A Esposa Perfeita

7 O peso da perfeição


A segunda-feira amanheceu com uma serenidade enganosa, como se o mundo tivesse decidido oferecer uma pausa antes de cobrar pelas decisões tomadas no dia anterior. O prédio da Cullen Corporation erguia-se imponente contra o céu claro, suas paredes de vidro refletindo a cidade que pulsava ao redor, mas, por dentro, tudo seguia um ritmo muito mais controlado, quase clínico. Ali, cada movimento tinha propósito, cada palavra carregava peso e cada silêncio dizia mais do que qualquer discurso aberto.

Edward Cullen já estava no topo disso tudo.

De pé ao lado da mesa principal da sala de reuniões, ele mantinha a postura firme, os ombros alinhados e o olhar atento, como alguém que havia sido moldado para ocupar aquele espaço. O terno escuro caía perfeitamente sobre seu corpo, e seus movimentos eram precisos, econômicos, como se até mesmo o ato de respirar estivesse sob controle. Ainda assim, havia algo diferente naquela manhã, algo sutil, quase imperceptível, mas presente na forma como seus olhos demoravam um segundo a mais em certos pontos, como se sua mente estivesse dividida entre o presente e algo que insistia em voltar.

A reunião já havia começado quando Carlisle Cullen decidiu mudar o rumo da conversa.

Sentado na cabeceira da mesa, ele mantinha a elegância tranquila de sempre, mas havia um brilho diferente em sua expressão, um orgulho contido, mas visível para quem soubesse onde olhar. Seus dedos estavam entrelaçados sobre a mesa quando ele inclinou levemente o corpo para frente, atraindo a atenção dos demais membros do conselho sem precisar elevar a voz.

— Antes de avançarmos com os relatórios financeiros — começou ele, em tom calmo, porém firme — Acredito que seja pertinente compartilhar uma informação relevante sobre a imagem pública da empresa.

Os olhares se voltaram imediatamente para ele.

Edward não se moveu.

Mas sabia exatamente o que viria.

— Meu filho… — continuou Carlisle, com um leve sorriso que suavizava sua expressão — está em um relacionamento sério.

O murmúrio que percorreu a sala foi imediato, embora contido dentro da formalidade que aquele ambiente exigia. Alguns trocaram olhares discretos, outros demonstraram interesse mais evidente, inclinando-se levemente para frente.

— Isabella Swan — acrescentou Carlisle — Bella.

O nome foi repetido em silêncio por alguns ali, como se estivessem testando sua familiaridade.

— Tive a oportunidade de conhecê-la ontem — continuou ele, agora claramente mais envolvido — E devo dizer que fiquei profundamente impressionado.

Edward manteve o olhar fixo à frente, mas sua atenção estava completamente ali.

— Ela é educada, articulada, gentil… — prosseguiu Carlisle — E possui uma presença que não apenas complementa, mas eleva.

—Isso é… inesperado — disse um dos conselheiros mais antigos, cruzando as mãos sobre a mesa.

Carlisle assentiu levemente.

— Talvez — respondeu — Mas também extremamente bem-vindo.

Outro interveio:

— E ela compreende o ambiente corporativo?— perguntou.

— Mais do que aparenta à primeira vista.—Carlisle não hesitou em responder com um grande sorriso no rosto. — E acredito, sinceramente, que seja exatamente o tipo de mulher que pode estar ao lado de um CEO.

O silêncio que se seguiu não foi vazio, foi avaliativo e então veio a pergunta que consolidava o interesse:

— Teremos oportunidade de conhecê-la?

Carlisle sorriu olhando para Edward.

— Amanhã à noite — respondeu — Nas bodas de Felix e Heidi.

E foi nesse momento que a tensão mudou de direção.

— Rápido demais, não acha?— A voz de Jasper surgiu com uma suavidade que contrastava diretamente com o peso da observação.

Edward virou o olhar lentamente na direção dele.

Jasper estava recostado na cadeira, a postura relaxada demais para alguém que claramente não estava desatento. Seus olhos, claros e calculistas, observavam não apenas a situação, mas as reações, especialmente as de Edward.

— Às vezes, as decisões certas não precisam de tempo — respondeu Carlisle, com tranquilidade.

— Ou talvez apenas pareçam certas.—Jasper inclinou levemente a cabeça e murmurou.

O ar na sala pareceu mudar, sutilmente, mas o suficiente.

Edward interveio.

— Se você tem um ponto, Jasper… — disse ele, com a voz controlada, mas firme — Talvez seja mais produtivo expô-lo diretamente.


— Ainda não.—Jasper sorriu de leve, mas provocativo.— Estou apenas observando.

Edward sustentou o olhar por um segundo a mais.

— Continue assim — respondeu — E deixe as conclusões para quando tiver algo concreto, no lugar de falar besteiras.

