A Face Oculta Da Lua

26 Quando As Peças Se Desencaixam


Notas iniciais
Bom, vamos lá... Esse capítulo será dedicado à Thayane Andrade (uma leitora nova que já mandou uma FANTÁSTICA recomendação para a fic que fez de mim uma pseudo-escritora muito feliz! Brigadão, linda! ;D), e também será dedicado à Jack e à WayneGirl, também duas novas leitoras, que me alegraram muito por deixarem suas opiniões aqui!!! Sejam muito bem vindas as três, e que vocês continuem acompanhando e gostando!!! =] Sei que devo desculpa a todos pela demora, mas não tá fácil pra ninguém, né... hehehe Não, sério mesmo, estou aqui humildemente pedindo a compreensão de todos vocês, porque além das minhas aulas que duram o dia inteiro, eu estou fazendo estágio atrás de estágio, então fica quase impossível arranjar um tempo pra fic, me desculpem! Mas vocês só precisam de um pouquinho mais de paciência, porque a saga da hippie está no fim, então até lá peço a colaboração de vocês e por favor, pelo amor de todas entidades divinas, não me abandonem, ok? =P Espero que gostem!

Tudo o que Alice era capaz de recordar, ainda com alguma dificuldade lhe nublando os sentidos, era do momento em que deixou a Mansão Wayne acompanhada de Bruce e de uma indisfarçada alegria que fazia redobrar o brilho dentro de seus olhos. Lembrava-se apenas da sensação daquele instante, que fez com que a ninja sentisse a antiga hippie despertar dentro de si, provocando os mesmos sentimentos derradeiramente puros e desinteressados que costumavam lhe acompanhar num passado cada vez mais distante e quase esquecido – mais pelas dores do que de fato pelo desenrolar dos anos.

Alice teria sorrido diante daquela sensação recordada, se não fosse a mordaça pressionando até mesmo sua língua de um jeito doloroso e quase sufocante. Franziu as sobrancelhas, sem entender como havia chegado àquele porão mal iluminado e sujo, tentando a todo custo recuperar aquela parte de sua memória que parecia agora ocupada por um impenetrável e profundo abismo.

Notou-se curvada graças às amarras que a obrigavam a ceder qualquer espaço confortável em prol daquela desfavorável e nada agradável posição. Sua garganta tremeu num grunhido sem som, abafado pelo pano que se punha entre seus lábios sem ceder um milímetro sequer diante de seus protestos. Alice estreitou os olhos, passando-os nervosamente por cada canto do desconhecido lugar, e foi quando ela o viu, não muito longe de si.

Bruce jazia na mesma posição que Alice, com a cabeça pendida pela inconsciência e sem qualquer indício de que acordaria. A hippie arrastou-se o melhor que pôde até o Bilionário, incapaz de ignorar o quanto foi desconcertante vê-lo naquela situação impotente e subjugada, sem defesas, sem o controle da situação. Ela sempre soube que Bruce era feito de algum material muito mais resistente do que ela ou qualquer outra pessoa que já tivesse cruzado o seu caminho, e vê-lo naquelas circunstâncias parecia algo impossível de assimilar, ininteligível por si só. Simplesmente não havia qualquer sentido na cena que se mostrava abertamente a ela, que lhe berrava apenas incoerências.

Um erro grosseiro do destino. Bruce Wayne não era qualquer homem. O empresário bilionário era a grande fachada de sua tumultuada e verdadeira identidade – o Cavaleiro das Trevas. E o conhecimento desta vida dupla muitas vezes fazia com que Alice perdesse a noção de que, antes de tudo, Bruce era um homem, de osso e carne, que podia sangrar tanto quanto qualquer outro e sucumbir às fraquezas da carne, fraquezas estas que eram capazes de igualar o mais forte dos homens ao mais fraco dos seres de um instante a outro.

Tal pensamento lhe causou náuseas. Vê-lo naquele estado fez com que Alice percebesse que Bruce era apenas mais um que podia ser tirado de sua vida como tantos outros que já haviam partido para longe de seu alcance.

A ninja continuou se arrastando o melhor que pôde, até que finalmente o alcançou, contorcendo-se no desconforto de seus punhos torcidos sobre suas costas. Alice uniu cada fiapo de força que foi capaz de reunir, empurrando a mordaça com a língua para fora de sua boca até sentir o fundo de sua garganta arder em exaustão.

O pano cedeu apenas de leve, porém o suficiente para que a hippie o impelisse com o auxílio dos ombros, que por minutos incalculáveis fizeram repetidos movimentos de contração e atrito a fim de retirar aquela inconveniente barreira de dentro de seus lábios já cansados. Por fim, a mordaça úmida caiu pelo seu pescoço, aliviando a pressão absurda que antes lhe travava a mandíbula.

