eu tinha que me casar, que ue tinha que me tornar uma rainha pra mandar ela embora!
—Não interessa, não discute comigo! O enterro de Anne é o de menos, o problema é o que aconteceu com Lizzie.
—O QUÊ? Ela morreu...?
—Não!
—Ah que droga! Estava crente que ia receber uma notícia boa. — Ela me olha de cara feia novamente. -Ta, parei. Fala logo, o que aconteceu com a Lizzie?
—É que... Eu... Eu não posso explicar, não tenho palavras para isso! É melhor você mesma ver!

Concordo com a cabeça e resolvo a seguir para a enfermaria, estou nervosa, não sei o que verei. Desço as escadas entrando na sala. Várias camas, caixas com remédios, ervas, tudo. Ao lado esquerdo há um enorme saco preto, presumo já saber o que, ou melhor, quem está lá dentro! Aquele saco transborda um sentimento, um clima ruim. Me arrepio inteira, só de pensar. Sinto que terei péssimos pesadelos esta noite.

Ando pelo grande corredor seguindo minha mãe, vejo os médicos ao redor de uma cama, é lá. Respiro fundo, cerrando os punhos, quase arrancando os fios brancos de meu cabelo.

—Licença, a rainha veio para ver a tia! — Os médicos se viram se reverenciando me dando espaço para me encaixar ali. Levanto o rosto tirando meu olhar do enorme saco preto voltando-os para Lizzie... ou para o que sobrou dela...

Minhas mãos corriam a minha boca tapando-a com o susto enorme que tomo. Meus olhos não podiam acreditar não podiam, aquilo era surreal, só podia Uma grande parte de mim começa a pesar, pesar tanto que acho que meus joelhos não aguentar por muito tempo. Aquilo era a culpa. A dolorosa e pesada culpa.

O corpo de Lizzie se mantinha imóvel na cama, ela adormecia mas não acredito que mesmo acordada ela conseguiria se mexer. Todo o lado direito de seu corpo era irreconhecível, as chamas apagaram qualquer traço físico que ela tivesse. Seu cabelo castanho claro estava todo chamuscado pelo fogo, seu rosto não era mais o mesmo. Metade de sua face era a mesma, mas a outra era composta por uma pele caída e murcha rosa claro. Seu pé estava todo enfaixado como quase todo seu corpo.

—Ela quebrou o pé? — Pergunto.
—Na verdade teremos que amputar o pé dela...-Fala o médico tentando me consolar.
—O QUÊ? -Grito com toda a minha força. Sorte que Lizzie está sedada.
—Quando Isabel estava com as mãos em seu pescoço tentando lhe sufocar e seu... Animal selvagem...
—Dragão! — Corrijo-o.
—E seu dragão... Atacou Isabel, ele a puxou pelo pé, mas ao fazer isso seus dentes se prenderam a seu tendão e seus ossos esmagando-os de uma vez!
—Meu Deus... — A voz sai baixa.- Mãe... O que eu fiz?
—Você não fez nada, e nada de começar a se sentir culpada!
—Eu não vou, eu sei tudo que ela fez de errado, não serei chata e irritante e ficarei me ressentindo, ela mereceu, eu só estou... Meio pasma... — Digo nervosa.
—Filha, venha cá um instante. — Ela me chama para o canto da sala longe dos médicos.-Eu te trouxe aqui não só para ver Lizzie mas também porque o parlamento e os Lannister's querem um esclarecimento sobre o que acontecerá com o dragão, pra falar a verdade eles estão assustados com esse acontecimento todos, se sentem ameaçados, e... Eles pediram para lhe informar, que querem que você o sacrifique.
—O QUÊ? COMO ASSIM? N-NÃO, MÃE, NÃO! -Grito desesperada.
—Shhh! shhhh! Se acalme, fala baixo, não podem saber! Você tem que achar algo que prove a inocência do Fergus!
—Tipo o quê?
—Algo que prove que Lizzie é culpada.
—ELA TENTOU ME MATAR SUFOCADA!
—Mas para eles ela tinha motivos, em defesa dela, Jorge disse que ela estava em choque por ter acado de assistir a própria irmã ser baleada!
—Não! Não foi!
—Precisa achar algo que culpe Lizzie, que mostre que ela armou tudo com Anne, qualquer coisa que prove que as irmãs Lannister's já tentaram de alguma forma lhe machucar ou a alguém da família real!

Meu pai! É a primeira pessoa que me vem a cabeça! Se eu conseguir provar que elas estavam por trás de sua morte, eu consigo o álibi perfeito para Fergus e consigo o mandato para deporta-las da Inglaterra. Que se dane o sono, que se dane o cansaço, as buscas começam agora, cada detalhe, cada coisa de diferente, irei vasculhar cada canto desse castelo até achar alguma prova de que Lizzie matou meu pai!