O silêncio que se seguiu foi diferente, menos confortável e mais atento.

Quando a reunião terminou, Edward não perdeu tempo. Caminhou diretamente para seu escritório, mantendo o mesmo ritmo firme, mas agora com a mente claramente ativa, processando cada detalhe daquela interação. A porta se fechou atrás dele com um som suave, isolando-o do restante do andar.

Ele passou a mão pelos cabelos lentamente.

E então ouviu:

— Ele não acreditou na nossa história...

Emmett já estava ali, recostado na poltrona, como se tivesse assistido tudo de camarote.

Edward não respondeu de imediato.

— E você também sabe disso — continuou Emmett — O Jasper não compra nada sem investigar primeiro.

Edward caminhou até a mesa.

— Não importa, o que ele acha ou não acha.

— Importa sim — retrucou Emmett, inclinando-se para frente — Porque ele é o único que não quer acreditar, é a pedra no nosso caminho.

Antes que a conversa pudesse continuar, a porta foi aberta.

Leah entrou.

Impecável como sempre.

— Senhor Cullen… — disse ela, aproximando-se com passos precisos — Isso chegou para o senhor.

Ela colocou o objeto sobre a mesa, um porta-retrato e Edward reconheceu imediatamente a foto.

Ele e Bella.

Leah se retirou em silêncio.

E então…Emmett levantou-se, se aproximou observando e sorriu provocando o amigo.

— Nossa… — murmurou — já estão nesse nível?

Edward pegou o porta-retrato e observou a foto tocando a imagem... Aquilo parecia tão certo e tão perfeito.

— Tirando foto apaixonada pra decorar escritório… — continuou Emmett — Isso foi rápido, até parar você...Não esquece que o padrinho sou eu...

Edward não respondeu, mas não desviou o olhar e isso já dizia tudo.



O hospital tinha um ritmo completamente diferente, mais lento, pesado e real.

Bella caminhava ao lado de Rosalie com passos apressados, o coração batendo mais forte do que o normal, como se estivesse tentando antecipar algo que ela ainda não sabia se era bom ou ruim. O cheiro de desinfetante, as luzes brancas, o silêncio interrompido por sons de aparelhos, tudo aquilo já fazia parte da sua rotina, mas nunca deixava de causar impacto.

Quando entrou no quarto…parou.

Charlie estava acordado e bem melhor do que ela esperava, não completamente bem ou curado. Mas visivelmente melhor, do que a alguns dias atrás.

— Bells… — disse ele, com um sorriso mais firme.

Bella se aproximou rapidamente, segurando a mão dele.

— Oi, pai…— A voz dela saiu mais baixa e leve, quase em um sussurro.— Você tá melhor…

— Acho que sim — respondeu ele alegre — Os médicos estão mais otimistas.

E aquilo…aliviou.

Por um momento que parecia maior do que realmente era.

Bella respirou fundo.

— Eu tenho uma coisa pra te contar… — disse, hesitando.

— Isso nunca é bom sinal.—Charlie a observou franzindo o cenho e fazendo uma veia saltar em sua testa.

— Eu estou namorando… — Bella sorriu de leve, tentando sustentar a própria voz, enquanto evitava olhar diretamente para o pai.

Era difícil mentir para Charlie, ele a conhecia melhor do que qualquer pessoa e o silêncio foi imediato.

— O quê?— perguntou arqueando a sobrancelha.

Rosalie virou o rosto para o lado, segurando o riso.

— É sério — continuou Bella — O nome dele é Edward, ele é amigo do Emmett, o "amigo" da Rosie...

Charlie analisou.

— E ele é…?

— Empresário, de uma familia maravilhosa...

Pausa.

— E trata bem você?

Bella sustentou o olhar.

— Sim, como uma princesa.

Charlie assentiu.

— Então eu gosto dele.

Simples, direto e completamente sincero.

Bella sentiu o peso da mentira mais do que nunca. Doía não poder contar a verdade ao pai, mas ele era orgulhoso e surtaria se descobrisse a verdade.


Mais tarde, já em sua casa o telefone tocou enquanto ela saia do banho.

Ela atendeu sem ver quem era, praticamente no automático enquanto se enxugava.

— Alô

— Eu preciso de você amanhã à noite — disse ele, direto — Evento do conselho.

Bella fechou os olhos por um instante, reconhecendoa voz autoritaria do seu noivo.

— Oi para você também, Edward...

— Minha mãe e Alice vão te ligar — continuou — Você precisa estar perfeita.

Pausa e então…o tom dele mudou, mais suave e íntimo.

— Eu senti sua falta hoje, meu amor…Você não tem noção...

Bella franziu levemente a testa e entendeu, o que estava acontecendo

— Meu amor… — respondeu rindo, entrando no jogo.— Tem alguém ai com você...

