A Esposa Perfeita

17 O Peso do Legado


Notas iniciais
Oi, meus amores… 🤍 Antes de tudo: VOCÊS SÃO INCRÍVEIS. A gente voltou para o 🥈 2º lugar no ranking do evento “A Mentira Perfeita” e isso só aconteceu por causa de vocês , cada comentário, cada compartilhamento, cada indicação… eu vejo tudo e sou MUITO grata de verdade 🥺✨ Mas ó… ainda não acabou 👀 Nosso objetivo é claro: voltar pro TOP 1 ou nos manter firmes no TOP 3 até o dia 01 de junho. E eu tô contando com vocês pra isso, hein? Agora sobre o capítulo… Se no 16 o amor sangrou…no 17 ele ganha um novo peso. Um peso bonito, perigoso e transformador. 👉 Quero saber antes de você começar: Você já percebeu que um simples segredo pode mudar TUDO nessa história? E se prepara porque estamos em MARATONA DE CAPÍTULOS de 04 a 16 de maio 🔥 Sim… isso mesmo. MUITO conteúdo vindo aí, então não desgruda da fic! E claro: 💬 comenta muito 📲 compartilha 💖 ajuda a nossa história a crescer dentro do evento Vocês são parte disso tanto quanto eu 🤍

Capítulo 17 — O Peso do Legado

A chegada de Carlisle Cullen à mansão naquela noite não foi precedida pelo habitual som suave de seu sedã executivo deslizando pelo cascalho, mas sim por uma aura de gravidade que parecia achatar o ar ao redor da propriedade. Quando a porta principal se abriu, o patriarca não trazia consigo a serenidade clínica que o tornara um dos médicos mais respeitados do país, mas sim uma fúria contida, traduzida no brilho gélido de seus olhos e no rigor de sua postura impecável. Edward, sentado no sofá da biblioteca com uma compressa de gelo sobre as costelas e Bella ao seu lado, tencionou cada músculo, esperando o início de uma reprimenda que parecia inevitável; afinal, ele havia agido contra todos os princípios de diplomacia que o pai lhe ensinara. Carlisle caminhou até o centro da sala, jogando sua maleta de couro sobre a mesa de centro com um baque surdo que ecoou como um disparo, e encarou o filho com uma intensidade que fez o silêncio se tornar quase insuportável por longos e tortuosos segundos de expectativa.

— Eu acabo de sair de uma conferência de emergência com os advogados da corporação e com o comitê de ética do hospital... — começou Carlisle, a voz baixa, vibrante e perigosamente controlada, enquanto retirava o paletó com movimentos bruscos que denunciavam seu estado de nervos. Edward abaixou o olhar, preparando-se para o sermão sobre decoro e controle emocional, mas as palavras que seguiram foram como um choque elétrico de alívio e surpresa. — Aquele canalha... Jasper ousou tentar usar os registros médicos de Charlie para me chantagear, acreditando que eu voltaria o conselho contra você, Edward, para "limpar" o nome da família. Ele não apenas traiu este sangue, ele violou o juramento sagrado da minha profissão ao tentar transformar a doença de um homem em munição corporativa. Minha fúria não é pelos seus punhos, meu filho, mas pela existência de um lobo que criamos em nosso próprio jardim e que agora tenta devorar as nossas fundações.

Edward ergueu o rosto, surpreso pela aliança implícita naquelas palavras; ele viu no pai não o juiz severo, mas o líder de um clã que finalmente havia decidido que a diplomacia tinha limites biológicos. Carlisle aproximou-se, examinando os ferimentos de Edward com mãos rápidas e profissionais, mas seus olhos permaneciam fixos nos do filho, selando um pacto de guerra que não precisava de contratos assinados.

— Nós vamos derrubá-lo, Edward. Não com socos em salas de reunião, mas com a precisão de um cirurgião removendo um tumor maligno. Vamos isolar cada ativo que ele possui, expor cada violação de confidencialidade e garantir que ele nunca mais possa se aproximar da Alice ou da Isabella. — Carlisle voltou-se para Bella, oferecendo um aceno de cabeça carregado de respeito e proteção. — Sinto muito por ter permitido que ele trouxesse aquela mulher para esta casa, Bella. Isso não se repetirá. Agora, somos nós contra qualquer um que tente nos fragmentar.

