Capítulo 6

Longe dali, Loki e Belzebu contorciam-se de dor diante do castigo imposto pelo gigante de armadura negra, Ahanaon o Anjo da Destruição. Rherigor, o Anjo do ar, não ousava se mexer para não irritar seu mestre.

—A mestra está farta de suas tolices. Tem até amanhã para trazer-lhe a espada.

—C-Como senhor... -murmurava Belzebu. -Se até aquele que está em Valhalla e jurou lealdade à mestra não conseguiu se aproximar da espada Balmung! Não é culpa minha se os anjos foram destruídos pelos guerreiros deuses. Eles são mais fortes do que pensávamos!

—É lógico que estão mais fortes. -Loki explicava. -Isso é porque os guerreiros mortos em batalha são levados para o verdadeiro Palácio Valhalla de Odin, onde passam seus dias treinando e lutando para Ragnarok, onde lutarão ao lado de seu senhor. É certo que eles receberam algum treinamento do próprio deus Odin.

—Então. -disse uma voz calma que fez todos se ajoelharem imediatamente. -Vocês devem ficar mais fortes!

—Mestre. -disseram todos em uma só voz.

O misterioso recém-chegado sorri com satisfação. Iria se divertir muito em breve.

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Depois, naquela noite enquanto jantavam, Hilda tratou de apresentar Aud formalmente aos Guerreiros e a Freiya. Aud pensou que ali era perfeito para enxergar as auras desses homens e concluir se havia algum traidor.

Siegfried e Thor possuíam auras poderosas que refletiam o quanto esses homens eram fortes e fiéis a Hilda. Mime parecia muito jovem, e sua aura refletia uma grande tristeza guardada. Ela deduziu que possuía um passado doloroso.

Aud parou um instante diante de Alberich, algo nele não lhe inspirava confiança, menos ainda quando tentou enxergar sua aura e não conseguiu. Ele, assim como os outros o fizeram, pegou a sua mão e fez uma leve reverência.

—Que encontre em nosso lar a mesma acolhida que nosso amigo recebeu no seu. -falou encarando-a de maneira misteriosa com seus olhos cor de esmeralda.

Aud sentiu que o olhar dirigido por Alberich a ela parecia querer despi-la. Procurou ignorá-lo e soltou a sua mão com um gesto um pouco ríspido e ensaiou um sorriso de agradecimento e rapidamente passou a dar atenção a Hagen, um homem forte, mas gentil, que parecia um rapazinho apaixonado quando olhava para a princesa Freiya.

Se havia algo de errado no castelo, se havia um provável traidor. Seria melhor observar mais atentamente o Guerreiro deus Alberich. E isso é o que fará. Siegfried, Shido e Fenrir conversavam em um canto. O guerreiro de Arioth explicava aos companheiros sobre os Anjos e sobre a tal mestra.

—Então, essa pessoa é a verdadeira responsável. -Siegfried refletiu. -E há um provável traidor no Palácio.

—Talvez não seja um guerreiro deus. -deduziu Shido. -Talvez seja um dos nobres que frequentam o Palácio ou outro servo.

—Talvez...mas porque Bado parece estar tão bem-humorado? -Siegfried perguntou. -Nunca o vi assim antes!

Fenrir olhou e sorriu:

—Ah, eu sei. Ele gosta muito da senhorita Aud, embora vivem brigando.

Surpreso pela notícia, Shido resolve ir conversar como irmão:

—A senhorita Aud parece ser uma mulher excepcional, irmão.

—É. –ele a observou conversando com Hilda. -Ela tenta me enlouquecer...acho que conseguiu.

—Não pensou em cortejá-la? -insistiu.

Bado sorriu.

—Quero que seja o primeiro a saber, Shido. É com ela que vou me casar. Até lhe dei seu morgen gifu.

O rosto de Shido iluminou-se.

—Parabéns, irmão. Conte aos outros, vou cumprimentar minha futura cunhada. — irmão sorriu e deu-lhe um tapa nas costas. -Conforme a tradição, irmão.

Bado o observou curioso se aproximando de Aud. Shido se aproximou das damas, conversou com Aud, abraçou-a e deu-lhe um beijo rápido. Ouviu-se algo espatifando no chão, e quando se voltou e viu um pajem que erguia a cadeira que Bado deixara cair e outro limpava os cacos da taça dele que estava no chão. O modo que olhava para o irmão parecia querer estrangulá-lo.

