O quarto de hospital, antes preenchido apenas pelo bipe monótono dos aparelhos, foi palco de uma das conversas mais difíceis da história dos Lâfrer Jones. Richard, o homem que construiu um império sobre o controle e a rigidez, sentou-se ao lado da cama de Derick. O irmão parecia pálido, a vida por um fio de seda, e Richard percebeu que não suportaria perder sua "raiz" novamente.


​Richard segurou a mão de Derick, que abriu os olhos lentamente, ainda fraco.

​— Eu quase te perdi hoje — disse Richard, a voz embargada. — E percebi que o meu orgulho não vale a sua vida. Eu passei anos tentando ditar o que é certo e errado, mas o destino já escreveu a história de vocês dois.

​Derick tentou falar, mas Richard o impediu com um gesto suave.

​— Eu aceito, Derick. Aceito vocês. Mas não quero segredos, nem escândalos nos corredores. Se é para ser real, que seja com honra. Vocês vão se casar. James terá uma família completa sob este teto, e o mundo terá que aceitar os Lâfrer Jones como somos: intensos e indomáveis.

​Eloise, que estava parada na fresta da porta, sentiu o ar voltar aos pulmões. Ela entrou no quarto com o rosto banhado em lágrimas, mas desta vez eram de um alívio puro. Ela correu para os braços do pai, abraçando-o com um amor que não sentia há anos.

​— Obrigada, pai. Obrigada por nos enxergar — ela sussurrou, enquanto Richard a apertava, selando a paz entre gerações.

​O Casamento na Mansão

​Três meses depois, o jardim de Marianne estava em sua glória máxima. As flores que Eloise e Derick plantaram juntos formavam um corredor natural de cores e aromas que nenhum paisagista conseguiria replicar.

​Derick, com o coração monitorado e estabilizado, mas batendo forte de emoção, esperava no altar improvisado sob a grande laranjeira. Ele vestia um terno claro, e sua expressão não era mais a de um imperador de gelo, mas a do homem que finalmente encontrara seu lugar no mundo.

​Eloise caminhou em direção a ele, conduzida por Richard. Ela usava um vestido de seda fluida que parecia feito de pétalas. James, o pequeno "herdeiro de vidro" que agora era puro sorriso, levava as alianças, correndo pelo gramado e gritando "Papai!" e "Mamãe Lolo!".

​Sob o olhar emocionado de Elara, eles trocaram os votos. Não era apenas um casamento; era a fusão definitiva da ciência e da alma, do passado de dores e do futuro de esperança.

​Quando o celebrante os declarou unidos, o beijo que trocaram não foi mais escondido ou proibido. Foi o selo de uma nova era para a Lâfrer & Jones. Naquela tarde, o perfume que pairava sobre a mansão era a mistura perfeita de jasmim, terra e, finalmente, a paz.