Alguns dias se passaram, carregados por uma calmaria tensa, como o silêncio que precede o olho de um furacão, até que a rotina na nova casa de Edward e Bella foi estilhaçada por uma batida desesperada na porta de carvalho. Alice entrou como um vendaval de nervos, seus olhos geralmente radiantes estavam agora obscurecidos por sombras de pânico e seus lábios tremiam violentamente enquanto ela apertava uma pequena bolsa de couro contra o peito. Ela não esperou por saudações; subiu as escadas em direção ao quarto principal, puxando Bella pelo braço com uma urgência que beirava a histeria, fechando a porta com um estrondo e trancando-a como se estivesse fugindo de um perseguidor invisível. O ar no quarto tornou-se rarefeito, saturado pelo medo visceral de Alice, que caminhava de um lado para o outro, os passos descalços abafados pelo tapete persa, enquanto as lágrimas finalmente começavam a sulcar sua maquiagem impecável.

— Eu não posso... eu não posso estar passando por isso agora, Bella, não com ele, não com tudo o que está acontecendo... — soluçou Alice, desabando no chão, encostada à porta do banheiro privativo, enquanto abria a bolsa e revelava uma caixa de teste de gravidez amassada. — Minha menstruação está atrasada há mais de dez dias, e eu sinto meu corpo diferente, pesado, como se houvesse uma âncora crescendo dentro de mim. Eu preciso saber, mas tenho tanto medo de que o resultado seja o meu veredito final. Se o Jasper descobrir que eu carrego um filho dele, ele nunca vai me soltar; ele usará esse bebê como uma corrente para me arrastar de volta para aquele inferno de manipulações e jogos de poder, e eu prefiro morrer a permitir que ele toque em uma criança nossa.

Bella ajoelhou-se ao lado dela, envolvendo-a em um abraço protetor, sentindo o tremor constante que emanava do corpo frágil da cunhada, enquanto tentava manter a própria voz firme para não sucumbir ao pânico que a situação exigia.

— Vai ficar tudo bem, Alice, nós vamos lidar com isso juntas, ele não vai saber de nada até que você decida o que fazer... — sussurrou Bella, guiando-a gentilmente para dentro do banheiro espaçoso, decorado com mármore Carrara e detalhes em bronze. — Faça o teste aqui, agora. Ninguém vai entrar, Edward ainda está na empresa e nós temos todo o tempo do mundo para processar o que quer que apareça naquela janela. Eu estou aqui, eu não vou te deixar sozinha nem por um segundo, eu juro por tudo o que é mais sagrado.

Minutos que pareceram séculos se arrastaram enquanto o silêncio do banheiro era interrompido apenas pelos soluços contidos de Alice. Quando ela finalmente saiu da cabine, segurando o pequeno bastão de plástico com as mãos trêmulas, a cor havia abandonado seu rosto completamente, deixando-a com uma palidez cadavérica que acentuava o desespero em seus olhos. Ela entregou o objeto a Bella, que olhou para a pequena janela de controle: duas listras rosadas, nítidas e cruéis em sua clareza, confirmavam o que ambas mais temiam naquele momento de fragilidade. Alice desabou nos braços de Bella, chorando por um futuro que agora parecia uma armadilha, implorando para que Edward não soubesse ainda, temendo que a fúria do irmão pudesse precipitar uma tragédia que nenhum deles seria capaz de conter.

Ao cair da noite, o som do motor do carro de Edward anunciou seu retorno, mas era um som cansado, desprovido da energia vibrante de semanas atrás. Ele entrou no escritório particular da mansão com os ombros curvados sob o peso invisível de um milhão de decisões corporativas e batalhas judiciais contra Jasper, soltando um suspiro longo enquanto afrouxava a gravata de seda preta. Edward caminhou até o bar de nogueira no canto da sala, servindo-se de uma dose generosa de whisky puro, o líquido ambarino refletindo a luz bruxuleante da lareira enquanto ele bebia o primeiro gole, sentindo o calor do álcool queimar sua garganta e tentar anestesiar a exaustão que parecia ter se infiltrado em seus ossos. Ele fechou os olhos por um momento, encostando a testa na madeira fria da estante, sentindo-se exausto não apenas fisicamente, mas emocionalmente exaurido pela guerra de atrito que sua vida havia se tornado.

