Voltamos para o castelo que ainda está em um caos total. Deixo Fergus no jardim centra onde posso observa-lo e ele estará envolvido pelas paredes do castelo assim ninguém poderá machuca-lo.

Corro para o primeiro andar sem nem sequer trocar minhas roupas. Entro na primeira sala do andar e vejo Luke deitado em uma cama, com a clavícula e o braço completamente enfaixados. Um pano molhado repousa sobre sua testa enquanto o médico pinga umas gotas d'água em sua boca.

Me aproximo e o homem se levanta para se reverenciar.

—Vossa majestade!
—Irina? — Olho para trás do homem e vejo Athena sentada ali secando as lágrimas com um lenço.
—Deus... É... Eu...Lorde Byrd, muito obrigada por salvar meu amigo! – Digo grata.
—Não por isso, vossa majestade! Quer falar com seu amigo?
—Sim, por favor. Se for possível, claro!
—Com certeza, irei me retirar, qualquer coisa pode me chamar. Licença! Quer que eu peça para que essa moça saia?
—N-não, obrigada!

Aceno com a cabeça e ele sai do quarto. Me aproximo da maca me sentando no banco que está ao lado do de Athena.

—E-Eu, eu queria poder; conseguir encarar você, olhar nos seus olhos, mas não dá. Acho que não consigo encarar sequer a mim mesma!
—Não consegue se encarar ou não consegue ME encarar? — Ela pergunta ainda com o tom doce e suave de sua voz.
—Acho que os dois... — Digo olhando para a mão de Luke que agora segura a minha. Involuntariamente uma lágrima me escorre pelo rosto e a seco rapidamente.
—Irina, eu sou mãe. Posso garanti-la que não há dor pior no mundo do que perder o próprio filho, mas eu quero que saiba que além de Luke estar vivo, graças a Deus, o que aconteceu naquele salão, não chegou nem perto de ser sua culpa!
—Mas Athena, Luke se jogou na frente da bala pra me proteger, se não tivéssemos sequer nos conhecido ele não estaria aqui agora!
—Então a culpa é de Arya, já que foi ela que nos apresentou à você!
—Você me entendeu, Athena! Parece que não param de ter consequências pela escolha que eu fiz, e a maioria parece ser péssima!
—Irina, você salvou sua mãe, suas irmãs e irmãos e...
—Mas eu podia ter feito tudo isso se apenas escolhesse um marido e me casasse!
—Eu não terminei, posso?
—Sim, pode, desculpa!
—Você salvou sua família, poderia a salvar também se apenas a casasse, mas você salvou a si mesma de uma vida infeliz e submissa a um homem o qual mal conhece! E quem lhe garante de que Lizzie e Anne não fossem fazer isso, mesmo que estivesse casada? O tiro apenas pegaria em outra pessoa. E saiba que mesmo Luke sendo meu filho, a vida dele não é mais importante do que a de uma prostituta ou de um bastardo. Irina, você aprendeu a se defender, a defender seu povo, se a Alemanha resolver invadir a Inglaterra você não irá fazer como as rainhas de antigamente, que corriam para dentro de um quarto e se trancando e ficando por lá rezando para seus maridos voltarem. Você mesma terá a chance de defender e lutar pelo que é seu de direito, de lutar pelo seu país, não venha com arrependimentos agora Irina, pois o tempo já passou, você já fez sua escolha e acho bom que comece a se orgulhar dela e encarar de cabeça erguida qualquer que seja a consequência que vier, boa ou ruim, pois tudo que lhe acontecer daqui pra frente será consequência de sua escolha, até mesmo um copo de vidro quebrado será culpa de sua decisão então não se lamente e não chore pelo leite derramado meu amor, porque você é uma Khaleesi e está na hora de assumir suas escolhas e encarar as consequências, se tudo de mal que acontecer você for por a culpa em si mesma, e em sua decisão, então acho melhor mandar uma carta agora mesmo para a igreja desistindo de tudo e logo depois outra carta para algum francês qualquer pedindo-o em casamento e abdicando de seu trono.

Ela aperta meu ombro em cumprimento e então se levanta.

—Vou deixa-los a sós! — Ela vai saindo da sala.
—Athena! — A chamo antes que vire o corredor.
—Sim? — Ela vira me olhando.
—Obrigada! — Ela acena com a cabeça sorrindo para mim e então sai da sala de uma vez.

