A Face Oculta Da Lua

7 Primeiro Dia De... – Parte II – A Dor Da Mente


Notas iniciais
Aloha! xD Bom, queria agradecer imensamente à Yunmei pela recomendação tão maravilhosa que ela enviou para essa fic! ;D Como eu disse em um dos reviews, você sabe MESMO surpreender, hein, dona Yunmei! Obrigada, sua gatona!!! =D Cara, estou super ansiosa pela opinião de vocês nesse capítulo, eu não faço a menor ideia se vocês vão gostar ou detestar! o.O Só mais uma coisinha: hoje faremos um tour pela mente da nossa querida hippie, então apertem os cintos e boa viagem! (Essa parte será narrada em itálico e pela própria Alice, e blá, blá, blá...)

Ducard mantinha a mão esquerda nas costas de Alice, empurrando-a para que ela apressasse aquele passo irritantemente hesitante e demorado. Ela o encarou intrigada, notando que a feição do ninja exalava exatamente o mesmo entusiasmo e ansiedade de quando eles estavam prestes a deixar Gotham. Era realmente assustador para a hippie vê-lo movido por aquele ânimo misterioso, principalmente atendo-se ao fato de que ela seria o foco do que estava por vir.

_ Você não vai mesmo me contar o que é essa segunda parte do treino? – Alice fez uma última tentativa, aflita por cada passo que a levava novamente ao desconhecido.

_ Eu acho que será mais produtivo para o experimento manter o elemento surpresa – disse de forma vaga – mas não se preocupe, eu sei exatamente o que estou fazendo!

_ É esse o meu medo! – franziu a testa, cada vez mais incomodada com tudo aquilo – O que você quer dizer com “experimento”? – arriscou.

_ Exatamente o que a palavra significa! Você será a primeira a passar por uma série de novas... – parou um pouco para pensar no termo mais apropriado que descrevesse aquela situação – ... formas para explorar os seus limites – disse, combinando a satisfação de seu tom com aquele brilho intenso em seus olhos. Alice sentiu um forte arrepio percorrer sua espinha diante daquele conjunto perigoso de emoções que o ninja demonstrava.

_ Olha, Ducard, eu me contento com o treinamento padrão, sério! Eu admiro o seu esforço e até fico lisonjeada em ser sua cobaia, mas realmente não precisa se esforçar tanto para me enlouquecer de vez.

_ Essa é uma oportunidade única, que nem você e nem eu podemos nos dar ao luxo de perder – umedeceu os lábios, adotando uma expressão levemente maníaca e satisfeita.

_ Dor de estômago! – Alice berrou, como se aquelas três palavras fossem a sua salvação – Aqueles legumes não me fizeram nada bem, eu não estou acostumada a comer porcarias! Por mais que me doa dizer isso, acho melhor adiarmos essa parte do treino que parece ser tão interessante...

_ Você não vai precisar do seu estômago para o que está por vir – sorriu da forma mais assustadora possível ao interrompê-la – apenas da sua mente!

Alice continuou seguindo-o em silêncio, limitando-se a ouvir os ruídos cortantes de seu próprio receio, que nem de longe poderia ser um tipo de conforto para a atmosfera calada entre o ninja e a hippie...

_ Ninja nosso que estais na Liga – Alice apertou os olhos em uma oração improvisada assim que Ducard abriu uma porta com entusiasmo demais, carregando-a para dentro –, santificada seja a vossa espada, venha a nós a sobrevivência, seja feita a minha vontade assim nas lutas como nos treinos. O Bruce nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas piadas, assim como o Harvey perdoa aos chifres adquiridos, não nos deixei cair em puTalia, mas livrai-nos do Palhaço. Amém!

_ O que você está fazendo? – Ducard perguntou, perplexo.

_ Uma última oração, caso eu acabe não sobrevivendo às suas manias e excentricidades! – respondeu, tornando a fechar os olhos – Ninja nosso que estais na Liga... – recomeçou, dando às suas palavras uma melodia compassada, quase musical.

_ Chega de suas gracinhas, Alice! – Ducard a interrompeu, tornando a empurrá-la para o caminho certo.

_ Calma, só faltam mais quarenta e quatro vezes! – avisou, encarando-o apenas com um único olho aberto – ... santificada seja a vossa espada...

_ Deite-se! – rosnou impaciente, indicando uma espécie de maca rodeada por aparelhos de razoável tecnologia.

_ Claro, negue o último pedido daquela que te salvou de apodrecer na cadeia e mesmo assim está prestes a servir de cobaia para um ingrato! – resmungou, subindo na maca e ajeitando a cabeça no pequeno travesseiro ao deitar. Mesmo estando apavorada por não saber o que viria a seguir, a hippie sentiu-se grata por poder relaxar um pouco o corpo naquele acolchoado fino.

_ Não há com o que se preocupar, é um procedimento completamente seguro – disse, colando pequenos eletrodos em cada lateral da cabeça de Alice e logo em seguida esmagando o seu polegar direito com um elegante pregador branco conectado a um fio.