_ Bruce? – Alice chamou com a voz levemente engasgada, abrindo e fechando a boca em seguida numa tentativa de devolver-lhe a desenvoltura – Bruce, qual é, acorda! Você parece uma donzela em perigo! – brigou, mesmo ciente de que ele sequer a ouviria. Notou um filete de sangue descendo devagar pela sobrancelha do empresário, reparando em seguida no edema avermelhado no alto de sua cabeça – Bruce! – sacudiu-o com o braço mesmo que sua mobilidade estivesse um tanto reduzida, odiando cada segundo em que o via frágil. Alice continuou investindo sobre o corpo bamboleante do Bilionário, até que finalmente o belo negro de seus olhos se revelou parcialmente, e um gemido confuso transpassou a mordaça que o apertava – Isso, fica comigo, Bruce! Nunca te ensinaram que não se deve dormir depois de levar uma pancada na cabeça? – sorriu gentil ao ser o alvo de olhares confusos e perdidos. Ele tentou falar, mas tudo o que a hippie ouviu foram grunhidos incoerentes – Calma, eu te ajudo com isso! – tranquilizou-o, chegando mais perto de seu corpo a algum custo.

A ninja segurou a mordaça de Bruce com os próprios dentes, puxando-a em sua direção num esforço tão evidente que pareceu-lhe que seus dentes se quebrariam antes que ela pudesse livrar Bruce daquele apertado pano. Arfou, largando-a por um momento para logo em seguida recomeçar sua tentativa. Os lábios de ambos se apertaram mais intensamente enquanto Alice novamente tomava a mordaça entre os dentes, e desta vez firme o suficiente para não largá-la enquanto não realizasse seu intuito. Foi deslizando com dificuldade o pano pelo queixo de Bruce, até que ele também se viu livre daquela incômoda pressão.

_ Alice... – engoliu em seco, ainda atordoado – O que houve?

_ Sei tanto quanto você. Não faço ideia de como viemos parar aqui. Nem sei aonde é aqui.

_ Temos que nos soltar... – avisou, umedecendo os lábios como se tentasse despistar a tensão causada pela mordaça. Seus olhos passearam pelo porão por algum tempo, até que se fixaram num ponto específico – Ali, você consegue chegar até aquele parafuso solto? – apontou para o local há alguns metros de distância com o queixo, indicando a direção apenas com o gesto. A confirmação de Alice se deu por novos rastejares até o objeto enferrujado. Bruce a seguiu com um pouco menos de dificuldade, escorando o corpo da ninja com o seu quando aquele ameaçava vacilar pelo desequilíbrio causado pelas pernas também amarradas.

Pouco antes de conseguirem chegar ao local específico, um rangido irritante causado pelas dobradiças antigas e pouco lubrificadas da porta os fez sobressaltar.

_ Ora... Vejo que finalmente acordaram! Já não era sem tempo! – Talia sorriu um de seus sorrisos mais dissimulados ao adentrar no porão, falando tão calmamente como se apenas se limitasse a comentários banais. Bane entrou logo em seguida, e apesar de ser impossível ver seus traços, ainda assim as menores expressões do homem eram capazes de desencadear uma rede interminável dos piores arrepios em Alice.

_ Claro... – a hippie bufou, escondendo o nervosismo – Tinha que ter um dedo seu nisso! Tava mesmo demorando pra você fazer alguma idiotice, PuTalia!

_ Quem são? – Bruce sussurrou discretamente à hippie, que apenas soltou um “Agora não” em resposta, tão baixo e imperceptível quanto a breve pergunta que lhe fora lançada.

_ E olha... – Alice voltou a falar abertamente com a filha de Ducard – Você trouxe o seu sith de estimação! O que acontece, Talia? Você não é capaz de resolver suas pendências sozinha? Será que Ducard não conseguiu te ensinar nada antes que você o matasse? – lançou, incapaz de pensar e evitar pronunciar aquela acusação que há tanto tempo estava sufocando a hippie.

Talia apenas gargalhou em puro escárnio, enquanto Bane mantinha o mesmo olhar fixo e ameaçador sobre ela. Tentou ignorá-lo, disposta a não permitir que o medo nublasse sua visão. Era uma iniciada de Henri Ducard, e seria lembrada como tal! Alice esgueirou-se sorrateiramente até o parafuso que Bruce lhe indicara, tapando-o da visão da outra ninja com o próprio corpo e tentando sutilmente desprendê-lo do piso.

_ Você não larga a ousadia nem mesmo quando perde, Alice? Ou é burra demais para entender que esse é o fim da linha? Aqui o jogo termina.

_ Se eu ganhasse um dólar por cada vez que me dizem isso, teria mais dinheiro do que o almofadinha aqui... – olhou de relance para Bruce, que parecia ainda mais confuso com a situação – E, aliás, que merda de lugar é esse?

_ Não o reconhece? – sorriu – Ele faz parte da estalagem em que você hospedou os seus ninjas. É impressionante o que uma má primeira impressão pode fazer, não acha? Você realmente conquistou a antipatia do dono do estabelecimento! Nem foi preciso oferecer uma barganha para convencê-lo a me permitir trancá-la aqui! – avisou com satisfação.

