A Fera
12 A carta
Notas iniciais
Felicity
Acordei super disposta e animada, afinal iria viajar com Jonas, tomamos café e fomos para a tal cabana, no caminho percebi meu celular tocando, mas eu não conhecia o número então achei melhor ignorar, assim que chegamos lá eu fiquei totalmente encantada, aquele lugar era simplesmente perfeito, parecia à casa dos sete anões ( e sim, eu acabei fazendo esse comentário em voz alta), alias tudo ao lado do Jonas parecia ser perfeito.
Depois de descansarmos, eu pedi para ver a propriedade e ele me levou pra ver o por do sol no lago, acho que eu nunca mais vou esquecer aquela cena, aquilo foi de longe a coisa mais bonita que eu já vi na vida, fiquei tão emocionada por ele ter me levado a um lugar assim.
Comecei a andar em cima das pedras, era uma típica brincadeira de equilíbrio que as crianças faziam e Jonas deu a mão para me ajudar, ele disse que havia feito uma carta pra mim e naquela hora eu entendi o motivo de tantos papeis queimados, mas não podia deixar de me perguntar, o que será que ele queria me escrever de tão importante que o fez gastar tantos papeis?
Enfim, ele me estendeu a carta e assim que eu fui pegar acabei me desequilibrando e caí, nós rimos muito, mas de repente foi como se alguém tivesse desligado o volume do mundo, o único som era o das nossas respirações, ele ia me beijar, estávamos quase lá, mas a porcaria do meu celular tocou de novo. Nos separamos e eu me afastei decidida a atender e então voltar para conversar com ele sobre os meus sentimentos. Era o mesmo numero que havia me ligado mais cedo.
Ligação On:
—Alô.
—Alô, senhorita Felicity Smoak?
—Sim, eu mesma.
—Aqui é do Hospital Hampton, estamos ligando pra informar que o seu pai sofreu um inicio de infarto, ele já está medicado e passa bem, mas precisa de um acompanhante.
Meu Deus, o que? Tá bom, eu tô indo agora, chego o mais rápido possível.
—Ok, até breve senhorita.
Ligação Off.
Saí correndo desesperada em direção ao Jonas, contei a ele o que havia acontecido e confesso que fiquei com medo dele ficar com raiva ou pensar que eu o estava abandonando, mas não, como sempre ele me apoiou. O carro dele acabou quebrando, então ele me levou pra estação de metrô que ficava perto de onde estávamos e na despedida eu tentei descontrair o clima e disse que leria a sua carta para avaliar se ele era um bom escritor, mas confesso que na verdade eu estava morrendo de curiosidade.
Depois de abraça-lo pelo máximo de tempo possível eu entrei no vagão com o objetivo de me sentar e ler a carta, mas acabei caindo no sono assim que me acomodei no lugar, acho que minha pressão devia ter baixado devido ao nervosismo sobre a situação do meu pai, quando acordei já estava quase no ponto em que eu precisava descer.
Assim que cheguei ao hospital fui direto saber noticias do meu pai.
—Olá, boa noite, sou Felicity Smoak, me ligaram falando que meu pai estava internado aqui.
A moça olhou no computador e em seguida sorriu pra mim.
—Claro, senhorita Smoak, vou leva-la até o quarto do seu pai.
Dizendo isso ela saiu me pedindo para acompanha-la, assim que chegamos ao quarto encontrei meu pai dormindo, me sentei na poltrona ao lado da sua cama e fiquei esperando ele acordar. Algum tempo depois, ele abriu os olhos.
—Oi pai.
—Felicity, filha. Me perdoe, eu nunca devia ter feito nada disso.
—Não se preocupe, eu estou aqui, eu te amo pai.
—Eu também te amo querida e quero te dizer que eu já resolvi tudo, agora você pode voltar pra casa.
—Serio? Isso é bom, mas vemos isso depois que eu voltar da minha viagem pra Grécia ok?