_ Pra que tudo isso, seu ninja maluco?

_ Eu preciso monitorar a sua atividade cerebral e os seus batimentos cardíacos – explicou – para evitar possíveis incidentes durante o meu teste.

_ Incidentes? – a hippie estremeceu em um gemido – Você disse que era seguro!

_ E é seguro justamente porque eu tomo as precauções necessárias para ser capaz de intervir caso alguma coisa dê errada – concluiu, e a forma como falou fez com que Alice parecesse uma tola por não chegar sozinha àquele raciocínio.

_ Cínico! – falou baixinho, resmungando para si mesma – Ei, aonde você pensa que vai? – sentou-se abruptamente na maca quando viu Ducard saindo do estranho aposento, parecendo ter a intenção de deixá-la sozinha naquele recinto coberto por sombras e penumbras pela falta de luz.

_ Eu vou monitorar tudo do lado de fora, e você faça o favor de ficar bem quieta aí!

_ E por que você não pode acompanhar o meu caso daqui? – perguntou confusa.

_ Digamos que... o ar aqui dentro vai ficar irrespirável! – riu, sumindo atrás da porta que ele acabara de fechar.

_ Tudo bem, pelo jeito esse é o fim... – deitou-se novamente, encarando o teto em uma contemplação demorada de suas próprias conjecturas – Deus, me desculpe por ter levantado o hábito da Freira Agnes no meio da procissão de Ano Novo... Como eu poderia imaginar que ela estava sem roupas íntimas por baixo? E também teve aquela vez em que eu soltei um catarro na careca do Padre Bênis enquanto ele rezava a missa de casamento da sobrinha. Nada disso foi por mal, acontece que aquele orfanato era realmente muito entediante...

Alice interrompeu o seu falatório solitário ao ouvir um leve chiado não muito longe dali. Aliás, nada longe dali! Ela apurou bem os ouvidos, buscando reconhecer a procedência daquele som, até que seus olhos foram atraídos pelo sistema de ventilação embutido nas paredes. Com certeza o barulho vinha daquelas pequenas aberturas! Parecia o som de um gás em expansão...

Os sentidos da hippie foram se tornando fracos e difusos com uma rapidez espantosa. Foi como se cada porção de seu corpo dobrasse ou triplicasse de peso, e logo a sala inteira parecia rodar à sua volta sem muito controle.

_ É só não seguir a luz! – ela disse antes de perder-se completamente dentro de sua própria mente, o último lugar que gostaria de estar!

"Então eu morri?” – perguntei a mim mesma, temendo abrir os olhos diante daquela leveza incomum que se apoderou de todos os meus sentidos nada coerentes...

Aquela sensação de ruptura com a realidade me fez associar o momento com o dia em que Coringa me drogou, pouco antes do meu julgamento. Por fim, resolvi abrir os olhos! Que diferença fazia mantê-los fechados, afinal? A minha realidade sempre seria o meu carma, não importava o quanto eu tentasse evitá-la.

Eu levantei minhas pálpebras com um pouco de receio, pouco acostumada ao estranho embora ele estivesse sempre ao meu lado, e no instante em que me permiti encarar o espaço à minha volta, me assustei em um sobressalto escandaloso.

O nada me engolia! Uma enorme porção de coisa alguma enegrecida pela ausência de matéria era tudo o que eu podia ver, como se eu flutuasse no vácuo de minha própria existência.

_ Ducard? – chamei baixinho, na esperança de que ele pudesse resolver o que havia de errado – Barbicha, isso não tem graça! – meu tom saiu mais firme e alto, mas a minha resposta continuou sendo exatamente aquilo que me engolfava: o nada.

Tentei dar alguns passos, mas parecia impossível se locomover sobre aquele espaço escuro que se alastrava irredutivelmente por cada canto da minha visão. Senti meu pulso acelerar!

_ Mamãe! – uma voz infantil que eu conhecia muito bem me chamou, e assim que eu a ouvi, a imagem de seu dono criou forma bem na minha frente. Assim como o escuro que preenchia tudo, de um segundo a outro, deu lugar ao galpão abandonado onde eu vi o meu filho pela última vez.

_ Krusty – meu corpo tremeu assim como a minha voz ao vê-lo ali, exatamente do jeito que eu me lembrava – Meu pequeno! – consegui correr em sua direção, temendo não ser capaz de abraçá-lo. Meu sorriso se formou junto com as lágrimas quando eu percebi que o seu toque era tão real quanto a sua voz.

Ele estava ali, mais uma vez ocupando o seu lugar em meu colo... seu toque, seu cheiro, sua respiração quente em meu pescoço, era tudo palpável demais para uma mera alucinação. Meu filho estava vivo de alguma forma, e isso era tudo o que importava!

Eu deixei que o silêncio e a força do meu aperto carinhoso em sua pele falassem por mim, tudo o que eu queria era manter-me naquela posição protetora para sempre, e nunca mais deixar que Krusty escapasse do meu abraço.

Mas ele quebrou o silêncio.