— Eu amo você, Bella...Muito...Estou contando os segundos para ver você meu anjo...

O silêncio durou apenas um segundo.

— Meu anjo? Que patético, Edward...

A ligação foi encerrada.

E do outro lado…Carlisle estava na porta e sorria encarandoo filho.

— Ela parece especial — disse ele.

Edward permaneceu em silêncio por um instante.

— Ela é…


A porta do escritório ainda não havia sido completamente fechada. O movimento foi sutil, quase silencioso, Carlisle Cullen entrou com a mesma elegância contida que o acompanhava em todos os ambientes, como se até o espaço ao redor se ajustasse à sua presença. Seus olhos claros percorreram o escritório rapidamente, observando detalhes que, para outros, passariam despercebidos, até finalmente se fixarem no filho.

Edward ainda estava com o telefone na mão, mas não parecia realmente ali. Seu olhar estava distante, preso em algum ponto entre a imagem no porta-retrato sobre a mesa e as palavras que ainda ecoavam na própria mente.

— Eu ouvi o suficiente para entender — disse Carlisle, com um leve sorriso, aproximando-se devagar — E, devo admitir… você não costuma falar daquele jeito.

Edward soltou uma pequena respiração, colocando o telefone sobre a mesa com cuidado, como se aquele simples gesto exigisse mais atenção do que o normal.

— Ela é especial para mim, pai— respondeu ele, mantendo o tom neutro, mas sem sustentar o olhar do pai por muito tempo.

Carlisle inclinou levemente a cabeça, observando-o com mais atenção.

— Especial...— repetiu, quase como se testasse a palavra — Você finalmente encontrou o amor, está bem com isso?

Edward não respondeu imediatamente. Caminhou até a janela, apoiando uma das mãos no vidro enquanto observava a cidade abaixo, mas sem realmente enxergar nada. Havia uma inquietação ali, silenciosa, mas crescente, e por mais que tentasse ignorar, ela insistia em se fazer presente.

— O que você acha dela? — perguntou, finalmente, ainda de costas.

Carlisle não se apressou em responder. Deu alguns passos pelo escritório, parando próximo à mesa onde o porta-retrato estava apoiado. Pegou-o com cuidado, observando a imagem com um interesse genuíno.

— Eu acho… — começou ele, em tom tranquilo — Que você fez uma escolha muito melhor do que qualquer uma que já fez antes.

Edward virou o rosto levemente, mas não completamente.

— Ela é diferente — continuou Carlisle — E isso não passa despercebido.

Houve uma pausa breve.

— Sua mãe está encantada — acrescentou, com um leve sorriso — e Alice… bem, Alice já decidiu que Bella faz parte da família.

Edward soltou uma respiração baixa, quase imperceptível.

— E você? — perguntou, dessa vez virando-se completamente.

Carlisle sustentou o olhar do filho.

— Eu aprovo.

Simples, direto e suficiente para alterar algo no ambiente.

Edward passou a mão pelos cabelos lentamente, como se estivesse organizando pensamentos que ainda não estavam completamente formados.

— Eu estava pensando… — começou, hesitando pela primeira vez — Em pedir ela em casamento.

O silêncio que se seguiu não foi de surpresa.

Foi de confirmação.

Carlisle apenas assentiu.

— Não me surpreende — disse — E, honestamente, acho que você deveria.

Edward franziu levemente a testa, caminhando alguns passos pelo espaço.

— Isso está acontecendo rápido demais — murmurou, mais para si mesmo do que para o pai — Rápido até pra mim.

Carlisle apoiou-se levemente na mesa, cruzando os braços.

— Às vezes, quando é certo… — disse ele — Não existe tempo ideal.

Edward soltou um pequeno riso sem humor.

— Eu não sei se é isso.

Carlisle o observou com mais atenção agora.

— Então o que é?

Edward hesitou e então disse:

— Ela me faz sentir coisas… estranhas.

A palavra saiu quase com resistência, como se não estivesse acostumado a admiti-la.

Carlisle sorriu.

— Isso não é estranho — respondeu — Isso é amor, meu filho.

O silêncio voltou.

Mas dessa vez…mais pesado.

Edward desviou o olhar.

E, pela primeira vez…não contestou o que o pai estava falando, apenas absorveu.


Do outro lado da cidade, em um ambiente completamente diferente daquele escritório silencioso e controlado, Alice caminhava de um lado para o outro na sala de estar de seu apartamento, com o celular ainda na mão enquanto pensava em possibilidades, combinações e detalhes que, para ela, já faziam parte de um plano maior. A energia dela preenchia o ambiente, vibrante, leve, quase impossível de ignorar.

Jasper estava encostado próximo à janela, observando.

