A Feiticeira e o Tigre
5 Capítulo 5
A casa de Svend era grande.
Bado e Aud entraram no quarto preparado para eles e fecharam a porta. A cama de casal, trabalhada em madeira, estava arrumada com lençóis limpos e uma colcha de peles para aquecê-los. Uma pequena lareira aquecia o ambiente.
Aud sentou-se na cama com as pernas cruzadas. Estava visivelmente nervosa.
—Deveria ter desmentido Fenrir. -Bado comentou. -Se quiser, eu durmo no chão e você fica na cama.
—Mas, o chão está gelado. Poderá adoecer.
—"Se dormirmos na mesma cama de novo, não sei se conseguirei me controlar!" — pensou, olhando fixamente para o fogo da lareira.
—Não me importo. Se quiser se trocar, ficarei de costas até que esteja pronta. -falou sem se virar.
Aud despiu-se, ficando só com a combinação fina, quase transparente, depois deitou na cama e se cobriu com a colcha de pele.
—Eu não me importo se dormirmos na mesma cama. -ela comentou.
Bado virou-se e encarou-a. Os dois se olharam dentro dos olhos.
—Tem certeza? -sua voz era intensa. -Não teme o que poderá acontecer se nos tocarmos de novo?
Aud se ergue ficando de joelhos sobre a cama, o olhar de Bado percorreu o corpo da jovem sob a fina roupa que usava.
—Talvez seja o que eu queira. -ela disse, quase em um sussurro.
Um repentino calor subiu ao rosto de Aud quando o Guerreiro deus retirou a armadura, a camisa e as botas, ficando apenas com as calças.
Ele aproximou-se da cama e, à luz do fogo, ela teve consciência de seu tamanho e sua força. Emanava dele uma masculinidade selvagem, quase animal. Seu coração bateu acelerado quando ele sentou-se ao seu lado na cama e deslizou a mão para segurar a dela.
—Aud, talvez nós não devêssemos...
Aud inspirou fundo para criar coragem e tirou, por cima da cabeça, a combinação, a única peça de roupa que a cobria.
Bado inspirou fundo. Por longo tempo, ele ficou sentado, olhando para o corpo nu de Aud, iluminado apenas pela tênue claridade do fogo. O olhar dela foi baixando, percorrendo o peito largo e musculoso que subia e descia conforme ele inspirava e expirava.
Sentiu a mão de Bado passando por sua coxa e estremeceu.
—Não a machucarei. -ele murmurou e seus lábios cobriram os dela no mais suave dos beijos.
Aud sentia-se flutuar. O beijo, o hálito dele, morno e doce, a língua macia e agradável tocando na dela.
—Aud me abrace. -ele pediu, seus lábios a pouca distância dos dela.
Ela obedeceu automaticamente e o beijo tornou-se mais intenso. Ele posicionou-se sobre ela, seu peso e solidez transmitiram a ela um grande bem-estar. Os lábios dele abandonaram os seus e moviam-se sobre sua pele, descendo pelo pescoço, o vale entre seus seios, despertando nela uma sensação vertiginosa.
—Toque-me também.
Não era uma ordem, mas um pedido tão doce que ela não negou.
Ajudou-o a se livrar da calça e acariciou as costas dele, as nádegas, movida pelo desejo que também estava sentindo. Bado gemeu de prazer, fazendo-a intensificar as carícias. Também respondeu ao beijo dele com tal impetuosidade que chegou a escandalizar-se. E quando ele moveu-se sobre ela, enterrou as unhas nas costas dele.
—Bado...-murmurou, erguendo mais os quadris para ajustar-se aos dele.
Sentiu os lábios mornos cobrindo um dos seus mamilos, sugando-os, todo o seu corpo vibrou. Ela sentiu-se úmida, quente e palpitante de desejo.
Com os joelhos, ele separou as pernas dela e, com um movimento rápido acomodou-se entre suas coxas. Pelo tamanho e vigor do membro viril, ela soube que o inevitável viria, afinal. Mas foi a sua mão, os dedos longos movendo-se ao redor e no centro de sua feminilidade que sentiu.
—Aaahhh... -gemeu, com medo da própria excitação.
Bado sorriu satisfeito e voltou a beijá-la. Foi um beijo ardente, possessivo, sua língua buscando a dela e lhe explorando a boca, enquanto os dedos arrancavam dos lábios dela suspiros e gemidos.
E Bado penetrou-a, beijando-a, na certeza de que rompera a frágil barreira da inocência.