_ Você prometeu que ia ficar tudo bem! – acusou-me, e aquelas palavras soando como uma denúncia de seus lábios tão doces apertaram ainda mais o meu peito. Eu afrouxei o abraço, encarando o rosto de traços delicados que também me fitavam.

_ Eu sinto muito, meu pequeno! – acariciei suas enormes bochechas novamente rosadas – Eu fiz tudo o que pude para evitar o que aconteceu...

_ Mas eu confiei em você – Krusty me interrompeu, e sua voz saiu tão dura e frígida que não parecia mais a voz de um menino... do meu menino... – eu sempre confiei em você, e você só me decepcionou – disse, afastando-se de mim.

_ Não, espera! Isso... isso não é verdade... – eu comecei a argumentar em completo desespero, mas as palavras simplesmente perderam qualquer sentido pertinente. Porque eu sabia que aquilo era a mais pura verdade. Eu sempre soube o quanto fui nociva ao meu próprio filho, o quanto eu fui incapaz de ser a mãe que ele tanto merecia.

_ Eu morri por sua culpa – continuou – você não soube cuidar de mim!

_ Filho... – chamei-o com a voz pouco controlada e olhos embaçados pelo marejar já formado – A mamãe errou muito com você, desde o dia em que você nasceu eu só cometi falhas – engoli em seco, disposta a não chorar – mas tudo o que eu fiz, mesmo as piores escolhas, foram pensando no melhor para você.

_ Essa bala de revólver foi o melhor pra mim? – Krusty perguntou com uma estranha maturidade na voz, abrindo o casaco e deixando à mostra o furo rubro em sua barriga por onde a bala de revólver saiu. Eu fechei meus olhos com força, incapaz de encarar mais uma vez aquela ferida que não era somente do meu filho, mas minha também.

Virei meu rosto sentindo a típica ardência que precede as lágrimas invadir meus olhos, mas novamente eu ignorei a vontade de chorar e dei o máximo de firmeza à minha voz, tentando não transparecer o quanto ela estava destruída, assim como o meu íntimo.

_ Eu daria tudo para ter levado esse tiro no seu lugar! – desabafei – Faria qualquer coisa para ter sido rápida o bastante para evitar tudo isso... você pode não acreditar, filho, mas eu te amo bem mais do que consigo ser capaz de explicar!

_ E eu te odeio – ele me disse com frieza, de forma tão direta que até eu me espantei e me encolhi, mesmo já desconfiando daquela dolorosa declaração.

_ Você foi o maior erro da minha vida, Krusty – falei, ainda sem olhar para ele, surpresa com a calma que consegui dar à minha voz – a sua simples existência me jogava na cara todos os dias o quanto eu fui fraca, me mostrava que eu merecia passar por todas as dificuldades que vieram junto com o seu nascimento. – fiz uma pausa, umedecendo lentamente os lábios enquanto mais uma vez tentava controlar as minhas emoções, que pareciam ter vontade própria – Mas eu faria tudo de novo! Cometeria exatamente as mesmas burrices e quantas mais fossem necessárias se isso pudesse te trazer de volta – concluí, ajoelhando-me em cima de minhas pernas com a cabeça abaixada. Uma lágrima foi mais forte do que a minha força de vontade.

Senti que ele se aproximava de mim a passos lentos, mas eu não me atrevi a erguer minha cabeça em sua direção. Ele destruiu completamente as minhas defesas com aquelas verdades tão inconvenientes, e eu simplesmente não sabia como reagir a elas. Porque ouvir aquilo, que no fundo eu sempre soube, saindo da boca da pessoa que eu mais amava me fez ter dimensão do quanto esse ódio era doloroso...

_ Mas você não pode me trazer de volta, e nenhum dos seus erros cometidos comigo podem ser reparados – sua voz fria e suas palavras sensatas não combinavam nem um pouco com aqueles traços tão infantis, traços que um dia foram tão doces –, porque você me deixou morrer – concluiu, como um último golpe para o meu autocontrole.

Era a mais pura verdade! Eu sabia que a culpa pela morte de Krusty ia muito além do policial Smith ou até mesmo de Coringa... esse fardo era meu, simplesmente porque eu fui uma completa inútil tentando protegê-lo do mundo, e não percebi que na realidade ele deveria ser protegido de mim e da minha incompetência como mãe.

Eu não tinha nenhuma resposta para tentar fazê-lo mudar de ideia, então eu apenas o encarei e permaneci no silêncio turbulento de minha mente. Reparei com pesar que os olhos de Krusty não tinham mais a minha marca, agora eles pareciam cruéis e indomáveis, assim como os de um certo palhaço...

_ Eu entendo a sua revolta – disse depois de uma longa hesitação – e você tem toda a razão.

_ Você é fraca a ponto de nem mesmo lutar para me convencer do contrário – o tom enojado na voz do meu filho doeu até mais do que aquela nova acusação, mas nem por isso eu desviei o olhar de seu rosto.

_ Antes de tentar te convencer do contrário, eu teria que me persuadir primeiro – frisei, achando cada vez mais complicado ignorar o forte nó formado dentro da minha garganta, dificultando a passagem de ar – mas as duas coisas estão fora do meu alcance.