_ Bom, talvez eu realmente tenha exagerado um pouco com o Max... – considerou, pesando todos os pequenos e grandes sustos que proporcionou ao dono da estalagem desde o dia em que se conheceram – Mas, com ou sem o apoio alheio, eu não faria isso se fosse você. Quer um conselho? Solte-nos e suma da minha frente e eu finjo que isso nunca aconteceu. Ou mantenha essa palhaçada até o fim e eu juro que você vai ser banida da Liga das Sombras por trair sua líder, e pelo que eu já ouvi, essa não é uma experiência muito agradável!

_ Você não sabe nada, sua estúpida! – Bane se manifestou pela primeira vez com sua voz sibilada que tanto a incomodava, parecendo estar fora de si como a hippie nunca vira em seus poucos encontros. Por puro instinto, Bruce aproximou-se ainda mais do corpo de Alice ao testemunhar a evidente ameaça que o homem mascarado lançava à hippie – Pensa que conhece os costumes da instituição que lidera, mas não passa de um estorvo para aqueles que a seguem. Então não venha citar ameaças que você sequer sonha em compreender, sua tola!

_ E eu batizaria isso de “A Revolta do Sith”, um episódio inédito na história de Guerra nas Estrelas! – zombou, indiferente àquela incoerente e exagerada vazão de sentimentos aversivos, preocupando-se apenas com o metal fincado na madeira que tencionava remover.

_ Calma, querido! – Talia pousou uma mão afável no ombro do homem, falando docemente e em seguida direcionando um olhar ácido para Alice – Você realmente não conhece absolutamente nada sobre o passado de Bane, não? – indagou num tom perigoso, e a hippie não soube dizer se aquela era uma pergunta que esperava por uma resposta. Ela nada disse, concentrando-se apenas no parafuso que já estava quase completamente livre em suas mãos – Nem ao menos deve fazer ideia do passado da instituição que se diz líder. Era de se esperar que junto com o comando viesse o conhecimento e o interesse pela Liga, mas parece que eu a superestimei – olhou-a com nojo, ainda soando sarcástica e maldosa como lhe era habitual.

_ Eu sei que eu ainda vou me arrepender por perguntar isso, mas tudo bem... Do que diabos você está falando, PuTalia?

_ Realmente curioso que você não saiba, ainda mais por ter estado tão próxima a Tony. Vai me dizer que o inútil sequer foi capaz de confidenciar sua dramática história para a líder que ele ajudou a erguer até o topo? Estranho, não? – sorriu sem qualquer humor.

_ Como que essa droga de conversa chegou até o Tony? O que ele tem a ver com tudo isso?

_ Simplesmente tudo, Alice. Tony foi o responsável por tudo o que Bane se tornou, em todos os mínimos aspectos. – suspirou, exalando algo próximo ao cansaço – Acredito que você saiba que o cozinheiro já foi Ra’s Al Ghul. Ele ocupou esse posto antes do meu pai, eu era apenas uma criança nessa época – divagou, e seus olhos azuis pareceram transportarem-se a um tempo distante enquanto contava – Bane era um jovem ninja realmente promissor, de um talento e ambição incomparáveis... E não seria um ninja comum mesmo sem suas habilidades excepcionais. Ele era o filho do Ra’s Al Ghul. O filho de Tony. – Talia passou os dedos levemente pelo rosto do homem, demonstrando um enorme afeto no sorriso que lhe ofereceu em seguida, como se o encorajasse em silêncio – E como o filho do Ra’s Al Ghul, as expectativas e pressões que incidiam sobre Bane eram enormes, e ele as aceitou, todas, sem reclamar uma única vez da responsabilidade. Até o momento em que percebeu que o pai nunca teve intenção de recompensar os seus esforços da maneira que ele esperava. Da maneira justa; com a liderança. Tony só tinha olhos para o meu pai, e não escondia de ninguém que almejava que Ducard fosse o seu sucessor, e não o próprio filho. Todos os anos da mais pura dedicação foram jogados ao vento, e Bane se rebelou. Num momento de fúria, intimou Tony a duelar consigo, para provar o próprio valor, para provar a quem quisesse ver que seus esforços o faziam merecedor do posto. Tony se recusou a lhe dar essa chance sem ao menos considerar seus argumentos por um momento, dizendo que seu filho jamais seria um ninja de verdade enquanto não aprendesse a se colocar no seu lugar e controlar as próprias emoções que ele extravasava tão facilmente. Bane foi tomado pelo ódio, e deixou-se levar pelos sentimentos mais do que deveria, talvez. Atacou o pai numa investida furiosa, pelas costas, partindo sua coluna em duas de um só golpe.

_ Foi você que fez de Tony um paraplégico? Seu próprio pai? – Alice perguntou com o queixo caído, mal acreditando em tudo o que ouvia.

