A Face Oculta Da Lua

27 Capítulo Bônus: Nova Ordem.


Notas iniciais
Aloha, meu povo! =] Antes de qualquer falatório, deixa eu comentar: Esse capítulo nem deveria existir, mas ele acabou saindo, e como eu estou demorando a postar, vi vantagem em acrescentá-lo! Melhor que nada, vai... hehehe Agora ao que realmente interessa: Seja muito bem-vinda, Carol Camargo, esse capítulo vai pra tu! Espero que tenha paciência de acompanhar até o fim ;P E mais, deixa eu já passar o recado pra todos de uma vez... Como eu estava falando para a leitora DaniMines, sei que o Coringão está bem ausente e fazendo falta, mas eu precisei mudar um pouco o foco da fic com a inclusão dos novos vilões que tanto odiamos! Mas logo o Palhaço baitola fará uma aparição ao seu modo mais cretino, não temam! Só espero que essa "mudança de foco" não tenha ficado tediosa, nem eu esperava por isso quando comecei a escrever a fic, mas ela acabou se mostrando necessária pelo próprio desenrolar dos acontecimentos... Enfim, é isso aí, boa leitura e espero que gostem, mesmo sendo curtinho!

Antes mesmo de abrir os olhos, Alice esticou-se o quanto pôde, alongando os músculos o máximo que conseguiu como se suas próprias fibras implorassem por aquele reconfortante gesto. Aprofundou o ritmo de suas respirações e levantou as pálpebras num único movimento, permitindo que a luz passasse por suas pupilas que por um instante arderam.

Ela sentou sobre o colchão macio, incerta dos últimos acontecimentos, invadida por uma sensação atemporal desconcertante, indigna de suas últimas recordações. O gesto lhe custou uma nova dose de dor, que por um momento conseguiu ser ignorada. Reconheceu o cômodo pertencente à Mansão Wayne, e por vários segundos sua mente brindou-a apenas com o vazio do desconhecido...

...Até que o desconhecido transformou o vazio na mais densa e concentrada agonia.

Uma imagem de Bruce desacordado e ferido transpassou sem convite sua mente, fazendo-a arder como se várias farpas afiadas a atravessassem, e sumindo tão repentinamente quanto o momento em que se fez presente. Alice levou a mão trêmula à testa, incapaz de conter um gemido doloroso.

O gemido tornou-se grito quando sentiu que sua cabeça ameaçava explodir de dentro para fora, como se seu crânio estivesse numa rápida e exponencial expansão, rasgando, dilatando além do limiar da dor. Havia gosto de bile no fundo de sua garganta, e mais imagens perturbadoras nos recantos escuros de seu cérebro, intercalando-se conforme o sentido se esvaía de seu frouxo juízo.

Viu cenas que já lhe perturbaram antes, mas nem por isso pareciam perder a potência em suas retinas fatigadas, e soube que enlouquecera. Assistiu novamente Krusty banhado no próprio sangue, Coringa lançando-lhe seu habitual olhar letal junto a um sorriso nada convidativo. Viu a si mesma destruída, acabada, degradada pelas mesmas razões que a fizeram chegar ao mais profundo dos poços, e à medida que a lógica lhe abandonava, seus berros aumentavam, ainda que roucos. Não conseguia distinguir o legítimo do irreal, de forma que o falso tornou-se autêntico, e o desespero transmutou-se em sua única verdade absoluta.

Havia apenas incoerência e aflição em seus olhos agora fortemente apertados e sem foco, uma dor que retesava seu corpo e nutria apenas o medo dentro de seu mais sombrio íntimo, tão castigado e despedaçado pelo acaso de seus piores dias. As únicas sensações fisiológicas que a ninja era capaz de perceber em seu suplício mental eram os tremores ao longo do próprio corpo, assim como o suor que o banhava e a dor excruciante que o fazia se encolher o máximo permitido sobre si mesma.

Esqueceu-se de tudo que um dia julgou importante, sobrando apenas a agonia para se recordar. Até mesmo o medo inquebrável em seu íntimo perdeu o sentido, porém ainda mantinha-se lá, o único sentimento firmemente aderido e reconhecível em meio ao monte de insensatez que se firmava em sua mente latejante.

Seu corpo se contorcia e debatia, excluso de consciência e vontade, movido apenas por reflexos que iam além de seu entendimento. Alice novamente urrou em meio àquela pequena disputa com o vazio, um som rouco e cansado, predisposto ao definhar – lento, porém constante.

