A Feiticeira e o Tigre
3 Capítulo 3
Capítulo 3
Bado e Aud caminhavam por uma trilha íngreme, estreita e um pouco escorregadia devido ao gelo. Bado segurava a mão de Aud, para lhe dar apoio. Em um certo ponto do caminho, ele inclinou-se para trás e alertou:
—Cuidado, está escorregadio! Está cansada? Gostaria de parar um pouco? -perguntou com um sorriso, do tipo: “Eu avisei”.
Claro que estava cansada, com os pés doendo, mas não daria a ele o prazer de saber disso e jogar em sua cara pela centésima vez aquela frase irritante: "Ande depressa, está me atrasando!"
—Estou bem. Pare de fazer tantas pergun...
Antes que completasse a frase, seu pé escorregou e certamente Aud despencaria se Bado não a segurasse com firmeza pela cintura, puxando-a para junto de seu corpo.
—Disse para ter cuidado!
—Desculpe... e obrigada, Bado.
Era a primeira vez que ela o chamava pelo primeiro nome e com um sorriso de nervosismo nos lábios, que lhe disparara o coração.
Talvez fosse por causa do sorriso, talvez pelo perfume que emanava de seu corpo ou pela vontade de beijar aquela criatura tão bela quanto irritante, desde a primeira vez que a vira. Fosse qual fosse o motivo, ele curvou a cabeça e roçou os lábios nos seus. No início, chocada, ela tentou empurrá-lo para longe, mas diante da pressão daquela boca e língua exigentes e da força dos braços poderosos que a envolviam, sua resistência extinguiu-se, começando a corresponder ao beijo.
Estreitando-a contra o peito, ele intensificou o beijo, sorvendo o gosto dos lábios carnudos e sensuais.
Precisá-la tocá-la. Permitiu que as mãos escorregassem devagar por suas costas ao mesmo tempo em que a pressionava para mais perto.
Quando se separaram, ela estava ofegante e corada, Bado suspendeu a cabeça para fitá-la, brindando-a com um sorriso carinhoso. Então, Aud ergueu o braço e desfechou-lhe uma sonora bofetada.
Pego de surpresa, Bado escorregou no chão coberto de gelo e caiu, arrastando consigo Aud pelo braço, que ficou sobre ele.
—Por que fez isso? -ele gritou com ela.
—Como ousa me beijar sem minha permissão, seu...seu bruto? Largue-me!
Ele a olhou triunfante quando percebeu que apesar dos protestos dela, havia o brilho da paixão no rosto dela.
—Sem a sua permissão? Não foi o que senti quando a beijei!
—Seu...seu presunçoso, bastardo, arrogante!
—E pensar que palavras tão delicadas saíram da mesma boca que acabei de beijar. -falou com ironia.
Ela se debateu e se levantou com o rosto em chamas, ajeitando as saias e a capa, o olhava com raiva quando ele se erguia ainda com aquele sorrisinho irritante de vitória.
Um pássaro que alçou voo assustado o fez virar depressa a cabeça para o lado, e sua expressão mudou.
—Não estamos sozinhos. -disse seriamente.
Com gestos rápidos, Bado de Alcor pegou Aud pela cintura e deu um grande salto, alcançando um terreno mais firme. Então as árvores ao longo da trilha criaram vida com a aparição de dezenas de guerreiros que saíam de seus esconderijos. Todos empunhavam armas e barrava-lhes a passagem. Eles carregavam o estandarte de Loki.
—Quero que se abrigue na floresta. -ele ordenou sem tirar os olhos dos homens que se aproximavam e com um sorriso de confiança acrescentou. -Não se preocupe. Não são inimigos para mim.
Aud não respondeu, seu olhar estava fixo em um ponto. Sentia que alguém se aproximava, e este possuía uma aura de grande maldade. Apesar do frio, sentiu o suor escorrendo pela sua fronte.
Bado avançou contra os guerreiros e os derrotou com poucos movimentos e golpes. Depois de finalizada a luta, ele virou-se para Aud, mas um Cosmo sombrio e cheio de ódio chama a sua atenção. Um inimigo apareceu do nada, movendo-se a grande velocidade e o ataca pelas costas usando garras afiadas.
Bado é jogado ao chão e ouve Aud gritar por seu nome.
