A Excluída

37 PARTE 4 Invasão e a Grande União


Enquanto isso, Lyne e Cléo se aproximavam da entrada da vila Nerd com tochas em uma de suas mãos, pois já havia anoitecido.

—Tem certeza disso? – Cléo disse – Você disse que a gente não ia precisar entrar, eu estou ficando com medo.

—Não tem problema – Lyne respondeu – já está escuro, eles não vão nos atacar, nós vamos atacá-los. Os nerds são só esquisitos, não tão perigosos assim.

—Ta bom – Cléo disse seguindo os passos da amiga – mas não esquece que essa ideia foi sua.

David e Lilian decidiram mostrar a Caterine e Jonatan onde os estábulos ficavam levando Sutil de volta para dormir. Rudolf estava vigiando as crianças. No caminho de volta, os Pricest e os Loxtraide se deparam com algo inusitado: Cléo e Lyne sussurrando o nome de alguém.

—Com licença – David disse – posso ajudá-las? As amigas descoladas deram um pulo e se viraram assustadas para ver quem estava atrás.

Quando viram Caterine e Jonatan, correram até eles em passos curtos.

—Caterine, Jonatan – Cléo disse – que bom que estão a salvo.

—Cleonice? Lynete? – Jonatan disse surpreso – o que estão fazendo aqui?

—Ah Sr. Pricest – Lyne disse com um ar corajoso – nós viemos resgatá-los desses nerds esquisitos. Sabe se lá o que fizeram com vocês, estavam correndo grave perigo.

—Obrigada por se preocupar – disse Caterine – mas como podem ver e perceber nós estamos muito bem.

-E essa vila de esquisitos – Jonatan terminou – como vocês chamam, vai ser nossa nova casa.

—O que? – Cléo disse em completa descrença – Vocês não podem fazer isso! Vocês são descolados!

—Nós podemos até ser – Jonatan respondeu – mas não concordamos com a maioria das suas atitudes.

—Eu não acredito que vão dar ouvidos a esses esquisitos – Lyne disse indignada e irritada – com certeza eles influenciaram vocês.

—Não, posso assegurá-las que não – Lilian disse erguendo as mãos – essa decisão foi tomada por eles mesmos.

—Esperem, por favor, se acalmem – David interveio – não vamos brigar por causa das nossas diferenças. Tenho certeza que podemos chegar a um acordo.

—Eu tive uma ideia – Lilian disse, pensando se sua ideia de agora daria certo – vamos abrir uma passagem na cerca. Unir nossas vilas.

—O que? – os olhos de Cléo se arregalaram – eu não vou virar uma nerd!

—Nem eu! – Lyne a apoiou.

—Não foi isso que eu quis dizer – Lilian tentou explicar – eu não acho certo impor nossa cultura a vocês e vocês nos obrigarem a seguir a de vocês. Só o que eu estou pedindo é que nossas diferenças sejam simplesmente aceitas. Eu sei o quanto somos diferentes, mas todos nós somos seres humanos.

Cléo e Lyne consideraram o argumento de Lilian por um momento.

—Olha – Cléo começou a dizer – contanto que a gente não tenha que morar aqui ou... conversar com vocês com frequência se é que me entende.

Lilian pensou “se Rudolf estivesse aqui com certeza chamaria vocês de metidas arrogantes”, mas ela suspirou e respondeu:

—É claro eu entendo.

—Minha esposa sugere que a cerca que nos separa – David disse olhando para Lilian – seja aberta e que os nerds e os descolados possam andar livremente pelas duas vilas, sendo bem vindos em ambas.

—Acho... – Lyne disse – que não é uma má ideia.

—Contanto que a gente não tenha muito contato – Cléo completou.

—Então temos um acordo? – David estendeu a mão.

—Acho que temos — Lyne apertou a mão de David.

Cléo e Lyne se viraram e voltaram para a sua vila, assim como os Pricest e os Loxtraide voltaram para a vila Nerd. Cada um deles se encarregou de espalhar as notícias para as vilas Nerd e Descolada.

Logo, um portal foi aberto na cerca que os separava e os nerds e os descolados puderam caminhar pela primeira vez, em anos, entre as vilas. Os Pricest não deixaram sua casa na vila Descolada já que as vilas se uniram, mas sempre visitavam seus amigos nerds, os Loxtraide.

E David, Lilian e Melissa retribuíam as visitas a Caterine, Jonatan, Jack e Johnny. Rudolf riu quando soube das boas novas, satisfeito com o fato dos descolados terem mudado, pelo menos um pouquinho. Assim, duas famílias provaram que era possível conviver com as diferenças. Graças à curiosidade e inocência de crianças, eles puderam olhar o mundo sob um ponto de vista diferente e assim, construir um futuro melhor para todos.