Uma mão cuidadosa segurou sua nuca tombada e retesada, encarando-a com aflição e ternura, tentando acalmá-la com palavras gentis que sequer foram ouvidas.

_ Mais antídoto, Alfred – a voz disse com urgência, ainda segurando o corpo da mulher por mais que este se debatesse num protesto inconsciente.

_ Num instante, patrão! – o mordomo exclamou de volta, trazendo uma seringa cheia de um fluido transparente – Aqui está... – entregou-a a Bruce, que imediatamente aplicou o líquido para dentro da veia de Alice até o final.

_ Pronto... – soltou de um único movimento o ar preso por tempo demais em seus pulmões. Retirou a agulha do braço agora domado de Alice e pressionou o local perfurado com um pequeno algodão úmido, limpando o suor da testa da mulher com a mão livre – Já acabou... – disse-lhe, sem muita convicção.

Aos poucos os músculos de Alice foram relaxando sobre a cama ao mesmo tempo em que a respiração ofegante se normalizava com certa dificuldade. Os olhos negros e abrasivos da mulher se fixaram em Bruce, e por um breve instante ele chegou a acreditar que ela despertaria, porém cada piscada que Alice dava era mais demorada do que a anterior, até que em uma delas, suas pálpebras não se abriram mais, e novamente a ninja foi levada pela inconsciência.

O Bilionário meneou a cabeça, sem evitar transbordar preocupação.

_ Se continuar nesse ritmo, ela vai se intoxicar com o antídoto... – avisou, falando mais para si do que para Alfred.

_ Paciência, mestre Wayne! A senhorita Alice recebeu uma quantidade demasiado alta de Gás do Medo, é esperado que sua recuperação seja um pouco mais lenta do que o habitual. – tentou tranquilizá-lo com seu sotaque sereno, mas a expressão de Bruce sequer deu sinais de que se amenizaria.

_ A dose que ela inalou foi intencionalmente letal, Alfred... Não sei dizer se conseguimos intervir a tempo. – citou a última frase num tom extremamente baixo, aflito pela verdade que havia naquelas palavras, mais uma vez experimentando o gosto amargo da culpa ao fundo seco de sua garganta.

_ Talvez não, patrão Bruce! Mas agora só nos resta esperar e observar. A angústia precoce em nada ajudará a recuperação da senhorita Alice, e o senhor também precisa de cuidados e repouso. – fez notar, agora um pouco mais rígido em seu tom.

_ Eu estou bem... – avisou, porém o cansaço discernível em sua voz fazia questão de desmenti-lo com propriedade – Prometo que vou me cuidar, Alfred... – disse, mas permaneceu imóvel ao lado de Alice, apertando seus dedos entre os dela numa súplica silenciosa para trazê-la de volta.

_ Certamente, senhor! – concordou, plenamente ciente de que não ganharia aquela discussão, ao menos não naquele momento – Se precisar de algo...

_ Eu chamo! – completou, ainda encarando o rosto agora sereno da mulher que repousava sobre sua cama, parecendo apenas dormir um sono profundo. Bruce só rezava para que não fosse tão profundo ao ponto de tornar-se irreversível...

Ela se mexeu pesadamente, alterando a posição de seu corpo e ameaçando novamente abrir os olhos. Bruce despertou de seu breve cochilo ao lado da cama, fitando com preocupação instantânea o olhar levemente desfocado de Alice, que se mantinha fixo em si. O Bilionário segurou novamente a mão da hippie, já se preparando para uma nova crise.

_ Bruce...? – perguntou debilmente, sentindo a própria voz rasgar a garganta ao passar – Eu deveria lembrar por que estou aqui? – franziu o cenho, em dúvida, arrancando um largo sorriso aliviado do empresário e sentindo-se ainda mais confusa e tonta por extrair aquela reação.

_ Como você está se sentindo? – usou um tom baixo e cálido, aproximando-se ainda mais dela ao ajeitar-se na beirada da própria cama, afagando seu rosto com a ponta dos dedos. O olhar que ele lançava chegava a ser desconcertante de tão protetor.