_ Bane foi condenado ao desterro. – Talia continuou narrando como se em momento algum tivesse sido interrompida – Levaram-no até os limites da Liga das Sombras e todos os ninjas, de uma única vez, espancaram-no, intencionando fazê-lo até a morte. Bane matou mais ninjas do que foi capaz de contar neste dia, mas nem mesmo sua habilidade superior foi capaz de equipara-se à estúpida desvantagem numérica. Por fim, sucumbiu. Suas forças se esgotaram e ele foi gravemente ferido, mas não morto como todos acreditavam. Abandonaram-no sobre o gelo escarlate, encharcado pelo próprio sangue, sem desconfiarem que Bane é feito de um material muito mais forte – disse, acariciando-o novamente com extremo zelo perto dos olhos marejados do homem – Eu presenciei cada momento, e desde então passei a nutrir um ódio pela Liga das Sombras bem mais intenso do que eu poderia imaginar ser possível. Mesmo não passando de uma criança, eu o escondi longe dos ninjas e tratei de seus ferimentos até que uma intervenção profissional se mostrou necessária.

_ Por isso a máscara? – Alice não conteve a pergunta impertinente.

_ Quando você é deixado para morrer por todos os ninjas mais bem treinados do mundo, uma máscara não é nada. Um preço simbólico a se pagar pela vida que quase se esvaiu...

_ Você disse que passou a odiar a Liga das Sombras...? – a hippie levantou a questão, totalmente na dúvida, sem saber como prosseguir.

_ Eu ainda a odeio. Nunca deixei de detestar cada canto e regra daquele lugar patético! Você busca a verdade, Alice? – arqueou uma sobrancelha, e a facilidade com que ela lhe contava aquelas coisas estavam começando a verdadeiramente preocupá-la – Eu fui criada neste detestável lugar, e desde pequena eu tinha que me contentar em ser o segundo plano em todos os mais desagradáveis aspectos. Via meu pai diariamente engajado apenas com a rotina da Liga das Sombras, e nada sobrava para mim, e se sobrava, não passavam de restos e esmolas de sua atenção e preocupação. Até mesmo você, que não é nada, ninguém, conquistou uma parte da afeição de meu pai que eu nunca tive. – falou com rancor, e seus olhos faiscaram maldosamente – Tudo o que eu mais quero é destruir a Liga de um único golpe, tão rápido e certeiro que ninguém seja capaz de ver de onde o ataque começou! – avisou, e diante daquelas revelações, Alice soube que Talia não tinha qualquer intenção de deixá-la sair viva dali com Bruce.

_ Isso não faz o menor sentido! – protestou, realmente confusa – Você deseja o poder da Liga das Sombras, como pode intencionar destruí-la? Ducard foi morto por suas mãos para que você reconquistasse o posto de Ra’s Al Ghul! Seu pai, o homem que você assassinou para manter-se na liderança – acusou, agora com uma pontada de raiva. Talia estreitou os olhos azuis numa expressão desgostosa, encarando Alice com afronta.

_ Eu não matei meu pai, Alice. Nunca sequer cheguei perto disso, por mais que às vezes a tentação de fazê-lo fosse grande! – declarou, deixando a hippie sem palavras pela veracidade que parecia haver naquele comentário – Sim, é verdade que eu queria o título de Ra’s Al Ghul, mas diferente do que todos pensam, eu não o queria para meu próprio benefício, e sim para concluir o meu desejo de liquidar de uma vez a Liga das Sombras. Fazer com que não sobrasse mais do que um prédio degradado pelo tempo, e que a história desse lugar se perdesse aos poucos com a morte dos ninjas que a detém. Em nenhum momento quis apoderar-me de nada que me remetesse à Liga, muito pelo contrário! Eu vou destruí-la, e através de você.

_ E como você pretende realizar esse feito? – bufou, revirando os olhos – Uma instituição secreta não pode ser fechada ou acusada por fraudes no imposto de renda... – zombou – E você está lidando com matadores profissionais que morreriam e matariam para proteger a Liga das Sombras e tudo aquilo que o seu símbolo representa. Então, minha filha, boa sorte!

_ Uma instituição secreta tem um ponto fraco tão visível e instável, Alice, me surpreende que você não o veja claramente assim como eu o vejo! – sorriu, transparecendo uma irritante superioridade em cada feição satírica – O conhecimento público. – respondeu o óbvio após uma breve pausa – Qualquer forma de estabelecimento que possui seus métodos e existência em sigilo está fadada à ruína quando estes segredos vazam ao conhecimento público! Ainda mais quando tais mistérios escondem tantas mortes e latrocínios.

_ Então você pretende revelar a existência da Liga? – sua boca entreabriu-se, surpresa e trêmula de inquietação.

_ Não... Simplesmente revelar a existência da Liga das Sombras não passaria de uma tentativa desesperada e especulativa de minha parte. Pareceria algo tão forçado quanto as várias teorias da conspiração que vemos por aí. – explicou calmamente – Eu quero provar a existência da Liga. Quero dar ao mundo argumentos e evidências o suficiente para que não reste a menor dúvida de que ela de fato existe, e de tudo o que já fez pelo mundo.

_ Você não pode estar falando sério... Tem noção do pânico que isso disseminaria entre as pessoas? Seria mais desastroso do que... sei lá, se alguém confirmasse as coordenadas da Área 51...

