A Fera
11 Você a deixou ir
Notas iniciais
Oliver
Eu queria poder dizer que eu acordei e me levantei super disposto pra viajar com Felicity, mas a verdade é que eu não dormi tamanha a minha ansiedade, eu tinha todo um discurso pronto na minha cabeça, eu tinha um plano, sim, era um bom plano, tinha uns 30% de chance de dar certo, mas qual é, no começo eu achei que não tinha nenhuma, então isso era um belo avanço.
Depois de tomarmos café, nos despedimos de John e Nyssa e colocamos o pé na estrada, fomos de carro, pois achei que a viagem a deixaria desconfortável em uma moto devido a distancia. Assim que chegamos lá, mostrei a casa pra Felicity e ela simplesmente amou tudo, eu adorava essa mania dela de achar que os lugares eram mágicos e ficar comparando-os aos contos de fadas, dessa vez ela disse que a cabana parecia à casa dos sete anões.
Como a viagem havia sido longa, a deixei descansando um pouco e fui pro meu quarto, me deitei e olhei pro teto, de repente senti uma ardência conhecida no braço e quando me virei pra olha-lo, estava lá, a penúltima rosa. Agora eu realmente estava sem tempo, em alguns dias, semanas se eu tivesse sorte, a último rosa floresceria e aí estaria tudo acabado.
Não sabia o que fazer, na verdade, eu acho que nunca soube, eu tinha um plano pra hoje e tinha que segui-lo, era o único jeito, escutei leves batidas na porta e quando abri dei de cara com uma Felicity toda sorridente.
—Bom eu já descansei, quero conhecer a propriedade, quer dizer, se você já tiver disposto é claro, não que eu esteja te forçando a sair comigo agora, você pode ficar aí e descansar o quanto quiser, não tô querendo mandar em você nem nada, até porque olha o seu tamanho, não que você seja tão grande assim, mas eu também não estou te chamando de baixinho já que você é bem maior que eu e eu vou calar a boca em 3,2,1...
—Ok Felicity, vamos conhecer a propriedade, vou te levar no lago tá?
Ela apenas acenou com a cabeça, estava completamente vermelha e aquilo era adorável. Pedi licença à ela, alegando que só precisava me arrumar antes, mas assim que fechei a porta fui em direção a minha mala pegar a carta, sim, A CARTA, era chegada a hora de encarar a verdade e mostrar os meus sentimentos pra ela, eu entregaria, ela leria e seja o que Deus quiser.
Coloquei a carta no bolso e saí do quarto, juro que aquele simples pedaço de papel parecia pesar uma tonelada, mas eu respirei fundo e sorri, era agora ou nunca. A peguei pela mão e fomos em direção ao lago, ela tagarelou o caminho todo, eu só fazia assentir e concordar com o que ela dizia, eu só queria que Felicity continuasse falando, o som da voz dela era perfeito.
Achei estranho quando o som da voz de Felicity sumiu, olhei pra ela e a vi embasbacada com a visão a nossa frente, sim, aquilo era realmente lindo, o Sol estava se pondo em frente ao lago, se existia um Deus, ele com certeza tinha caprichado naquele lugar.
—Jonas, isso é simplesmente...
—Perfeito, é, eu também acho.
Ela me olhou emocionada e pulou para as pedras que cercavam todo o lago, peguei em sua mão para ajuda-la a se equilibrar e começamos a andar.
—Bom, Felicity, tenho uma coisa pra te entregar, quer dizer, uma coisa que fiz pra você.
—Pra mim? O que é?
—Uma carta.
—Ah, tá explicado.
—O que?
—Por isso todos aqueles papeis amassados e queimados?
—É mais ou menos isso.
Ela sorriu pra mim e estendeu a mão livre como um pedido mudo pra que eu depositasse a carta ali, eu a puxei do bolso e estiquei pra ela, porem quando ela foi pegar se desequilibrou e caiu em cima de mim, nós começamos a rir, mas em algum momento nossos olhos se encontraram, minhas mão foram parar em sua cintura e nós estávamos a uma respiração de distancia, quando nossas bocas estavam quase se encostando, o maldito celular dela tocou.