Shido sorriu com satisfação, olhou para Aud e comentou:

—Bem vinda à família!

—O-obrigada.

Confusa, Aud olhou para Hilda e perguntou onde ficava seu aposento. A senhora de Asgard e sua irmã resolveram acompanhá-la. Assim que as damas saíram do salão de jantar...

—ONDE ESTÁ SHIDO? -berrou Bado.

—Saiu. -respondeu Mime, segurando a vontade de rir.

—Esperto! Está fugindo de mim.

—Foi só um beijo. -falou Siegfried.

Bufando de raiva, Bado saiu do salão. Os amigos não aguentaram mais e caíram na gargalhada. Quando Shido surgiu do outro salão.

—Bado já foi?

—Sim. -responderam todos.

O irmão suspirou aliviado.

—Gosta de viver perigosamente, Shido. -brincou Thor.

—Seu irmão é ciumento! -comentou Fenrir, segurando o riso.

—Só preciso ficar longe do meu irmão por algum tempo.

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Aud ficou em um dos aposentos destinados aos convidados. Em seu aposento, havia uma saleta, onde havia uma lareira acolhedora, uma escrivaninha e poltronas confortáveis. No quarto ao lado, havia outra lareira também acesa, que aquecia uma cama linda, forrada com lençóis brancos. No chão tapetes caros e de muito bom gosto. Uma mesinha, guarda-roupa e um penteadeira com um enorme espelho.

Uma banheira havia sido preparada e Aud se deliciou com a sensação de um banho quente e perfumado.

Assim que terminou o banho, enxugou-se e enrolada na toalha começou a pentear seus longos cabelos. Ouviu uma batida na porta. Estando certa de que fosse uma criada, a abriu.

—Bado! O que está fazendo aqui?

Ele entrou e a fitou intensamente. Aud fechou a porta e segurando a toalha contra o corpo perguntou:

—Aconteceu alguma coisa?

Então, ele a tomou nos braços e a beijou. Seus lábios eram mornos...não, quentes...muito quentes se comparados ao ar do quarto e eram doces. Bado aspirou o perfume que emanava de seu corpo.

Ele estendeu os braços ao redor de sua cintura fina no intuito de puxá-la para mais perto e entreabriu os lábios para que pudesse sentir melhor o gosto daquele beijo. O calor e a sensualidade iam aumentando à medida que o beijo se prolongava. Minutos depois, ela parou de beijá-lo.

—Não está bravo com seu irmão, está?

—Um pouco... -disse com a voz rouca. -Mas, se encontrar Shido agora, certamente vou esmurrá-lo pelo beijo que ele lhe deu.

Voltou a beijá-la e a ergueu em seu colo, depositou-a sobre a cama, o corpo forte sobre os seus. Aud o desejava, tanto quanto ele ansiava por ela.

Bado a beijou. Foi um beijo avassalador, que demonstrava todo o seu desejo. Aud enlaçou-lhe pelo pescoço e respondeu com paixão. Ele acariciou-lhe os seios sob a toalha, fazendo-a esquecer de tudo.

Com mãos trêmulas, ele a despiu. Atirou a toalha para um canto do quarto.

No transcorrer da noite, os dois amantes, além de se aquecerem mutuamente, mantinham-se tão entretido um com o outro que nenhum deles notou como o céu havia se transformado.

Os ventos gélidos ficaram mais fortes. Um relâmpago iluminou os céus escuros, seguidos pelo estrondo ensurdecedor do trovão.

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Em outro ponto do castelo, Hilda de Polaris se afasta de seu leito e observa preocupada a súbita mudança nos céus. Absorta em seus pensamentos, ela mal sente a presença de Siegfried até que ele a abraça pelas costas protetoramente.

—Algo a perturba, minha princesa?

Hilda entrelaça seus dedos entre os deles, e se aninha mais naqueles braços fortes.

—Parece que a natureza está tentando nos alertar de algo. -ela responde preocupada. -Nunca vi os céus dessa maneira antes, nem quando fui dominada por Poseidon.

