25 de março, 1485 — 19:00
22 dias para a próxima lua cheia.

A luta entre os Lannister e os Targareyn havia começado todos lutavam sem parar, minha mãe estava em puro desespero e eu estava trancada no sótão junto as minhas irmãs. Ficamos quietas tentando não fazer nenhum barulho mas então a porta se abre brutalmente, é meu tio Jorge, ele invade o quarto e parte para cima de nós com sua espada.

Levanto de imediato com a respiração ofegante, meu coração bate mais forte que nunca. Esfrego meus olhos com as costas de minhas mãos e abro os olhos aos poucos.
Foi tudo um sonho!
Estou no meu quarto, não vejo ninguém por perto tento me levantar até que ouço uma voz.

—Ina!- Sinto mãos nas minhas costas me amparando. Richard.
—Richard? O que aconteceu? — Sinto minha garganta arder com a seca.
—Você desmaiou depois de ter sufocado por causa do veneno que tinha em sua gargantilha.
—Por quanto tempo?
—5 dias!
—5 DIAS!? Como?Cadê meus pais?
—Nossa mãe está no ultimo andar rezando, seu pai está tentando acalmar os franceses que não aguentam mais ficar na Inglaterra sem nenhuma resposta. E se me permite dizer... Acho que você acordou por causa de alguma magia de nossa avó.
—Por que acha isso?
—No dia que você entrou em coma o médico disse que demoraria para você acordar, isso se acordasse. E que também teriam chances de você estar cega ou surda ou até mesmo com problemas mentais pelo tempo que você ficou sem oxigênio. Nessa mesma noite, na hora do jantar, ela saiu para a floresta. Depois, quando eu estava dormindo me levantei para pegar um copo d'água e esbarrei com ela na cozinha, ela carregava uma caixa, e eu via algo brilhando dentro dela.
—E não viu o que era?
—Não, tenho medo da vovó às vezes. Acho melhor você perguntar a ela.
—Eu, eu irei... -Falo ainda meio zonza. -Sabe, eu adoro as magias de nossa avó e nossa mãe. Mas, odeio quando são usadas em algum de nós. Elas vivem dizendo que não devemos fazer magia por aí, que é perigoso, que toda magia vêm com um preço, e então a usam em mim! Seja lá qual for o preço, eu terei que pagar!

Ficamos em silêncio por um tempo olhando para o nada até que Richard o rompe.

—Eu vou chamar seus pais...
—Espera! Não estou nem um pouco a fim de ouvir meu pai falando sobre qual dos duques franceses ou russos eu irei escolher! -Digo desanimada e cansada.
—Imaginava que você fosse dizer isso.— Diz ele rindo. O sorriso dele é muito fofo nunca havia reparado. Os dentes dele são tão brancos que parecem o céu no inverno!
—Então... Richard Targareyn... Você até agora não me contou como é lá no Brasil!
—O quê?! -Ele abre um enorme sorriso de pura excitação pra contar sobre o país. -Lá é demais, Ina! Você iria adorar!
—Me conta mais, então! -Ele fica ali me contando tudo que viu por lá completamente fascinado com um sorriso encantador estampado no rosto.

Depois de várias horas de perguntas e respostas, nós resolvemos ir dormir. Ele faz menção de ir embora para seu quarto, mas seguro em sua mão puxando-o de volta.

—Fica comigo? Só essa noite! Você é o único que não me enche o saco. Por favor! -Ele da um sorriso de lado mais fofo ainda dando meia volta e deitando na cama.
—Sempre que precisar de mim, pode chamar.

Fico próxima a ele, com a mão e a cabeça repousadas em seu peito que sobe e desce calmamente junto a sua respiração. Sinto seus batimentos, enquanto ele afaga meu cabelo com a mão. Depois de alguns minutos assim, ele para, pegando no sono.

Já eu, não consigo dormir.

Me levanto aos poucos tentando não acorda-lo, vendo o quão lindo ele fica dormindo.

Do lado do armário, está o baú que estão os ovos dos dragões e o arrasto para perto da lareira. Abro-o devagar para não acordar Richard com o ranger das dobradiças. Fico olhando para os ovos, eles me deixam completamente fascinada. Não consigo tirar os olhos deles.

"Diz a lenda que se você os colocar em um lugar com uma temperatura muito alta eles se eclodem e libertam os dragões e se eles chocarem de dia são vermelhos ou laranjas porém durante a noite eles podem ser brancos, cinzas ou pretos!!!"

Do nada o parágrafo de um dos livros que lia me vem à cabeça.

Olho para a lareira e há uma panela em cima dela, vazia. Pego o ovo roxo e o coloco dentro da panela. Fico ali encarando-o até que ouço a voz grave atrás de mim.