Bella apareceu na porta do escritório, sua silhueta emoldurada pela luz suave do corredor, observando-o com uma mistura de adoração e tristeza por vê-lo tão desgastado pelo conflito familiar. Ela caminhou silenciosamente até ele, envolvendo seus braços ao redor de sua cintura e apoiando a cabeça em suas costas, sentindo a tensão nos músculos dele começar a ceder gradualmente diante de sua presença reconfortante.

— Você está carregando o mundo inteiro sozinho de novo, Edward... — disse Bella, sussurrando contra o tecido de sua camisa e sentindo o perfume de sândalo e cansaço que emanava dele. — Deixe-me cuidar de você um pouco. Eu preparei um banho de banheira com sais de epsom lá em cima, está perfeito, na temperatura exata para relaxar cada um desses nós que você criou nos ombros. Vá subindo, eu só vou pegar alguns morangos frescos e uma garrafa de água para você e já te encontro lá.

Edward virou-se em seus braços, depositando um beijo cansado mas profundo em sua testa, sentindo que aquela mulher era a única razão pela qual ele ainda conseguia manter a sanidade em meio ao caos.

— Você é a minha salvação, Bella, eu não sei o que seria de mim sem esse porto seguro que você construiu para nós... — murmurou ele, a voz rouca pela falta de uso e pelo desgaste das reuniões intermináveis. Ele subiu as escadas com passos lentos, sentindo o peso de cada degrau, e entrou no quarto principal, dirigindo-se ao banheiro onde o vapor perfumado já preenchia o ar, criando uma atmosfera de spa privativo que prometia o alívio que ele tanto buscava.

Edward retirou as roupas metodicamente, jogando-as sobre o banco de couro, e antes de entrar na água fumegante, sentiu uma pontada residual de dor nas costelas, herança da briga com Jasper. Ele abriu o armário de remédios, pegou a última cartela de Novalgina e extraiu o comprimido, engolindo-o a seco com uma careta de desconforto; de forma automática, ele amassou a cartela vazia e a jogou no pequeno cesto de lixo sob a bancada de mármore. Foi nesse instante que seus olhos, treinados para notar detalhes mínimos, captaram algo estranho: uma embalagem de papelão colorida, aberta e descartada de forma apressada, repousando sobre os descartes de algodão de Bella. Ele franziu a testa, a curiosidade despertando em meio à exaustão, enquanto reconhecia a marca do teste de gravidez que vira em comerciais, sentindo um solavanco súbito de adrenalina que dissipou qualquer vestígio de sono ou cansaço.

Ele entrou na banheira, mas sua mente não estava na água quente; ele ficou pensativo, o coração acelerando ritmicamente enquanto olhava para o teto, processando a possibilidade de Bella estar escondendo algo tão monumental dele. Foi então que, ao mover o braço para pegar a toalha na borda, ele viu: caído no chão, escondido sob a sombra da bancada, estava o bastão de teste que Alice deixara cair em seu desespero. Edward saiu da banheira com um movimento ágil, ignorando o frio do chão de mármore em seus pés molhados, e pegou o objeto com dedos trêmulos. Lá estavam elas: duas listras rosadas, vibrantes, evidentes e inegavelmente chamativas sob a luz forte do banheiro. Um sorriso lento, largo e transbordante de uma felicidade pura que ele nunca acreditara ser possível, iluminou seu rosto machucado; ele não pensou em Jasper, não pensou em Alice ou no contrato, mas sim na ideia de que Bella, a mulher que se tornara seu mundo, estava carregando um fruto daquele amor que começara como uma mentira e se transformara na sua única verdade absoluta. Ele permaneceu ali, nu e molhado, segurando o pequeno pedaço de plástico como se fosse o tesouro mais valioso do império Cullen, enquanto as lágrimas de alegria começavam a turvar sua visão.

Edward permaneceu paralisado por alguns segundos, o pequeno bastão de plástico comprimido entre seus dedos como se fosse um artefato sagrado capaz de redefinir as leis da física. O som abafado dos passos de Bella no corredor, acompanhado pelo leve tilintar de louça, agiu como um gatilho para sua consciência; ele precisava agir rápido, antes que a máscara de surpresa desse lugar a um questionamento precoce. Com o coração martelando contra as costelas, não mais de dor, mas de uma euforia ensurdecedora , ele se inclinou, devolvendo o teste de gravidez exatamente para o lugar onde o encontrara, sob a sombra discreta da bancada de mármore, e mergulhou novamente na banheira. A água quente envolveu seu corpo, mas o calor que ele sentia agora era interno, uma combustão espontânea de esperança que fazia seus olhos brilharem com uma intensidade predatória e terna. Quando a porta do banheiro se abriu e o vapor perfumado foi levemente cortado pela brisa do quarto, Edward já estava recostado contra o encosto de porcelana, os olhos fechados fingindo uma serenidade que ele estava longe de possuir, enquanto esperava pelo toque da mulher que ele acreditava carregar o futuro dos Cullen em seu ventre.