Outro raio corta o ar, e a terra estremece. Siegfried a solta e fica diante dela, tocando-a numa das faces.

—Não se aflija, Hilda. Estarei sempre ao seu lado. Daria minha vida para proteger Asgard e para proteger você. -ele beija suavemente seus lábios, e Hilda corresponde com ardor, depois de um tempo eles se afastam. -Agora, vamos voltar para a cama. Precisa descansar.

Hilda o envolve, abraçando-o pelo pescoço, depois disse em um tom carinhoso:

—Sinto que não tenho mais sono. -ela o fitou bem dentro dos olhos e o puxou para mais perto antes de roçar os lábios nos seus, e falou em um tom triste. -Oh, Siegfried...depois de tudo o que houve, como pode me amar ainda?

O Guerreiro-deus a beijou de maneira longa e profunda. Pegou-a pela mão e a levou até a cama. Passou o braço por sua cintura e a beijou na curva do pescoço.

—Sempre a amei...e sempre a amarei, Hilda.

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O forte trovão desperta Freiya. Assustada, resolve levantar e ver se Hilda estava bem. Colocou o roupão e um som do lado de fora da varanda de seu quarto chamou sua atenção.

Ela vai até lá e abre de modo brusco, fazendo Hagen que estava subindo por uma grande e centenária árvore, assustar-se e perder o equilíbrio, caindo desajeitadamente sentado em frente à princesa.

—Hagen? O que está fazendo aqui?

—Bem...eu... -Hagen estava mais vermelho que um pimentão. Não esperava ser pego dessa maneira.

Freiya então viu que aos seus pés estava um buquê de lindas flores vermelhas, raras em Asgard e só encontradas perto de lugares quentes. A princesa se abaixa e as pega, aspirando o doce perfume delas.

—São para mim? Você as trouxe, Hagen? -havia doçura em sua voz.

—Freiya...depois do que aconteceu. -havia uma grande tristeza na voz dele. -Depois de ter levantado minha mão contra você...eu estava morto de ciúmes, achando que Hyoga e você...Eu nunca vou me perdoar pelo o que fiz! Nunca! Eu não a mereço...

Freiya se aproxima dele e toca carinhosamente em seu rosto com a palma de sua mão.

—Estava confuso, Hagen. Eu compreendo, e não guardei mágoas de você. Apenas jure mais uma vez que protegerá Asgard e minha irmã.

Ele sorri como um garoto e pega a mão delicada de Freiya entre a sua, beijando a ponta de seus dedos. Um arrepio quente e gostoso percorreu o corpo da jovem.

—Juro que protegerei Asgard, Hilda e você Freiya...mesmo que isso custe a minha vida.

—Hagen...

Ele lhe dá as costas e ia embora, quando a ouviu chamá-lo mais uma vez. Ele se vira e Freiya o abraça. Primeiro Hagen fica estático, mas depois a abraça com força, como se não quisesse que ela se separasse de seu corpo nunca mais.

—Não quero que morra, Hagen... -disse com a voz embargada, lágrimas escorriam por seu rosto. -Sofri muito quando o perdi antes...não vou suportar perdê-lo de novo. Prometa-me que custe o que custar, mesmo que seja uma batalha difícil, vai voltar para mim. Jure!

O Guerreiro Deus passou os dedos em seus longos cabelos dourados, que deslizaram como se eles fossem de seda, pegou a sua mão e a pôs sobre o peito:

—Juro.

Um sorriso iluminou o belo rosto da jovem, que se aninhou ainda mais naquele abraço. Depois, Hagen a beijou. Um beijo tão ansioso e ardente que o próprio ar em volta deles pareceu se aquecer. O loiro se afastou e depois a beijou na testa, murmurou:

—Quero estar sempre com você, Freiya.

Com extrema dificuldade, se afastaram. Hagen saltou pela murada da varanda, acenando para ela. Havia um enorme sorriso em seu rosto. Freiya ficou mais um pouco do lado de fora, tocando os lábios com as pontas dos dedos, sorrindo também.

Havia sido o seu primeiro beijo. E havia sido com seu verdadeiro amor.

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Alberich caminhou escondido pelas sombras da madrugada até a floresta próxima. Ouviu uma risada masculina e viu-se frente a frente a Belzebu, o Anjo da Morte.