Volto meus olhos e minha atenção para Luke que está acordado mas meio atordoado pelo efeito da morfina. Com leveza tiro alguns fios de cabelo de seu rosto, retirando o pano e noto que aos poucos ele abre os olhos.

—Irin...
—Shhh! – Ponho levemente minha mão em seu rosto acariciando-o. – Não fala nada, ainda está fraco, sem contar que a única que deve dizer algo aqui sou eu...

Ele da um pequeno gemido e eu rio.

—Tá bom, tá bom! Está ficando muito meloso, eu sei. Mas queria te agradecer por salvar minha vida, mesmo sabendo que eu não precisava ser salva! Ninguém nunca se jogou na frente de uma bala por mim.
—Na verdade nunca tiveram chance para saber quem se jogaria ou não! – Ele diz em meio a uma tosse. Ajeito sua cabeça no travesseiro e o dou um pouco d'água. Respiro fundo e então digo ainda mexendo em seu cabelo.
—Posso não saber quem se jogaria na frente de um revólver por mim, mas sei de muitos que gostariam de estar por trás dele.

Ele tenta falar algo mas não consegue, aproximo meu ouvido de sua boca e então ele sussurra gastando o preciso oxigênio que ele mal consegue inalar.

—Eles podem apertar aquele gatilho quantas vezes quiserem, mas não se preocupe pois em cada uma das disparadas eu estarei na sua frente!
***
Dia seguinte

Após todo aquele ocorrido de ontem, e depois de ter visitado Luke e garantido que ele está bem, parti para cama e fui dormir de tão cansada que estava. A TEPCK se recusou a ir embora sem o Luke então pedi para que arranjassem alguns quartos para eles. Fico feliz que eles continuem aqui por mais um tempo, me sinto mais em casa.

Levanto-me da cama meio tonta de sono, minhas criadas me ajudam a levantar e a tirar minhas roupas já que ontem sequer me preocupei em tirar a armadura de tão exausta que estava. Entro em minha banheira esfregando-me com a esponja enquanto elas organizam meu quarto.

Assim que termino, elas seguram apenas um robe dizendo que meu vestido para o dia eu só posso por após o café da manhã. Elas me vestem e deixam meu cabelo solto dando apenas uma penteada básica, uma de minhas criadas trás a caixa de vidro a qual a coroa está. Ela põe as luvas conforme a lei manda e a prende em minha cabeça.

—Vossa majestade, já está pronta! Precisa de algo mais?
—Não, obrigada Lina, ta tudo bem, estão dispensadas. — Elas se reverenciam e saem do quarto.

Ponho minhas sapatilhas italianas e desço o castelo indo para a sala de jantar. Assim que entro vejo a TEPCK inteira sentada ali, junto a minha mãe, minhas irmãs e irmãos, todo mundo, até Luke.

—Olha quem chegou!! -Todos se levantam e aplaudem. Sinto meu rosto queimar de vergonha mas rio da situação toda.
—Seu primeiro dia como rainha, e ai, como se sente? — Pergunta Lauren.
—Poderosa.
—Uiii, da licença gente que agora que ela é rainha,, ela não se mistura com a plebe! — Zoa Luke.

Todos riem e eu posso jurar que vi e ouvi Richard sussurrar: "Então sai daqui!". Devo estar ficando paranoica, Richard nunca implicou com ninguém por causa de renda até porque antes do pai dele e de Tomás falecer, eles viviam com ele trabalhando em uma peixaria e mamãe cuidando da casa então o dinheiro sempre foi limitado. Mas e se eu não estiver imaginando coisas e Richard de fato tiver falado...?

—Bobo!! Ah sim, obrigada por me lembrar, senhor Johansson, hoje eu tenho que fazer um passeio pelo reino, abençoar as casas, meu povo e o reino inteiro, resumindo. Quero companhia!!
—A gente vai parar pra almoçar? — Pergunta Skyler. A encaro com um olhar como quem diz: "É sério isso?"
—Vamos Sky, ninguém vai ficar sem almoço! — Respondo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
—Então eu topo! — Ela diz tomando um gole de seu suco de laranja animada.
—E-eu também topo! — Diz Eddy ajeitando a camisa. Por quê ele deu essa gaguejada?
—Arya e você? Vai? — Pergunto.
—Que? Quem? Eu? Ir aonde? — Ta todo mundo estranho hoje, o que está acontecendo?
—Ir comigo caminhar pelo reino, abençoar o povo!
—Ah sim, sim, eu vou! — Ela concorda enfiando uma garfada de ovos mexidos na boca.
—Estava pensando em que senhorita Stark, para estar tão distraída? Ou melhor, em quem...? — Pergunta Eddy e todos começamos a rir. Rio tanto que minha barriga chega a doer. Mas é claro que Arya não deixará barato. Ela pega seu copo'água pondo uma grande quantidade na boca enquanto Eddy continua a rir.