A risada divertida de seu adversário impulsiona o guerreiro deus a levantar-se. Precisava proteger Aud. Levantou-se, colocou o elmo e intensificando seu cosmo encarou o inimigo. Era um sujeito estranho, cabelos loiros espetados para cima, o rosto coberto por uma máscara negra de onde no lugar dos olhos havia uma espécie de viseira cor de ametista, sua armadura era negra e tinhas garras afiadas.
—Quem é você? -Bado perguntou, com o olhar fulminante.
—Sou o Anjo do Poder! Erigor de Mantis Negro!
Realmente, Bado notou que o tal Erigor mantinha uma postura parecida com o da criatura do qual se autoproclamava.
—Anjo do Poder? Pfiu! Tolices! Não o conheço, e não me intimidarei diante de um verme como você, Erigor. -Bado assumiu uma postura de defesa, colocando suas garras de tigre a mostra. -Você cometeu o erro de ficar no caminho de Bado de Alcor.
—Não...não é mais um anjo. -Aud falava como se estivesse em transe. -É um Caído. Um demônio. Não vejo sua alma, ela não existe mais!
—O que disse? -Bado vira a cabeça e fica hesitante por vê-la exposta ao perigo. -Aud, mandei que se protegesse!
A criatura dá uma risada tétrica e ataca:
—PUNHOS DE MANTIS!
—O que é isso? Ele se move muito rápido, na velocidade da luz!
Os muitos golpes de Erigor atingem Bado, jogando-o de um lado para outro como se fosse um boneco. Com um chute, o demônio joga Bado contra as árvores, derrubando muitas antes de atingir o chão coberto de neve.
—Praga! Aud estava certa, meus reflexos ainda estão lentos. Ainda não me recuperei totalmente do veneno! Se fosse em outra ocasião, esse maldito já estaria no chão.
—Você teve azar, guerreiro deus. Eu morri e renasci muito mais poderoso do que nunca! Minhas garras vão arrancar seu coração!
—Que interessante, eu também estive morto e voltei!
O demônio mirava o coração de Bado, mas atingem apenas o chão. Pois o guerreiro se esquivou no último instante.
—Matarei você e depois a mulher!
—Nunca permitirei que se aproxime dela, maldito. -Bado se ergue. -GARRA DO TIGRE DAS SOMBRAS!
As garras acertaram o ombro, a coxa, o abdômen do anjo negro com um ruído chocante. Mantis podia sentir que seus ossos estavam sendo esmagados pela força assustadora do guerreiro deus. Por fim, cai ao chão, se arrastando por vários metros.
Bado para um instante, sentia os golpes de Erigor. Ele era forte. De repente, uma voz elevou-se:
—Guerreiro deus, é melhor se submeter a mim ou a mulher morrerá!
Bado virou-se e viu Aud nas garras de Erigor. Ele havia se recuperado e um de seus braços a prendia pela cintura e a outra encostava suas garras em seu pescoço. Um filete de sangue escorria de um pequeno corte em sua pele.
Bado sentiu um ódio mortal pela atitude covarde de seu oponente. Mas assentiu com um gesto de cabeça.
No instante seguinte, outros servos de Loki apareciam e lhe prendiam os braços às costas, outros o esbofeteavam e davam pontapés. Com um gesto de Erigor, eles se afastaram. Bado ainda mantinha-se em pé, embora tivesse o rosto machucado e sangue escorrendo pela boca e por um corte na testa. Ele encarava Mantis com um olhar inflamado de ódio.
Erigor aproximou-se, arrastando Aud com ele.
—Você morrerá agora, Bado de Alcor. -Ele dá um soco em Bado, jogando-o de cara no chão. Em seguida começa a pisar em suas costas. -Morrerá! Longe de casa e sem rever o irmão ou ter a chance de se reconciliar com ele e os pais que o abandonaram. Tal fato não é pior que a morte?
—Como sabe tanto de mim? -Bado perguntou perplexo.
—Muito pouco minha senhora não sabe, ainda mais por que entre seus guerreiros há alguém que serve a minha mestra!
—Então, é óbvio que Hilda de Polaris tem uma víbora traidora entre os guerreiros deuses. -Aud comentou, com um sorriso enigmático.
—O que disse? -Erigor fitou a sua refém.
Ela enfrentou Mantis com um olhar sem medo, uma lufada de vento gélido o obrigou a soltá-la. Com o rosto parcialmente coberto pelo capuz, a capa balando ao vento e um olhar tão penetrante que gelava o sangue de quem a encarava, era uma visão assustadora.