_ Sinceramente... pouco me importa! Estou tão preocupada com a reação das pessoas quanto com o que será feito dos tijolos da Liga depois que ela vier a público. Tudo o que me interessa agora são os documentos que Steve me negou. Eu os quero, Alice, e é bom que você me diga onde eles estão!

_ Documentos? – a ninja franziu o cenho – Então foi por isso que você e o Darth Vader espancaram o pobre nerd? Por documentos?

_ Por sua destreza e aptidão física é que não foi! Steve é o contador da Liga das Sombras, ele deveria ter livre acesso a cada informação em escrito, mas ao que parece, meu pai mantinha esses documentos para si.

_ Um homem esperto! – Alice sorriu com a recordação da imagem astuta de seu mestre – E o que a faz crer que Ducard confiou esses documentos a mim?

_ Eu via como meu pai a tratava, Alice – retrucou, impaciente – Ele a considerava muito mais do que a própria filha de seu sangue. Ele estava obcecado pelo seu caso, e antes dele morrer, eu o vi lhe dando um pacote. Não adianta fingir que você desconhece a existência desses papéis! Sugiro que você colabore, se não quiser que o seu namorado sofra as consequências de suas mentiras! – apontou para Bruce com o queixo numa visível ameaça.

“A caixa...” – Alice sobressaltou-se, incapaz de acreditar que havia esquecido completamente a pequena herança que Ducard lhe deixara... Talvez nela realmente houvesse tais documentos que Talia tanto procurava... Mas ainda assim, algo não fazia sentido! A ninja aumentou a frequência com que atritava o parafuso na corda, sentindo mais alguns finos fiapos cederem ante o movimento e fazendo o possível para camuflá-los dos olhos focados de Talia. Se ao menos aquele parafuso não estivesse tão enferrujado...

_ Eu não faço a menor ideia de onde esses documentos possam estar – falou a verdade, descrente de que Ducard lhe confiaria uma responsabilidade daquela proporção – Seu pai nunca me contou nada a respeito.

_ Bom... Então creio que esteja na hora de refrescar um pouco sua memória! – fitou-a com um fervor arrepiante, e em seguida voltou-se para um Bruce ainda atordoado e visivelmente zonzo – Isso vai ser delicioso de se ver, querido! – acariciou o rosto do Bilionário perto do edema avermelhado que se destacava na lateral de sua cabeça – Sabe, eu sempre esperei pelo meu acerto de contas com você, Bruce. Ou prefere que eu o chame de Batman? – riu ao notar o imediato arregalar incrédulo de olhos de Alice e Bruce, e naquele instante a voz de ambos parecia tê-los abandonado – Ora, Bruce, eu não sou estúpida... Você trai meu pai e a Liga das Sombras e, não mais do que de repente após a sua fuga, aparece em Gotham um Justiceiro Mascarado dotado de todos os talentos que são ensinados apenas naquelas montanhas do Himalaia! Alguns podem ser cegos, mas não é o meu caso. – sorriu-lhe convidativa, ainda saboreando a surpresa em seus negros olhos – Bane, quando quiser!

O homem de máscara assentiu quase imperceptivelmente, caminhando com uma determinação sombria até Bruce e encarando-o com intensidade estarrecedora, capaz de colocar em alerta todos os sentidos de Alice que lhe avisavam do perigo. Bruce ainda parecia mais fraco do que o normal, porém sua postura mudou imediatamente após o desafio, adotando uma espécie de solenidade que era fácil reconhecer em Batman.

Bane desamarrou-o e o fez ficar em posição ereta, estreitando ainda mais os olhos quando estes se cruzaram com impertinência pelo olhar forçadamente focado de Bruce.

_ Que droga é essa? – Alice interviu, já sentindo o desespero dominar cada fração de seu corpo – O que você vai fazer?

_ Sabe o que nos faltou a vida toda, Alice? – Talia questionou altivamente, não demorando a responder à própria pergunta – Um voto de confiança. Um pouco de consideração, tanto para Bane quanto para mim, e hoje provaremos a nós mesmos o quanto nossos pais erraram conosco. Tony acreditava demais no potencial do meu pai, e meu pai teve exatamente o mesmo entusiasmo por Bruce. Hoje este homem que se veste de morcego cairá, e Bane provará a nós dois que somos melhores do que nossos pais acreditavam. E está em suas mãos até que ponto eu vou sustentar essa situação. Basta me dizer o que eu quero saber, que Bruce será libertado assim como você – garantiu, mas Alice quase era capaz de farejar a mentira, por mais que fosse bem contada, ainda assim não passava de uma casual inverdade.

_ Ducard jamais me daria acesso a esses documentos, Talia, e você sabe disso tão bem quanto eu. Só está desesperada por respostas, mesmo que saiba que elas sejam inconsistentes e não levem a lugar algum...

_ Que assim seja! – deu de ombros com indiferença, assentindo para Bane no momento seguinte.