Ela o encara com um olhar traiçoeiro, cerrando os olhos e então como um jato, Arya da uma enorme cusparada em seu rosto molhando-o da cabeça aos pés. Minha barriga se contrai em uma enorme risada, sinto ficar vermelha de tanto que rio. Todos rimos e rimos sem parar. Eddy fica parado tentando acreditar no que aconteceu enquanto Arya ri de sua expressão embasbacada.

—Não mexa comigo meu caro, Edison Truman! — Ela ri alto de modo maléfico e faz um gesto para Lauren e ambas batem as mãos em comemoração. -Enfim, quem mais vai além de mim, Sky e o cuspidinho? — Ela muda de assunto mas não perde a piada.
—Isso vai ter volta, senhorita Stark! — Ele diz se secando com os guardanapos.
—Pode vir! Mas lembre-se aqui se faz, aqui se paga, não mexa com um Stark!
—Uuuhhh que medinho, Arya! Vamos ver quem ganha!

Ambos se encaram com um olhar desafiador, eu não sei se rio ou se rio, porque não tem mais o que fazer, mas se for pra escolher um lado eu voto na Arya, desculpa Eddy.

—Majestade? — Olho para trás e vejo o auxiliador de minha mãe, ele que dizia a ela quando tinha alguma reunião, ou algo que tivesse que fazer, bem, acho que agora ele é meu auxiliador.
—Ah claro, Irina este é Alfred, ele lhe ajudará a programar suas tarefas e a fazeres de rainha.
—Khaleesi! — Corrijo-a em meio a uma falsa tosse e todos riem de meu sarcasmo.
—Ok, Khaleesi. Pode falar, Alfred!
—Vossa majestade, primeiro gostaria de dizer que é uma honra e um prazer imenso trabalhar com a senhora, e como seu auxiliador, devo lhe dizer que hoje seu dever como rainha é cumprir a La Caminhada del Benedictio ou também conhecida como A Caminha da Benção, ontem em sua coroação o povo lhe abençoou, hoje é a sua vez de lhes presentear com sua graça! A caminhada começa ao meio dia em ponto, o que significa, dentro de 1 hora, tens 30 minutos para fazer o que tenhas que fazer e depois me encontrar nos portões. Alguma pergunta?

Ele despejou tudo aquilo de um modo tão rápido que admito que não entendi mais nada após a palavra auxiliador, a única coisa que conseguia me concentrar era em sua careca brilhante com poucos fios de cabelo pelas bordas e em seu sotaque francês.

—Majesté? — Ele fala em sua língua nativa pondo ênfase no Té.
—An? Sim?
—Alguma pergunta?
—Que? Ah não Alfred, nenhuma, obrigada. Ah mais uma coisa!
—Diga, vossa majesté!
—Eu levarei alguns amigos comigo! Tudo bem?
—Ó céus! — Ele se abana como quem sabe que terá trabalho e sai de sala e todos voltamos a rir.
—Então Majesté... — Zoa Luke. — Será que pode responder para mim e para todos nessa mesa, de onde tirou aquele dragão?
—De um ovo!
—Haha muito engraçadinha, vossa majestade! — Ele diz forçando uma risada falsa.
—Richard e Tomás me deram um ovo de dragão de presente e eu resolvi testar a tese! — Prefiro ocultar deles que tenho mais 2 ovos de dragão, não quero que ninguém mais saiba disso além de mim, Richard e Tomás. — Só isso... Enfim, tenho que trocar de roupa, mais uma vez! Vejo-os mais tarde! — Digo tentando mudar o foco do assunto.

—Espera! Eu vou também! — Fala Luke. Ele está maluco por acaso?

—Não vai não! Levou um tiro no braço, o senhor vai ficar bem aqui! — Fala Lauren e nós rimos. Ela nunca foi o tipo de pessoa que sabe se impor.

