28 de março — 13:00

Minha mãe e minha avó andam de segredo o tempo todo, elas se recusam a sequer admitir que andam escondendo algo, nem Lauren sabe o que está havendo.

Minha segunda irmã mais velha, Mary, está sendo cuidada por vários médicos, a cada dia que passa a doença a consome mais. Os médicos disseram que de acordo com a forma com a qual ela vem reagindo ao tratamento e a doença em geral, suas chances não são muito boas e que provavelmente ela não resistirá por muito tempo. Isso parte meu coração de uma forma que não sei explicar. Mary, Lauren e eu sempre brincávamos pelo castelo, somos inseparáveis.

Além de minha irmã, meu pai está deitado e não consegue se levantar, está cheio de indisposição. Soube que ele ficou assim 2 dias depois que desmaiei na festa.

Estou em meu quarto com Lauren, que está me ajudando a abrir os presentes da festa. Na verdade ela está os abrindo, já eu não paro de pensar na minha visão.

Algo me acerta chamando minha atenção, uma almofada, por fim noto que Lauren deve estar me chamando há uns 5 minutos e eu simplesmente sonhei acordada.

—IRINA!
—Ahn? Oi? Ah! Desculpe, Lauren.
—Pensando em quê? — Ela pergunta enquanto desfaz a fita de um presente.
—Minha visão...
—Ainda?
—Sim.
—Me conte mais sobre isso enquanto penteio seu cabelo, ele está parecendo um ninho de mafagafos. Lembra quando éramos mais novas e eu fazia você de boneca? -Ela responde rindo.

Lauren tinha a pele morena devido a quantidade de sol que pegava, os olhos verdes e grandes como os meus.

—Sim! Também me lembro que vocês me diziam que eu era adotada porque não parecia com vocês. -Digo rindo.

Me sento na cadeira que há em frente á minha penteadeira enquanto Lauren procura a escova.

—Olha, dessa vez você me surpreendeu! Nossas irmãs ganham vestidos, tecidos, jóias de aniversário e você ovos de dragões?
—Ééé! Não é emocionante? -Pergunto animada
—E como! -Ela responde sarcástica, passando o pente pelo meu cabelo.

Ficamos em silêncio alguns segundos, com eu sentindo as cerdas da escova pela minha cabeça fazendo-me pequenas cócegas, até que decido falar sobre o assunto.

—Você sabe o que está acontecendo com a vovó e a mamãe? Elas não me contam simplesmente nada.
—Não, dessa vez não sei de absolutamente nada. Pela primeira vez também não me contaram. Acho que tem a ver com você...
—Também acho. -Ela continua penteando meu cabelo.
—Ina...?
—Oi?
—Você está usando alguma erva no cabelo? Algum produto? — Seu tom de voz não me agrada muito, sua voz afina como quando está nervosa e isso só me deixa mais nervosa ainda.
—Não Lauren... Por quê?
—É que... É que eu acho que seus cabelos...Acho que eles estão mais claros... — 2 gaguejadas? Sério? Já deu pra notar ela não está brincando.
—Você deve estar precisando de óculos, Lauren. Nas pinturas e poesias dedicadas a mim todos falam da cor dos meus cabelos, que eles são tão negros quanto o ébano.
—E-eu sei ,Irina, mas eu não estou brincando. Olhe você mesma! — Ela pega meus cabelos e os joga por cima dos meus ombros para que eu possa vê-los e por pior que seja ela está certa.

Os fios estão mais claros, isso é impossível meus cabelos no sol chegavam a parecer azuis de tão escuros e agora eles estão castanhos claro? O que está acontecendo comigo?

29 de março, 1485 — 15:00

Acordo aos poucos, dispensei todas as minhas criadas, não quero que notem meu cabelo. Os fios que já estavam castanhos claros, marrons agora estão quase loiros. Me aproximo bruscamente do espelho e começo a mexer no meu cabelo, que agora é loiro escuro, olho para meu rosto tentando acreditar que meu cabelo estava assim. Mas, acho que não deveria ter me olhado no espelho. Encaro o reflexo de meus olhos e... Meus olhos, meus olhos estão esverdeados...

