A Feiticeira e o Tigre
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A batalha estava acirrada. O exército de Gigantes do Gelo, homens de três metros de altura, servos de Loki e eternos inimigos de Asgard desde tempos mitológicos, avançavam contra o Palácio Valhalla. A população que residia próximo estava refugiada dentro de seus muros, orando sob os pés da gigantesca estátua de seu deus protetor, pedindo ajuda.
Por onde passavam, os belicosos gigantes deixaram um rastro de destruição. Os bárbaros gigantes avançavam contra os soldados que tentavam em vão detê-los.
Apanhados de surpresa e em desvantagem numéricas, não havia onde os soldados se reorganizarem e protegerem o castelo. Dentro do palácio, uma jovem de longos e ondulados cabelos loiros, corria em direção ao portão que levava até o Pátio de Odin. Freiya estava ofegante, o coração disparado.
Tentou recuperar o fôlego antes de se aproximar da irmã que orava fervorosamente diante da Armadura de Odin, com o cosmo mais brilhante que os raios do sol, pedindo ajuda.
—Hilda! -a princesa de Asgard clamava.- Por favor, abrigue-se! Os gigantes do gelo a qualquer momento entrarão no Palácio.
—Não posso me esconder, Freiya. Não enquanto meu povo luta para me proteger. -Hilda se levanta e olha carinhosamente para a irmã. -Além disso, Odin me disse para ter fé.
—E-ele disse? -a jovem olha para a estátua.
Do lado de fora Forset o Bravo, líder dos Gigantes de Gelo instigava seus soldados a avançarem com a voz extasiada pelo furor da batalha.
—Avancem, irmãos! Hoje será o dia em que os deuses de Asgard cairão e este reino será dos Gigantes de Gelo. Não há Guerreiros deuses para protegê-la! Por Loki e por Ymir! Hilda morrerá hoje!
—Detenham-se ou morram!
A voz autoritária foi seguida pelos gritos de espanto e dor de vários Gigantes que estavam na retaguarda. Forset virou-se e engoliu em seco, suava frio e suas mãos que seguravam machados de guerra, tremeram levemente. Eram oito homens, trajando armaduras que reluziam ao sol. Seus cosmos brilhavam intimidando seus oponentes. Alguns gigantes murmuravam com medo.
—São os Guerreiros deuses! Estão vivos! Impossível! Loki disse que eles morreram há anos atrás!
Temendo perder o respeito de seu exército, e tentando ignorar o olhar gélido e furioso lançado por Siegfried de Dubhe. Numa voz tensa, ele gritou a ordem:
—Somos um exército! Eles são apenas oito! Matem os Guerreiros deuses!
Os gigantes avançaram. Os guerreiros ficaram impassíveis, alguns até sorriam diante da possibilidade de lutarem novamente e colocarem em prática o que aprenderam enquanto estiveram no Palácio de Odin.
Ao verem os inimigos próximos, cada um dos guerreiros deuses contra atacou usando os seus golpes preferidos.
—Não é chamado de Forset, o Bravo? -o guerreiro de Dubhe dizia sarcasticamente. -Mostre-me essa bravura toda.
Pelo golpe de Siegfried, Forset cai fulminado. Tão rápido como começou, a luta cessara. Os gigantes remanescentes sentiram a coragem abandonando-os.
—Então. -Siegfried falou, encarando-os com desprezo. -Contra mulheres, crianças e camponeses os gigantes de gelo são corajosos? Mostrem essa coragem contra mim!
Os gigantes largaram suas armas e saíram correndo, nem olhavam para trás temendo serem perseguidos.
Do palácio o povo ovacionava em júbilo pelo retorno de seus defensores. Os portões abriram e Hilda de Polaris, acompanhada pela irmã, apareceu para saudar os jovens guerreiros. Freiya mal acreditava, estavam vivos!
—Hilda, como...?
—Odin os trouxe de volta. -E a rainha de Asgard caminhou até eles. Os guerreiros deuses se ajoelharam diante dela, em respeito.
Siegfried se ergue e começou a falar:
—Senhorita Hilda, eu...
