A Essência do Amor

18 O Silêncio da Terra


O céu sobre o cemitério particular estava carregado, uma cortina de chumbo que parecia mimetizar o peso no peito de Elara. O aroma das coroas de lírios brancos — o cheiro favorito de sua mãe — agora era insuportável, impregnado de uma tristeza que nenhuma fórmula química poderia descrever.

​O memorial estava silencioso, exceto pelo som abafado dos soluços de Elara. Ela estava debruçada sobre o caixão de mogno, as mãos pálidas acariciando o rosto sereno da mãe pela última vez. Richard estava logo atrás dela, uma presença sólida e sombria em seu terno preto, com as mãos firmes nos ombros de Elara, sentindo os tremores que abalavam o corpo dela.

​— Senhora Jones... — o assistente do memorial aproximou-se com passos curtos e voz contida. — Precisamos proceder com o fechamento. O horário do sepultamento se aproxima.

​Aquelas palavras foram como um choque elétrico. Elara soltou um grito sufocado, agarrando-se às bordas do caixão com uma força desesperada.

​— Não! Por favor, só mais um minuto! — ela implorou, a voz rouca de tanto chorar. — Mãe, acorda... por favor, não me deixa sozinha. Eu conquistei tudo, eu fiz tudo por você! Do que adianta esse império se você não está aqui para ver?

​Richard a puxou gentilmente, mas Elara resistia, lutando contra o inevitável.

​— Elara, meu amor... você precisa deixar ela ir — sussurrou Richard ao ouvido dela, sua própria voz embargada. — Ela está em paz agora.

​O som metálico do lacre sendo fechado ecoou pelo salão como o veredito final. Elara desabou nos braços de Richard, as pernas falhando enquanto viam o caixão ser conduzido para o jazigo da família. No momento em que a primeira pá de terra atingiu a madeira, Elara soltou um lamento que pareceu rasgar o ar. Ela viu o mundo que construíra desaparecer sob a terra preta, sentindo-se pequena, perdida e despida de todo o seu poder de CEO.

​Richard não a levou para a mansão fria dela, nem para a casa simples onde tudo começara. Ele a levou para sua própria cobertura. Durante o trajeto, Elara permaneceu em um estado catatônico, olhando fixamente para o nada, as lágrimas secas marcando seu rosto.

​Ao chegarem, Richard a carregou no colo até a suíte principal. Ele a sentou na beira da cama e, com uma delicadeza que ninguém no mundo dos negócios acreditaria que ele possuía, começou a tirar seus sapatos e o casaco pesado do velório.

​— Bebe um pouco de água, Elara — pediu ele, entregando o copo com as mãos trêmulas.

​Ela bebeu mecanicamente, sem dizer uma palavra. Richard a ajudou a se deitar, cobrindo-a com o edredom de plumas. Ele percebeu, naquele momento de silêncio absoluto, que a hierarquia de CEO Chefe e CEO Executiva havia caído por terra. Ele não era mais apenas o sócio ou o amante; ele era o porto seguro, a única âncora que a impedia de ser levada pela correnteza do luto.

​Elara se encolheu na cama, parecendo uma criança assustada. Richard deitou-se ao lado dela, por cima das cobertas, puxando-a para o seu peito.

​— Eu estou aqui — ele murmurou, acariciando o cabelo dela enquanto ela finalmente fechava os olhos, exausta de tanta dor. — Eu nunca mais vou deixar você sozinha, Elara. O império pode esperar. Eu cuido de tudo. Eu cuido de você.

​Ele ficou ali, vigiando o sono inquieto dela até que a respiração dela se estabilizasse. Richard sabia que o caminho para a cura seria longo, mas ele estava disposto a ser o alicerce dela, custasse o que custasse.