A Essência do Amor
14 Volatilidade e Sedução
O cenário para esse embate não poderia ser mais explosivo. A boate Obsidian, no subsolo de um arranha-céu em Manhattan, estava lotada com a elite da perfumaria mundial. Batidas graves de música eletrônica faziam o ar vibrar, e as luzes neon cortavam a penumbra, criando uma atmosfera de luxo e pecado.
Richard avistou Elara no camarote VIP. Ela brilhava em um vestido de paetês prateados que parecia uma armadura líquida. O olhar dela cruzou o dele por cima da taça de dry martini, e houve um desafio silencioso no ar. Sem pedir licença, Richard subiu os degraus e parou diante dela.
— Uma dança, CEO Jones. Ou seus novos protocolos de segurança proíbem contato com o passado? — a voz de Richard saiu rouca, competindo com o som da boate.
Elara deu um sorriso de lado, entregando a taça para um garçom.
— Protocolos existem para serem testados, Lâfrer. Vamos ver se você ainda consegue acompanhar o meu ritmo.
Eles desceram para a pista. No momento em que as mãos de Richard tocaram a cintura dela e Elara sentiu o calor do corpo dele contra o seu, a máscara de frieza de ambos começou a trincar. A dança não era um movimento de celebração, era uma luta corporal disfarçada de ritmo.
— Você está jogando um jogo perigoso com a Sterling, Elara — sibilou Richard ao pé do ouvido dela, apertando-a um pouco mais. — Julian vai te descartar assim que conseguir as minhas patentes através de você.
— Você fala de descarte como se fosse um especialista, não é? — ela rebateu, cravando as unhas nos ombros do terno dele. — Diferente de você, o Julian me deu as chaves do reino. Você só me deu um jaleco e ordens de silêncio!
— Eu te dei a vida da sua mãe! — Richard explodiu, o rosto a centímetros do dela, os olhos faiscando de ódio e desejo.
— Você comprou o meu silêncio com aquela cirurgia! Mas esqueceu que eu sou a melhor química que você já viu. Eu transformei aquele "investimento" em cinzas no momento em que te superei!
A briga continuou entre passos e giros, verdades sendo cuspidas como veneno enquanto a tensão sexual se tornava insuportável. O ódio que sentiam um pelo outro era a única coisa tão forte quanto a atração que tentavam negar. No meio de uma frase interrompida, Richard a puxou para fora da pista, atravessando o corredor escuro em direção à saída privativa.
No quarto da cobertura do hotel de luxo, a guerra mudou de campo. Não houve palavras gentis, apenas a urgência de meses de repressão. Roupas de grife foram deixadas pelo caminho como destroços de uma batalha. Naquela cama de lençóis de seda egípcia, o "homem de gelo" e a "mulher de ferro" se desintegraram. Por algumas horas, Richard não era o magnata e Elara não era a CEO; eram apenas dois sobreviventes encontrando calor no único lugar que conheciam: um no outro.
A luz cinzenta da manhã de Nova York entrou pelas frestas da cortina automática. Richard acordou sentindo o peso do corpo relaxado, um sentimento de paz que nunca experimentara. Ele se virou para o lado, esperando encontrar Elara, mas ela já estava de pé, de costas para ele.
O som do zíper do vestido de paetês subindo foi como um tiro no silêncio do quarto.
— Elara... — Richard chamou, a voz ainda pesada de sono.
Ela terminou de calçar os saltos altos, ajeitou o cabelo no espelho com uma precisão cirúrgica e só então se virou. O olhar que ela lançou para ele era tão gélido quanto o gelo de um laboratório. Não havia rastro da paixão da noite anterior.
— Foi um erro tático, Richard — disse ela, a voz perfeitamente estável, enquanto pegava sua bolsa de grife. — Uma liberação de dopamina causada pelo estresse do evento. Nada que uma dose de café forte não resolva.
Richard sentou-se na cama, o peito nu, sentindo o golpe.
— Um erro? Depois de tudo o que aconteceu aqui? Você vai agir como se fôssemos estranhos de novo?
Elara caminhou até a porta, parando por um segundo com a mão na maçaneta.
— Nós somos estranhos, Richard. A diferença é que agora eu conheço suas fraquezas físicas também. Não se atrase para a reunião de conselho às dez. A Sterling vai fazer uma oferta de compra pela sua filial na Europa, e eu pretendo ser implacável na negociação.
— Você não pode estar falando sério...
— Bom dia, Senhor Lâfrer — cortou ela, sem olhar para trás.
A porta se fechou com um clique seco. Richard ficou ali, sozinho na imensidão da cama desfeita, percebendo que Elara Jones tinha aprendido a lição dele bem demais: ela agora sabia usar as pessoas e ir embora sem deixar rastros, exatamente como ele fizera a vida inteira.
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