_ Como sempre – Krusty completou minha última frase com um ar zombeteiro e cruel, afastando-se de mim.

_ Aonde você vai? – perguntei aflita, preferindo enfrentar a sua raiva e mantê-lo perto de mim do que me livrar das acusações e de sua presença.

_ Eu vou para onde você me mandou, mamãe! – virou-se na minha direção, porém continuou se afastando, dando passos para trás – Eu vou para junto do policial Smith – completou, parando sua caminhada ainda me encarando. No mesmo instante, a figura alta do policial surgiu bem atrás de meu filho, e novamente eu vi o brilho metálico do seu revólver encostar-se à pele de Krusty de forma ameaçadora.

_ Desgraçado – rosnei na direção do policial, achando difícil reviver aquela cena sem extravazar o meu ódio reprimido – De novo não! – levantei-me, cruzando a pouca distância que nos separava e sentindo meus punhos cada vez mais cerrados e cegos de fúria. Meus dedos, apertados na forma de um soco, tremelicavam conforme eu me aproximava do policial corrupto.

_ E o que você espera fazer, Alice? – Smith perguntou-me com um sorriso largo e irritante de desdém.

_ Te virar do avesso, seu imundo! – rosnei em resposta, agarrando o braço que segurava a arma e empurrando-o para longe de meu filho, com uma facilidade que deixou claro que ele sequer tentou resistir à força imposta.

_ Você realmente acha que adianta alguma coisa tentar mudar o inevitável? – indagou-me, parecendo nem mesmo ligar para o aperto que eu infligia em seu braço – Isso é apenas uma sombra do seu passado, nada do que você faça aqui vai alterar a realidade.

_ Não importa, essa é a minha mente, eu acho... – franzi levemente a minha testa, sem saber exatamente o que significava tudo aquilo – E eu não vou deixar que você tome as rédeas no meu território! – avisei, tentando parecer ameaçadora, mas Smith apenas gargalhou alto e Krusty deu um sorriso maldoso, como se risse internamente de uma piada que apenas eu não entendi.

_ Você quer ter o controle, Alice? – o policial perguntou com escárnio – Não precisa lutar para isso, você está no comando agora! – disse, entregando-me voluntariamente o seu revólver.

Eu segurei a arma fortemente com minhas duas mãos, intrigada pela atitude de Smith em me dá-la por vontade própria. Fitei com nojo cada pedaço daquele metal vil que matou meu filho, e logo a apontei para a cabeça do policial, que ainda ria.

_ O que é tão engraçado, seu demente? – puxei a pequena alavanca no dorso do revólver com o polegar, posicionando em seguida o meu indicador no gatilho – Acha que eu não consigo atirar em você? – senti meus olhos faiscarem com a pergunta, desejando por um momento que ele me julgasse incapaz.

_ De forma alguma, fique à vontade! – respondeu-me, muito bem humorado para quem estava prestes a levar um tiro.

_ Isso pode até não mudar a realidade, mas algo me diz que a satisfação vai ser garantida – comentei comigo mesma, pressionando o gatilho sem hesitar em momento algum.

Eu senti o momento em que a bala foi expulsa do revólver. Senti os efeitos da Inércia que me empurraram para trás na iminência do tiro, mas... Smith ainda estava de pé, sorrindo para mim com arrogância. Procurei confusa por alguma marca do tiro em sua pele, cacei qualquer indício da ferida que deveria estar bem entre os seus olhos, mas foi uma busca inútil. Smith estava ileso.

_ Você não vai encontrar a bala aqui – ele apontou para si mesmo, e seu olhar foi desviado para um ponto atrás de mim. A minha curiosidade foi mais forte, e eu tive que me virar.

_ Krusty! – eu gritei ao vê-lo caído sem vida no chão, encharcado pelo próprio sangue naquela cena que eu lembrava tão bem – Mas eu... eu mirei em você! – minha cabeça rodou, repleta apenas de confusão – Como o tiro pôde acertá-lo se ele estava atrás de mim?

_ Porque esse tiro era para ele – Smith disse, aproximando-se – você podia encostar o cano do revólver na minha cabeça antes de atirar, e ainda assim, a bala atingiria o seu filho – explicou, parecendo um tanto empolgado – porque a realidade é essa, você não entende? – riu – Você não pode tentar mudar o que aconteceu simplesmente resolvendo agir. É tarde demais para isso.

Eu segurei os pequenos dedos de Krusty entre a minha mão mais uma vez trêmula pelo momento da perda. E a dor não foi nem um pouco menor, mesmo sendo um replay trágico do que já acontecera. Seus dedos eram tão delicados, como tudo em meu filho, e mais uma vez parecia que ele apenas dormia, talvez profundamente demais... E nem mesmo em minha própria consciência eu soube cuidar daquele serzinho frágil que necessitava tanto de proteção. Inútil era a palavra que melhor me definia.

_ Como você se sente agora, Alice? Sabendo que nem mesmo dentro da sua mente você é capaz de mudar o rumo das coisas? – alfinetou-me.