Ela inspirou com ruído, sentindo um estremecimento, os movimentos começaram devagar e foram aumentando à medida que o desejo os dominava. Ele deu um grito rouco, ergueu os quadris penetrou-a mais fundo.
Quando o clímax se aproximou, Aud quis gritar, porém Bado cobriu-lhe a boca com a mão. E ela mordeu-a, enquanto seu corpo enrijecia.
Exaustos e saciados, eles se abraçaram e assim ficaram por alguns minutos.
Bado sentiu que Aud suspirava, e o remorso o invadiu. Havia prometido a si mesmo que não a desonraria, mas foi impossível conter-se.
—Está arrependida?
—Não. Foi...é difícil descrever. Mordi a sua mão!
Bado sorriu e disse:
—Valeu a pena.
Aud suspirou, acomodando-se melhor ao corpo dele, que a abraçava. Bado os cobriu com a colcha. Ficaram em silêncio por longos minutos, enquanto ele acariciava seus cabelos.
—Assim que tudo isso terminar, essa guerra. -ele começou a falar. -Quero que você fique comigo até o fim dos meus dias.
Ela ergue a cabeça fitando-o.
—O que disse?
—Quero que seja minha esposa. Você aceita?
O silêncio dela o deixou apreensivo. E se recusasse? De repente, ela o beijou e respondeu com um sorriso.
—Sim. Sim!
Bado a apertou com força.
—Então, voltará a gritar comigo de novo? -perguntou, erguendo as sobrancelhas com um sorriso irônico.
—De vez em quando. Para não perder o hábito.
Novamente se amaram, mas com mais carinho e bem devagar. Depois, totalmente saciados e exaustos, adormeceram abraçados.
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O sonho era tão real, que Aud podia sentir a brisa tocando seu rosto e balançando seus cabelos. O calor e os raios do sol queimando sua pele alva. Diante dela, um belíssimo jardim, muito parecido com o que havia em sua casa.
Mas levantou os olhos e percebeu que ali não era as Florestas Lendárias e nem tão pouco Asgard, pois a vegetação era diferente e avistou ao longe um belíssimo mar azul.
Notou várias construções, templos e colunas. Estava em outro país. Viu uma enorme escadaria, e de longe reparou que ela levava a treze templos menores, que terminava em um imponente templo, com uma gigantesca estátua de uma divindade, no alto.
Começou a caminhar, subindo as escadas. Os templos estavam vazios, e passou por eles sem problemas. Mas ao chegar na décima casa, viu um ser de luz, iguais aos que lhe mostravam imagens do passado e do futuro.
Estava tendo uma visão do passado ou de um futuro próximo?
O ser de luz a chamou com gestos para entrar na casa.
Lá viu um senhor de longas barbas brancas, mas que aparentava ser muito sábio, entregando a uma bela mulher de cabelos e olhos castanhos, com belíssimas vestes brancas, uma espada magnífica.
Ao lado da mulher estava um cavaleiro, o protetor dessa casa, usando uma armadura dourada.
—Então, esta é a espada do lendário rei? -ela perguntou, sua voz denunciava uma grande sabedoria.
—Sim, deusa Atena. -o velho respondeu. -Ela pertenceu ao mais corajoso e bondoso rei que já governou meu país. Entregue-a a aquele que merecer o título de cavaleiro mais corajoso e fiel à Justiça. Esse foi o último desejo do meu rei.
—Sim, pode deixar comigo, Merlin. Ninguém é mais merecedor dela do que o Cavaleiro de Ouro de Capricórnio.
O ser de luz tocou-a no ombro e a imagem sumiu. No local onde as três figuras lendárias estavam, havia uma estátua. Era Atena presenteando esse mesmo cavaleiro com a espada. Aud olhou fixamente para a estátua e notou um brilho dourado que parecia vir de dentro dela.
—Não permita que as espadas sagradas caiam em mãos erradas... -o ser disse com voz melodiosa, mas aflita.
—Quais espadas? Além desta que me mostrou há outras?
O ser de luz lhe mostrou uma ilha paradisíaca, com um templo e a estátua de Hera, dentro do templo, uma espada encravada em um altar. Em seguida foi a estátua de Odin que apareceu e aos seus pés estava a armadura do deus nórdico e a espada Balmung.
Num movimento abrupto, Aud sentou-se na cama. A visão de algo que aconteceu a mais de um milênio atrás, tida como sonho, a alertara para o que os inimigos queriam. Eles queriam aquelas espadas e a espada Balmung.
Mas, seria apenas isso?
Toda a sua vida ela usufruiu a benção de presenciar acontecimentos passados e futuros, sempre orientada por aquele ser de luz. Sua avó os chamava de anjos. Talvez a sua vinda não tenha sido um erro afinal.
