A Esposa Perfeita

41 O Labirinto da Mente


Notas iniciais
Olá, minhas leitoras! ❤️ Antes de começarem este capítulo, eu só quero pedir uma coisa:Leiam até a última linha, sem pular, sem tirar conclusões antes da hora e principalmente sem me xingar... pelo menos não imediatamente. 😂 Vocês confiaram em mim durante toda essa jornada, então confiem mais uma vez. Porque algumas histórias não terminam quando pensamos que terminam e algumas promessas são fortes demais para serem apagadas pelo tempo. Respirem fundo e apertem os cintos. Boa leitura. ✨

💍 A ESPOSA PERFEITA

Capítulo 41 — O Labirinto da Mente

POV — Edward Cullen

O riso da minha filha foi a última coisa que ouvi antes de a escuridão me tragar. O som cristalino de Charlotte, os blocos de madeira caindo no tapete de La Push e o rosto radiante de Bella me dizendo que carregaríamos gêmeos. Eu senti o chão sumir sob os meus pés, uma tontura avassaladora provocada pelo choque da felicidade mais pura que um homem poderia experimentar. Eu havia desmaiado.

Mas o chão de La Push não era tão duro. E o cheiro... o cheiro não era de lenha queimada ou do sal do oceano Pacífico.

Abri os olhos de sopetão, o peito subindo e descendo em lufadas de ar desesperadas, como se eu estivesse afogando. Minha testa estava encharcada de suor frio. Levei as mãos à cabeça, esperando sentir o tapete felpudo da nossa sala de estar, mas meus dedos tocaram lençóis de seda egípcia cinza-chumbo.

Pisquei repetidamente, tentando clarear a visão turva. A lareira de pedra havia sumido. O mar de La Push não estava lá.

Eu estava deitado na imensa cama king-size da minha antiga cobertura de solteiro no centro de Seattle. Olhei para o lado, o coração batendo tão forte contra as minhas costelas que cheguei a sentir dor físico. O lado direito da cama estava perfeitamente arrumado, intocado. Frio.

— Bella? — minha voz saiu rasgada, uma súplica rouca que ecoou pelas paredes minimalistas e gélidas do quarto. — Bella! Charlotte!

Silêncio. Apenas o zumbido abafado do tráfego matinal de Seattle lá embaixo.

Saltei da cama, cambaleando. Minhas pernas pareciam de chumbo, pesadas pela inércia. Corri pelo corredor de mármore, invadindo a sala de estar. Tudo estava exatamente como há anos... ou como ontem? Sofás de couro preto, obras de arte abstratas nas paredes, nenhuma foto de família, nenhum brinquedo espalhado pelo chão, nenhuma risada de criança. No bar de mogno, uma garrafa de Macallan estava aberta pela metade, ladeada por um copo baixo de cristal com um resto de gelo derretido e o cheiro forte de álcool barato de balada impregnado nas minhas roupas. Eu ainda vestia a mesma camisa preta da noite anterior.

Olhei para as minhas próprias mãos. Não havia aliança no meu dedo esquerdo. A marca de sol do litoral onde eu supostamente passava os finais de semana não existia. Minha pele estava pálida, limpa.

— Não... não, não, não! — gritei para o vazio, socando a bancada de mármore com força. A dor física disparou pelo meu braço, mas não me acordou. Eu já estava acordado. — Charlotte! Bella, por favor!

Entrei em pânico completo. Onde estava o galpão? Onde estava o tiro que Alice dera em Jasper? Onde estava a Swan Atlantic unificada? Emmett na presidência? Minha mente colapsava ao tentar organizar as memórias. Eu me lembrava do cheiro do cabelo de Bella após o parto, lembrava do peso exato de Charlotte nos meus braços, da textura da pele dela, do choro prematuro na UTI... Cinco anos. Eu havia vivido, respirado, sofrido e amado por cinco malditos anos em uma linha do tempo perfeita e detalhada.

Caminhei trêmulo até o espelho do banheiro. Meu rosto não tinha as linhas de expressão de um pai de família de trinta e poucos anos. Eu parecia exatamente o mesmo executivo arrogante e frio de vinte e seis anos.

Tudo tinha sido um sonho. Um delírio de poucas horas provocado por uma noite de bebedeira e uma obsessão instantânea.

A ficha caiu como uma marreta no meu peito, e eu caí de joelhos no chão do banheiro, cobrindo o rosto com as mãos, soltando um soluço sufocado que quebrou o meu orgulho. Eu estava sofrendo o luto por uma esposa e uma filha que, tecnicamente, nunca haviam sido minhas. Como a minha mente fora capaz de arquitetar uma vida inteira, com tamanha riqueza de detalhes, em apenas uma noite de sono? Teria sido o whisky barato? Ou algum aviso insano do destino?

Arrastei-me de volta para o quarto e cacei o meu celular em cima do criado-mudo. Minhas mãos tremiam tanto que quase derrubei o aparelho. Na tela, a data brilhava, zombando do meu desespero. Era o dia seguinte à noite em que Emmett me apresentara a filha de Charlie Swan em uma boate de Seattle. O dia em que eu, na minha arrogância corporativa, havia redigido um contrato frio para propor que ela fosse a "esposa perfeita" por conveniência de mercado.