Bella entrou no ambiente segurando uma pequena bandeja de prata com morangos vermelhos e suculentos, além de uma garrafa de água mineral gelada, movendo-se com aquela graça silenciosa que sempre hipnotizava Edward. Ela depositou a bandeja na borda da banheira e sentou-se ao lado dele, começando a passar uma esponja macia pelos ombros largos do marido, seus movimentos carregados de uma dedicação que, aos olhos de Edward, agora ganhava um novo e profundo significado.

— Eu trouxe o que você pediu, mas parece que a água já começou a fazer o trabalho pesado de relaxar você... — disse Bella, sussurrando com um sorriso doce e passando os dedos molhados pelos cabelos acobreados de Edward, observando como ele parecia mais leve do que quando chegara da empresa. Edward abriu os olhos e a puxou para perto, selando seus lábios em um beijo que começou como um agradecimento e rapidamente evoluiu para uma urgência faminta. O contato da pele quente de Edward com a seda do roupão de Bella criou uma eletricidade estática no ar carregado de vapor; ele a trouxe para dentro da água, ignorando o fato de que ela ainda estava vestida, e ali, entre o aroma de sais de banho e o som da água transbordando, eles se entregaram um ao outro com uma paixão que transcendia o físico. Cada toque de Edward era uma celebração silenciosa, uma descoberta de novas curvas que ele imaginava estarem mudando secretamente, enquanto faziam amor com uma lentidão reverente, como se o tempo tivesse parado apenas para testemunhar a consagração daquela nova vida que ele tinha certeza que florescia nela.

Depois, enquanto descansavam abraçados na água que começava a esfriar, Edward traçou círculos imaginários no ventre de Bella, sentindo uma onda de ternura tão forte que quase o impediu de falar. Ele respirou fundo, tentando manter o tom de voz casual, embora seus olhos buscassem os dela com uma ansiedade mal disfarçada, ansioso para ouvir as palavras que confirmariam sua descoberta.

— Você parece estar guardando uma luz especial hoje, Bella... — começou Edward, a voz soando profunda e suave enquanto ele afastava uma mecha de cabelo molhado do rosto dela. — Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora? Alguém veio te visitar ou você tem alguma novidade, qualquer coisa que queira compartilhar comigo? Eu sinto que há algo diferente no ar, algo bom que você talvez esteja esperando o momento certo para me contar.

Bella hesitou por um milésimo de segundo, sua mente cruzando brevemente com a imagem de Alice desesperada e o segredo que jurara proteger com sua própria vida para evitar que Jasper descobrisse a gravidez da irmã. Ela forçou um sorriso calmo e balançou a cabeça, escondendo o rosto no pescoço de Edward para evitar que ele lesse suas mentiras.

— Não houve nada de extraordinário, Edward. Passei o dia cuidando das coisas da casa e conversando com a Sue sobre o jantar de amanhã... — respondeu Bella, sua voz saindo abafada e tranquila, embora seu coração batesse forte pela omissão necessária. — Não tenho novidades, apenas o cansaço normal de uma tarde produtiva. Por que a pergunta?

Edward sentiu uma pontada aguda de decepção atingir seu peito, uma tristeza súbita que esfriou o entusiasmo que o consumia; ele não entendia por que ela esconderia algo tão grandioso dele, especialmente depois da entrega absoluta que acabavam de compartilhar. Ele forçou um aceno de cabeça, mas o brilho em seus olhos diminuiu discretamente enquanto ele ajudava Bella a sair da banheira.

— Por nada, querida. Só achei que... — ele parou, decidindo que não era o momento de pressioná-la, mas a dúvida plantou uma pequena semente de mágoa em seu pensamento. — Só achei que hoje era um dia de boas notícias.