Com um suspiro voltou a deitar-se, Bado ainda adormecido, a envolveu em seus braços instintivamente. Aos poucos, o sono voltou a dominá-la e adormeceu. Dessa vez não teve mais sonhos.
O sol não havia aparecido ainda e Aud despertou e não viu Bado ao seu o mesmo vestido da noite anterior e desceu para se encontrar com os outros.
Encontrou a senhora Asa, que acabava de arrumar as coisas que levaria quando abandonassem a vila.
—Ah, você chegou. -ela indicou uma cadeira à mesa. -Venha, coma alguma coisa. Seu marido já se alimentou e saiu com o meu. Estão organizando as coisas lá fora. Já vamos partir.
Marido. A palavra trouxe um calor gostoso em seu coração. Em breve, isso seria verdadeiro.
Lá fora, todos os habitantes da cidade estavam reunidos para partirem até o Palácio Valhalla, o último refúgio na iminente guerra.
Depois de dar as últimas instruções aos homens que formaram um círculo em sua volta, Bado avistou Aud e foi até ela e deu-lhe um beijo.
—Onde esteve? -ela perguntou. -Asa disse que saiu antes do sol nascer.
—Essa vila recebe mercadorias do mundo todo. -ele começou a falar. -Tirei um pobre comerciante da cama procurando uma coisa.
—O que é? -ela indagou, com a testa franzida.
Bado retirou da bolsa pendurada na sela de um cavalo um pequeno embrulho e entregou a Aud.
—É o seu morgen gifu. -disse com um sorriso iluminado.
—Meu o quê?
—É um costume em Asgard. Desde tempos antigos, o marido oferece a sua esposa um presente na primeira manhã de casada.
—Mas, ainda não somos casados.
—Para mim, você é a minha mulher.
Aud abriu o pequeno embrulho e espantada viu que era um broche de prata, com um desenho entalhado. O desenho de um tigre.
—O joalheiro disse que veio do Oriente. -ele pegou a peça e a usou para prender a capa de Aud.
—É lindo! -ela o beijou.
Em seguida, Bado a ajudou a sentar na sela do cavalo cedido por um dos moradores.
—Parece que mais alguém teve uma noite inesquecível. -Bado falou, apontando discretamente com o olhar o jovem casal próximo a eles.
Fenrir ajudava Endredi a subir na carroça onde estava a sua família, e ambos se beijaram com carinho.
—Não seja malicioso, seu tonto .-foi logo falando. -Estava conversando agorinha mesmo com Endredi e ela me disse que ambos ficaram a noite toda conversando.
—Só conversaram? Então preciso lhe dar algumas dicas.
—Presunçoso.
Bado se afasta de Aud e com um olhar preocupado toca no ombro de Fenrir pedindo que o seguisse.
—Mantenha-se atento e proteja a retaguarda. Os gigantes podem voltar a qualquer momento em busca de vingança.
—Está certo.
Iniciaram a marcha. Após algumas horas, os guerreiros deuses sentem que algo estava estranho. Os lobos que acompanhavam Fenrir por todos os lados farejavam a aproximação do perigo.
Bado se aproximou de Fenrir, se afastando um pouco das pessoas.
—Você já percebeu?
—Sim. Estou sentindo dois Cosmos agressivos se aproximando rapidamente.
—Eu reconheço um destes Cosmos. Enfrentei-o há dois dias atrás. Maldição! Achei que o desgraçado estivesse morto!
—Teremos que enfrentá-los, longe dessas pessoas. Se continuarem nessa marcha e não pararem, chegarão a salvo ao seu destino esta tarde!
—Vou avisar a Svend para que não parem e...
—Do que estão falando? -Aud chega por trás, assustando-os.
—AUD! -desta vez Bado gritou.
—Senhorita Aud, pare com essa mania de chegar de repente por trás!
—Estão tentando disfarçar mas sei que há algo errado. -ela falou com desconfiança, erguendo a sobrancelha. -Então, vão me dizer?
Os guerreiros entreolharam-se, Fenrir pigarreou e saiu de fininho deixando- os a sós.
—O inimigo está próximo. -ele falou. -Vamos enfrentá-los e dar-lhes chance de alcançarem o Palácio Valhalla.
—Posso ajudar e...
—Não. Ficará com eles.
—Oras, não diga o que devo fazer e... O QUE ESTÁ FAZENDO!
Com um suspiro, Bado a colocou sobre os ombros.Teve muito trabalho para mantê-la quieta, já que esperneava e xingava feito louca. As pessoas olhavam a cena espantados. Depois sem cerimônia alguma, a jogou em cima de uma carroça, onde estava Endredi e a família dela.