—Então? Como estão os preparativos para a invasão amanhã? -inquiriu Belzebu.

—Tudo está pronto. -disse Alberich encostando-se a uma árvore, muito à vontade. -Basta manter os Guerreiros deuses ocupados que eliminarei Hilda de uma vez por todas. As pessoas pensarão que foram vocês...e como serei o único da Casa Real vivo, herdarei o trono de Asgard.

—E tudo o que tem a fazer para provar sua lealdade a Gloriosa, é nos entregando a Espada Balmung. -completou Belzebu. -Ela permitirá, em sua infinita misericórdia que Asgard seja o único reino humano da Terra a ser protegido no Juízo Final.

—Há mais uma coisa...querem que a feiticeira morra por que receiam que ela revele os planos da Mestra, não é? -Alberich voltou-se ao Anjo com um olhar lúbrico. -Quero que permitam que ela viva.

—E por que? -Belzebu deu um sorriso malicioso. -Ah...vocês mortais. Sempre colocando os prazeres mundanos em primeiro lugar.

—Não pode culpar um reles mortal por perder a cabeça por aqueles olhos azuis como cristais. E então? -insistiu Alberich. -Se tiverem a espada e matarem todos os guerreiros deuses e Hilda, não haverá mais necessidade para eliminarem a bruxa.

—Hum...tudo bem. -concordou o Anjo. -Fique com a mulher, como uma bonificação por seus serviços a nós, Alberich de Megrez.

Alberich retornou, sem produzir um ruído ao castelo, sorrindo satisfeito. Em breve seria o senhor de Asgard, protegido por um ser superior aos deuses e teria, de um jeito ou de outro, a mulher que desejava desde a primeira vez que colocou seus olhos nela. Tudo antes do anoitecer de amanhã.

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Fenrir observava Endredi de longe. Ela estava ocupada colocando os irmãozinhos para dormir no acampamento improvisado dentro do palácio. Ele admirava cada detalhe e cada gesto dela. Nunca havia se sentido assim antes.

Desprezava as pessoas pelo o que fizeram com ele e com seus pais, mas Endredi trazia uma paz que nunca imaginou ter. Será que foi enfeitiçado de algum modo?

—Devo estar ficando louco, Guingue. -disse acariciando a cabeça do lobo, seu velho amigo. -Mas até os lobos procuram uma companheira quando chega o momento.

Ficou imaginando sua vida depois que a crise passasse, Hilda lhe devolveu seu título e suas terras roubadas. Seria perfeito reconstruir a casa de sua família, casar-se com Endredi e ter lindos filhos de cabelos loiros como os dela. Filhos? Estava pensando mesmo em ter uma família com Endredi?

—Fenrir?

Ele levanta a cabeça assustado, Endredi havia se aproximado e ele nem percebeu porque estava com o pensamento longe. Nunca titubeou diante de nenhum inimigo, mas aquela moça o amedrontava mais do que o exército inimigo.

—Tudo bem? -perguntou com um sorriso.

—S-sim. Eu só estava passando...e vim ver se estavam precisando de algo. Por que está acordada até agora?

Um raio cortou os céus e o trovão acabou despertando muitas pessoas.

—Não se preocupe, estamos bem. -ela sentou-se ao seu lado, Fenrir ficou corado. -Meus irmãozinhos acordaram assustados com os trovões. Tive que fazê-los dormir de novo.

—Você é esforçada. Cuida de uma família grande. Seu pai e quatro irmãos pequenos. E mesmo assim está sempre sorrindo!

—Meu pai está muito doente e minha mãe já morreu. Preciso ajudar no que posso. Ele não dá conta de tudo sozinho. -ela sorri de maneira encantadora. — Lembro-me que mamãe estava sempre sorrindo, mesmo nos momentos mais difíceis. Acho que herdei esse caráter dela.

—E...Sabe... -ficou corado.

—Sim?

—Menti para você...vim aqui porque queria muito te ver. -estava sem graça.

Endredi aproxima seu corpo do dele e encosta a cabeça em seu ombro. Fechando os olhos diz sorrindo.

—Também queria muito te ver.

Fenrir dá um sorriso e a abraça, aproximando mais ainda dela. Ficaram assim juntos por muito tempo.