—Mas...

—Nada de "Mas", agora anda, está na hora de seu remédio!

Rio da situação e vou andando para meu quarto onde elas retiram meu robe e põem um lindo vestido simples. Ele é de alça e parece uma camisola longa. É rosa claro feito de seda, é o vestido mais leve que já usei. Elas tiram minha coroa de diamantes, ouro e pedras preciosas pondo no lugar uma coroa de flores. Ponho uma sapatilha branca e então saio de meu quarto indo direto para a entrada do castelo.

Lá já estão parados conversando Skyler, Arya e Eddy. As roupas que estão usando são MUITO maneiras, queria poder vesti-las. São trajes de batalha, roupas pretas de couro que os cobrem totalmente, os três carregam espadas e facas.

Me aproximo e Eddy fica fazendo pose exibindo seu novo traje.

—Caraca Irina! Eu acho que eu to apaixonado por esse traje! — Diz Eddy todo bestificado com a roupa. Gente nunca viu couro, não?
—Ata, vai crendo que é pelo traje que ele ta apaixonado! — Fala Arya.

—Oh mulherzinha implicante, hein!

—Enfim, será que podemos parar de discutir e ir para nossa caminhada? — Falo num tom calmo e eles riem acenando com a cabeça.

Por um momento percebo o como eu ri só nessa meia hora que acordei. Tudo é motivo para rir, tudo é motivo para sorrir, havia tempos que não me sentia assim! Sem ter que me preocupar com casamentos; tenho meus melhores amigos coisa que eu nunca tive a chance de ter, por questão de segurança então estudava em casa; Lizzie e Anne estão totalmente fora de minha vida. É perfeito!

Saio do castelo e as cornetas são tocadas, o hino da igreja toca e eles anunciam:

"-Que La Caminhada Del Benedictio se inicie!"

Começamos a andar pela trilha de pedras que nos leva até o reino. Guardas se posicionam em todos os lados mas os únicos que estão totalmente próximos a mim são meus amigos que se posicionam de meu lado direito, esquerdo e atrás.

—Espera! — Digo antes de dar mais algum passo. Todos me olham confusos tentando entender o porquê de eu ter parado.

—Algum problema vossa majesté? — Pergunta Alfred em pânico para que continuemos.

—Por que não tenho uma espada? — Indago.

—Porque vossa majestade é a rainha, e é a caminhada da Benção! Sem brigas ou batalhas!

—Sim, mas quando meu pai andou pela trilha e fez essa mesma caminhada, ele carregava sua espada e sua armadura consigo!
—Vossa majestade, seu pai era o rei e a senhorita...

—E eu sou a Khaleesi! Tenho os mesmos direitos que um rei, ou o senhor não viu aquele Wyrm morto na arena? Quero uma espada, A-GO-RA! — Ele engole em seco sem saber o que fazer olhando para todos os lados procurando uma alternativa. — Meu caro Alfred, saiba que eu não darei mais um passo enquanto não tiver uma bainha presa a minha cintura com uma espada dentro! — Ele hesita, mas relutante ele fala:
—Pedirei para que tragam vossa espada, Majestade! — Ele sai correndo e Arya me encara com um sorriso pasmo no rosto. Ela curva a cabeça como quem diz: "Olha, se saiu bem! Não sabia que tinha esse poder todo!"

Todos me olham com orgulho. Logo Alfred volta com minha espada e a prendo na minha cintura.

—Melhor assim! Muito obrigada, Alfred! — Digo e ele novamente seca seu suor com seu lenço de tão nervoso que ele está. É engraçado, admito.

—Disponha, Vossa Majestade!

Eles riem do desespero de Alfred para satisfazer meus pedidos e então seguimos a trilha. Chegamos aonde os vilarejos e aldeias se localizam. Casas de madeira, tijolos, brancas, verdes, era tudo muito lindo. Foram poucas as vezes que tive chance de visitar meu reino já que de acordo com os conselheiros de meu pai eu poderia ser raptada, o que não me convence, acho que eles não queriam era que eu me misturasse com pessoas mais necessitadas.

Afasto meus pensamentos da política e foco-me naquela beleza. As pessoas jogam pétalas de rosas em mim e gritam comemorando. Há música por toda a parte, é pura festa, sorrisos por todos os lados, eles exalam alegria.