—Como ousa?! -ela esbravejou. -Eu vou...
Desta vez ele a pegou pela nuca e a puxou para perto de si, e a silenciou com um beijo, que não havia nada de delicado. Era apaixonado e voraz. Quando se afastou, Aud estava ofegante e seus olhos cintilavam de raiva e desejo.
—Agora, vá com eles. Não poderei lutar se tiver que me preocupar com você. Nos encontraremos no Palácio. Eu juro. -virou-se para Endredi e falou. -Cuide bem dela, Endredi. Eu cuido do Fenrir para você.
—BADO, SEU TEIMOSO ARROGANTE! -ela gritou.
Ele se vira e se afasta da caravana em direção a floresta, acompanhado por Fenrir e seus lobos.
—...Tome cuidado. -murmurou com os olhos rasos d'água.
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Bado e Fenrir correram por entre as árvores, já haviam se afastado bastante da caravana e pararam quando sentiram os Cosmos de seus oponentes.
—Idiotas! Vieram diretamente para a morte! -Um vulto saiu das árvores parando diante deles. -Sou Ashtaroth, o Anjo da Sabedoria.
—E não se esqueça de mim, maldito! Erigor, o Anjo do Poder! -ele se posiciona para atacar Bado. -Vou me vingar da humilhação que sofri!
—Fenrir! Cuidado com o seu oponente.
—Pode deixar! Aquele treinamento que tivemos com o próprio Odin, quando estivemos em seu Palácio nos tornaram mais fortes do que antes!
—Certo! Vamos acabar logo com isso e voltar para casa.
Os quatro guerreiros se fitam com intensidade, seus cosmos alcançam níveis inimagináveis.
—Morra, Bado de Alcor! -Erigor disse, lançando um ataque. –Farei você sofrer!
Bado desvia-se do ataque, com um leve sorriso no rosto.
—Não será assim tão fácil, Erigor! Agora você não tem nenhuma mulher para usar como refém! -disse em um tom irônico. Ele se levanta e assume postura de ataque. -GARRAS DO TIGRE DAS SOMBRAS!
Mas Erigor devia-se a acerta Bado repetidas vezes com o seu punho de Mantis.
—Acha mesmo que me derrotará desta vez? Sou um dos Anjos que anunciará o Apocalipse que devastará esse mundo! Tudo em honra da Grande...
—Você fala demais, Erigor! -Ashtaroth o repreendeu. -Não diga o nome da Mestra em vão!
—Deveria se preocupar comigo, Ashtaroth. -Fenrir o atacou. -Sinta a minha GARRA DO LOBO ASSASSINO!
Ashtaroth salta e desvia-se do golpe.
—Seu ataque é fraco, guerreiro. -disse rindo. -PICADA DE COBRA!
O ataque de Ashtaroth foi certeiro. Suas garras cravam-se no abdômen de Fenrir, causando um ferimento mortal.
—V-Você não vai me vencer! -Fenrir segura o pulso de Ashtaroth e dá um sorriso de confiança. -Desta distância eu não vou errar! GARRA DO LOBO ASSASSINO!
O Anjo recebeu toda a força do golpe à queima-roupa. Sendo jogado contra as árvores, abrindo uma trilha por entre elas. Fenrir sentiu a dor do ferimento e com a mão tentava conter o sangue que escorria abundantemente.
Ele olhou para onde estava Bado e Erigor, quando pretendia ajudá-lo, sentiu o Cosmo de Ashtaroth se aproximando. Ele se vira e recebe um dos golpes de Ashtaroth e cai ao chão. Bado recebeu um novo golpe de Erigor, ele atacava sem parar não lhe dando chances de revidar.
—Assim que terminar com você...será a vez da bruxa! Vou me divertir muito retalhando aquele belo rosto, arrancando a pele de seu corpo e ouvi-la implorar para que a mate!
Fitando Erigor com ódio mortal, Bado segura o punho do Anjo e eleva seu Cosmo ao seu limite.
—Nunca mais você chegará perto dela, maldito! Eu juro por Odin! Você morrerá aqui! -Bado se moveu com grande velocidade, jogando-o com toda a força para o alto e deu-lhe um golpe com todas as energias que tinha.
A armadura de Erigor se despedaça com o golpe e ele cai no chão, finalmente morto. Logo ele desaparece em uma névoa enegrecida.