—Irina, está tudo bem? Quer que eu chame o médico ou nossos pais?
—Não... Não... Estou bem, obrigada.- Ele se levanta e se senta ao meu lado no chão.
—O que está fazendo?
—Não conseguia pegar no sono então resolvi testar a lenda.
—Gosto disso em você... É o que a faz ser uma das minhas irmãs favoritas. -Ele fala ajeitando sua blusa branca de manga cumprida larga.
—Como assim?
—Não liga se os outros dizem que é apenas uma lenda!
—Eu sinto que não é apenas uma lenda... Sinto isso no meu sangue. É estranho... E é mais estranho ainda que não senti isso quando os ganhei. Mas, agora que os segurei... Que pude vê-los novamente...

Fico ali olhando para o fogo. Até que depois de um longo tempo, adormeço em seus ombros.

26 de março, 1485 — 10:00

Acordo instantaneamente.

Suando frio, minhas mãos tremem e minha cabeça lateja.

Minha avó ja me contou desses sintomas uma vez. Ela contou que caso eu os sentisse era para procurar ou ela ou minha mãe ou Lauren.

—Richard! Richard! ACORDA! — Ele levanta rapidamente em pânico.
—Vou chamar seu pai!
—NÃO! CHAME A MAMÃE OU LAUREN OU NOSSA AVÓ! — Grito com tanta força que é capaz do castelo todo ter ouvido, mas estou em desespero.
—TA BOM!- Ele sai correndo para fora do quarto enquanto eu tento me levantar apoiando meu peso na haste da cama como uma mulher prestes a dar a luz. Aperto com força na esperança daquela dor passar.

Minha respiração fica ofegante, meu coração bate com rapidez e meus olhos doem. Eu desabo sobre meus joelhos não aguentando ficar de pé.

Vejo minha mãe e minha irmã entrando correndo. Elas pedem para que Richard vá buscar Jacquetta, nossa avó, e ele o faz.

Minha mãe se aproxima. Ela se ajoelha na minha altura já que estou caída no chão. Ela passa a mão em meus cabelos tirando-os de meu rosto, ao mesmo tempo que minha irmã procura algo nas gavetas.

—Irina! Filha! Quero que se concentre na minha voz! Apenas na minha voz! Você vai ter uma visão! Quero que me conte tudo que vê! — Ela diz próxima ao meu ouvido para ter certeza de que eu a ouvi.

De repente minha visão embaça, tudo fica escuro, então a imagem volta e eu vejo:

A lua... Um enorme dragão branco... Uma garota de armadura com sua espada... Cabelos brancos e olhos roxos... Ao seu redor há uma enorme platéia gritando: "Vida longa à filha da Lua!!!"

A imagem some e a visão normal volta. Tudo como estava. Minha mãe me ajuda a levantar enquanto Lauren anota algo em um papel.

—Irina? Irina, está tudo bem! Vamos filha conte-me o que viu? Lauren anotou tudo? — Pelo que parece eu falava enquanto tinha a visão.
—Sim... -A porta se abre com força minha avó vem correndo em minha direção e começa a falar:
—Ela teve uma visão? — Ela pergunta exasperada.
—Sim! -Responde Lauren.
—E o que viu querida? Conte!
—Eu vi uma mulher de cabelos brancos, olhos roxos... Ela... Ela segurava uma espada e rodopiava no ar em movimentos. Ela estava lutando... -Digo ofegante. — Era eu... -Concluo
—Impossível, filha! -Diz minha mãe. -Se você tivesse me puxado e fosse loira dos olhos verdes estaria tudo bem, mas, você tem a aparência da família de seu pai, cabelos escuros, olhos castanhos. Deve ter sido outra pessoa, no caso um homem, talvez. Sabe que nós mulheres não aprendemos a como empunhar uma espada!
—É mãe! Um homem com seios! Realmente! -Respondo com sarcasmo. -Eu tenho certeza de que era eu!
—Mais alguma coisa? — Pergunta minha avó.
—Antes de acordar quando a música acabou ouvi um grito, ele dizia: "Vida longa a filha da Lua"
—Filha da Lua? — Pergunta minha mãe tão confusa quanto eu.

Percebo em minha avó o olhar espantado, confuso e maravilhado ao mesmo tempo. Em seguida ela olha pra baixo tentando disfarçar algo, nota-se que ela engole em seco sem saber o que dizer. Penso em perguntar sobre o que Richard me disse, mas, decido deixar para outra ocasião, uma de preferência em que estejamos a sós.

—Mãe, eu estou confusa... — Sinto como se minha cabeça fosse um quebra cabeças de 10.000 peças. Incapaz de ser resolvido.
—Tudo bem, filha. Descanse um pouco. E mãe, preciso conversar sobre um assunto sério com a senhora. Venha, Lauren! Deixe sua irmã dormir. — Diz minha mãe enquanto as 3 saem do quarto.

Não estou cansada, estou curiosa, e o termo Filha Da Lua não sai da minha cabeça.

Preferi ocultar a informação de que numa parte da visão eu conseguia ver um dragão branco cuspindo fogo. Pode assusta-las!

Levanto rapidamente, acabo de lembrar que um dos ovos ainda está na lareira. Me aproximo dela, e o vejo ali. Resolvo deixá-lo aonde está, então, me sento no banquinho e fico em frente ao fogo, parada, apenas olhando.