_ Sei lá... Normal, eu acho. Talvez um pouco mais lesada do que de costume! – brincou, aconchegando-se de forma a encará-lo melhor. Uniu as sobrancelhas ao notar o enorme hematoma sobre a lateral da testa de Bruce, de repente recordando-se de algo – Conseguimos escapar! – comentou o óbvio com a explosão de informações que, de um instante a outro, novamente se encaixaram em sua memória defasada. Seu queixo levemente caído denunciava o quanto ela parecia surpresa por perceber que os dois ainda respiravam.

_ Sim, conseguimos! – sorriu cheio de ternura – Não sei como, mas você realmente deu um jeito de nos fazer escapar...

_ O que seria do grande Cavaleiro das Trevas sem sua hippie? – zombou, mas de repente sua expressão tornou a ficar séria e tensa. Uma pontada dolorida ao fundo de suas órbitas provocou uma desagradável sensação, mas Alice a ignorou – Mas e você, como está? Aquele projeto de Darth Vader te deu uma surra e tanto...

_ Nem foi tão preocupante assim, eu tinha tudo sob controle! – arqueou uma sobrancelha em negação, como se alisasse o próprio ego – Só fraturei algumas costelas... – contou, como se não fosse nada de relevante, chegando a dar de ombros com o comentário aparentemente trivial.

_ Ah, claro, você realmente tinha tudo sob controle! – concordou repleta de sarcasmo, encarando o Bilionário como se não pudesse acreditar em suas palavras – Afinal, você só quebrou algumas costelas... – Alice teve que rir, incrédula – Bruce, você precisa ficar em repouso – disse de forma categórica, tentando agora soar enérgica apesar da fraqueza irritante em seu timbre, como se tentasse barganhar com uma criança teimosa – E se uma dessas costelas acabar perfurando um pulmão enquanto você continua fazendo questão de ignorar que é um mero mortal? Quando, em nome de Odin, você vai aprender que é feito de carne e osso, mais carne agora, já que alguns dos seus ossos estão fudid...

Alice calou-se ao ter seu falatório interrompido pelos lábios de Bruce que se prensaram repentinamente aos seus, e novamente a hippie sentiu as próprias percepções se anuviarem no instante em que suas respirações se cruzaram num ritmo hipnótico, marcado por periódicas falhas em seus batimentos cardíacos, que cismavam em fracassar quando menos deviam. Bruce correu uma das mãos pelas costas da hippie enquanto seus lábios ainda a conduziam para um mundo à parte, e ao mesmo tempo ela o apertou pela nuca como se a qualquer momento o empresário ameaçasse escapar de seu alcance.

Sentiu um frio atravessar seu estômago ao se dar conta do próximo passo que não poderia mais adiar. E do quanto seria difícil limitar-se a seguir a razão e liquidar seus verdadeiros anseios, tão mais convidativos...

Bruce notou os lábios de Alice tensos e duros, e por um breve segundo, ameaçou afastar-se para tentar entender o motivo da repentina hesitação da mulher, porém ela o puxou de volta, sentindo-se completamente inapta a abraçar o destino que ela sabia ser inevitável. Tinha noção do quanto era egoísta de sua parte procrastinar aquele novo adeus, mas não sabia quanto mais aquela amaldiçoada palavra os separaria, se seria algo permanente ou uma nova versão provisória, por isso permitiu-se uma dose extra de egoísmo, impedindo com pouco esforço que ele se desvencilhasse de seu toque.

O beijo se arrastou por mais algum tempo, até que Alice não pôde mais suportar o peso insustentável daquela situação, e por fim apoiou a própria testa na de Bruce, desviando o olhar da atenção curiosa e preocupada do Bilionário, ainda segurando sua nuca como se quisesse desacreditar suas palavras subsequentes.

_ Eu preciso voltar... – aquilo foi tudo o que o pesar lhe permitiu dizer, e mesmo que seu comentário fosse vago e repleto de interpretações, o olhar mudo de Bruce estava carregado de entendimento no brilho triste ao fundo de seus olhos. Desde que Alice retornou, ele sabia que aquela frase seria dita em algum momento, mais cedo ou mais tarde, por mais que tentasse se iludir de que conseguiria escapar dela.

E mesmo que a própria Alice também quisesse a todo custo se esquivar daquelas meras palavras, havia um assunto inacabado na Liga das Sombras que não poderia ser ignorado. Eu preciso voltar...

Notas finais
Me despeço com o de praxe: Sabendo que eu esqueci de dizer algo importante! =P