Durante a madrugada, o sono tornou-se um conceito impossível para Edward; ele permanecia deitado de costas, ouvindo a respiração rítmica de Bella ao seu lado, enquanto sua mente projetava imagens de um quarto de bebê, de passos pequenos ecoando pelos corredores da mansão e de uma criança que teria os olhos de Bella e o legado dos Cullen. A empolgação vibrava em suas veias como uma corrente elétrica de alta voltagem, transformando o cansaço da briga com Jasper em uma energia renovada e quase maníaca. Ele planejava o futuro, as precauções de segurança que precisariam ser triplicadas e a alegria que Carlisle e Esme sentiriam, rindo silenciosamente no escuro ao imaginar a cara de Jasper quando soubesse, erradamente, que ele, Edward, seria pai antes de qualquer um. O segredo que ele acreditava compartilhar com Bella, mesmo que ela ainda não o tivesse verbalizado, era o combustível que o mantinha acordado, ansioso pelo amanhecer.

Assim que os primeiros raios de sol começaram a romper a névoa persistente de Forks, Edward saltou da cama com uma vivacidade que não demonstrava há anos, movendo-se com cuidado para não despertar Bella. Ele desceu para a cozinha, onde o aroma de café fresco já começava a se espalhar, e encontrou Sue organizando as louças de prata para o desjejum. Edward começou a assoviar uma melodia clássica, quase cantarolando enquanto preparava uma bandeja especial com croissants, frutas vermelhas, mel e uma rosa colhida apressadamente no jardim interno.

— O senhor parece ter vencido a loteria ou descoberto a cura para todos os males do mundo, Sr. Cullen... — comentou Sue, soltando uma risada abafada e observando a animação incomum do patrão que costumava ser tão reservado e sério. — Nunca o vi cantarolando antes das sete da manhã, nem mesmo nos dias de fechamento de grandes contratos. O amor realmente faz milagres com o humor de um homem.

Edward sorriu de orelha a orelha, ajustando a bandeja com uma atenção meticulosa aos detalhes, sentindo-se como um garoto em seu primeiro encontro.

— O amor e as surpresas que a vida nos reserva, Sue. Hoje é um dia maravilhoso, apenas sinto isso em cada célula do meu corpo... — respondeu ele, pegando a bandeja e subindo as escadas com passos leves, sentindo que o peso do mundo havia sido substituído por uma leveza etérea. Ele entrou no quarto e encontrou Bella começando a despertar, os cabelos espalhados pelo travesseiro como uma moldura de seda escura, e depositou a bandeja sobre o colo dela, selando o momento com um beijo casto e cheio de promessas silenciosas, tratando-a como se ela fosse feita do cristal mais precioso do mundo.

Mais tarde, ao chegar na sede da Cullen Corporation, a aura de felicidade de Edward era tão palpável que os funcionários nos corredores paravam para olhar, estranhando o sorriso constante no rosto do homem que costumava inspirar temor pela sua rigidez. Emmett estava encostado na mesa da sala de reuniões, revisando alguns documentos de segurança, quando Edward entrou na sala com um andar quase saltitante, jogando a pasta sobre a mesa e rindo sem motivo aparente. Emmett arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços musculosos e encarando o irmão com uma expressão de absoluta incredulidade.

— Ok, Edward, ou você finalmente enlouqueceu de vez sob a pressão do Jasper, ou aconteceu algo que mudou o curso da história humana... — disse Emmett, rindo e balançando a cabeça diante do estado eufórico do irmão. — Você está explodindo de felicidade, cara. Dá pra ver da recepção do térreo. O que foi? O Jasper fugiu para o Alasca ou você comprou uma ilha particular?

Edward olhou para os lados, garantindo que a porta estivesse trancada, e aproximou-se de Emmett com um brilho vitorioso e emocionado nos olhos, a voz baixando para um sussurro carregado de uma glória incalculável.

— Eu encontrei um teste de gravidez no lixo do banheiro ontem à noite, Emmett... positivo, com duas listras que não deixam margem para erro... — revelou Edward, a voz embargada por uma emoção que ele mal conseguia conter. — A Bella está grávida. Eu vou ser pai, Emmett. Apesar de toda a guerra com o Jasper, apesar de tudo o que ele tentou destruir, eu e a Bella criamos algo que ele nunca vai poder tocar. Eu sou o homem mais feliz do mundo, e agora nada, absolutamente nada, pode me atingir.