Sem conseguir se conter mais, lágrimas brotaram dos olhos azuis de Hilda. Seus lábios tremeram levemente. Ela correu e envolveu Siegfried em um abraço forte e carinhoso, deixando-o sem jeito.
—Hilda!
—Não diga nada...-ela pediu, antes de beijá-lo.
Todos olharam admirados a cena. Freiya se aproximou de Hagen, que ficou visivelmente nervoso. Ela tocou em suas mãos com seus delicados dedos e falou com lágrimas em seus olhos e um sorriso:
—Você é real! Hagen, você voltou para mim!
Quase todos ficaram satisfeitos ao verem os guerreiros deuses abraçados a suas amadas. Quase. Alberich imaginava como poderia usar o conhecimento de que tanto Hagen quanto Siegfried tinham como ponto fraco o amor pelas jovens nobres a seu favor.
Bado não se sentia à vontade ali. Jamais se sentiria aceito entre os Guerreiros deuses. Ainda se imaginava uma sombra do irmão, e frequentemente repudiava qualquer tentativa de Shido de tentar uma aproximação. Lembrou-se que, quando esteve no palácio dos heróis de Odin, constantemente, os deuses o aconselhavam a esquecer e perdoar qualquer sentimento de rancor pelo irmão e pela família. Mas era muito difícil.
A felicidade deles o incomodava. Sentia inveja?
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Estavam todos reunidos no Salão Principal do palácio.
—Fico feliz que todos tenham voltado. -Hilda dizia.
Mas foi interrompida por Shido:
—Hilda, perdoem-nos por favor! Não fomos capazes de protegê-la no momento em que mais precisou. Como seus guardiões, deveríamos ter percebido que estava sendo controlada pelo Anel dos Nibelungos e...
—Pare, Shido! -ela ordenou. -Sou eu quem peço perdão! Perdão a todos vocês!
—Hilda! -disseram admirados.
—Se não fosse por mim, por minha fraqueza, todos teríamos vivido uma vida de paz! Por minha culpa, vocês sofreram muito, morreram... perdi pessoas que me são muito caras. -ela olha para Siegfried com carinho, que agora retribui o olhar.
Todos já sabiam do amor que existia entre eles, não havia mais razão para esconder-se. Depois, ela volta a falar com cautela.
—Sei que Odin não lhe devolveu a dádiva de uma nova vida à toa. Para isso ele desafiou leis que controlam esse universo! Mas ele o fez, cônscio de seus atos, pois sabia que um grande perigo ameaça este mundo. Mas não sabe exatamente o que.
—Os Gigantes do Gelo. -Thor falou pensativo. -Há séculos viviam em paz nas montanhas. Nossos povos conviviam em harmonia. Algo despertou a fúria guerreira e antigos rancores.
—Sim. E não apenas isso. -Hilda foi até a janela e olhou para os céus. -É como se o mal ganhasse forças a cada dia e maculasse a todos que toca
—Irmã? Como sabe de tudo isso?
—Há alguns meses recebi uma carta de Atena. Ela falou-me sobre certos acontecimentos ocorridos no Santuário da deusa Hera. Ela acha que não foi um acontecimento ao acaso. Começo a perceber que está certa. Pois Loki, o deus da mentira estava aprisionado por ordem e vontade de Odin. -ela se vira – Mas alguma força o libertou. E não sabemos quem é o responsável por tal ato. Deve ser muito poderoso, para contrariar até os deuses.
—O que faremos, então? -Hagen perguntou. -Não se pode enfrentar um inimigo que não se conheça.
—Talvez as únicas pessoas que possam nos ajudar e esclarecer nossas dúvidas sejam os sábios feiticeiros que habitam as Florestas Lendárias.
Freiya não escondeu a incredulidade:
—Mas, irmã. Deve estar brincando! -disse, mas vendo o olhar sério da irmã, percebeu que não. -Mas dizem que esse lugar é inacessível! Habitado por criaturas perigosas! Quem foi até lá, nunca mais voltou.