Os olhos do homem se voltaram para o Bilionário, disseminando o mais vil e ressentido dos brilhos nas suas íris naturalmente cruéis. Bane terminou de desamarrá-lo, estreitando as pálpebras antes de lhe acertar um golpe certeiro no abdômen que provocou um doloroso grunhido em Bruce. Ele tentou revidar mirando um soco próximo à glote do homem na tentativa de fazê-lo perder o ar e conquistar alguma vantagem que fosse, porém Bane apenas inclinou de leve a cabeça para trás com o contato, como se tal tentativa se assemelhasse a nada mais doloroso do que um afago.

_ Talia, não! – Alice interviu, quase deixando o parafuso que aos poucos a libertava rolar para longe de seus dedos suados pela apreensão. Recuperou-o a tempo e recomeçou sua jornada por se livrar das amarras ainda mais rapidamente, sabendo não possuir muito mais tempo – Eu não faço ideia de onde estejam esses papéis, mas me dê um tempo e eu posso procurá-los – implorou, incapaz de testemunhar aquela cena em que Bruce seria massacrado.

_ Acha que eu já não os procurei por cada canto daquele lugar, Alice? Que espécie de ser estúpido você acredita que eu seja? Nenhum dos dois sairá daqui antes que eu esteja satisfeita com suas informações. Cabe apenas a você decidir se sairão andando por seus próprios pés ou se carregados num caixão. – ameaçou, soando inflexível tanto em suas palavras quanto em seu duro olhar.

Bruce urrou de dor quando Bane lançou com força o joelho sobre a região de suas costelas, e Alice fechou os olhos, a angústia consumindo-lhe das formas mais desagradáveis e desalentadoras possíveis. Não seria capaz de presenciar aquilo. Sequer estava apta a imaginar colocar Bruce em sua vasta lista de perdas...

_ Eu falo! – disse rapidamente antes que Bane pudesse investir contra o empresário novamente. Precisava apenas ganhar tempo, até que conseguisse se soltar. Seu blefe fez Talia arquear uma sobrancelha vitoriosa e repleta de uma satisfação cheia de si. Alice levantou os olhos em sua direção, e a filha de Ducard ergueu uma mão para Bane, fazendo-o cessar sua fúria sobre Bruce. O Bilionário curvou-se sobre o próprio corpo, arfando mais alto do que Alice gostaria – Deixe-o ir, e eu te levo até os documentos que você tanto quer!

_ Você não está em posição de exigências, Ra’s Al Ghul... – caçoou com um sorriso amplo – Suas escolhas aqui são simples; ou você nega os meus termos e presencia a morte de seu amante, ou colabora e talvez eu os poupe.

Alice fitou-a com uma enorme vontade de rir. Não foi capaz de conter a gargalhada por muito tempo, e logo ela já explodia por sua garganta sem muito controle.

_ Agora quem me subestima é você... – a ninja disse ainda entre risos – Acha mesmo que eu acredito que exista alguma ínfima chance de você nos deixar ir? Depois de tudo o que foi dito? Não, eu estou em posição de fazer exigências sim, simplesmente porque, colaborando ou não, você não vai me deixar sair daqui. Então o que eu proponho é uma barganha simples. Uma troca, uma chantagem, chame do que quiser. Os documentos por Bruce. – propôs, séria – Ele não tem qualquer valor para você, e existe vantagem para nós duas nessa negociação.

A filha de Ducard mantinha-se pensativa, parecendo quase surpresa pelo raciocínio traçado por sua refém. Alice lançou um olhar de esguelha para Bruce, que a encarava esperançoso. Sabia que poderia intervir e ajudar Alice caso eles o libertassem, mas Talia também parecia tão ciente disso quanto qualquer um ali.

_ Então isso se tornou um jogo de desdenhas às nossas capacidades, Alice? – riu – Eu deixo Bruce ir e no segundo seguinte recebo uma visitinha de Batman e de todo o reforço que ele puder arrumar. – comentou calmamente.

_ Simples. Basta deixá-lo inconsciente. – concluiu, atraindo olhares incrédulos e se xingando em silêncio por tal solução. Mas sem dúvida era muito melhor do que vê-lo ser espancado até a morte – Você o deixa inconsciente, e apenas inconsciente – frisou –, eu te levo até os documentos de Ducard e você terá tempo de fugir com eles e fazer o que bem entender! Esta é a minha oferta. Não espere a minha colaboração se Bruce não puder sair ileso dessa sua obsessão.

_ Alice... – Bruce a chamou como uma súplica, totalmente ciente de que aquilo era um suicídio. A hippie apenas o encarou em resposta, como se pedisse desculpa, por tantas coisas que ela não saberia especificar. Fechou os olhos em seguida, voltando sua atenção à filha de Ducard.

_ Impressionante! – a mulher sorriu – Parece que eu realmente a desdenhei mais do que você merecia. Eu aceito seus termos – cedeu por fim –, mas é bom que isso não seja um truque!

“Você nem faz ideia...” – pensou, triunfante, conseguindo finalmente romper o último fiapo de corda que prendia seus pulsos um no outro.

_ Tem a minha palavra! – consentiu – Mas antes, a segurança de Bruce! Deixe-o em um dos quartos desocupados do albergue, e só então eu lhe entregarei os papéis.