—Como isso é possível? — Empurro o espelho contra a parede e saio correndo para longe daquilo. Grito por Lauren nos corredores, tão mas tão alto que acho que todo mundo deve ter escutado. Passam-se alguns minutos e ela entra correndo em meu quarto, até que seus olhos pousam sobre mim. Ela solta um grito agudo de espanto e suas mãos tapam sua boca, seus olhos se esbugalham tanto que parecem que vão saltar para fora.

—Eu vou chamar nossa mãe! -Estou em completo estado de choque. Ponho o cabelo atrás da orelha e noto ali 5 fios platinados.

Como isso é possível? Não há pessoas de cabelos platinados na minha família, o que os outros vão falar? O que a família do noivo de Lauren vai dizer? Que isso são os meus pecados? "O diabo está em mim"?
E os franceses e russos? Jamais me casarei quando descobrirem, do jeito que são religiosos também.

Desabo no chão em pânico quando minha mãe, avó e irmã entram no quarto as pressas, minha mãe vem correndo e se ajoelha comigo e me abraça tentando me acalma falando: "shhhh se acalme vai ficar tudo bem calma"

Só consigo gritar em seu colo. Minha avó está cheia de livros nas mãos, ela se aproxima de nós duas e começa a passar as mãos em meus cabelos.

—M-Me desculpe Lauren! — Digo chorando e gaguejando.
—Por que está se desculpando? — Ela pergunta.
—Porque seu noivo vai lhe rejeitar ao me ver assim!
—Ei, não fica assim, Ina! Quem precisa ser um Stark Tudor quando se é um Targareyn? — Ela passa o dedo em meu rosto secando as lágrimas e me abraça.
—Nós vamos dar um jeito nisso tudo! — Diz minha mãe tensa me segurando em seus braços.
—Temos que guardar segredo de Edward. -Fala minha avó.
—Não, ele é meu marido, pai de Irina, ele merece saber!
—Concordo com a vovó, mãe. Acho melhor só contarmos depois que Ina conseguir o trono...
—Só conseguirei o trono quando me casar, esqueceu? Para isso, tenho que escolher alguém. Ninguém vai aceitar casar comigo assim, você sabe o quão religiosos são.
—Podemos esconder.
—Como eles não irão notar isso? Mãe, a cada dia que passa mais branco meu cabelo fica, como...como... Como na visão. -Tudo parece se encaixar. Engulo em seco. -Vovó o que fez comigo?
—O que está dizendo Irina? — Pergunta minha mãe.
—Richard me contou que a viu com uma caixa, viu algo brilhando dentro dela, um dia antes de eu acordar. O que tinha naquela caixa?
—Mãe, isso é verdade...? Usou magia na minha filha? -Ela pergunta com raiva.
—Eu... Eu tive que usar Elizabeth... -Ela tenta se defender.
—Mãe! Quando estávamos sentadas em frente a Irina, quando ela estava desmaiada, eu te disse que NÃO queria que usasse magia nela!- Minha mãe grita enfurecida.
—Elizabeth, eu vi o sofrimento em seus olhos, infelizmente sabemos que Mary não vai aguentar e Edward... -Ela não conclui a frase. -Você não iria aguentar perder os três, minha filha! Tive que fazer algo.
—Primeiro: Eu não irei perder nenhum dos dois, ok? E uma coisa não justifica a outra, você sempre me ensinou que a magia tem um preço e quem o pagará será Irina! Não você, não eu, e sim ela! E o preço não são 10 pães ou algo do tipo, pode custar a vida de alguém!
—Eu sei... — Ela diz com uma pontada de tristeza. Mas, não parece arrependida, o que será que ela quis dizer com esse "Eu sei"?
—Não vou discutir com você. Não no momento. Agora, me conte, o que usou nela e porque isso está acontecendo?

