A Feiticeira
9 Praia
Notas iniciais
Quando ouviu a trombeta nem mesmo comemorou, tinha o corpo arqueado para frente e segurava o pulso com força, não sabia por que, mas de algum modo aquilo aliviava a dor. A mão sangrava e era como se houvesse agulhas em todo o seu braço dando fincadas, mas que às vezes se transformavam em facas. Lágrimas formavam em seus olhos, mas ela se segurava para não chorar, odiava quando derramava uma lágrima sequer, não importava o motivo.
Uma voz ao longe perguntava se ela estava bem, mas ela percebeu que a pessoa que estava falando estava bem próxima dela, apenas dava a impressão de estar longe porque sua audição estava confusa devido a dor, mas aos poucos foi voltando ao normal.
- Alex, você está bem? – Era George.
– Oi? Sim, sim, estou! Só preciso ir ao chalé de Hermes e pegar um pouco de morfina e-
– Morfina? Você tá louca? Você chegou aqui já faz quase um mês e ainda pensa em tomar morfina? Nada disso, vamos para a enfermaria te conseguir um pouco de néctar – Ele pegou a mão boa dela e puxou, mas esta recusou ir embora – O que foi?
– Não sei se posse tomar néctar e tenho medo de saber, pois significa que eu vou ter que tomar para saber se posso ou não.
– Do que é que você está falando sua maluca? Como não sabe se pode? Você está aqui, não é? Então você pode, é uma semideusa!
– Aí é que está...
– O que foi, fale?!
– Nada! Não é nada! Tudo bem, vamos para a enfermaria – George a olhava curioso, mas ficou feliz em ouvir a resposta da garota, e a guiou para a enfermaria, e tantos outros semideuses faziam o mesmo.
– E parabéns por hoje! – Disse George.
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– Hahahahaha, não foi dessa vez hein Anna! – zombava Clarisse.
– Clarisse, fica quieta vai, você estava perdendo já, sorte sua que Alex pegou a bandeira! – Interveio Percy.
– Escuta aqui seu-
– Clarisse! – Era Chris gritando seu nome. Clarisse quase saiu correndo em direção ao seu namorado, mas não sem antes dar a ultima palavra.
– Fica para a próxima Jackson!
Annabeth e Percy a fuzilaram com o olhar mas então se entreolharam e começaram a dar risada da pose de machona de Clarisse. Tinham ficado desapontados por perderem a Captura a Bandeira, mas era apenas um jogo, aquilo de nada importava.
Percy olhou para si mesmo e percebeu que estava imundo, precisava de um banho urgente antes do jantar, assim como Annabeth. Os dois se despediram com um beijo e foram para seus chalés tomar um banho.
Assim que ela saiu do banho ela colocou um shorts e a camiseta do acampamento. Fez uma trança e deixou que caísse ao lado direito do corpo e saiu. Quando estava a meio caminho do refeitório sentiu alguém a abraçando por trás e beijando seu pescoço. Sem dúvida alguma, era Percy.
– Linda como sempre, Annie! – Annabeth sempre corava quando ele fazia esses elogios. Mesmo sendo namorada dele há um ano, ela ainda não havia se acostumado com aquilo.
– Louco como sempre, Cabeça de Alga! — disse ela rindo.
Ele se pôs a frente dela e a beijou, foi um beijo rápido e nervoso, por isso Annabeth viu que ele estava ansioso com alguma coisa ou estava aprontando.
– O que foi dessa vez, hein? – perguntou ela abraçando e puxando-o para si.
– Não te escapa uma, não é? – ele riu – Pois bem, o que acha de ao invés de ir para o refeitório você ir até a praia comigo?
Ela hesitou em responder. Estava um pouco chocada com a pergunta, não sabia o motivo.
– Percy, eu estou morrendo de fome! Tem que ser agora?
– Não tem que ser, eu apenas quero que seja! A noite está maravilhosa e a fome não vai ser problema, tem uma cesta de piquenique nos esperando lá!
– Você não vai aceitar não como resposta, não é? – Ela ficou extremamente surpresa ao ver que ele já havia planejado e arrumado tudo. Ele chacoalhou a cabeça em uma negação, mas Annabeth ainda estava receosa em aceitar. Percy percebeu que ela estava indecisa ainda, então deu um beijo bem demorado nela como que implorando um sim.
