A Essência do Amor
15 O Preço do Orgulho
A sala de reuniões no topo do World Trade Center tinha uma vista de 360 graus para Manhattan, mas Richard só conseguia olhar para a cabeceira da mesa. Elara estava lá, impecável em um terninho cinza-chumbo, sem um fio de cabelo fora do lugar. Não havia um resquício de vulnerabilidade em seu rosto que lembrasse a mulher que estivera em seus braços poucas horas antes.
Richard tentou capturar o olhar dela, mas Elara folheava os relatórios com uma indiferença profissional que o sufocava.
— A pauta de hoje é simples — começou Julian Sterling, com um sorriso vitorioso. — A Sterling Global deseja adquirir 60% das operações da Lâfrer na Europa. Richard, você está perdendo mercado e nós temos a logística. É uma saída honrosa.
Richard respirou fundo, tentando manter a voz firme.
— Eu não vendo o que construí do zero, Sterling. E muito menos para você. Elara, você sabe que essa fusão vai destruir a identidade das fragrâncias que nós... que você ajudou a criar. Podemos encontrar outra saída. Uma parceria, talvez?
Ele fez uma pausa, os olhos suplicantes.
— Elara, por favor. Vamos conversar sobre isso como pessoas que se conhecem.
Elara finalmente levantou os olhos do tablet. O olhar era tão afiado quanto um bisturi, desprovido de qualquer nostalgia ou complacência.
— "Pessoas que se conhecem", Senhor Lâfrer? — a voz dela ecoou pela sala, fria e precisa. — O senhor se esquece de que, no mundo dos negócios, o conhecimento mútuo serve apenas para identificar os pontos fracos do oponente. E eu conheço todos os seus.
Richard sentiu o sangue fugir do rosto. Os outros acionistas na mesa permaneceram em silêncio absoluto.
— A resposta para a sua contraproposta de "parceria" é não — continuou ela, fechando o tablet com um estalo seco que pareceu um tiro no silêncio da sala. — A Sterling não faz parcerias com empresas estagnadas. Nós absorvemos o que é útil e descartamos o que é obsoleto.
— Elara, você não pode estar falando sério... — Richard começou, levantando-se da cadeira.
— Eu nunca falo nada que não pretenda cumprir — interrompeu ela, levantando-se com uma elegância predatória. — Aqui está a nossa oferta final: 450 milhões de dólares pelo controle total das operações europeias. O senhor tem 24 horas para assinar. Se não o fizer, iniciaremos uma aquisição hostil que deixará a sua sede no Brasil em ruínas.
Ela pegou sua bolsa de grife sobre a mesa.
— Julian, termine os trâmites. Eu tenho um compromisso na minha residência que não pode esperar.
— Elara, espere! — Richard deu um passo em direção a ela, mas os seguranças da Sterling se posicionaram discretamente entre os dois.
Ela parou à porta e olhou para ele por cima do ombro. O olhar era vazio, como se ele fosse apenas um detalhe irrelevante na paisagem.
— O tempo de esperar acabou no dia em que o senhor me deu o meu primeiro jaleco, Richard. Agora, eu sou quem dita o tempo.
Sem olhar para trás, ela saiu da sala, os saltos batendo com autoridade no chão de mármore. Richard ficou ali, parado, cercado por executivos que o olhavam com piedade ou desprezo. Ele percebeu que ela não estava apenas comprando a empresa dele; ela estava apagando o último vestígio de controle que ele achava que tinha sobre a vida dela.
Minutos depois, Elara já estava dentro de seu carro blindado, a caminho de sua mansão no Upper East Side. Ela observava as luzes de Nova York passarem pela janela, com a mão apertando o braço do banco de couro. Por dentro, seu coração martelava contra as costelas, mas seu rosto permanecia uma máscara de mármore.
Ao entrar nos portões de sua propriedade, ela foi recebida pelo mordomo.
— Gostaria de algo, senhora Jones?
— Apenas silêncio — respondeu ela, subindo as escadas sem olhar para ninguém.
Ela entrou em sua biblioteca, fechou a porta e encostou a cabeça na madeira fria. O cheiro de Richard ainda parecia impregnado em sua memória, mas ela o sufocou com o peso da sua nova realidade. Ela tinha o dinheiro, tinha o poder e tinha a vingança. Mas, enquanto caminhava pela mansão imensa e silenciosa, percebeu que o topo da montanha era exatamente como Richard havia descrito: terrivelmente gelado.
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