Não a sala, mas ela, sua esposa.

— Você está exagerando — disse ele, finalmente, com a voz baixa, mas firme.

Alice parou e virou-se lentamente.

— Sobre o quê exatamente? — perguntou, cruzando os braços, já antecipando o tom da conversa.

Jasper caminhou alguns passos em sua direção.

— Sobre ela.

Silêncio.

Alice inclinou levemente a cabeça.

— Você não gostou da Bella?

— Não é isso — respondeu ele — Eu não confio.

O ar mudou.

Sutilmente.

— Jasper… — começou Alice, com um leve suspiro — Você está vendo coisa onde não tem.

Ele riu de leve, mas sem humor.

— Eu vejo padrões, meu amor... — corrigiu — E isso não encaixa no padrão Edward Cullen.

Alice deu um passo na direção dele.

— Meu irmão está feliz e completamente apaixonado— disse ela sorrindo inocente.

— Ele está atuando, minha vida... — retrucou Jasper, direto.— O Edward não gosta dessa moça, ele só quer ser o CEO.

Silêncio, extremamente pesado ao ponto de fazed Alice estreitar os olhos.

— Você está sendo ridículo, Jazz— disse ela aborrecida com as colocações do marido.

— Não, Alie — disse ele — Eu estou sendo lógico e racional...

Ele se aproximou mais um pouco, agora com o olhar fixo no dela.

— Meu amor… — começou, mais baixo — O Edward nunca se apaixonou, isso não é perfil do seu irmão.

Pausa.

— Ele só andava com modelos… e garotas de programa, nunca repetia mulher, muita bebida, drogas, noitadas e irresponsabilidade escancarada...E do nada ele surge com uma namorada perfeita e uma imagem de bom moço?

As palavras ficaram no ar.

Cruas.

Diretas.

Alice sustentou o olhar por um segundo.

— Então talvez… — disse ela, mais firme agora — Seja exatamente por isso que você não sabe reconhecer que ele finalmente se apaixonou e encontrou a pessoa certa.

Jasper não respondeu.

Mas também não recuou.

E isso…era o problema.


No hospital, Bella ainda estava sentada ao lado do pai, segurando a mão dele enquanto observava os pequenos sinais de melhora que pareciam tão frágeis quanto preciosos. Rosalie havia se afastado por alguns minutos, dando espaço, e o silêncio ali não era desconfortável, era íntimo, carregado de tudo o que não precisava ser dito.

O celular tocou.

Bella olhou rapidamente para a tela.

Esme.

Ela hesitou por um segundo antes de atender.

— Oi Esme…

— Bella, querida — a voz de Esme veio suave, calorosa, quase reconfortante — Espero não estar atrapalhando.

Bella olhou para o pai.

— Não… de jeito nenhum.

— Eu queria falar com você sobre amanhã — continuou Esme — Pensei que poderíamos nos arrumar juntas.

Bella piscou, fingindo surpresa.

— Juntas?

— Sim — respondeu Esme, com leve entusiasmo — Alice também vai, claro… e eu adoraria ter você conosco.

Houve uma pausa breve.

Bella sentiu algo aquecer dentro do peito.

— Eu… adoraria.

Esme sorriu do outro lado da linha, mesmo sem ser vista.

— Perfeito, então está combinado. Vamos cuidar de tudo.

E Bella, pela primeira vez desde que tudo aquilo começou…não se sentiu completamente sozinha.


Enquanto isso, em um outro ponto da cidade, Edward ainda estava de pé diante da janela, o reflexo da própria imagem misturando-se ao da cidade ao fundo. A foto sobre a mesa permanecia ali, silenciosa, mas carregada de significado.

E, naquele momento…a maior ameaça não era Jasper, muito menos a mentira sobre a esposa perfeita.

Era o fato de que, aos poucos…ele já não sabia mais onde uma terminava…e a outra começava.


Notas finais
E então… 👀 A mentira está funcionando. Boa demais, perfeita demais... convincente o suficiente para encantar...perigosa o suficiente para despertar desconfiança Porque enquanto todos estão começando a acreditar nessa história…alguém está prestando atenção demais. E vocês sabem quem é. 😮‍🔥 Mas me contem: 💭 Vocês confiam no Jasper… ou acham que ele vai longe demais? 💭 O Edward está realmente no controle… ou já começou a se perder? 💭 E a Bella… até quando ela vai conseguir sustentar essa mentira sem se machucar? E a pergunta mais importante: quando a mentira começa a parecer real… ela ainda é só uma mentira? Comentem MUITO, quero ver teorias, surtos e palpites 👀✨ Porque no próximo capítulo… a Bella vai ser colocada à prova de verdade. Até lá 💍💔 (e cuidado… quanto mais perfeita a mentira, maior a queda)