—Você não tem alma, é apenas um cadáver ambulante que quer agradar sua mestra como um cão servil, temendo que ela faça sua carne apodrecer novamente. Não vê, Mantis? -ela aponta para ele, com um sorriso irônico. -Sua carne já está apodrecida, como o seu coração.
Mantis olha para a mão, cuja manopla que a protegia caia, e então vê a carne pobre e coberta de vermes, ele cambaleia e a máscara cai revelando o rosto deformado de um zumbi. Ele coloca as mãos ossudas sobre a cabeça e grita.
Os soldados e Bado olham sem entender. Para eles Mantis está normal. Não sabem que Aud o prendeu sob um feitiço ilusório poderoso.
—É uma feiticeira! -um dos homens exclamou! -Matem a maldita depressa!
Mas antes que eles possam fazer algo, Bado se ergue e os elimina facilmente. Nesse instante, Aud fecha os olhos, caindo de joelhos cansada.
Erigor se liberta de seu feitiço e olha colérico para ela.
—Maldita bruxa! É a segunda pessoa que me engana com ilusões!
—Erigor de Mantis! -Bado o chamou. -Terá que me derrotar primeiro.
—Com prazer! PUNHO MÁXIMO DE MANTIS!
—Não será assim tão fácil! GARRA DO TIGRE DAS SOMBRAS!
Desta vez Bado está mais rápido e se desvia do golpe de Mantis e o acerta em cheio, repetidas vezes em seu estômago, jogando-o desfiladeiro abaixo. Seu grito é ouvido por alguns segundos e depois o silêncio.
Aud foi para perto de Bado e tocou-o no ombro. Ele levantou o olhar e a observou por um tempo, em silêncio. Seu olhar era doce novamente e mantinha uma expressão serena.
—Está bem, senhor? -perguntou finalmente, tocando gentilmente sua testa verificando o corte.
—Estou bem. -disse pegando sua mão delicadamente entre as suas. -Está vendo o quanto essa viagem será perigosa? Deveria levá-la de volta e...
—Eu não vou voltar! -ela respondeu, sua voz e olhar demonstravam sua raiva. -E largue de ser teimoso, nada vai me fazer mudar de ideia. Acostume-se com isso. Agora, vamos! Já que não quer a minha ajuda.
Ela faz questão de apertar o local onde Bado estava ferido e sorriu inocentemente quando ele gemeu de dor. E seguiu na frente dele pela trilha em direção ao bosque.
Que mulher irritante! E pensar que quando a viu pela primeira vez, imaginava-se estar diante de uma flor delicada.
À noite, encontraram uma cabana abandonada. Era muito velha, possuía uma lareira e uma cama quebrada, cujo colchão estava jogado em um canto, mas era um abrigo melhor do que passar a noite ao relento numa tempestade de neve.
—Melhor do que nada. -ele refletiu.
—É melhor retirar sua armadura, senhor. Para que eu cuide de seus ferimentos. -ordenou com autoridade.
—Não consegue ficar sem mandar em alguém?
—Não consegue ficar quieto sem replicar tudo o que digo? Acho que faz isso de propósito, só para me irritar e me fazer voltar para casa, de raiva. -disse com as mãos na cintura. -E não tente disfarçar, está com dores.
Talvez fosse verdade. Tinha receio de tocá-la de novo e não conseguir se controlar. Na verdade o ar autoritário e mandão dela o atraiam. As mulheres em seu país, em sua maioria, eram passivas e delicadas demais para o seu gosto. Mas Aud era corajosa, voluntariosa. Falava e fazia o que queria.
—Meus ferimentos não são nada. Procure se ajeitar enquanto busco lenha para a lareira e algo para comermos.
Saiu deixando-a sozinha.
Desde os acontecimentos daquela tarde, Bado evitou tocá-la e não conversou mais com ela, permanecendo em um silêncio constrangedor. Era melhor assim. Com um grande suspiro, começou a ajeitar a pouca mobília, forrou com sua capa o colchão após espanar um pouco o pó.
Estava congelando de frio. Com os restos de uma cadeira, começou a acender a lareira e o calor começou a invadir o ambiente. Preocupou-se por Bado estar demorando. Esqueceu de lhe dizer que a sua avó havia preparado algo para comer durante a viagem.