Jacqueeta respira fundo como quem não quer falar e prefere adiar o assunto o máximo possível.

—Um presente, a dádiva dos deuses! O presente vindo do sobrenatural! A Flor De Quintus.
—Que flor é essa?-Pergunta Lauren cerrando os punhos.
—Explique melhor, mãe.
—A Flor de Quintus é considerado por muitos uma lenda, um mito, pois ela não é como as outras, ela não nasce de uma semente e quem a encontrar poderá usufruir de sua magia. A flor escolhe quem irá vê-la. Para todos, uma flor normal. Para o escolhido, a flor se revela como algo mágico e brilhante. Mas, não é só isso, ela também da: A imortalidade, a força e sempre alguns dons a mais desconhecido.
—Ta, mas, por que meu cabelo está assim? Por que meus olhos estão mais claros?
—Isso a gente vai descobrir agora, vó você deu o chá com a flor durante noite correto? — Ela pergunta enquanto abre um livro completamente empoeirado.
—Sim, na lua cheia.

Lauren pega um livro da estante e começa a foleá-lo, até que ela acha a a página.

—Pelo que está escrito aqui, se você usar a flor antes das 18:00 ela estará dourada, as mudanças ocorridas são: olhos pretos, sim, pretos não castanhos escuros, para representar o carvão e cabelos loiros para representar o sol. Já a noite a flor passa a ser roxa e as consequências são olhos roxos como a flor e cabelos brancos, para representar a lua.
—Não dava pra ter me dado isso de manhã não? -Pergunto.
—Então ela é a filha da lua... — Diz minha mãe ignorando minha pergunta.
—Sim...
—Por isso meus cabelos estão assim? — Indago.
—Exato. É, literalmente não temos tempo para um casamento agora. Se ela conseguisse pelo menos escolher, mas não vai. E ela precisa escolher e se casará apenas daqui a 1 semana para depois ser coroada. Se o cabelo dela já está assim hoje em uma semana ele já estará branco.
—Sabemos disso, Lauren...
—Mãe, eu preciso do trono! -Falo nervosa. -Papai está doente, se eu não for coroada os Lannister lutarão pelo trono.
—Eu sei, filha, podemos coroá-la sem que o povo veja mas, o casamento é impossível...

Fico pensando, andando de um lado pro outro, até que uma ideia me vem a cabeça.

—E se eu não me casasse? -Sugiro.
—Isso é impossível! -Responde minha mãe. -Uma mulher não pode ser rainha sem o rei.
—Na verdade não... -Interrompe Lauren.- Eu ja li sobre isso em algum aula sobre realeza que tinha antes de abdicar... Isso é possível, sim! Mas... Ninguém nunca conseguiu. E acredite não será fácil! Para conseguir isso, precisará provar que é digna do trono e que é capaz de tomar conta dele sozinha.
—E se eu conseguir, me tornarei uma rainha? — Pergunto com os olhos fixos no de minha irmã.
—Tecnicamente sim. Mas, o nome dado é: Khaleesi.
—Khaleesi?
—Sim. É o termo dado a uma mulher que reina sem um homem.
—Acho que gostei da ideia! -Falo com uma ponta de esperança.
—Mas não vá se acostumando muito a ideia não.
—O que tenho que fazer para me tornar uma Khaleesi?
—Não lembro ao certo, procurarei saber ainda hoje e volto para te contar.
—Okay, mas até lá não quero ninguém nesse quarto, nem as criadas, nem suas irmãs, somente eu, Lauren ou sua avó. Entendeu? -Minha mãe fala imperativa.
—Sim.

Elas se dirigem para a porta e saem do quarto. Me jogo em cima da cama, pulando sem parar, sorrindo como nunca, eu tenho chances de me tornar uma rainha e sem precisar me casar com um estranho qualquer!

Esse é o melhor dia da minha vida!