Disquei o número de Emmett no modo automático. No terceiro toque, a voz sonolenta e arrastada do meu melhor amigo atendeu:

— Cara... se você estiver ligando para falar sobre o balanço da Bolsa antes das oito da manhã, eu juro que...

— Emmett! — eu o interrompi, a voz embargada, um fio de desespero audível que o fez ficar em silêncio instantaneamente. — Emmett, eu preciso encontrar a Bella. Agora.

Houve uma pausa longa do outro lado da linha. Eu conseguia ouvir o som dele se sentando na cama, confuso.

— Bella? Que Bella, Edward? Do que você está falando?

— A Bella! A garota que você me apresentou ontem na boate! A Swan! — gritei, pressionando o celular contra o ouvido, as lágrimas de frustração escorrendo pelo meu rosto. — Eu preciso saber onde ela está, Emmett! Onde ela mora, o telefone dela, qualquer coisa! Eu preciso falar com ela antes que seja tarde demais!

— Cara, você enlouqueceu? — a voz de Emmett saiu misturada com uma risada confusa e preocupada. — Você bebeu o quê depois que eu fui embora? Você cruzou com a garota por dez minutos no camarote, trocou meia dúzia de palavras e agora está ligando desesperado? Que história é essa de "tarde demais"? Nem são oito da manhã, Edward! O que deu em você?

— Você não entende, Emmett... eu vivi uma vida com ela — sussurrei, deixando meu corpo escorregar pela parede do quarto, olhando para o teto vazio daquela cobertura que de repente parecia uma prisão de luxo. — Eu vi a nossa filha nascer. Eu vi tudo. Eu não posso propor aquele contrato. Eu preciso salvar ela... eu preciso amar ela do jeito certo.

— Contrato? Filho? Edward, você está me assustando, de verdade. Que porra de sonho maluco foi esse que você teve?

Desliguei o telefone na cara dele, sem energia para explicar o inexplicável.

Joguei o aparelho no colchão e encarei a janela panorâmica. O sol de Seattle começava a nascer, exatamente como no meu sonho, mas agora a luz parecia fria e vazia. Eu tinha duas opções: acreditar que havia ficado completamente louco devido ao estresse e ao álcool, ou aceitar que a vida havia me dado o mapa cirúrgico do futuro. Eu sabia quem era Jasper. Sabia do que ele era capaz. Sabia das fraquezas do Cullen Group e, acima de tudo, sabia que em algum lugar daquela cidade, Isabella Swan estava acordando agora, sem fazer a menor ideia de quem eu era.

Eu não era mais o homem que redigiria um contrato de aparências. Aquele sonho maluco havia matado o Edward Cullen calculista.

Levantei-me, peguei as chaves do carro e caminhei até a porta. Eu cruzaria Seattle inteira se fosse preciso. Eu iria atrás dela não como um investidor atrás de uma esposa perfeita, mas como um homem que cruzaria o próprio inferno para transformar aquele sonho na minha única e real realidade.

Eu ia buscar a minha família de volta.

A adrenalina corria pelas minhas veias como fogo puro enquanto meus dedos apertavam o volante do Aston Martin. Eu dirigia pelas avenidas cinzentas de Seattle sem um destino fixo, os pneus cantando no asfalto molhado pela neblina da manhã. Meus olhos ardiam. A cada semáforo vermelho que eu era obrigado a parar, a imagem dos cachinhos de Charlotte ou do sorriso vitorioso de Bella me assombrava, fazendo meu peito doer com uma saudade física, real e desesperadora.

Como a minha mente pôde criar algo tão perfeito em apenas algumas horas de sono?

Pense, Edward. Pense! — ordenei a mim mesmo, desferindo um soco contra o volante. Se aquilo fora apenas uma projeção do whisky barato ou um delírio, tudo bem. Mas se fosse um sinal... se cada detalhe daquela linha do tempo fosse um mapa...

De repente, como um estalo de alta voltagem, uma memória do sonho me atingiu.

No dia seguinte ao nosso encontro na boate, que na minha cabeça se passara há cinco anos, mas na realidade era hoje , Bella havia me ligado de um hospital. O pai dela, Charlie Swan, estava internado e nao respondia ao tratamento. Eu lembrava de cada palavra daquela ligação fictícia. Lembrava do desespero na voz dela, do cheiro de antisséptico quando fui visitá-la e, principalmente, do número que ficou gravado na minha mente como um ferro em brasa: Quarto 402 do Hospital Geral de Seattle.

Por favor, que não seja uma brincadeira cruel da minha cabeça, roguei mentalmente, pisando fundo no acelerador e cortando os carros na avenida. Por favor, esteja lá.

Estacionei o carro de qualquer jeito, subindo a rampa da emergência e largando as chaves com o manobrista assustado. Cruzei as portas de vidro correndo, com a camisa preta amassada e o cabelo desalinhado, atraindo olhares tortos das enfermeiras. Eu parecia um louco, e talvez estivesse mesmo.

