A Esposa Perfeita
10 Paris sempre é uma boa ideia
Notas iniciais
O som do jatinho não era alto, era constante, suave e quase hipnótico. Diferente de qualquer coisa que Bella já havia experimentado antes.
Ela estava sentada próxima à janela, os dedos deslizando com cuidado pelo acabamento impecável do braço da poltrona, como se ainda não confiasse completamente que aquilo era real. O interior da aeronave não tinha nada da frieza metálica que ela associava a aviões comuns, pelo contrário, havia uma sensação de conforto silencioso, quase íntimo, com tons neutros, iluminação indireta e um perfume leve no ar que lembrava algo caro demais para ser identificado com precisão.
Ela observava tudo, absorvia e , ainda assim…parecia deslocada.
— Você pode tocar — disse Edward, quebrando o silêncio, a voz baixa, carregada de um leve traço de humor enquanto observava a forma cuidadosa com que ela explorava o espaço — Não vai quebrar.
Bella virou o rosto lentamente na direção dele, os olhos ainda carregando aquele misto de curiosidade e incredulidade.
— Eu sei… — murmurou — Só não parece… meu.
Edward inclinou levemente a cabeça, apoiando o braço no encosto.
— E desde quando precisa ser?
Ela sustentou o olhar por um segundo e desviou.
— Desde sempre.— Confessou.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável.
Mas foi… revelador.
Durante o voo, o tempo pareceu passar de forma diferente, mais lento e muito leve.
Bella se permitiu relaxar aos poucos, primeiro soltando os ombros, depois descruzando as mãos, até finalmente se recostar de verdade na poltrona, deixando que o corpo encontrasse conforto naquele espaço que antes parecia distante demais da sua realidade. Edward a observava sem pressa, com uma atenção que não era invasiva, mas também não era casual, havia algo ali, um interesse genuíno, silencioso, que ele não fazia questão de esconder completamente.
— Você sempre viaja assim? — perguntou ela em determinado momento, virando o rosto na direção dele.
— Não.—Edward arqueou levemente a sobrancelha, dando uma pausa e sorrindo torto. — Só quando preciso impressionar.
Bella soltou um pequeno riso, quase automático.
— Está funcionando.— disse rindo.
Ele sorriu de lado.
— Eu sei.— disse dando uma piscadela.
E, pela primeira vez desde que tudo aquilo começou…
não havia tensão.
Paris os recebeu com uma luz diferente.
Era suave, quase dourada.
Como se a cidade tivesse sido filtrada por uma camada invisível que transformava tudo em algo mais bonito do que deveria ser. As ruas eram vivas, mas não caóticas, havia movimento, mas também havia ritmo, e cada detalhe parecia carregar história, desde os prédios antigos até os pequenos cafés que se espalhavam pelas esquinas, convidando quem passava a desacelerar.
Bella parou por um segundo ao sair do carro, respirou fundo e fechou os olhos sentindo aquele lugar mágico.
— Isso é… — começou ela, mas não terminou.
Edward a observou.
— Real?
Ela assentiu, abrindo os olhos novamente.
— Mais do que eu imaginava.
Ele deu um passo mais próximo.
— Você ainda não viu nada...
A primeira parada foi simples e , justamente por isso…
perfeita.
Uma pequena cafeteria de esquina, com mesas espalhadas pela calçada, cadeiras delicadas e um aroma constante de café fresco e massa folhada recém-assada que parecia envolver todo o ambiente. Bella sentou-se ainda olhando ao redor, como se estivesse tentando registrar cada detalhe antes que desaparecesse, enquanto Edward fazia o pedido com naturalidade, claramente acostumado àquele tipo de lugar.
Quando os croissants chegaram, ainda quentes, com uma camada leve de açúcar e manteiga derretendo de forma quase imperceptível, Bella levou um pedaço à boca e fechou os olhos automaticamente.
— Isso é… absurdo de tão gostoso — murmurou.
Edward apoiou o queixo na mão, observando.