—Sim. Eu conheço as histórias sobre os espíritos mágicos que habitam a floresta e o lendário dragão que a protege. Mas se tudo o que ouvi for verdadeiro, aquele que conseguir encontrar um desses feiticeiros terá o conhecimento que desejar. Pretendo ir até lá e me aconselhar com um deles.
—Você está louca se pretende ir até lá. -Bado falou. Até aquele momento estava quieto, encostado em um canto. -Não é uma viagem para uma mulher.
Antes que Hilda rebatesse o comentário de Bado, este continuou:
—Pode deixar que eu trarei esse feiticeiro. E não se preocupe, eu sei o caminho até as Florestas Lendárias.
—Não quero que vá sozinho, Bado. -Hilda pediu.
—Irei com você, irmão.
Bado observou Shido por algum momento.
—Não. Nosso povo corre perigo. Se Loki atacar de novo, Hilda precisará de todos os Guerreiros deuses. –ele foi saindo. -Afinal, não sou um Guerreiro deus de verdade.
—Bado, não é bem isso...
As palavras de Hilda não chegam até o amargurado guerreiro. Ele já estava fora do alcance de sua visão.
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Dentro de uma cabana simples, oculta em parte pela vegetação. Uma família composta de cinco mulheres, uma senhora de idosa, uma jovem mulher adulta, duas jovens adolescentes, observavam outra que mantinha o rosto impassível, todas de cabelos negros e olhos azuis claros, que pareciam serem feitos de cristal.
A jovem olhava como se estivesse em transe, para o conteúdo líquido de um cálice de prata.
—E então, Aud? -perguntou a velha matriarca.
—Ele virá. -ela falava com uma voz misteriosa. -Um homem amargurado. Cujos olhos estão cobertos pela tristeza e que possui a alma de um tigre. Exatamente como os mensageiros da luz disseram.
—Bom. -disse a senhora de cabelos negros entremeados por alguns fios brancos, voltou sua atenção para o bordado que fazia. -Estou terminando sua capa. Vai precisar dela em breve.
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Bado caminhava pela escura floresta, tão escura quanto a noite, usava a sua armadura, pois receava encontrar algum inimigo. A luz do sol parecia que nunca penetraria ali, e logo a noite cairia. Cogitou a possibilidade de procurar um abrigo e esperar pela manhã.
Feiticeiros. Florestas amaldiçoadas. Dragões. Bado não acreditava em nada disso. Eram apenas lendas para manterem afastados os curiosos. Além do mais, esses "feiticeiros" deviam ser charlatões que viviam à custa da crendice popular.
O Guerreiro deus de Alcor parou diante de um obstáculo natural. Enormes e milenares árvores bloquearam seu caminho com suas raízes, formando uma muralha natural. Com um golpe certeiro, as raízes foram congeladas e se estilhaçaram ao sentir suas garras de tigre. Andou alguns passos e parou desconfiado ao perceber que poderia estar sendo vigiado. As sombras pareciam ocultar criaturas estranhas.
Notou algo curioso. Antes de atravessar as árvores, ele ouvia perfeitamente os sons da floresta. De repente estava tudo mergulhado em um imenso silêncio. Era como se as criaturas estivessem escondidas, fugindo de algum predador.
Após alguns minutos de caminhada difícil, Bado estancou admirado. Ao cair da tarde, o céu iluminava um lago de águas cristalinas.
Aproximou-se e notou o quanto as águas eram límpidas.
Haviam flores, borboletas multicoloridas e o verde cobriam tudo. Era como se a primavera estivesse ali, embora no restante do reino tudo estivesse coberto de neve e gelo. Era o lugar mais belo que havia visto. Tocou nas águas para ter certeza de que eram verdadeiras. Com as mãos, pegou um pouco e saciou a sede.
Uma suave ondulação na superfície das águas chamou a sua atenção. Levou um grande susto ao ver um animal que deveria existir apenas nas lendas bebendo no lago. Era um unicórnio!
—I-isso não é possível! -murmurou, receoso de que sua voz pudesse assustar o animal.
