A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
25 Epílogo: O Sal e a Semente
O som das ondas do mar quebrava suavemente na areia dourada, um ritmo muito mais tranquilo do que as batidas aceleradas que um dia quase silenciaram o coração de Derick. Dois anos haviam se passado desde o casamento na mansão, e a família Lâfrer Jones finalmente desfrutava da bonança após a tempestade.
A praia particular da família estava banhada pelo sol morno do fim de tarde. Richard e Elara caminhavam pela beira da água, de mãos dadas, observando com orgulho a cena que se desenrolava à frente. Richard não carregava mais o peso do mundo nos ombros; o império estava sólido, mas sua alma estava, enfim, leve.
James, agora um menino enérgico e bronzeado pelo sol, corria com um baldinho de areia, tentando construir o que ele chamava de "castelo-laboratório". Ele parava a cada cinco minutos para mostrar uma conchinha a Derick, que estava sentado em uma cadeira de praia, lendo um livro de botânica avançada, mas com os olhos constantemente voltados para o filho.
Derick usava uma camisa de linho aberta, e a cicatriz discreta do monitor cardíaco sob a pele era apenas um lembrete de que ele sobrevivera para viver aquele momento. Ele estava em sua melhor fase: saudável, sereno e profundamente amado.
Eloise aproximou-se vinda da casa de praia, trazendo uma bandeja com sucos naturais. Ela sentou-se na areia ao lado de Derick, que imediatamente fechou o livro e passou o braço pelos ombros dela, puxando-a para um beijo calmo na têmpora.
— James, venha aqui um pouco — chamou Eloise, com a voz vibrando de uma emoção contida. — Papai, Mamãe, venham ver isso.
Richard e Elara se aproximaram, curiosos. James largou o balde e correu para o colo da "Mamãe Lolo", aninhando-se ali.
— Eu estava trabalhando em uma nova essência em Nova York antes de virmos para cá — começou Eloise, olhando nos olhos de Derick, que brilhavam com curiosidade. — Mas percebi que essa fragrância não pode ser engarrafada. Ela precisa de nove meses para ficar pronta.
O silêncio na praia foi substituído pelo som do entendimento. Derick paralisou, a mão que acariciava o ombro de Eloise tremendo levemente.
— Eloise... você está dizendo que...? — a voz dele falhou.
— James vai ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha — ela sorriu, as lágrimas de felicidade brilhando nos olhos. — A nossa família vai crescer. Teremos mais um Lâfrer Jones para cuidar desse jardim.
Elara soltou um grito de alegria e abraçou Richard, que ria abertamente, uma visão rara e maravilhosa. James, sem entender muito bem a biologia, mas sentindo a festa, começou a pular ao redor dos pais.
— Mais um nenê, papai? — perguntou o pequeno.
— Mais um nenê, meu campeão — respondeu Derick, puxando Eloise para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela enquanto as lágrimas caíam.
Naquela tarde, o perfume do mar se misturou ao cheiro da vida nova. O legado de Marianne estava seguro, não em frascos de vidro ou contas bancárias, mas no sangue que corria forte, na terra que florescia e no amor que, contra todas as probabilidades, provou ser a essência mais resistente de todas.
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