— Você diz isso pra tudo.— rindo dela se deliciando com o croissant.
Ela abriu os olhos, encarando ele.
— Não mesmo, Edward— diz o encarando ofendida. — Só pra coisas que valem a pena.
E, por um instante…o olhar dele demorou mais do que deveria.
O passeio de vespa veio depois.
Impulsivo...Inesperado... e perfeito.
— Você só pode estar maluco,não vai fazer isso — disse Bella, cruzando os braços, mas já sorrindo.
Edward segurou o capacete, arqueando a sobrancelha.
— Vamos sim, meu anjo— disse com um sorriso sacada tomando conta de todo seu rosto.
— Eu não vou… — Bella murmurou, fazendo um biquinho involuntário enquanto evitava olhar diretamente para ele.
Ele se aproximou e segurou a mão dela.
— Confia em mim.— disse acariciando a mão dela com o dedão em círculos.
Ela hesitou, por meio segundo e então subiu.
O vento batia no rosto dela enquanto atravessavam as ruas de Paris, passando por pontes, cafés, turistas, moradores, tudo em movimento constante, mas com uma leveza que fazia parecer que o mundo havia diminuído de velocidade apenas para eles. Bella segurava Edward pela cintura, primeiro com cautela… depois com firmeza, e em pouco tempo, o riso escapou sem controle, leve, verdadeiro, livre.
E ele ouviu e sorriu.
A Torre Eiffel surgiu no horizonte como algo quase irreal.
Imponente.
Elegante.
Silenciosa.
Bella desceu da vespa devagar, os olhos fixos na estrutura à frente, como se estivesse diante de algo que só existia em fotos até aquele momento.
— Eu não acredito… — murmurou.
Edward não respondeu imediatamente.
Porque ele não estava olhando para a torre.
Estava olhando para ela.
— Eu trouxe você aqui… — disse ele, por fim, a voz mais baixa— Mas não era isso que eu queria ver.
Bella virou o rosto lentamente.
E, por um segundo…o mundo pareceu pequeno demais.
O Louvre foi diferente.
Mais leve.
Mais divertido.
Mais deles.
Bella estava com a câmera nas mãos, andando entre as salas com curiosidade genuína, parando diante de obras, mas também desviando o olhar para Edward com frequência, como se ele fosse tão interessante quanto qualquer peça exposta ali. Ela tirava fotos dele distraído, caminhando, observando, falando, e em cada clique havia algo que ela não tentava esconder: atenção.
— Para de me fotografar — disse ele, em tom baixo, mas com um sorriso contido.
— Não mesmo — provocou ela tirando mais uma foto dele.
— Eu estou falando sério.— ele disse tentando segurar o riso e forçando uma cara séria.
Ela levantou a câmera novamente.
— Eu também.— disse rindo e o clique veio rápido.— Você que fica bonito sem querer.
Edward riu.
Baixo.
— Isso foi uma cantada?— provocou sorrindo torto.
— Foi uma constatação.— Bella deu os ombros.
E então ele pegou o celular.
— Minha vez.— disse edward tirando várias fotos dela com o celular.
Bella tentou se virar, mas ele puxou a fazendo virar para a canera — Nem pensar...Agora você é a minha modelo...
Ele já estava fotografando.
E, pela primeira vez…ela não se escondeu.
Em um dos corredores mais vazios, o silêncio voltou.
Mas diferente, carregado de algo que eles nao entendiam... Algo tão íntimo, que chegava a assustar.
Bella abaixou a câmera lentamente, Edward se aproximo sem pressa ou aviso.
O espaço entre eles diminuiu de forma natural, como se nenhum dos dois tivesse realmente decidido aquilo, apenas… acontecido. Os olhos dela encontraram os dele, e dessa vez não havia brincadeira, não havia provocação, apenas algo silencioso, crescente, difícil de ignorar.
Ele inclinou levemente o rosto e ela não recuou.
E, por um segundo…foi suficiente.
Até que...