– Por favor! – disse ele quando se afastaram. Ele a olhava com um olhar travesso que ela não conseguia resistir e acabou cedendo. Ela fez um sim com a cabeça e Percy passou o braço pelo ombro dela guiando-a até a praia.
Chegando lá Annabeth viu que havia uma esteira estendida na areia e no meio dela estava a cesta de piquenique, eles se sentaram lá e começaram a comer. Na cesta havia muffins de chocolate, lanches naturais, salgadinhos, refrigerantes e suco. Ela não tinha ideia de onde tinha vindo tudo aquilo, mas resolveu deixar isso de lado e aproveitar.
A noite estava realmente muito agradável e incrivelmente clara. A lua estava enorme e bem alta no céu, criando o clima perfeito.
– Ainda bem que eu concordei em vir, está tudo maravilhoso Percy!
– Eu sei o que faço Annie! – ele disse todo convencido, e recebeu um soco no braço por isso – Ei! Qual é!?
– Você mereceu! Ninguém mandou ser tão convencido!
– Sabia que você fica ainda mais bonita quando está brava Annie? – Ela corou novamente.
– Você está falando isso só para me fazer esquecer do ultimo comentário não é, seu malandro!
– Deu certo? – Disse ele se aproximando dela.
– Deu!
Percy olhava para Annabeth de maneira travessa e foi diminuindo a distância entre eles. Quando ele chegou bem perto ele olhou nos olhos dela que transbordavam sabedoria, assim como os da mãe. Ela fazia o mesmo e se deixava mergulhar naqueles olhos azuis da cor do mar cheios de ternura.
Ele tocou o rosto dela suavemente e a beijou. Ela retribuiu o beijo e passou a mão por seu pescoço e em seguida o abraçou. Ele passava a mão pelas costas dela e ela passava os dedos pelos cabelos dele.
O beijo foi ficando cada vez mais intenso e o clima começou a esquentar. Percy apoiou-se nos cotovelos e foi se deitando, e Annabeth não parava de beijá-lo. Percy foi levantando a blusa dela levemente.
“Ai meus Deuses, é agora” pensava Annabeth. Era para ela estar nervosa e impedindo aquilo, mas seu corpo não respondia o comando de se afastar. As mãos de Percy chegaram até o fecho do sutiã quando...
– Achei vocês! – era Grover, que vinha todo animado, mas que parou na hora em que percebeu o que havia interrompido – Santa Afrodite, desculpe interromper, de verdade! É que eu acabei de chegar e o pessoal disse que viu vocês vindo para cá e... Sinto muito mesmo!
Percy e Annabeth pararam na hora e olharam para Grover. Estariam super feliz de vê-lo em outra ocasião, mas naquele momento o sentimento de querer matá-lo era mutuo.
– Sempre na hora, Grover! – disse Percy com a voz cheia de ironia e raiva.
– Já pedi desculpas, poxa!
– Está tudo bem Grover, a gente se encontra na frente do chalé de Percy daqui alguns minutos pode ser? – ela disse, insinuando que ele fosse embora. E ele percebeu a indireta.
– Claro, pode ser, com certeza! – disse meio desajeitado. Ele se virou e foi em direção ao chalé de Percy.
– Eu mato ele – disse Percy. Annabeth riu ao ouvir o comentário do namorado.
– Dá um desconto Percy, ele não sabia! – Ela disse isso sem olhar nos olhos dele, estava envergonhadíssima pelo que aconteceu.
– Eu sei, mas não deixo de ficar bravo – Ele percebeu que havia alguma coisa de errado com Annabeth, pois ela desviava os olhos toda vez que ele tentava encontrá-los – Está tudo bem Annie?
– Hã? Sim, só me sinto um pouco estranha pelo que quase aconteceu! – ela estava completamente vermelha de vergonha, e olhava para baixo. Percy ergueu o queixo dela com os dedos até que seus olhos se encontrassem e sorriu.
– Eu sei, mas é normal, não precisa ter vergonha disso! Eu te amo Annie, e não me arrependo nem um pouco – quando ele disse “eu te amo’’ os olhos dela lacrimejaram e ela sentiu um aperto no coração, pois ela não tinha dito que o amava, não sabia o motivo que não conseguia dizer –
– Agora vem, vamos falar com Grover, quero saber de tudo o que aconteceu enquanto ele estava “conscientizando as pessoas sobre a natureza”!