—Irina? — Chama Sky.
—Fale!
—Você não fica com medo com essas 1000 pessoas te encarando?
—Medo? — Rio de sua pergunta.

—É, quero dizer, não fica nervosa?

—Na verdade... Por mais estranho que pareça, não... Por mais tímida que eu fosse, hoje não sou mais.

—Como?
—Uma pessoa, a um tempo atrás, me ensinou que não devemos temer 1000 olhares quando eles estão sobre 500 sorrisos! — Digo sorrindo para ela que sorri de volta para mim.

Andamos alguns quilômetros até que a fome começa a aparecer. Nos sentamos em um restaurante, todos estão pronto para fazer seus pedidos, menos eu. Trouxeram minha comida do castelo por precaução, risco de envenenamento então não posso comer nada antes que passe pelos meus provadores e tudo mais.

—Vossa Majestade, aqui está seu prato! — Levanto a cabeça para agradecer.

—Obrigada! — Viro-me de novo para meu prato. Estou faminta. O garfo encosta em minha boca quando algo me chama a atenção, uma luz reflete em meu olho propositalmente me ofuscando a visão. Olho na direção e vejo uma pessoa, não consigo distinguir o que ou quem seja mas vejo uma silhueta segurando um pedação de vidro. Sei que quer me chamar a atenção. Quer que eu vá em sua direção. Automaticamente largo meus talheres os apoiando sobre o prato.

—Algum problema, Irina? — Pergunta Arya.

—Tudo bem? — Pergunta Eddy.

—Eu, eu... Eu to bem! Me deem licença, por favor! — Levanto-me e um dos guardas me barra.
—Aonde pensa que vai, vossa graça?

—Eu preciso tomar um ar, acho que esse sol quente em minha cabeça não me fez muito bem!
—Devo acompanha-la! — Ele diz.
—É não! Não precisa, sei que estou segura com vocês aqui! Lembre-se sou uma Khaleesi, sei me proteger tão bem quanto qualquer rei que passou por mim! Obrigada por sua preocupação! — Agradeço-o e ele tira seu braço deixando-me passar. Sei que todos devem estar me encarando mas sigo na direção da luz.

Passo entre as árvores e vejo uma casa pequena. Um andar, feita de madeira, bem humilde. Vasculho o local a procura da pessoa que me chamava. Não vejo nada. Viro-me de costas a procura de alguém e nessa virada dou de cara com uma mulher. Me assusto, recuando para trás prendendo um grito em minha garganta. Meu coração e minha respiração aceleram automaticamente.

Logo que me acalmo começo a analisa-la da cabeça aos pés. Ela é bronzeada, cabelos pretos, boca vermelha como sangue, usa roupas normais. Nada de estranho, mas segura o pedaço de vidro o que indica que foi ela que me chamou.

—Q-Quem é você? — Pergunto ofegante.
—Vossa Majestade!! — Ela se ajoelha. — Aqui chamo Madchen! Mas em outros planos, sou conhecida como a invocadora!

—Invocadora...? Outros planos...? O quê?
—Sim, vossa majestade!
—Por que a senhora me chamou aqui?
—Me chame de Chen, por favor!
—Ok, Chen! por favor me explique o que está havendo!

—Bem, vossa graça, recebi um sinal das estrelas, dos deuses, pedindo para falar com a senhorita! Por favor, me escute sei que és protestante assim como a Inglaterra! E eu sou, juro por tudo que há de mais sagrado, vossa majestade! Sou cristã como todos aqui! Não quero acusações de que cometi atos pagãs! Sou cristã, só que uma coisa me difere dos outros, e essa coisa foi ter sido abençoada com dons que outros não tem!

—Você diz como um... Sexto sentido?

—Exatamente como um sexto sentido! Minha família toda provem de alguma espécie de dom e o meu é a capacidade de passar mensagens para os vivos, mensagens que os mortos precisam dar e não tiveram a chance! Acredite em mim vossa Majestade, pois saiba que estou pondo minha família toda em risco contando-a isso, poucos sabem desse segredo, é um risco contar isso para a senhorita já que poderia mandar me prender por meus atos, mas sinto que devo lhe contar, não posso negar um pedido dos que estão em outro plano!

—Chen, o que quer dizer isso? Por que está me contando isso tudo?

—Porque... Porque... Porque há uma alma querendo falar com você, majestade...