_ Bane, faça o que ela diz. Leve o Wayne para a estalagem, quanto mais cedo terminarmos isso, melhor!

Bruce tentou uma nova investida rápida contra Bane, completamente disposto a não permitir aquela loucura que Alice estava prestes a fazer, contudo Bane apressou-se em chocar a própria cabeça na dele, munido de tanta brutalidade que o fez cambalear. A hippie sentiu a dor em si, mas apenas engoliu em seco e prosseguiu com sua barganha.

_ E tem mais uma coisa! Antes de cumprir a minha parte no acordo, eu vou checar os sinais vitais do Bruce, então é bom que ele esteja apenas inconsciente e bem vivo. – avisou, irredutível.

_ Isso é tudo? – Talia perguntou, já começando a se irritar por conta da impaciência.

_ Por hoje é só – ridicularizou, temendo não ser capaz de exalar confiança o suficiente para convencê-la de suas falsas intenções.

Talia fez sinal para Bane, que carregou um Bruce incrédulo para fora do empoeirado porão. Alice engoliu em seco quando o viu sumir pela escada que rangia à passagem dos dois. Finalmente estavam sozinhas, e a hippie sabia que não conseguiria outra chance como aquela. A filha de Ducard sorriu para Alice antes de virar-se de costas, caminhando até uma pequena mesa apodrecida de madeira.

_ Por que você se importa? – Talia perguntou, remexendo num vaso barato sobre a mesa, sem encarar Alice – Por que se importa com o destino de Bruce quando o seu está condenado?

A hippie aproveitou-se do momento fortuito em que não era observada para retirar as amarras de seus pés, e quando viu-se totalmente livre, esgueirou-se através da péssima iluminação do porão até tornar-se invisível como Ducard lhe ensinara nas íngremes montanhas do Himalaia. Talia estranhou o silêncio que recebeu como resposta e virou-se para encarar Alice, arregalando os olhos ao ver vazio o espaço que ela deveria ocupar.

_ Você vai descobrir que não deveria ter feito isso, Alice! – avisou num tom enfurecido, procurando-a inutilmente apenas com o correr dos olhos.

_ E você ainda vai aprender a dar um pouco mais de crédito às minhas habilidades! – a voz de Alice soou igualmente irritada às costas de Talia, que imediatamente virou-se, ficando de frente para a hippie no exato instante em que ela ousou desferir um soco no ventre de sua oponente. Talia curvou-se por um breve instante, suficiente para que a hippie a derrubasse ao chão com o impacto que proporcionou às suas costas. Prensou os braços de Talia no piso irregular com os pés e segurou um punhado de seu cabelo agora bagunçado, erguendo a cabeça da mulher e jogando-a novamente ao chão repetidas vezes, movida por um ódio que há tempos não experimentava – Chegue perto do Bruce de novo, sua vadia, e eu juro que empalho eu mesma sua cabeça na entrada da Liga das Sombras! – avisou, dando cada vez mais força aos golpes – E da próxima vez que resolver ameaçar alguém, seja mulher o suficiente para fazer você mesma o trabalho sujo, e não usar o seu fantochinho-jedi. Seu pai teria nojo de você! – largou-a depois de um último golpe, ficando de pé e fitando-a com repulsa. Talia arqueou o rosto em sua direção, um rosto que talvez tivesse a intenção de parecer cruel e frio, mas que apenas denotava fragilidade por conta do sangue que escorria livremente por seu nariz e supercílio.

_ Esse foi o pior erro da sua vida, Alice! – rugiu, ameaçando levantar.

_ Meu pior erro foi não ter te chutado pra fora da Liga assim que eu tomei o lugar de Ducard – rebateu, lançando o bico do próprio sapato contra o mamilo direito de Talia antes que a mulher conseguisse ficar mais uma vez ereta. Ela gritou e manteve-se no chão, levando os braços instintivamente ao seio lesionado, como se pudesse abrandar a dor apenas com aquele gesto inútil – Mas talvez ainda não seja tarde demais para corrigir esses erros!

_ Talvez não, mas algo me diz que você não terá muito tempo para questões pendentes – disse de forma enigmática, reencontrando forças para manter-se de pé, tão rápido que surpreendeu Alice. A hippie teve tempo apenas de adotar uma posição defensiva, porém o golpe de Talia não foi físico.

A filha de Ducard retirou de dentro das vestes uma dose cavalar de Gás do Medo, jogando-a em Alice antes que ela se desse conta do perigo e pudesse esquivar-se. A hippie sentiu o corpo tremer quase que imediatamente, e seus sentidos pareceram misturar-se numa sinestesia confusa, beirando o irreal. Viu Talia se aproximar e esperou pelo golpe, mas ele não veio. Ao invés disso, a mulher colou os lábios na orelha de Alice e sussurrou-lhe algumas palavras carregadas de ódio.

_ Você já está morta! Assim como Bruce, mas garanto que a sua ida deste mundo será terrivelmente mais dolorosa. – ela riu, ou ao menos foi essa a impressão que Alice teve – Aproveite bem seus piores medos como uma despedida dessa vida. Quem sabe se você implorar pela morte ela não demore a chegar?