— EU SABIA QUE IA ENCONTRAR VOCÊS AQUI!— A voz de Alice cortou o momento como um estalo.
Bella piscou varias vezes sem entender e Edward se afastou um centímetro, fazendo o mundo voltar ao normal.
A família Cullen se aproximava deles e, com ela…a realidade.
Mas algo havia mudado, porque, mesmo com tudo ao redor voltando ao lugar…aquele momento ficou.
E nenhum dos dois…conseguiu fingir que não.
O hotel parecia mais um palácio do que qualquer outra coisa.
A fachada imponente, iluminada por uma luz dourada suave, contrastava com o céu que já começava a escurecer, criando uma cena quase cinematográfica, como se Bella tivesse entrado em um daqueles lugares que só existiam em filmes. O carro parou diante da entrada principal, e antes mesmo que ela pudesse reagir completamente, um funcionário já estava abrindo a porta, oferecendo a mão com uma cortesia impecável.
Bella saiu devagar, observando e absorvendo.
O chão de mármore refletia os lustres gigantescos no teto, o perfume do ambiente era leve, sofisticado, e havia um silêncio elegante ali, mesmo com o movimento constante de pessoas entrando e saindo. Tudo parecia caro. Tudo parecia distante.
E, ainda assim…ela estava ali ao lado dele.
— Você vai ficar me olhando assim a noite inteira? — murmurou Edward, ao perceber a forma como ela analisava cada detalhe.
Bella soltou uma pequena respiração.
— Eu só estou tentando entender onde exatamente você me trouxe.
Ele inclinou levemente o rosto.
— Para um lugar onde você deveria estar.
Ela não respondeu, mas sentiu o peso daquilo.
O quarto…não era um quarto.
Era um espaço inteiro.
Amplo, iluminado por janelas gigantes que revelavam a cidade ao fundo, com detalhes clássicos misturados a um luxo moderno que parecia pensado nos mínimos detalhes. Havia uma sala de estar, uma mesa preparada, flores frescas, e ao fundo…a cama.
Grande demais.
Perfeita demais.
E completamente impossível de ignorar.
Bella parou.
Literalmente.
Os olhos fixos nela.
— Não… — murmurou, quase automaticamente.
Edward fechou a porta atrás deles com calma, observando a reação dela com um leve traço de diversão no olhar.
— Não… o quê?
Bella virou o rosto lentamente.
— A gente não vai… — começou, mas parou no meio da frase, claramente sem saber como terminar.
Edward deu alguns passos na direção dela.
Sem pressa.
— Dormir? — completou ele, com naturalidade.
Ela cruzou os braços, tentando parecer mais firme do que estava.
— Juntos?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— É um quarto só, Bella.
Silêncio.
Ela engoliu em seco.
— Você fez isso de propósito.
Ele sorriu.
Lento.
Perigoso.
— Não se preocupe, Bella… — murmurou, aproximando-se o suficiente para que a voz saísse mais baixa — Eu não mordo.
Os olhos dele percorreram o rosto dela lentamente fazendo o coração dela saltar no peito.
— Só se você pedir...
O coração dela falhou um compasso, como se o corpo tivesse esquecido por um segundo como continuar funcionando com ele tão perto.
— Você é impossível — murmurou, desviando o olhar.
— Você que é muito fácil de provocar.— disse ele rindo.
A noite veio de forma mais silenciosa do que Bella esperava.
Depois do banho, depois de trocar de roupa, depois de tentar ignorar a presença constante dele no mesmo espaço, ela finalmente se permitiu deitar. De um lado da cama. O mais afastado possível. Como se a distância fosse suficiente para manter tudo sob controle.
Edward entrou no quarto alguns minutos depois, mais casual e … humano...
Sem o terno, sem aquela a postura rígida, sem aquele jeito soberbo e irritante.
Aquilo de alguma forma, era mais perigoso do que ela esperava.
Ele deitou ao lado dela com naturalidade, ajustando o travesseiro, puxando o lençol, como se aquilo fosse completamente normal.
