A Filha Da Lua
29 Capítulo 29
—O quê?- Pergunto sem entender nada.
—Me acompanhe, é melhor falarmos disso em um local mais privado. — Ela pede para que eu a siga e vamos para dentro da casa.
Minha mão segura o cabo da espada, meus olhos tomam conta de todo o local, fico alerta com medo de ser uma emboscada, me sinto vulnerável e exposta.
—Não se preocupe rainha, ninguém seria tolo em ataca-la no dia da caminhada!
—É isso que me deixa com mais medo... — Digo. Ela abre a porta de casa e começo a observar tudo.
A sala é toda escura exceto por umas velas, e lâmpadas muito fracas. As cortinas tapam qualquer luz que venha de fora. Há três mesas redondas todas bem afastadas umas das outras, 2 cadeiras em cada mesa, uma de frente para a outra. Ela me leva para a do meio, que está no outro lado da sala.
—Sente-se, majestade! — Continuo alerta esperando algo. Um estrondo me chama a atenção. Tiro a espada da bainha num pulo pronta para atacar quem viesse daquele corredor. Ando devagar pronta para empunhar a espada até que o causador do som aparece.
—Tia? — Uma criança branca, tão branca quanto as nuvens, ela tem cabelos castanhos longos e segura uma boneca de pano.
—Ah Bella! O que foi isso? Assustou nossa convidada! — Ela aponta para mim. A criança me olha assustada e guardo a espada. — Majestade, essa é Bella, minha sobrinha.
—Oi!
—"Oi majestade." Reverencie-se, querida. — Ela corrige a garota.
—Não, tudo bem! — Ela curva os joelhos mas dispenso seu gesto por educação.
—Chen? Bella é como você?
—Como assim? Quer saber se ela tem dons como eu?
—A-hã.
—Sim, ela tem. Bella pode ver a morte das pessoas. Mas não é concreto. Você pode estar devendo a alguém e então essa pessoa manda te assassinar mas então quando os assassinos chegam você acaba milagrosamente arranjando o dinheiro e se livra da dívida. Então a causa de sua morte muda e assim a visão dela também.
—Então ela é vidente?
—Não exatamente, ela não vê nada além de como as pessoas irão morrer. Isso a atormenta todos os dias.
—Não tenho tanta precisão de minhas visões como você, majestade! — Meu coração dispara. Como aquela garotinha sabe?
—Que? Como assim?
—Nossa família pode identificar outros como nós. Fique tranquila, seu segredo está bem guardado conosco! Mas o que ela quis dizer é que o que você vê Irina, é real, é concreto, é o destino, não há forma de ser alterado, de qualquer modo aquilo acontecerá. Me entende?
Me lembro de minha visão que tive a um tempo, da garganta sendo cortada, do colar de safiras e da enorme dúvida sobre a quem pertencia aquele pescoço.
—Acho que sim... — Engulo em seco. Ela segura em minha mão me sorrindo de forma acolhedora.
—Agora vamos ao porque de eu ter lhe chamado aqui! Bella querida, por favor vá para seu quarto!
—Foi um prazer conhece-la, majestade!
—O prazer foi todo meu, querida!
Ela sorri para mim e sai puxando seu vestido animada. Rio de sua reação e me sento à mesa. Diferentemente do que eu esperava ela não pega cartas ou uma bola de cristal, embora eu veja tudo isso ao redor das prateleiras. Ela apoia seus braços na mesa indicando para que eu segure suas mãos, assim o faço. Ela tosse limpando a garganta e começa a falar palavras em uma língua que não consigo diferenciar. Uma mistura de latim, com grego, inglês e tudo mais.
Ela fala as mesmas coisas repetidamente e então é como se ela houvesse morrido. Seu corpo cai de cara na mesa mas suas mãos continuam segurando a minha. Lentamente seu corpo se ergue voltando a posição anterior e seus olhos se abrem.
Uma íris clara, tão clara que chegava a quase ser branca, o que era aquilo? Seus olhos eram tão escuros como o ébano e agora estava claros como nunca.
—Irina Targaryen?
—Sou eu...- Respondo com medo.
—Acho que devo parabeniza-la pela coroa! Estou muito feliz com sua vitória!
—Quem é você?
—Não reconhece mais seu próprio pai? — Levanto da mesa pulando para trás, dando com a cabeça na parede. Minha mão sufoca minha garganta para que eu não grite e alerte os guardas.
—Oh meu Deus... Pai?
—Surpresa por me ver, vossa Majestade? — Ele fala e então sorri de um modo que nunca vi.
—PAI! PAI! Você veio!
—Você conseguiu!! Tem alguma noção do como chorei e fiquei emocionado ao assisti-la? Ao ver a plateia se reverenciar e cantar o hino para você? -Fico arrepiada ao ouvir suas palavras e deixando as lágrimas escorrerem. — Você me encheu de orgulho Irina, vejo que se culpa pela minha morte e por tudo que vêm acontecendo, mas entenda que essa foi a melhor escolha que já fez! Eu te amo, filha!
—Também te amo pai! — Digo chorando. -Mas... Espera! Achei que quando morrêssemos nossas almas encontrassem a luz e fossem embora aguardando o juízo final.
—Apenas as almas em paz, satisfeitas e livres conseguem seguir a luz. E eu não pude!
—Como assim? O que houve?
—Irina preciso que me ajude! Minha alma anseia por sua volta a 2 meses! Não pude relaxar e descansar, precisava saber se a coroa seria sua, precisava estar lá para garantir que nossa família estivesse bem, mesmo com minha e sua ausência!
—Mas por quê ainda está aqui?
—Porque não era só esse motivo que me prendia aqui!
—Então o quê?
—Irina, precisa guardar segredo sobre o que irei lhe contar. Não tenho provas e você também não, precisa manter sigilo total sobre essas informações.
—Deixe comigo, pai! Fale!
—Eu não peguei a doença de Mary...
—Que?
—Irina, eu fui envenenado.
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