Pegou uma velha panela e começou a derreter a neve. Bom, pelo menos enquanto estivesse fora poderia cuidar de sua toalete com calma.
Colocou algumas ervas aromáticas e óleo floral na água. Com um pedaço de linho, começou a molhar o rosto, eliminando as impurezas e tentando tirar um pouco do cansaço que sentia. Desabotoou a parte de cima do vestido e o desceu até a cintura para continuar a se limpar. E nem reparou um par de olhos castanhos avermelhados que a observavam da janela fascinado.
Bado estava chegando com a lenha, quando ao passar pela janela a viu no ato de se banhar. Apesar da pouca visibilidade provocada pelo vidro sujo, ele pode admirar as belas curvas de Aud, os seios alvos, fartos e firmes.
Precisou de toda a sua força e razão para sair dali antes que pudesse provocar algum constrangimento a ela. Se por tê-la beijado, Aud lhe esbofeteou, imagine se o flagrasse observando-a no banho!
Lembrou-se da maneira corajosa que ela enfrentou Erigor. Ela não havia revelado o menor indício de medo. Era uma mulher realmente corajosa! Digna de ser a esposa de um nobre. Pena que era tão teimosa. Deu algumas batidas na porta, anunciando que chegava.
—Espere um pouco. -ela pediu, se vestindo. -Pode entrar.
Ela acabava de se arrumar.
—Trouxe a lenha. Mas não encontrei nada para o jantar.
—Tudo bem. -ela pega a sua sacola. -Vovó sempre foi prevenida. Temos pão doce caseiro, bolachas de nozes e queijo. Não é muita coisa mas...acho que dá para essa noite.
Ela parou um pouco e percebeu que ele a encarava. Ele estava perto demais. Os olhos brilhavam intensamente, a boca a atraia de uma maneira quase irresistível. Queria dar-lhe as costas e sair correndo mas, não conseguia. Tinha certeza de que se ele a beijasse de novo, não conseguiria resistir, pois só conseguia pensar naquele beijo e de como se sentiu protegida em seus braços. Estremeceu só de lembrar desse fato.
Ele estendeu mão e tocou seu rosto. No instante seguinte, ela apoiou a cabeça em seu peito largo. Perto dele, era tão pequena e parecia tão frágil.
—A luta de hoje, você nunca viu nada assim, não é? Faz poucos dias que nos conhecemos e você já viu violência demais.
Ela ergueu a cabeça e o encarou.
—Não me arrependo de minha decisão, se é o que pensa. Minha avó sempre me disse que as deusas nos abençoaram com um dom. Que devemos usá-los para ajudar aqueles que nos procuram. Não faço isso por teimosia, mas por que é meu destino.
Lentamente, Bado a aconchegou junto a si, abraçando-a com carinho.
—Está bem. Não vou ficar mais insistindo para que volte para casa. Prometo que a protegerei, Aud.
—Bado eu...
As palavras foram abruptamente interrompidas quando ele a apertou com força e apossou-se de sua boca com um beijo quente e faminto que a surpreendeu. Calor emanava de seu corpo viril e Aud ansiava por esse calor.
A boca de Bado era tão hábil e ágil. Lábios fortes, firmes. Uma língua que dançava com a sua. O sabor dele, tão estimulante. Desta vez, ela não hesitou e o abraçou pelo pescoço, o corpo apertado contra o dele.
Retribuiu o beijo com tal fervor que, em instantes, ambos estavam arquejantes.
—Você me tenta, feiticeira... -murmurou de encontro aos lábios dela.
Seu hálito morno misturou-se ao dele. Bado o aspirou, desejando, mais do que qualquer coisa deste mundo, experimentar outras carícias. Conseguir mais do que beijos. Ele a desejava muito. Mas não queria se aproveitar de sua inexperiência.
—Você é linda! -sussurrou e depois se afastou. -É melhor dormirmos, Aud. Amanhã prosseguiremos. Chegaremos a Asgard à noite. Vou lá fora ver se estamos seguros.
Aud abaixou a cabeça, escondendo seu olhar de desapontamento.
—Como queira, senhor. -ela respondeu com a voz abrupta.
Bado retirou-se e a deixou só. Enquanto caminhava pelas sombras, crispou as mãos. Deu-se conta que elas estavam trêmulas.