Emmett permaneceu em silêncio por alguns segundos, com a boca entreaberta e os olhos arregalados, processando a informação que parecia ter vindo de uma realidade paralela. Ele olhou para Edward, buscando qualquer sinal de que aquilo fosse uma brincadeira de mau gosto, mas o brilho nos olhos do irmão e a forma como suas mãos tremiam levemente de pura adrenalina eram provas incontestáveis de que o herdeiro dos Cullen estava falando a mais pura verdade. Emmett soltou uma gargalhada estrondosa, daquelas que faziam as paredes de vidro da sala de reuniões vibrarem, e deu um tapa amigável, mas pesado, no ombro de Edward, que mal sentiu o impacto devido ao estado de anestesia emocional em que se encontrava.

— Caramba, Edward! Você não faz nada pela metade, não é? — exclamou Emmett, com um sorriso de orelha a orelha, cruzando os braços sobre o peito maciço enquanto balançava a cabeça em sinal de aprovação. — Lembra daquela cláusula maldita que o conselho e o vovô Cullen enfiaram no seu contrato? Aquela exigência arcaica de que, para você assumir o controle total como CEO vitalício, você precisava estar casado e ter um herdeiro garantido em até cinco anos? Pois bem, meu irmão, você não só antecipou o cronograma em meia década, como conseguiu a proeza de garantir a sucessão antes mesmo de subirem ao altar! O Jasper vai ter um colapso nervoso quando descobrir que o "trunfo" dele virou fumaça diante de um par de listras rosadas.

Edward caminhou até a imensa janela que dava para o horizonte de Seattle, observando o movimento lá embaixo com uma sensação de soberania que nunca experimentara antes. Ele sentia que o ar era mais fácil de respirar e que o peso da responsabilidade, que antes o esmagava, agora era uma coroa que ele carregava com orgulho. Ele virou-se para Emmett, e a expressão em seu rosto era de uma determinação feroz misturada a uma vulnerabilidade que ele só permitia que a família visse.

— Aquele contrato que eu assinei com a Bella... aquele documento frio, cheio de termos e condições financeiras... ele não vale mais nada para mim, Emmett. — disse Edward, a voz soando firme, carregada de uma convicção absoluta. — Aquilo morreu no momento em que eu vi aquele teste. Eu não estou mais interpretando um papel para o conselho ou para o público. Eu estou perdidamente apaixonado por aquela mulher e, agora, eu vou ser pai. Esse bebê muda tudo, ele transforma uma aliança de negócios em um legado de sangue...De amor...

Ele fez uma pausa, respirando fundo enquanto a imagem de Bella sorrindo para ele na banheira voltava à sua mente, enchendo-o de uma paz que nenhuma cifra bilionária fora capaz de proporcionar. Edward sabia que o caminho à frente ainda seria repleto de espinhos, especialmente com as maquinações de Jasper e a sombra de Renée, mas a certeza da paternidade o tornava invulnerável.

— Eu vou ser o CEO desta empresa por direito, por competência e agora, por linhagem. — continuou Edward, aproximando-se de Emmett com um olhar que brilhava com a promessa de vitória total. — Jasper tentou usar a Bella como uma fraqueza, mas ela se tornou a minha maior força. Ele queria me ver cair, mas o que ele fez foi me dar o motivo perfeito para lutar. Eu vou oficializar tudo, Emmett. Vou rasgar aquele contrato e dar à Bella tudo o que ela merece, não por obrigação, mas por amor. Eu vou ser pai... você consegue acreditar nisso? Eu vou ter um filho com a mulher que eu amo.

Emmett sorriu, vendo o homem que crescera com ele finalmente encontrar algo que o dinheiro não podia comprar. Ele sabia que o irmão estava caminhando sobre uma linha tênue, já que Bella ainda não havia contado o segredo, mas ele não seria o estraga-prazeres naquele momento de glória.

— Eu acredito, irmão. E se esse moleque puxar a teimosia de vocês dois, o império Cullen estará em boas mãos por mais um século. — disse Emmett, puxando Edward para um abraço de urso, sentindo que, apesar de toda a guerra que Jasper iniciara, o resultado final seria algo que nenhum deles poderia ter previsto naquele primeiro encontro em Forks: uma família de verdade, nascendo das cinzas de um plano corporativo. O jogo mudara permanentemente, e pela primeira vez, Edward Cullen não estava apenas jogando para ganhar; ele estava jogando para proteger o que era sagrado.