Eles se levantaram, arrumaram tudo. Percy abriu uma latinha de coca-cola e dividiu-a com Annabeth. Eles estavam no meio do caminho para o chalé de Percy quando de repente ele parou e começou a arrumar cabelo de Annabeth. Ela ficou sem entender nada, mas ele explicou que era porque estava todo bagunçado, e ela ficou toda envergonhada.
Chegaram ao chalé e encontraram Grover esperando na porta.
– E aí Grover! Como vão as coisas? – disse Percy dando um abraço no amigo.
– Ótimas! Esse ano eu tive um avanço um pouco maior, consegui fazer a cabeça de várias pessoas. E descobri que vários outros colegas meus também conseguiram!
– Isso é ótimo Grover! – quem disse isso foi Annabeth. Grover foi até ela e lhe deu um grande abraço.
– Annie! Quanto tempo hein! Você fez um ótimo trabalho com o Acampamento, ficou maravilhoso. Gostaria de poder ir ao Olimpo ver como ficou aquela maravilha depois do toque da melhor arquiteta que já existiu!
– Você é um puxa saco mesmo, não! Mas devo admitir que o Olimpo ficou realmente deslumbrante. Pérsefone me ajudou na parte da jardinagem, então você já pode imaginar! – disse ela com um grande sorriso no rosto. Era ótimo falar com Grover de novo, ela realmente estava com saudades dele, era o amigo mais antigo que ela tinha no acampamento.
– Ah sim, eu posso! Um dia desses eu ainda vou no Olimpo. E... Percy?
– Oi?
– Você já terminou de tomar essa coca? Se importaria se eu...
– Ah, não, claro que não! Pode pegar! – Percy estendeu a latinha de coca-cola para Grover e este começou a comê-la. Não importava quantas vezes Percy havia visto aquela cena, era sempre estranho ver seu amigo comendo uma latinha de refrigerante como se fosse um sanduíche de presunto.
– E você Percy, alguma novidade na sua vida? – perguntou Grover.
– Não, na verdade não! – ele disse de forma arrastada.
Grover percebeu e viu que tinha algo errado, ele olhou para Annabeth e ela retribuiu o olhar confirmando o pensamento de Grover. Algo não estava certo.
– Percy, tem alguma coisa errada? – perguntou Annabeth.
– Não – Mas Annabeth continuou encarando-o, assim como Grover, sem engolir a resposta – Eu juro!
Um silencio constrangedor formou-se entre eles, até que Grover resolveu quebrar o gelo.
– Ei, o pessoal está na fogueira agora, alguém topa em ir?
– Vamos nessa – disseram os dois ao mesmo tempo. E então foram em direção à fogueira.
Lá encontraram Juníper, que apareceu simplesmente do nada ao lado deles, uma surpresa que agradou imensamente a Grover. Ficaram os quatro colocando a conversa em dia, matando a saudade. Depois de muito tempo, estavam realmente relaxando.
Ao lado de uma árvore perto da fogueira estava Héstia, mas diferente das outras vezes ela não estava quieta e sozinha, ela estava conversando com uma garota.
– É uma pena ver os dois ali se divertindo sabendo o que está por vir – disse a deusa.
– Como é que Zeus concordou com isso? – disse Alex.
– Concordou? Zeus nem mesmo sabe. São poucos os que sabem sobre isso. Hera está mantendo total sigilo, ela não abriu a boca na frente Dele.
– Não me entenda mal, mas por que Hera te contou?
– Não contou. Tinha uma fogueira quando ela estava falando com Afrodite sobre isso. Parece que vai ser ela quem vai atrair o herói ali.
– Como?
– Eu sei lá! Mas se Afrodite se envolveu, aposto meus dracmas que Annabeth vai ter alguma coisa a ver com isso.
– Quem mais sabe sobre isso?
– Além das duas? Nós.
– E por que você está me contando isso?
– Porque quero que você comunique Di´Ângelo sobre isso.
– Por que...?
– Porque ele é o único que sabe da existencia dos romanos no momento.
– Sabe o que eu acho?
– O quê?
– Hera pirou de vez! Espero que ela saiba o que ela está fazendo.
– Eu também.
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