Talia sorriu de forma maldosa, e sua imagem distorcia-se na mente de Alice, fazendo o sentido da cena se perder aos poucos junto com a consciência da hippie.

“Pus tudo a perder...” – pensou com angústia em seus últimos momentos de sanidade – “Agora Bruce estará morto antes que eu enlouqueça!”

Ela se desequilibrou ao sentir o chão que a sustentava girar sem velocidade definida, e seu corpo cedeu sobre os joelhos trêmulos. Levantou os olhos na direção de um Bane ainda mais assustador, e teria gritado a plenos pulmões se ainda se lembrasse de como fazê-lo.

Bane se juntou a Talia, ambos assistindo ao definhar lento de Alice. A hippie sentiu uma textura sedosa roçar em sua coxa, e ainda foi capaz de reconhecer Baguera que agora estava ao seu lado, e seus olhos amarelos e grandes pareciam ainda mais aumentados pelas alucinações.

_ Sinto muito, Baguera... – acariciou-a, ignorando o quanto a gata parecia macabra aos seus olhos – Mais uma vez eu fiz merda, ãh? – tentou sorrir, mas aquele gesto lhe pareceu patético. Escorou a cabeça bamba na parede, e a gata saltou para seu colo com destreza e precisão. Alice fitou-a sem saber se gastou tempo demais naquele momento ou não – Eu ainda tenho forças para uma última investida, Baguera, mas eu preciso da sua ajuda, o que me diz? – sussurrou. A gata limitou-se a encará-la com aquela mesma fidelidade que desde o começo maravilhou Alice – Sabia que podia contar com você! – sorriu, arranjando forças que não sabia possuir para levantar-se.

_ O que você quer, Alice? – Talia perguntou desdenhosamente ao lado de Bane – Já vai implorar pela morte? – riu, divertida com a hipótese.

_ Hoje não... – arfou, segurando Baguera firmemente em seu colo e sentindo-se tremer por dentro. Aquela era sua última chance de fazer algo certo. – Baguera... Eu escolho você! – disse em alto e bom som antes de arremessar a gata sobre o rosto de Bane, que sequer poderia sonhar com aquela investida desesperada. Baguera silvou com propriedade e agarrou-se ao rosto do homem fincando suas patas na pele e, em seguida, arranhando cada porção de seu rosto, inclusive a máscara que escondia grande parte de suas feições, deixando o metal que antes se encaixava perfeitamente agora distorcido e inutilizável.

Talia berrou algo incoerente para o entendimento de Alice, e Bane urrou de dor, lançando a gata para longe em completo desespero. Baguera chegou ao chão com a graciosidade exclusiva dos felinos, e começou a lamber a pata dianteira como se nada tivesse acontecido. Bane caiu ainda berrando um som que se traduzia na mais pura agonia, e Alice foi capaz de ver a máscara do homem destruída.

_ O que você fez? – Talia gritou a pergunta furiosa, jogando-se cegamente contra Alice numa investida pouco pensada. A hippie cambaleou por conta dos sentidos incongruentes, mas ainda foi capaz de juntar forças para acertar o próprio cotovelo com força sobre o queixo da mulher, que caiu ao lado de Bane.

Alice tentou correr escada acima com Baguera lhe seguindo. Tropeçou em quase todos os degraus, mas finalmente alcançou o topo da escada e esgueirou-se pela porta. Cruzou o albergue, trôpega, em busca de Bruce e, após algumas falhas tentativas, encontrou-o desacordado sobre uma cama. Foi até ele, respirando com cada vez mais dificuldade, só não era mais difícil puxar o ar do que manter as pálpebras abertas.

_ Desacordá-lo... Que ideia genial! – zombou de si mesma e engoliu em seco, fazendo um grande esforço para manter-se sã ao menos por mais alguns minutos. Encontrou um pano e o encharcou com álcool, colocando-o próximo ao nariz de Bruce. Foram necessários alguns segundos para que o Bilionário despertasse, e Alice sentiu o alívio lhe dominar quando o viu abrir os olhos – Bruce... Você precisa sair daqui... Rápido... – avisou, ela mesma não aguentando mais aquele esforço sob as circunstâncias em que estava. Alice finalmente caiu, convulsionando pela quantidade excessiva de droga inalada, notando o próprio cérebro sobrecarregado pela química em quantidade letal.

_ Alice... – pronunciou o nome com angústia ao vê-la naquele estado – O que foi que você fez? – Bruce segurou o corpo mole da hippie entre seus braços, ignorando a dor lancinante abaixo de seu peito e fitando-a com agonia presente nas íris.

Notas finais
Depois de tanto tempo sem escrever, não sei se o capítulo ficou aceitável, mas espero realmente que tenham gostado para compensar o tempo de ausência! Estou com saudade de vocês! =] (Obs.: Não sei se alguém notou, mas esse mês A Face Oculta Da Lua fez aniversário, o que me deixou bem frustrada, já que eu terminei a primeira temporada antes de ela completar um ano... Pronto, desabafei! :/)