O magnífico animal parecia não estar incomodado com a presença do jovem guerreiro. Ele satisfazia a sua sede com tranquilidade. Súbito, um som terrível fez a criatura correr assustado e desaparecer na floresta.
Um estrondo e a terra estremeceu. Bado virou-se rapidamente e notou com horror que atrás de si, apareceu um dragão. A criatura era gigantesca, escamas vermelhas, escuras e brilhantes cobriam seu corpo. Seus olhos pareciam duas chamas douradas. O monstro abriu a boca e labaredas de fogo surgiram em direção a Bado.
A criatura queria carbonizá-lo. Mas, o guerreiro deus não era um homem comum. Com uma velocidade impressionante, desviou-se do primeiro ataque e disparou seu golpe "Garras do Tigre das Sombras". Surpreso, notou que o golpe não surtira nenhum efeito. As escamas formavam um escudo natural protegendo o corpo da fera.
Em resposta, o mostro lançou outro ataque de chamas, desta vez para escapar Bado jogou-se nas águas do lago. Sentiu as chamas resvalarem sobre a superfície do lago pelo calor.
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Ao ouvir o rugido tão perto, Aud desviou o olhar preocupado das ervas que colhia para o céu lá fora. O dragão está furioso! Espero quer não esteja atrás dos unicórnios novamente! Dois pássaros passaram voando perto dela e estavam agitados.
Eles pareciam conversar com a jovem, alguns momentos depois, ela arregalou os olhos e saiu correndo em direção ao lago, sendo seguida pelas aves.
—Aquele tolo!
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Um dragão!
O maldito dragão existia mesmo! E estava furioso, querendo acabar com ele. Bado achava que enquanto estivesse dentro do lago estaria a salvo. Então, para seu espanto, viu que a criatura avançou nas águas para ir atrás dele. Ele nadava com extrema agilidade.
Esperou até o último instante e desviou da tentativa do dragão de abocanhá-lo. Tentou atingi-lo novamente com o seu ar gelado, acertando-o na boca.
Notou que a criatura contorcia-se de dor! Era aquele o seu ponto fraco! Era invulnerável apenas em seu corpo externo, não internamente.
Bado subiu a superfície para respirar um pouco. A cabeça do monstro com a boca ameaçadora submergiu também e com um movimento da sua cauda, o acertou, jogando o guerreiro para dentro das águas. Meio atordoado pelo ataque, mal viu quando as garras afiadas vieram em sua direção, acertando-o.
A criatura o mantinha preso no fundo do lago, com o seu peso. Se não fosse pela sua armadura, as garras teriam cortado seu corpo ao meio. Tentou se livrar do aperto mortal, mas sentiu uma dor aguda. A garra da criatura havia causado um ferimento em seu braço direito e o sentia queimar.
Elas estavam impregnadas de veneno! Certamente mesmo com a armadura, seu corpo havia sofrido danos.
Reunindo as forças, Bado mirou na bocarra aberta que se aproximava e disparou seu golpe mais forte. Acertando em cheio, o monstro o soltou, cambaleando e caindo na parte mais rasa do lago. Com o peito ardendo, e o corpo dolorido, Bado subiu rapidamente. Precisava de ar.
Olhou para o monstro que parecia imóvel, caído na beira do lago. Agradeceu por Hilda não ter vindo. Enfrentar esse monstro com ela por perto não seria fácil. Se bem que duvidava se Siegfried a deixaria sair por aí sem ele.
Precisava sair logo do lago, o veneno ameaçava jogá-lo na inconsciência e se isso acontecesse certamente morreria afogado! Sentiu que alcançava o leito, endireitou o corpo e caiu de joelhos após alguns passos. Mal teve tempo de se recuperar, pois o dragão deu um grande urro e vinha novamente em sua direção.
Não tinha muitas forças. O veneno o entorpecia. Reuniu o que lhe restava de cosmo e lançou-se contra a criatura. O monstro urrou de maneira assustadora e tombou para trás, tingindo a água com o seu sangue que escorria da boca cheia de dentes.
Bado andou mais alguns passos, segurando o braço ferido com a outra mão sorriu ao imaginar como os outros reagiriam se dissesse que havia lutado contra um dragão de verdade! Bem, certamente teria de convencê-los de que dragões existiam.