Apoiei as duas mãos no balcão de mármore da recepção, a respiração cortada pelo esforço e pela ansiedade.

— Eu preciso ver Charles Swan — disparei para a recepcionista, a voz trêmula, mas autoritária. — Por favor, me diga que ele está no quarto 402.

A mulher piscou, assustada com o meu estado, e começou a digitar lentamente no computador. Aqueles segundos pareceram uma eternidade torturante. Eu quase conseguia ouvir os bipes dos monitores cardíacos do meu sonho ecoando na minha mente.

Antes que a recepcionista pudesse me dar uma resposta, uma voz doce, rouca e absurdamente familiar ecoou logo atrás de mim, fazendo cada pelo do meu corpo se arrepiar:

— O que você quer com o meu pai?

Meu coração parou por um segundo inteiro. Girei os calcanhares lentamente, prendendo o fôlego.

Lá estava ela.

Isabella Swan. Ela usava uma calça jeans simples e um casaco de tricô que eu lembrava perfeitamente de ter visto em algum canto da nossa casa em La Push. Seus olhos castanhos estavam cansados, emoldurados por olheiras de quem passara a noite em claro em uma sala de espera, e ela segurava um copo de plástico com café. Não havia aliança em seus dedos. Não havia a maturidade de uma mãe de família em seu rosto. Ela era exatamente a garota de vinte e poucos anos que Emmett me apresentara no camarote poucas horas atrás.

Mas para mim, ela era a mulher da minha vida. A mãe da minha filha. Minha esposa.

Um sorriso imenso, que nasceu do fundo da minha alma, rasgou o meu rosto. Uma onda de alívio tão violenta me atingiu que eu não consegui raciocinar. Eu não vi o contrato, não vi as aparências, não vi a abordagem calculista que o Edward Cullen do passado usaria. Eu só vi a minha Bella.

— Meu amor! — exclamei, a voz embargada.

Dei dois passos largos, encurtando a distância entre nós, e a envolvi em um abraço apertado, urgente. Enterrei meu rosto no vão do pescoço dela, inspirando o cheiro de morango dos seus cabelos, o exato mesmo cheiro do meu sonho. Eu a apertei contra o meu peito como se estivesse colando os pedaços do meu próprio mundo que haviam quebrado ao acordar.

— Ei! O que é isso?! — a voz de Bella subiu um tom, carregada de puro susto.

Com as duas mãos espalmadas no meu peito, ela me empurrou com força, dando dois passos para trás e me encarando como se eu fosse um alienígena. O café em sua mão quase derramou.

— Você está louco? Ou está drogado?! — ela perguntou, os olhos castanhos arregalados em choque e indignação. — Eu conheço você... você é o amigo do Emmett de ontem à noite. O Cullen. O que você está fazendo aqui? Como sabe o nome do meu pai? E por que diabos me chamou de "meu amor"?

Eu olhei para ela, vendo a confusão genuína em sua expressão. Eu parecia um psicopata stalker para ela agora, eu sabia. O Edward de ontem teria morrido de vergonha, mas o Edward que acordara hoje só conseguia sentir uma felicidade monumental. O mapa estava correto. O sonho era real. O futuro estava bem diante de mim.

Soltei uma risada limpa, leve e genuína, passando a mão pelo cabelo e olhando para o teto do hospital, agradecendo a qualquer força divina que tivesse me dado aquela chance.

— Eu sei que parece insanidade, Bella. Eu sei que parece que eu perdi completamente o juízo — disse, dando um passo calmo na direção dela, erguendo as mãos em um gesto pacífico para que ela não se afastasse. Olhei bem no fundo dos seus olhos, deixando transparecer toda a verdade que agora carregava no peito. — Mas eu prometo que não estou drogado. E eu vou explicar tudo para você. Cada detalhe. Desde o contrato terrível que eu ia te propor... até os nossos gêmeos que ainda vão nascer.

Bella franziu a testa, dando um passo atrás, completamente perdida entre achar que eu era um perigo público ou o homem mais bizarro de Seattle.

Mas a nossa história estava recomeçando. E dessa vez, sem contratos...

Notas finais
Então... VOCÊS ACHARAM MESMO QUE EU IA ENCERRAR A HISTÓRIA COM O EDWARD DESMAIANDO NO TAPETE? 😏 Confessem. Por alguns capítulos vocês estavam sentindo aquele cheirinho de "tem alguma coisa errada aqui", não estavam? Pois é, o verdadeiro último movimento do tabuleiro finalmente apareceu. E agora eu preciso saber: O que vocês acharam desse plot twist? Foi um sonho? Foi uma visão? Foi destino? Foi uma segunda chance? Ou será que ainda existem respostas escondidas nesse labirinto?👀 Uma coisa é certa: O Edward agora conhece um futuro que ainda não aconteceu, ele conhece a mulher que ainda não o ama, a filha que ainda não nasceu, as tragédias que ainda podem ser evitadas e pela primeira vez na vida...Ele tem a chance de fazer tudo diferente. Mas será que o destino pode mesmo ser reescrito?❤️