Como se eles já tivessem feito aquilo antes.
Bella ficou imóvel por alguns segundos.
— Você sempre é assim tranquilo? — murmurou, olhando para o teto.
— Só quando não tem motivo pra não ser.
Ela virou o rosto.
— Isso é um motivo.
Ele olhou para ela.
— É?
Silêncio.
— Você está nervosa — disse ele, mais baixo.
— Não estou.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Está sim.
O espaço diminuiu.
— Edward…
— Relaxa — murmurou ele — Eu não vou fazer nada que você não queira.
Pausa.
Mais suave.
— Eu prometo.
E, pela primeira vez…ela acreditou.
O sono veio aos poucos.
Misturado com o cansaço.
Com o dia longo.
Com tudo o que ela ainda não tinha conseguido processar.
E, em algum momento…a distância deixou de existir.
Quando Bella abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi calor e então…peso.
O braço dele estava ao redor dela, firme, natural, como se aquele fosse o lugar mais óbvio do mundo. O corpo dele estava próximo, a respiração lenta, tranquila, batendo de leve contra o pescoço dela.
E ela…não se afastou.
Por um segundo.
Dois.
Três.
Apenas ficou ali.
Sentindo.
Até perceber que…não queria sair dos braços dele.
O dia seguinte foi leve.
Surpreendentemente leve.
A família já os esperava, e o clima, diferente de qualquer outro encontro anterior, parecia menos formal, mais solto, como se Paris tivesse quebrado uma camada invisível entre todos eles.
Alice estava animada como sempre, puxando Bella de um lado para o outro, mostrando lojas, comentando sobre roupas, rindo alto demais, enquanto Esme caminhava ao lado delas com um sorriso constante, observando tudo com carinho evidente.
Carlisle conversava com Edward, mas seus olhos frequentemente se desviavam para Bella, como se ainda estivesse confirmando a própria impressão.
E Jasper…observava...Como sempre.
— Interessante — murmurou ele em determinado momento, aproximando-se de Edward — Você parece… diferente.
Edward não olhou para ele.
— Talvez eu esteja.— respondeu dando os ombros.
— Ou talvez esteja atuando melhor— provocou Jasper.
O clima mudou sutilmente e Carlisle interveio antes que aquilo crescesse.
— Jasper — disse, com calma — não é o momento para isso, aproveite a vista da cidade do amor com a sua esposa.
Jasper recuou, mas não desistiu.
Bella estava mais à frente, câmera nas mãos.
E aquilo…era ela.
De verdade.
Ela fotografava tudo. A cidade, os detalhes, as pessoas… e, principalmente, eles. A forma como Alice ria, como Esme tocava o braço de Carlisle, como Edward olhava quando achava que ninguém estava vendo.
Ela registrava momentos.
Sem perceber…que também fazia parte deles.
— Agora vocês — disse ela, apontando a câmera para a família.
Alice já se posicionou.
— Finalmente, uma foto descente de familia! — comemorou Alice
Bella riu, ajustando o foco.
— Não se mexe.— disse ela sorrindo.
O clique veio.
Perfeito.
— Mais um.
Outro clique.
E então…Alice pegou a câmera da mão de Bella.
— Minha vez.— cantarlou divertida.
Bella tentou protestar.
— Alice—
— Sem discussão.— disse sorrindo autoritária.
Ela puxou Bella para perto de Edward, posicionando os dois com rapidez.
— Fiquem naturais...mostrem o amor...
Edward olhou para Bella.
Bella olhou para ele.
E, dessa vez…não houve esforço.
Não houve atuação.
Apenas proximidade.
Real.
Edward deslizou a mão até a cintura dela.
Puxou.
E antes que ela pudesse pensar…beijou.
De verdade.
Profundo.
Calmo.
Intenso.
A Torre Eiffel ao fundo.
O vento leve e o clique perfeito.
E, pela primeira vez…não foi uma mentira.
Foi escolha.
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