_ Esse tiro estava programado para atingir o meu filho, independente do alvo que eu mirasse, certo? – virei o meu rosto apático para encará-lo.

_ Finalmente você começou a entender – zombou.

_ Então... – eu continuei, sem me importar com o seu tom debochado – ... quer dizer que se eu atirar de novo, dessa vez eu acerto o meu alvo – concluí, mirando novamente a arma para a sua cabeça enquanto notava aquele sorriso irritante desaparecer de seu rosto – O que foi, Smith? Não podemos lutar contra a realidade, não é mesmo? O segundo tiro é seu! – disse antes de apertar novamente o gatilho e ver o policial caindo com um enorme buraco na cabeça após o barulho escandaloso do revólver.

Joguei aquela maldita arma no chão, encolhendo-me em posição fetal no meio dos dois corpos inertes. Simplesmente cansada de mim mesma. Nem mesmo em meus refúgios mais obscuros eu conseguia corrigir meus piores erros, na verdade eu ainda era capaz de piorá-los!

Trollada pela minha própria mente...

Alice despertou de forma abrupta, sentindo um suor denso e pegajoso banhar todo o seu corpo, acompanhado de uma respiração ofegante e um coração bem rebelde tentando sair de seu peito de tão forte que batia.

_ Calma, está tudo bem – Ducard tentou tranquilizá-la, mas tudo o que conseguiu foi deixar a hippie ainda mais nervosa. Não, não estava nada bem!

_ O que diabos você fez comigo? – Alice tentou gritar com o ninja, mas sua voz se recusava a sair mais alta do que um patético sussurro engasgado. Ela passou a manga da túnica pela sua testa úmida, limpando o suor com seus braços trêmulos.

_ As explicações podem esperar – disse, desligando os aparelhos que serviram para monitorar os sinais vitais da hippie enquanto ela estava inconsciente para a realidade.

_ Chega de adiar as respostas às minhas perguntas, Ducard! Isso não pode esperar, eu quero saber agora o que aconteceu aqui! – sua voz foi tão irredutível quanto ela planejou, e Ducard apenas assentiu com a cabeça em meio a um sorriso indecifrável.

_ Tudo bem, acho que você merece saber – ponderou, tentando controlar a ansiedade que sentia pelos resultados daquele treino.

_ Desembucha.

_ Você acabou de passar por um tipo inédito de treinamento, algo que vai muito além da preparação física que eu costumo dar aos meus alunos.

_ O que você fez comigo, seu maluco? – perguntou novamente, sentindo o corpo voltar gradualmente ao seu controle, apesar de ainda percebê-lo vacilante – Essas alucinações, o que foi isso?

_ Efeito da droga que você aspirou.

_ E que droga é essa droga? – perguntou com o seu melhor tom histérico e descontrolado, começando a ficar impaciente pelas meias palavras do ninja – Seria demais pedir que você fosse mais claro?

_ Paciência, Alice! – o ninja lançou-lhe um olhar repreensor – Essa droga que você inalou é conhecida como o Gás do Medo – sorriu – cortesia do Doutor Jonathan Crane, ou Espantalho, como preferir.

_ Gás do Medo? Me... me explica isso direito!

_ Pois bem – concordou – Há vários anos, eu contratei o Doutor Crane para produzir esse tipo de gás a partir de uma pequena flor azul, típica dessa região montanhosa do Himalaia, que tem um forte efeito alucinógeno.

_ Claro... o atentado que a Liga realizou em Gotham – Alice engoliu em seco, juntando os pontos – foi a partir desse gás que a Liga das Sombras intoxicou toda a cidade...

_ Exatamente. Nós tínhamos uma tecnologia que nos permitiu dissolver o gás no abastecimento hídrico da cidade, mas isso não vem ao caso no momento – Ducard complementou rapidamente ao ver que a hippie levaria aquele assunto adiante – A questão a ser abordada aqui é o princípio ativo dessa obra prima criada pelo Doutor Jonathan Crane. – sorriu, deixando à mostra um grande número de dentes brancos – O Gás do Medo funciona despertando o temor mais profundo da pessoa, que pode se traduzir em algum símbolo, em alguém, ou qualquer coisa capaz de recriar com força esse medo.

_ E daí? Aonde você quer chegar com isso? – apertou as sobrancelhas ao franzir a testa.

_ Você não percebe, Alice? – Ducard praticamente tremia de expectativa enquanto ainda falava – Na maioria das pessoas esse gás serve apenas para assustar. Mas você... – ele sorriu, deixando a frase morrer no ar.

_ O que tem eu? – bufou impaciente.

_ Preste atenção, Alice. Desde que nós dividimos a cela na cadeia, eu percebi imediatamente que o seu medo não era qualquer um. Você não é facilmente intimidada por símbolos, pessoas, alturas, ou qualquer temor tão típico da fragilidade humana.