Aquilo pareceu nos despertar do transe, ela me olhou envergonhada e se levantou, saiu em outra direção pra atender o telefone com a carta na mão e eu fiquei ali parado, tentando achar o meu pulmão, por que eu confesso estava difícil de respirar aqui.
Ela voltou com os olhos marejados e eu fui correndo em sua direção, assim que cheguei perto Felicity me abraçou.
—Meu pai está no hospital, teve um inicio de infarto devido a todo esse stress, ele já tá melhor, mas precisa de um acompanhante. Jonas, preciso ficar lá com ele.
—É claro, eu vou te levar.
Fomos em direção à cabana em silencio, pegamos nossas coisas e colocamos dentro do carro, nenhuma palavra foi dita, eu sabia que ela precisava de um momento e eu sinceramente não estava muito bem também, meu plano tinha ido por agua abaixo, mas eu sabia que ela tinha que ir, ela era uma pessoa incrível e nunca deixaria o pai naquele estado. Eu a entendia e a apoiava nisso.
Com muito azar do destino o carro deu problema, sim eu sei, estava tudo perfeito, por sorte estávamos perto de uma estação de trem, então nos dirigimos em direção ao vagão e eu coloquei suas malas lá dentro, ela demoraria no máximo uma hora pra chegar até a avenida onde ficava o hospital agora.
—Eu te ligo ok, pra contar como ele está e assim que der eu volto.
—Não precisa se preocupar, ele precisa de você agora.
Nesse momento, escutamos o apito do trem.
Hora de ir, vou ler sua carta e te aviso se você é um bom escritor ok.
—Tá legal.
Ela sorriu e me abraçou apertado, inalei o perfume de seus cabelos e a soltei, Felicity se dirigiu pra dentro e as portas se fecharam logo em seguida. Fiquei olhando ela se acomodar ao lado da janela fechada e pegar a carta. Espera, a carta, meu deus a carta, ela não podia ler, não agora, estava tudo errado, comecei a gritar igual um louco pedindo pra que ela não lesse aquilo, mas ela não escutava e de repente o trem havia partido e eu fiquei desolado, havia lagrimas nos meus olhos, agora sim qualquer chance com ela estava acabada.
Queria dizer que depois disso tudo eu fui atrás dela, mas a verdade é que eu me escondi. O guincho chegou e levou o meu carro e assim que cheguei em casa, contei a John e Nyssa tudo o que havia acontecido e chorei, chorei como uma criança. Eu tinha perdido tudo, a chance de ter minha vida de volta, a chance de dar a John e Nyssa uma nova chance e principalmente, eu havia perdido um amor, isso era o que mais doía.
Sim, eu amava Felicity Smoak, sim, Oliver Queen tinha feito o que nunca achou que seria capaz de fazer, sentir AMOR.
Os dias foram se passando e ela sempre ligava, eu nunca atendia e também não deixava ninguém atender, eu já sabia o que ela queria falar, que sentia muito, mas que não podia me amar e eu sinceramente não queria ouvir aquilo, então resolvi poupar nós dois de um sofrimento desnecessário. Depois de alguns dias as ligações pararam e eu pude finalmente respirar.
Hoje, assim que acordei, senti um peso no coração, achei estranho, mas decidi me levantar e tomar café com Nyssa e John, nos primeiros dias eu me tranquei no quarto e isso os deixou loucos então decidi que tentaria de tudo pra manter a normalidade ali, eles não mereciam mais essa preocupação por minha causa.
Nyssa estava fazendo waffles, então me sentei à mesa e esperei, logo John chegou também e comemos em silencio, eles pareciam esperar que eu falasse algo, então decidi puxar conversa sabe, pra manter a tal da normalidade.
—Nyssa, esses Waffles estão incríveis, mas ficariam melhores com calda de chocolate.
—Sinto muito querido, mas acabou, vou ao mercado hoje fazer as compras do mês esqueceu?
—Nossa, mas já é final do mês?
—Oliver, me espanta que você não se lembre do dia de hoje.
Como assim?
A resposta veio de John.
—Hoje é o dia em que Felicity vai pra Grécia.
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