A Essência do Amor
17 A perda
O ar no laboratório da Lâfrer & Jones estava saturado com notas de sândalo e jasmim. Richard e Elara trabalhavam lado a lado, em um silêncio produtivo que só os parceiros de longa data conseguem sustentar. Eles testavam a estabilidade de uma nova essência que prometia ser o marco da nova gestão. Richard observava Elara manusear uma pipeta com a precisão de uma mestre, admirando como ela parecia ter florescido desde que assumira o cargo de CEO Executiva.
O toque estridente do celular de Elara, quebrando a harmonia do ambiente, pareceu um presságio ruim.
Ela limpou as mãos rapidamente e atendeu. Richard, que estava anotando os resultados no tablet, parou ao notar a mudança drástica na fisionomia dela. A cor sumiu do rosto de Elara em segundos, deixando-a com uma palidez cadavérica. O celular escorregou de seus dedos, batendo no chão emborrachado com um baque surdo.
— Elara? — Richard largou o tablet e deu um passo rápido em direção a ela.
Os olhos dela, antes focados e brilhantes, tornaram-se vazios, perdendo o foco. Os joelhos de Elara fraquejaram e ela começou a pender para o lado. Richard foi mais ágil, envolvendo-a pelos ombros e pela cintura antes que ela atingisse o solo.
— Respira, Elara! O que aconteceu? — ele perguntou, a voz carregada de uma preocupação que ele raramente demonstrava.
Ela se agarrou ao jaleco dele, os dedos cravando-se no tecido caro. A voz saiu como um sopro quebrado, desprovido de vida.
— Minha mãe... — ela engasgou, as lágrimas inundando seus olhos instantaneamente. — Ela se foi, Richard. O médico... ele disse que o coração simplesmente... parou.
Richard sentiu um frio glacial percorrer sua espinha. Ele sabia o quanto Elara lutara, o quanto ele investira nos melhores especialistas do mundo, nos tratamentos mais experimentais e caros de Nova York e da Europa. Eles achavam que o dinheiro e a ciência haviam vencido a morte, mas a biologia acabara de impor sua última e cruel lição.
— Não pode ser... nós fizemos tudo, Elara. Os melhores cirurgiões, os remédios... — Richard murmurou, mais para si mesmo, enquanto a apertava contra o peito.
— Não foi o suficiente — soluçou ela, enterrando o rosto no ombro dele, deixando o pranto fluir sem barreiras. — Todo o poder do mundo, toda essa empresa... nada disso conseguiu segurar a mão dela.
Richard a conduziu para a poltrona de couro no canto do laboratório, sentando-se com ela em seu colo, ignorando completamente as fórmulas de milhões de dólares que evaporavam nas bancadas. Ele a balançou levemente, sentindo a dor dela como se fosse a sua própria. Naquele momento, ele não era o CEO Chefe e ela não era a executiva implacável. Eram apenas dois seres humanos confrontando a única força que nenhum império químico poderia neutralizar: o luto.
— Eu estou aqui — sussurrou Richard, beijando o topo da cabeça dela, enquanto o cheiro das essências ao redor parecia, subitamente, perder toda a importância. — Eu não vou te soltar.
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