—Ah, claro, eu até havia me esquecido da viagem.
—Sim, a viagem é daqui a alguns dias, vou poder ficar com você todo esse tempo e quando for chegado o dia provavelmente você já vai ter recebido alta do hospital. Agora descansa pai, depois conversamos mais.
Ele sorriu pra mim e voltou a dormir, eu fui pra cafeteria do hospital e pedi um café bem forte, me sentei em uma mesa mais afastada e fui ler a carta de Jonas.
Querida Felicity, eu decidi escrever uma carta à mão, do jeito antigo sabe, queria fazer as coisas do melhor jeito possível, embora isso me deixe assustado, afinal eu nunca me preocupei com os sentimentos de ninguém além dos meus. Sei que você acha que eu sou um cara “motivador”, mas nem sempre foi assim, eu era uma pessoa mesquinha e egoísta, só pensava em mim mesmo, pra mim aparência, status e dinheiro valiam mais que qualquer coisa, eu achava que tinha uma vida perfeita, mas de repente tudo mudou pra mim. Você deve estar se perguntando, o que aconteceu pra que eu mudasse tão drasticamente? Bom, é uma longa historia, mas posso dizer que o principal motivo foi: eu conheci você. Uma nerd loira que tinha a incrível habilidade de se enrolar com as palavras e se colocar nas situações mais embaraçosas possíveis.
E aconteceu o que eu menos esperava, eu me apaixonei, você entrou no meu coração de uma forma que eu achei ser impossível, me mostrou um amor que eu achava que não existia. Lembra daquela historia que te contei na biblioteca? Bom, se a bibliotecária tivesse me feito aquela pergunta hoje, eu responderia que sim, que eu acreditava naquele tipo de amor, pois eu o tinha bem ao meu lado. Eu só quero que você seja feliz, independentemente se for ao meu lado ou a mil quilômetros de distancia, quero que saiba que você mudou minha vida e esse tipo de mudança é irreversível.
Obrigada por me fazer mudar, obrigada por me mostrar como o amor é bonito, obrigada por existir Felicity Smoak, como eu já disse uma vez, você é notável.
Com amor, Jonas.
Assim que eu terminei de ler aquela carta eu estava em prantos, ele me amava, ele realmente me amava, eu passei a vida inteira procurando um amor de livros, um amor real, que fizesse eu me sentir viva, mas nunca pensei que o encontraria no cara estranho que me ajudou. Jonas era tudo o que eu precisava.
Decidi ligar pra ele, mas a porcaria do meu celular estava sem bateria, fui informada de que meu pai estava acordado, então fui ficar com ele, somente no outro dia é que consegui ligar pra Jonas, ele não atendeu, liguei um monte de vezes e nada, então comecei a me preocupar, deixei um monte de recados, mas ele não respondeu.
Um dia inteiro já tinha se passado, eu já estava ficando desesperada, quando tentei mais uma vez e Nyssa atendeu o telefone, antes de conseguir expressar o meu alivio, fui cortada por sua voz triste me falando o que eu nunca imaginava ouvir.
—Sinto muito querida, ele não quer falar com você.
Como assim ele não queria falar comigo? Tentei contestar Nyssa, mas ela já havia desligado, tentei de novo e nada, os dias que se seguiram foram assim, eu ligando e ligando sem sucesso. Com o passar dos dias eu fui desistindo de tentar, já estava bem claro que ele não queria falar comigo, mas eu não entendia o porquê, o que eu havia feito de errado?
No hospital eu não deixava transparecer pro meu pai a minha tristeza e quando ele recebeu alta estive tão ocupada que na maioria do tempo a ausência do Jonas não doía tanto, mas a saudade continuava lá, machucando no fundo do peito.
Acordei hoje com o despertador, estava meio desorientada e assim que me levantei dei de cara com o chão, acabei caindo em cima das minhas malas e então a ficha caiu.
Hoje era o dia em que eu iria pra Grécia.
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