_ Claro que eu tenho medo dessas coisas – rebateu – eu quase me mijei nas calças quando você me obrigou a ejetar os bancos daquele Caça – lembrou-o, deixando que sua expressão confusa fosse substituída parcialmente por feições desafiadoras ao dar aquele exemplo.

_ Não, não, não, não – ele disse repetidas vezes balançando a cabeça – você não entendeu. O medo de morrer é um processo natural, faz parte de um antigo instinto de sobrevivência natural ao ser humano. Você só teve medo daquela altura porque achou que não sairia viva daquele episódio. O Gás do Medo não tem o poder de fazer vir à tona o sentimento de autopreservação, isso é uma consequência... esse gás potencializa o seu verdadeiro medo, aquele que às vezes até mesmo você desconhece – explicou – e o seu medo é o mais complexo que eu já vi! – disse satisfeito.

_ E qual é esse meu medo fascinante, posso saber? – foi impossível não extravazar o escárnio naquela pergunta...

_ Você ainda não descobriu? – deu um largo sorriso – Você tem medo de si mesma!

_ Como é?! – cuspiu uma risada debochada – Essa é a coisa mais estúpida que eu já ouvi! – continuou rindo com vontade, examinando brevemente a cabeça de Ducard para ver se havia alguns parafusos faltando.

_ O seu medo não é algo que possa ser representado por algum símbolo tangível como o da maioria das pessoas – ignorou a crise de risos da aluna – Você teme a sua falta de escolha e impotência. Teme a sensação de fracasso que lhe é tão familiar, e ainda mais o fato de saber que você é nociva para aqueles que se aproximam demais de você. Tudo o que você mais receia está relacionado apenas à sua pessoa, pela forma como você subjulga a si mesma – disse, extasiado pelas suas conclusões – é fascinante!

_ Obrigada pela análise, mas eu dispenso esse tipo de psicologia barata! – resmungou – E para provar o quanto você está errado, eu digo o que eu vi, e não teve nada a ver com ter medo do meu fracasso ou de me ver sem alternativas! – encarou o chão antes de falar – Eu revivi a morte do meu filho, só que de um jeito um pouco diferente... com algumas mudanças no desenrolar dos acontecimentos... – Alice segurou uma mecha de seu cabelo, enrolando-a freneticamente entre os dedos, como se aquilo pudesse distraí-la da tensão.

_ Diferente como? – Ducard perguntou com sorriso cínico no rosto, esperando pacientemente que a hippie tirasse as próprias conclusões.

_ Eu desarmei o policial que matou Krusty... – franziu a testa, reconsiderando o seu comentário – Na verdade ele me deu a arma de bom grado, mas enfim! Assim que eu me vi com o revólver na mão, eu mirei bem no meio dos olhos daquele infeliz, mas quando eu atirei... a bala acertou o meu filho, eu não tive esco... – a hippie parou a palavra pela metade, encarando de olhos arregalados um Ducard totalmente sorridente.

_ Você não teve escolha? – ele completou a frase, incapaz de esconder o quanto estava satisfeito.

_ Que bruxaria é essa?

_ É a forma que seu medo encontrou para se manifestar. O fracasso de não conseguir salvar o filho por conta da sua impotência. Tudo relacionado a você, embora se mostre através de outras pessoas.

_ Isso é desumano! – Alice o encarou com receio, ainda sentindo seus olhos arregalados – Como você pode sentir prazer em submeter os seus alunos a isso?

_ Em primeiro lugar: ninguém mais foi submetido a isso, a não ser você. Porque somente em você eu fui capaz de enxergar esse tipo peculiar de medo – corrigiu-a – E em segundo: essa é uma experiência da qual você devia se orgulhar! Porque através dela, nós poderemos treinar não só a sua habilidade em combates, mas também aperfeiçoar as falhas que existem em seu lado mais obscuro e desconhecido – ele umedeceu os lábios com urgência antes de voltar a falar – Você é a primeira pessoa a realmente se enfrentar, e isso só tende a fortalecê-la!

_ Fortalecer, claro... – Alice saltou da maca para o chão, sem saber como conseguiu manter-se ereta ao sentir o impacto de seu pé dormente com o piso. Alguns minutos de puro silêncio se instalaram entre eles, até que a hippie levantou seus olhos exaustos na direção de Ducard, deixando que mais uma vez o peso incalculável de suas escolhas se depositasse sobre suas costas – Eu não vou contestá-lo, Ducard – disse, tomando a sua decisão em um suspiro incerto – quando eu o tirei da cadeia e pedi para que você me treinasse, eu depositei toda a minha confiança em você, talvez por ser a minha única esperança, não sei... – a hippie deu de ombros – enfim, desde o começo eu soube que a minha estadia aqui não seria nada fácil... eu realmente nunca cheguei a cogitar esse nível de dificuldade, mas estou disposta a levar adiante. Só espero que você saiba o que está fazendo! – completou, sem ter muita certeza de suas palavras sussurrantes, porém determinadas.

_ Você está agindo certo, Alice! – Ducard aprovou com um discreto sorriso repuxando sua barba – A noite sempre parece mais escura antes do amanhecer. Enfrente e supere a si mesma, e logo você vai ver os primeiros raios de sol surgindo no horizonte e espantando a escuridão que parecia mais densa do que de fato era.

