A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
23 Mal súbito
O aroma de jasmim e terra molhada na estufa era quase inebriante, mas para Eloise e Derick, o ar estava carregado de algo muito mais denso: o peso de anos de desejo reprimido. Entre os frascos de ensaio e as mudas que Marianne tanto amava, os dois finalmente baixaram a guarda. O que começou como uma discussão técnica sobre uma nova extração terminou em um beijo desesperado, uma colisão de almas que tentavam ignorar os rótulos de "tio" e "sobrinha".
— Eu não consigo mais fingir, Derick... — sussurrou Eloise contra os lábios dele.
— Nem eu — ele respondeu, a voz rouca.
O estalo de um galho seco na entrada da estufa os separou. Richard estava parado ali, a silhueta rígida contra a luz do entardecer. O rosto do patriarca estava desfigurado por uma mistura de choque e fúria.
— O que é isso? — a voz de Richard saiu como um trovão contido. — Na casa da minha mãe? Com o meu próprio irmão?
Eloise deu um passo à frente, protegendo Derick com o próprio corpo. A mansidão dos últimos meses desapareceu, dando lugar à herdeira indomável.
— É amor, pai! Algo que você tentou enterrar em todos nós! — ela gritou, as lágrimas de raiva transbordando. — Se você não aceitar que o que sentimos é real e mais forte que qualquer árvore genealógica, eu juro por tudo o que a vovó Marianne construiu: eu vou embora hoje. E desta vez, eu não volto para Nova York. Eu desapareço da sua vida para sempre!
Elara entrou correndo na estufa, tendo ouvido os gritos. Ela se colocou entre Richard e Eloise, tentando segurar os braços do marido.
— Richard, por favor! Eloise, acalme-se! — implorava Elara. — Não vamos destruir a família de novo!
No canto, Derick começou a respirar com dificuldade. O som era sibilante, um esforço descomunal para puxar o ar. Ele levou a mão ao peito, cambaleando. Richard, ainda cego de raiva, nem percebeu de imediato, mas Eloise sentiu o baque.
— Derick? — ela se virou, vendo o tio desfalecer.
Ele caiu de joelhos antes de desmaiar completamente nos braços dela. O caos se instalou. Richard, saindo do transe da fúria, correu para ajudar o irmão enquanto Elara ligava para a emergência.
No Hospital
Horas depois, o corredor branco e frio do hospital era o cenário da espera angustiante. Richard estava sentado com a cabeça entre as mãos, o silêncio sendo interrompido apenas pelo som dos seus próprios pensamentos torturados. Eloise não falava com ninguém, os olhos fixos na porta da UTI.
O médico finalmente apareceu.
— A crise de ansiedade foi apenas o gatilho — explicou o Dr. Arantes, com gravidade. — Os exames revelaram uma cardiomiopatia hipertrófica severa. É uma condição congênita silenciosa. O coração de Derick está operando no limite. Qualquer estresse extremo, como o de hoje, pode ser fatal.
Eloise sentiu o mundo girar.
— O que o senhor está dizendo? — perguntou Richard, a voz fraca.
— Estou dizendo que ele tem uma falha estrutural no coração que pode causar uma morte súbita a qualquer momento. Ele precisa de repouso absoluto e, possivelmente, de um transplante futuro. Mas, por enquanto, ele é uma bomba-relógio emocional.
Eloise olhou para o pai. O desafio de minutos atrás na estufa agora era uma súplica silenciosa. O amor deles não era mais apenas um escândalo; era, literalmente, uma questão de vida ou morte. Se Richard continuasse a guerra, ele poderia enterrar o irmão que acabara de recuperar.
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