Horas depois, Fenrir acorda primeiro e vê que Endredi ainda estava abraçada a ele, adormecida. Fenrir se solta com cuidado para não despertá-la e a cobre com um cobertor próximo. Ele se abaixa para beijá-la suavemente nos lábios, mas ela acabou acordando com um sorriso.

—Shhhh! Continua dormindo. -ele sussurrou. -Volto logo.

—Eu sei. -murmurou antes de voltar a dormir.

—Guingue. -ele se vira para o lobo. -Quero que você e os outros protejam Endredi e a família dela. Certo?

O animal parece entender a ordem, pois ele se deita aos pés da jovem, mantendo-se em alerta. Fenrir volta para o salão principal, seus instintos o avisam de que algo muito grande se aproxima. Ele olha para o céu, nuvens negras impediam que os fracos raios do sol passassem. Tudo estava escuro.

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Quando acordou, Aud tinha a sensação de estar nas nuvens, sentia-se feliz e revigorada. Era esse o amor que tanto sua avó falava que a levou jamais se casar novamente depois da morte do avô? O mesmo sentimento forte e profundo que levou a sua mãe a morrer por amar demais?

Abriu os olhos e viu Bado que a observava com um largo sorriso no rosto.

—Que foi? -murmurou preguiçosa.

—Você fica adorável quando dorme. -ele observou com carinho. -E sua linda boca permanece fechada...

—Seu tolo!

Aud joga um travesseiro na cara dele e os dois pareciam crianças rindo da brincadeira.

—Senhora?

Uma batida na porta dos aposentos e a voz da criada vindo do corredor fizeram Aud se sentar aturdida. A seu lado na cama, Bado pôs o braço sob a cabeça e franziu a testa. Numa voz sonolenta disse:

—Mande-a embora.

—Como, preguiçoso? Não quero que o chefe da criadagem brigue com ela por não cuidar de mim.

Ele a puxou para baixo e a beijou no pescoço, provocando-a.

—Diga-lhe para voltar mais tarde. Quando o sol aparecer.

Aud olha para a janela e tem um mau pressentimento.

—Ainda está escuro? -ela se levanta, enrolada apenas com um lençol. -Mas o sol já deveria estar...nunca vi nuvens assim antes!

Uma nova batida e Aud responde:

—Por favor, volte mais tarde.

—Sim, senhora. -respondeu a criada que logo se retirou.

Bado também se levanta e fica ao seu lado, observando os céus.

—O que pode significar?

—Bado. Poderia me deixar a sós, tenho que fazer algo. -pediu com seriedade.

Bado notou um estranho brilho nos olhos de Aud, mas tratou de acatar seu pedido. Beijaram-se com carinho e ele vestiu-se e assim que verificou que não havia ninguém no corredor, saiu.

—Brighid e Rhiannon, o que está havendo? -chamou por suas deusas, olhando preocupada para os céus.

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No salão principal, todos estavam reunidos. Os demais guerreiros-deuses e Hilda estavam sentados em volta de uma mesa aguardavam a chegada de Bado.

—Senhora Hilda, amigos...Shido. -Bado os cumprimentou e apertou com muita força, mais do que necessária, a mão estendida do irmão.

—Bado. Onde está Aud? -Hilda perguntou.

—Disse que precisava fazer algo, não entrei em detalhes sobre o assunto.

—Talvez esteja praticando magia negra. -disse Alberich com um olhar enigmático. -Quem nos garante que ela está realmente do nosso lado.

Bado, Shido e Fenrir olharam ameaçadoramente para Alberich que nem se alterou.

—A honra e a lealdade de Aud não devem ser questionadas. Jamais! -Bado disse entre os dentes. -E não é segredo para ninguém que é a minha noiva. É uma amiga de nosso povo...não sei se posso dizer o mesmo de você, Alberich.

—Está colocando a minha lealdade por Hilda e Asgard em dúvida, Bado? -Alberich se ergue. -Está cego por causa daquela mulher. Nada sabemos realmente sobre ela. Se é uma feiticeira, quem nos garante que não o enfeitiçou?

—Se ousar falar assim de novo eu...

—Você o que? -desafiou.