Um ruído leve chamou a sua atenção e inclinando um pouco o corpo viu-se diante do que achou ser uma visão. Uma bruma começou a envolver o local onde estava o lago e de dentro dela emergiu uma linda jovem.
Sua pele era alva com a neve mais pura, cabelos negros, rebeldes, soltos ao sabor da brisa, os olhos azuis cristalinos o olhavam com espanto. Usava um vestido azul-turquesa que acentuava mais ainda a beleza incomum dela. Notou que ela carregava uma flauta amarrada na cintura com uma cordinha dourada.
Aud havia assistido a luta com um misto de apreensão e admiração. Diante dela estava o homem que seu dom havia dito que apareceria. Os cabelos esverdeados, o olhar castanho avermelhado cheio de melancolia. A mandíbula firme, o rosto bonito e a armadura do tigre branco.
Igualzinho a visão no cálice. Por um longo momento, homem e mulher permaneceram em silêncio. Apenas se fitavam. Bado começou a caminhar até a visão, em seu íntimo queria ter certeza de que ela era real. Parou diante dela, era bem mais alto do que ela.
Aud precisou erguer a cabeça para poder olhá-lo bem em seus olhos. Por fim, foi o guerreiro deus quem criou coragem para falar:
—Quem...é você?
A voz dele a tirou do transe que aqueles olhos haviam provocado, sentiu as faces ficarem vermelhas e após dar um passo para trás falou:
—Sou Aud, do clã Haydn. Bem-vindo às Florestas Lendárias, guerreiro deus de Asgard.
—Como você...?
—Está usando uma armadura. E meus amigos me disseram. -ela aponta para uma árvore onde havia apenas dois pássaros. -Eles o acompanham desde que se aproximou de nosso lar. Avisaram-me que você entrou no lago do dragão e que corria perigo. Vim o mais rápido que pude, pensando no pior.
—Eles...? -Bado sentiu a cabeça latejar, a queimação em seu braço espalhou-se pelo restante do corpo, sentiu a imagem de Aud sumindo.
—Está ferido! A garra do dragão o feriu. -disse alarmada. -Que loucura lutar com um dragão vermelho! Seu sangue e garras são venenos mortais.
—Estou...ferido?... -ele balbuciou, sentindo as pernas fraquejarem.
Sentindo-se sem forças, tombou na relva, mergulhando na escuridão.
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Egito.
Envolta nas trevas uma bela mulher de aparência serena, mas com certa impaciência em seus olhos vermelhos, observa seu reflexo em um espelho de mão:
—Diga-me, Olivier...ainda sou bela? Um homem ajoelhado diante da mulher não ergue a cabeça, mas responde com muita emoção.
—Nenhum ser deste ou do outro mundo compara-se a você, senhora. Ainda está mais bela desde a grande rebelião.
—Estou cansada desta terra, Olivier. De ficar nesse mundo fétido! -ela joga o espelho contra uma parede que se espatifa. -Em breve, terei o poder para quebrar os Selos e voltaremos para casa. Mesmo que para isso tenha que destruir a Terra e transformar os Céus em um Inferno!
—Ele não poderá fazer nada, pois proibiu que seus seguidores interfiram nas coisas da Terra e sua Palavra é lei. Mas, alguém enviou Mensageiros...alguns deles apareceram àquela vez, quando quase libertamos Nyx e...
Olivier levanta o olhar e estremece diante da expressão da sua mestra e do cosmo que ela emana.
—Acha que reles Mensageiros poderão me impedir?
—N-Não...a senhora é a mais poderosa criatura que já existiu neste ou no outro mundo...mas... A tão aguardada guerra está se aproximando, Olivier. -disse assumindo novamente uma postura serena.
—Preciso das Espadas para quebrar os Selos. Não me decepcione, como o tolo do Reuarc fez...Idiota. As mentes humanas são tão fáceis de serem manipuladas. Envie Ahanaon para Asgard, que ele traga a Espada para mim.
—Sim.
Continua...
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