_ Certo... – assentiu, um tanto apática – Agora eu vou dormir um pouco – avisou, ansiosa por se distanciar ao máximo daquela câmara de tortura. O ninja concordou silenciosamente, voltando a sua atenção para os aparelhos hospitalares enquanto a hippie o deixava sozinho ali dentro.

E conforme caminhava até o seu quarto, a dor física parecia extremamente insignificante comparada ao que ela sentia por dentro naquele momento... mesmo sabendo que tudo aquilo não passou de imagens projetadas pela sua mente, ela sentia como se realmente tivesse passado por cada uma daquelas acusações despejadas pela boca de seu filho.

Seu nariz formigava ferozmente enquanto remoia aquelas lembranças, chutando o ar a cada passo de forma infantil. Como Alice seria capaz de virar a página para a tão almejada vida nova, se estava cada vez mais submetida ao próprio passado?

Desviou-se um pouco do caminho de seu quarto, mesmo que a cama agora fosse o seu desejo mais intenso. A hippie mal podia esperar por uma dose de inconsciência, porém uma inconsciência amigável, que a tirasse da realidade de seus medos, e não os evidenciasse cruelmente como há pouco...

Se alguém esbarrou em seu caminho, ela não viu. Se alguém a chamou enquanto ela apenas caminhava, tampouco ouviu. Era apenas Alice e o ruído baixo de seus passos, nada mais, nada além daquele simples conjunto.

Deteve-se mais uma vez diante da cozinha, abrindo a porta de leve ao encarar o seu interior com receio.

_ Tony? – chamou, tão baixo que estranhou receber resposta.

_ A comida ainda não está pronta, eu já disse que assim que terminar eu sirvo... – o cozinheiro parou de falar ao ver de quem se tratava – Alice, você está com uma cara horrível! – comentou, repousando a sua atenção nas enormes sombras arroxeadas abaixo dos olhos da hippie.

_ Tony, será que você teria alguma refeição digna de uma felina exigente? – perguntou, fingindo não ouvir o comentário do cozinheiro.

_ Tipo ervilhas? – zombou com um riso abafado.

_ Sei lá, talvez um pouco de carne... – continuou, parecendo aérea e completamente indiferente ao que Tony dizia, como se apenas pensasse alto consigo mesma.

_ Por acaso você está se referindo a uma gata preta de olhos amarelos e grandes? – ele sondou, finalmente chamando a atenção de Alice.

_ Essa mesma! Com uns tufinhos de pelo branco embaixo das patas, bem charmosos, aliás... – tagarelou antes de deter-se nos olhos arregalados do cozinheiro.

_ A gata era sua? Mil perdões, Alice, eu não sabia... – ele gaguejou diante das próprias palavras, parecendo perdido.

_ O que você fez com a minha Baguera? – estreitou os olhos, incapaz de esconder a repulsa que a reação de Tony lhe causou.

_ Eu fiz churrasquinho de gato – ele disse rápido demais, apertando os lábios entre os dentes, como se tentasse conter a risada pela reação exagerada da hippie, até que os enormes olhos incrédulos de Alice finalmente o fizeram soltar a gargalhada que tentou inutilmente prender.

_ Você cozinhou a minha gata? E ainda ri? – chocou-se – Levanta já daí e cai dentro, seu... projeto de triciclo! – Alice levou os punhos fechados até a altura da cabeça, sentindo o seu rosto cada vez mais quente e vermelho.

_ Calma, Alice! Você não é a única que gosta de fazer piadas por aqui – tranquilizou-a, sem conseguir evitar novos risos.

_ Isso foi uma piada? – franziu a testa, na dúvida, ainda deixando as mãos na forma de futuros socos.

_ Lógico que sim... Você acha mesmo que eu serviria a sua gata no jantar?

_ Olha, eu não me surpreenderia – suspirou – vocês parecem ter uma certa afinidade pela crueldade por aqui – disse, referindo-se indiretamente ao último treino em que Ducard a submeteu – Mas então, como você sabe da minha gata? – perguntou, desconfiada.

_ Ela apareceu por aqui duas vezes pedindo comida – riu – é um animal realmente adorável...

_ Hum... isso explica – deixou que seus braços caíssem ao lado de seu corpo, um tanto tímidos – Ah... Bom, me desculpe por ter te chamado de triciclo – praguejou mentalmente, sem jeito.

_ Dessa vez eu vou relevar – respondeu com um sorriso divertido enquanto parecia revirar a prateleira – Bom, acho que ela vai gostar de um pouco de sardinha – disse, entregando a carne de peixe para Alice junto com dois pequenos potes.

_ Eu vou conferir se a Baguera está no meu quarto, e caso não esteja e eu descubra que você fez alguma coisa com ela, prepare-se para ter os freios da sua cadeira de rodas cortado! – usou um tom de ameaça, que só não persuadia pelo meio sorriso brincalhão e ao mesmo tempo cansado em seu rosto.