Os cosmos de ambos os guerreiros se elevaram ameaçadoramente.

—Parem com isso os dois! -Hilda ordenou, elevando a voz. -Alberich, não admito que lance calúnias sobre a pessoa de Aud sem provas. E Bado, controle esse seu gênio. Estamos no limiar de uma guerra e a última coisa que precisamos é de desavenças entre nós.

—Sim. Perdoe-me, Hilda. -Bado faz uma reverência e volta a se sentar.

—Mas, senhora... -Alberich tenta argumentar.

—Agora não, Alberich. -Hilda o cortou imediatamente com um tom de voz que não admitia ser contrariada.

—Então, peço sua licença para me retirar. -falou se curvando. -Não estou à vontade sentado aqui com ele.

Alberich se retira do salão, sob olhares surpresos de alguns companheiros.

—Oh, Alberich...o que há com você? -Hilda lamenta.

—Mais um pouco e eu mesmo teria socado aquela boca arrogante. -sussurrou Fenrir para Mime.

—Entre na fila. -o colega respondeu, fazendo Fenrir sorrir divertido.

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Enquanto estavam reunidos, conversando sobre as informações obtidas sobre os inimigos que se auto intitularem Anjos, Aud estava em seu quarto, realizando um feitiço.

Ela acende velas aromáticas, coloca no meio de um círculo uma taça de prata com água pura e algumas ervas. Começa a entoar cantilenas em uma língua a muito esquecida.

De repente, Aud olha para o líquido da taça e tem uma visão perturbadora. Um poderoso exército, chefiado por cinco criaturas de almas negras, se aproximava do Palácio. Reconheceu imediatamente entre eles o deus Loki, acompanhado por outros de armaduras negras.

Um gigante de negro e o rosto escondido por um elmo assustador chama a sua atenção, ele se autodenomina Anjo da Destruição, mas não tinha o Cosmo de um anjo.

Mas um dos que acompanhava o grupo, possuía uma aura terrível. Era o que possuía a alma mais carregada de ódio e maldade. Não conseguia ver seu rosto.

O suor escorria por sua fronte, o anjo havia percebido que era observado. Ele olhou em um ponto e parecia fitar os olhos azuis de Aud. Uma força invisível a joga para fora do círculo, derramando o conteúdo da taça no chão dentro do círculo, e a janela abre bruscamente, apagando as velas com um vento frio e cortante.

Ela vê uma imagem se formando dentro do círculo, uma espécie de Anjo com três asas. E um nome aparece, escrito pelas águas que escorriam pelo chão.

"Leviatha"

Aud se levanta, ainda tonta pelo ataque direto em sua mente. Precisava avisar aos outros do perigo que corriam. Ela sabia quem era a responsável pelo início de uma guerra que poderia consumir a humanidade.

Ao sair do quarto, esbarrou em alguém.

—Desculpe-me, eu não o vi.

—Ora, ora... — a voz fria de Alberich fez Aud levantar o olhar assustada. -Parece atormentada, senhorita Aud.

—Eu tive uma visão, o palácio esta noite será...

—Atacado? -ele a interrompeu, apertando mais ainda seus dedos em seus braços, machucando-a. -Eu sei. Será uma surpresa para Hilda. Não deve dizer nada a ela.

Aud fitou os olhos verdes de Alberich, frios e impassíveis como os olhos de um demônio. Alguma coisa neles o protegia de seu encanto.

—Estava certa. Você é o traidor! -disse com convicção.

—Digamos que alguém me fez uma oferta irrecusável. -Aud ia gritar, mas foi silenciada por Alberich, que lhe deu um soco no estômago, fazendo-a perder os sentidos. -Não posso permitir que atrapalhe, minha cara. Agora, o que farei com você?

Continua...

Notas finais
Notas: Brighid- que significa "luminosa" é uma Deusa tríplice do fogo da inspiração, da ferraria, da poesia, da cura e da adivinhação. Rhiannon- Grande Deusa Branca era um dos nomes originais de Rhiannon. É também conhecida como a deusa dos pássaros, dos encantamentos, da fertilidade e do submundo. Ela se identifica com a noite, a emoção, o sangue, a lua, o drama. Obrigada a quem está acompanhando o fic! Fico muito feliz por isso!