—Aquele idiota do Erigor deixou-se ser derrotado de novo! -Ashtaroth disse com deboche. -Então, terei que matar os dois sozinhos. O que será fácil, já que o "garoto-lobo" está esvaindo-se em sangue.
—Acho que está equivocado, Ashtaroth. -Bado disse com um sorriso e um olhar confiante.-Eu não daria as costas para Fenrir, se fosse você.
Ashtaroth vira a cabeça e tudo o que consegue ver é o punho de Fenrir indo em sua direção, acertando-o com tudo no rosto.
—GARRA DO LOBO IMORTAL!
O Anjo desta vez bate com tudo em uma gigantesca árvore centenária, derrubando-a, e antes de tocar o chão, desaparece em uma névoa.
—I-Isso foi por ter me chamado de "garoto-lobo". -ele olha para Bado.-T-Tudo bem?
Bado faz um gesto positivo com os dedos, mas a expressão tranquila dá lugar à preocupação, quando Fenrir cai ao chão desacordado.
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Quando se aproximaram do castelo, a tarde já se findava. O ranger de uma porta dupla enorme que se abria foi acompanhado por passos apressados. Um rapaz de armadura negra, a imagem perfeita de Bado, recebia os refugiados ao lado de uma jovem de cabelos dourados.
Era o irmão de Bado, Shido, tinha certeza absoluta. Ficou impressionada por serem gêmeos.
—Vai falar com eles, Aud? — Endredi perguntou.
Desde que Bado e Fenrir partiram para lutar contra inimigos poderosos não tiveram mais notícias e ambas acabaram se aproximando. Elas haviam ficado para trás na caravana, na esperança de que pudessem avistá-los novamente.
—Sim, Endredi. E você virá comigo. Fenrir iria querer que estivesse a salvo.
Ambas se aproximaram dos anfitriões.
—Saudações, bem vindas! -dizia a menina loira. -Vamos acomodá-las junto com os outros.
—Perdoe-me senhorita. Mas preciso me apresentar. Sou Aud do clã Haydn. O clã das feiticeiras que habitam as Florestas Lendárias.
—Você? -ela parecia surpresa.
—E onde está o homem que foi buscá-la? -Shido perguntou aflito. -Meu irmão Bado.
—Vou contar. -Aud explicou tudo o que houve até aquele momento. -Estávamos nos aproximando dos limites das Terras do Palácio Valhalla. Quando inimigos apareceram e nos separamos. Bado pediu que seguíssemos viagem e só parássemos depois de chegarmos em segurança aqui.
—Seja bem vinda, milady- Shido inclinou-se em um respeitoso cumprimento. -E esta jovem quem é?
Meio acanhada, ela sorriu.
—Muito obrigada, senhor. -Aud simpatizou com o irmão de Bado, ela enxergou sua aura e deduziu que era um homem bom. -Esta é Endredi, minha amiga.
—Princesa Freiya, por favor avise a senhora Hilda de que irei procurar meu irmão e Fenrir.
—Não posso permitir que saia sozinho, Shido.
Os quatro levantaram o olhar no momento em que Hilda chegava ao pátio acompanhada pelos demais Guerreiros deuses.
—Seja bem-vinda, Aud do clã Haydn. -a senhora de Asgard a saudou. -E obrigada por vir de tão longe nos ajudar.
—Espero ser realmente de ajuda à senhora. -Aud esboçou um sorriso sincero.
Depois, Hilda voltou-se para Shido.
—Shido, por favor confie nas capacidades de Bado e Fenrir. Acredito que chegarão em breve.
—Mas, Senhorita Hilda...
—Ela está certa. -Aud o interrompeu, seus ouvidos se apuraram. -Ouço o vento. Eles estão chegando.
As duas mulheres correram para fora, viram ao longe a alcateia de lobos. E logo atrás dos animais, Bado amparando Fenrir e ajudando-o a caminhar. Estavam feridos e cansados.
—São eles! -Endredi gritou e logo saiu correndo.
Aud deu um suspiro aliviada. Ainda se lembrava da maneira que Bado a colocou numa carroça, sem dar-lhe chance de se defender, depois pensaria numa maneira de castigá-los por deixá-la tão preocupada. Endredi amparou Fenrir, passando a mão sobre seu rosto e recebeu em troca um sorriso. Bado se aproximou de Aud e parou diante dela.
—Não vai me dar um beijo de boas–vindas? -pediu, tocando o rosto dela.
—Bem-vindo. -respondeu dando-lhe um beijo, segurando a vontade de esbofeteá-lo.
Hilda e os demais observaram calados a cena.
—Parece que perdemos alguma coisa. -Freiya comentou com a irmã com um sorriso.
Continua...
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