Perto dali, um vulto escalava o desfiladeiro. Uma garra manchada de sangue se agarra na borda e o estranho ser se ergue. Olhos ocultos por uma máscara flamejavam de ódio pela humilhação sofrida.
Ele faria aquela mulher que o enganou pagar caro com a vida. E o guerreiro deus que o derrotou desejará morrer rapidamente pelas suas garras de Mantis.
Horas depois, ao abrir a porta da cabana, viu a tênue luz da lareira ardendo e ali, no colchão velho, a figura adormecida de Aud. Estava adorável com os cabelos negros espalhados sobre os ombros e costas, e o rosto sereno.
Alimentou o fogo para aumentar o calor naquele ambiente e depois deitou-se com cuidado na "cama", longe dela. A tentação era forte demais, mas conteve o ímpeto de querer beijá-la. Acomodou-se e devido ao cansaço ou talvez a energia desperdiçada na luta, adormeceu.
Muito tempo mais tarde, acordou e deu-se conta que algo quente e macio estava junto a seu corpo. Abriu os olhos e viu Aud aconchegada a ele, dormindo profundamente. A cabeça apoiada em seu ombro e sua mão pousada levemente sobre seu abdômen.
Então, Bado viu o pequeno corte na pele sedosa provocado por Erigor. Foi tomado por uma fúria intensa pelo demônio. Praguejou baixinho e com a ponta do dedo, tocou o lugar ferido. Percebeu que o corte estava curado e cicatrizado, certamente Aud ministrou algum remédio.
A fim de não acordá-la, ele mexeu-se com máximo cuidado. Levantou a sua capa branca e a cobriu. Aud suspirou e aconchegou-se mais a ele. Refletiu sobre o quanto era ingenuamente sedutora, parecia desconhecer seu próprio poder sobre os homens, sobre ele.
Era certo de que nunca havia estado com outro homem e era pura como a neve que caia lá fora. Prometeu a si mesmo que não faria nada com ela, não se aproveitaria de sua inocência e despreparo. Sua família a confiou a ele, e honraria essa confiança levando-a de volta para casa da mesma maneira que a trouxe. Intocada.
O problema seria convencer seu corpo disso. Pois parecia estar tomado por um desejo intenso por ela, mas precisava se controlar.
Por muito tempo ele ficou apenas observando-a, admirando-a em seu sono. Não conseguindo manter os olhos abertos, Bado cedeu a exaustão. Com um suspiro profundo, abraçou-a e adormeceu ao lado dela.
Os primeiros raios do sol a despertaram, e encontrou-se aninhada entre os braços de Bado. Nunca na vida estivera tão próxima ao corpo de um homem antes. Aspirou profundamente o perfume que emanava de seu corpo, sentindo sua respiração lenta e cadenciada, as batidas de seu coração.
Sentia-se envolvida com ele, a sua força, sua solidão, todos esses pensamentos a deixavam confusa. Lembrou-se de sua irmã Loren e Leif, quando eram namorados, ela ainda era pequena, tinham acabado de se mudar para a casa da avó. Leif se apaixonou à primeira vista pela irmã, o namoro inicialmente era tímido e só após muito tempo ela permitiu outras intimidades.
Mas com Bado, sentia um calor avassalador, toda vez que ele a tocou e a beijou, seu corpo pegava fogo.
Levantou-se com cuidado para não despertá-lo e lá fora, perto da cabana, havia uma nascente e lá lavou o rosto.
Então um som chamou-lhe a atenção. Eram sons de passos, pesados e ritmados, como o de um exército. Não estavam muito longe dali. Deu alguns passos para trás e esbarrou em alguém. Era Bado que também havia despertado com o som.
—Talvez sejam os exércitos de Loki. -falou com a voz tensa. -Vou investigar. E você. -ele lançou um olhar que não admitia réplicas. -Fique aqui. Se acaso eu me demorar, quero que vá para o palácio Valhalla. Entendido?
—Mas...
—Entendido? -ele reforçou no tom de voz que não aceitava um não.
—Está bem.
Em seguida, sumiu com um salto entre as árvores. Aud ficou parada um instante, depois colocou as mãos na cintura e falou consigo mesma.
—Aquele tolo! Como espera que eu vá até um lugar se nem sei onde fica?
Decidiu pegar a direção de onde Bado havia desaparecido.
Continua...
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