_ É por minha conta em risco – concordou, respondendo como um verdadeiro diplomata.

_ Então eu vou indo, antes que acabe falando mais alguma asneira – despediu-se, equilibrando entre os braços os pequenos potes vazios e a sardinha enlatada – Boa noite, Tony!

_ Até a vista, Alice – acenou brevemente com a cabeça, ainda mantendo o sorriso simpático e convidativo no rosto.

A hippie saiu da cozinha, forçando pressa em seus passos lerdos pela exaustão de seu corpo e sua mente. Simplesmente não fazia ideia de onde continuou tirando energia para manter-se naquele ritmo, apenas continuou sustentando o movimento mecânico de seus passos constantes.

Tentou não pensar enquanto subia os vários degraus que a levariam até a sua cama, evitando ao máximo as reflexões sobre os acontecimentos do dia, ignorando-as em uma parte isolada qualquer de sua mente.

Alice abriu a porta do quarto com uma força exagerada sobre a maçaneta, notando que ainda estava um pouco alheia ao seu próprio corpo... entrou no dormitório, dedicando vários segundos de sua atenção ao espaço arejado à sua frente.

_ É bom te ver, bichana! – tentou sorrir na direção da gata deitada preguiçosamente em sua cama, mas o gesto ficou mais parecido com uma careta por conta de seus olhos extremamente inchados – Hora do rango... – avisou, despejando a sardinha em um dos potes e enchendo o outro com água fresca logo em seguida – E para acompanhar o jantar, nada melhor do que a mais pura água recém-tirada da pia, Mademoiselle!

Baguera imediatamente saltou para o chão e enfiou o focinho dentro dos potes com curiosidade. Ignorou o peixe, mas bebeu toda a água do pote, até que Alice o encheu novamente. A gata deu mais algumas lambidas, mas logo retornou à maciez da almofada sobre a cama, ronronando alto.

Alice nem sequer preocupou-se em tomar um novo banho ou pelo menos substituir a túnica manchada de sangue, apenas imitou Baguera e se jogou pela primeira vez em cima do colchão nem muito duro e nem muito mole. Deixou que suas pálpebras assumissem a vontade própria que a hippie tanto se esforçou para reprimir durante o dia inteiro, e logo seus olhos pareciam fortemente selados. Ela tateou pela cama à procura da gata, e logo que sentiu a textura macia do pelo de Baguera entre seus dedos, acariciou-a como uma forma de dizer boa noite.

Alice ainda não havia dormido de fato, mas todo o seu corpo se comportava como se já estivesse em sono profundo. Sua respiração era intensa e fortemente ritmada, porém silenciosa. Seus músculos se relaxaram no mesmo instante em que sentiram o apoio confortável segurando-os, como se soubessem e ansiassem pelo descanso que finalmente viria. Até que a iminência do inconsciente se tornou relevante demais para ser ignorada, e logo tudo seria um sonho, nada mais do que um devaneio livre produzido pelas miragens em sua cabeça.

“Eu te odeio” – aquela frase, reproduzida com a voz infantil de Krusty, ecoou sem aviso prévio em sua mente, sendo a última coisa que Alice escutou dentro de seus pensamentos antes de adormecer e se render às imagens tristes que fariam com que ela revivesse aqueles momentos.

"He walked down a busy street

Staring solely at his feet

Clutching pictures of past lovers at his side

Sat at the table where she sat

And removed his hat

In respect of her presence

Presents her with the pictures and says:

'These are just ghosts that broke my heart before I met you.'
'These are just ghosts that broke my heart before I met you'

Opened up his little heart

Unlocked the lock that kept it dark

And read a written warning

Saying I'm still mourning

Over ghosts

Over ghosts

Over ghosts

Over ghosts that broke my heart before I met you'

Lover, please do not

Fall to your knees

It's not

Like I believe in

Everlasting love

He went crazy at nineteen

Said he'd lost all his self esteem

And couldn't understand why he was crying, cry, cry, cry-I-I-I-ing

He would stare at empty chairs

Think of the ghosts that once sat there

The ghosts who broke his heart.

'Oh! The ghosts that broke my heart'

The ghosts that broke his heart

'Oh! The ghosts that broke my heart'

The ghosts the ghosts the ghosts the ghosts the ghosts the ghosts

The ghosts that broke my heart before I met you.

Lover, please do not

Fall to your knees

It's not

Like I believe in

Everlasting love

He says I'm so lost,

Not at all well

Oooooooh

Oooooooh

Do as done and there is nothing left to be

Turned out I'd been following him and he'd been following me

Do as done after it was over

We were just two lovers crying on each others shoulders

Lover, please do not

Fall to your knees

It's not

Like I ever believed in

Everlasting love

Ghosts — Laura Marling*

Notas finais
*Música sugerida pela leitora Menta! ^^ Hoje eu vou me despedir deixando aqui uma frase de pura sabedoria para que vocês reflitam: "Põe o amendoim no buraco do amendoim!" hehehehhehehe Espero mesmo que vocês tenham gostado....