A Esposa Perfeita
43 Linhas de Transmissão
Notas iniciais
💍 A ESPOSA PERFEITA
Capítulo 43 — Linhas de Transmissão
POV — Edward Cullen
O visor do meu celular começou a piscar na bancada da recepção do hospital. Era o Emmett. De novo.
— Bella, me dá só um minuto — pedi, deixando um beijo rápido no topo da cabeça dela antes de me afastar alguns passos pelo corredor. Eu ainda conseguia sentir o choque elétrico daquele beijo flutuando no ar.
Atendi a ligação e, antes mesmo que eu pudesse saudar meu melhor amigo, a voz de trovão dele quase estourou o alto-falante do aparelho.
— Edward! Cara, que porra de surto foi aquele de manhã? — Emmett parecia estar no viva-voz do carro, o som do motor da sua SUV roncando ao fundo. — Eu liguei para a sua secretária no Cullen Group e ela disse que você desmarcou a reunião de fusão das nove. Você NUNCA desmarca reuniões. Que história é essa de "eu vivi uma vida com a Bella"? Você fumou alguma coisa estragada no camarote ontem?
Olhei pelo vidro do corredor. O Dr. Gerandy já estava transferindo o Charlie para a suíte premium que meu cartão de crédito acabara de garantir. Voltei a atenção para o telefone, sorrindo sozinho.
— Eu estou no Hospital Geral de Seattle, Emmett.
Houve um silêncio abrupto do outro lado. O som do motor pareceu diminuir, como se ele tivesse encostado o carro na guia.
— Hospital? — o tom de Emmett mudou instantaneamente, a ironia sumindo para dar lugar à preocupação genuína do irmão que ele era para mim. — O que aconteceu, cara? Você bateu o carro? Está ferido?
— Eu estou perfeitamente bem. Quem está internado é o Charles Swan. O pai da Bella. Ele teve um infarto de madrugada.
— Puta merda... — Emmett suspirou, o cérebro dele claramente tentando processar as informações em alta velocidade. — Espera aí. O pai da garota da boate está internado... e você está lá com ela? Como você descobriu isso? Edward, você conheceu a menina ontem à noite!
— Eu sei, Emmett. Mas como eu te disse mais cedo... a planta estrutural mudou. O contrato de conveniência que eu passei a noite inteira redigindo foi para o lixo. Eu mudei o projeto da minha vida. Estou entrando na UTI agora para apoiar a minha mulher.
— Sua mulh... — Emmett engasgou do outro lado da linha. — Edward, você enlouqueceu de vez! Eu estou indo para aí agora! Não saia do lugar!
Desliguei o telefone antes que ele começasse a gritar novamente. Guardei o aparelho e caminhei de volta até Bella, que me esperava timidamente na porta do quarto 402 — que agora ostentava uma placa de "Suíte VIP".
— O Dr. Gerandy disse que ele já está acordando da sedação — Bella sussurrou, as mãos trêmulas entrelaçadas na frente do corpo. — Edward... eu ainda acho que estou vivendo um delírio coletivo com você, mas... obrigada. Se meu pai souber que um Cullen pagou isso aqui, ele tem outro infarto de puro orgulho.
— Ele não vai saber dos detalhes financeiros, eu prometo — segurei a mão dela, abrindo a porta da suíte devagar. — Mas ele vai saber de nós.
O quarto era imenso, bem iluminado pela luz suave da manhã de Seattle. Na cama hospitalar, um homem de bigode espesso, cabelos grisalhos e braços fortes de quem passara a vida na polícia tentava se sentar, lutando contra os fios do monitor cardíaco. Charlie Swan parecia exatamente o homem ranzinza, mas de coração mole, com quem eu dividira tantas histórias no meu sonho de cinco anos.
— Bella? — a voz de Charlie saiu rouca, os olhos piscando pesadamente até focarem na filha. — O que... que lugar é esse? Cadê a enfermaria pública? Por que tem uma televisão de cinquenta polegadas na minha frente?
— Pai! Fica deitado, por favor — Bella correu até a lateral da cama, ajeitando os travesseiros com cuidado. — O senhor teve um susto com o coração. Estamos em uma ala melhor do hospital. O médico mandou o senhor descansar.
Charlie franziu a testa, os olhos de xerife semicerrando-se instantaneamente quando o seu olhar cortou o quarto e pousou em mim. Eu estava de pé no canto, os braços cruzados, vestindo aquela camisa preta desalinhada e com a postura de quem era o dono do quarteirão.
— E quem é o engomadinho de Seattle? — Charlie resmungou, a voz falhando um pouco, mas mantendo a autoridade de quem já carregou um distintivo. — Ele é o médico novo? Parece muito jovem para entender de coração.
Bella travou. Ela olhou para mim com os olhos arregalados, um pânico silencioso implorando para que eu inventasse uma mentira corporativa qualquer, como "um amigo do Emmett que veio ajudar".
Eu dei dois passos à frente. Sorri com uma elegância natural e estendi a mão direita para o homem deitado na cama.
— Muito prazer, Chefe Swan. Eu sou Edward Cullen — me apresentei, a voz firme e cheia de respeito. — Sou o namorado da Bella.
Um bipe agudo e rápido ecoou no monitor cardíaco de Charlie. Bip-bip-bip-bip.
Bella soltou um engasgo audível, cobrindo a boca com a mão enquanto olhava para mim como se eu tivesse acabado de detonar uma bomba atômica dentro do hospital.
— Namorado? — Charlie repetiu a palavra como se estivesse testando um idioma estrangeiro. Ele ignorou a minha mão estendida e olhou diretamente para a filha. — Isabella? Desde quando você tem um namorado com sobrenome de dinastia de Seattle? Você me disse ontem pelo telefone que ia trabalhar em uma boate!
— Pai, eu... ele... — Bella gaguejou, o rosto queimando em um tom de vermelho tão intenso que parecia que ela própria precisaria de atendimento médico. — É uma história longa, a gente...
— É uma história recente, senhor, mas muito sólida — intervi, mantendo o sorriso calmo e seguro. Dei um passo mais perto da cama, adotando uma postura que quebrou totalmente a distância gélida entre um bilionário e um ex-xerife. — Eu sei que o senhor é um homem protetor e tem toda razão em desconfiar de um cara que aparece do nada na UTI. Mas eu garanto que as minhas intenções com a sua filha são as mais permanentes possíveis. Inclusive...
Olhei para Charlie, permitindo que a cumplicidade do meu sonho transbordasse no meu tom de voz.
— ...estou ansioso para que o senhor receba alta logo. Bella me contou que o senhor conhece os melhores pontos de pesca no lago de Forks. Eu vou adorar passar um final de semana pescando com o senhor em La Push. Dizem que o rio Quileute é ótimo para trutas nessa época do ano.
O monitor cardíaco de Charlie disparou de vez. Bip-bip-bip-bip-bip!
O ex-xerife arregalou os olhos de uma forma quase cômica. Ele olhou para mim, depois para a filha, totalmente desarmado. Ninguém em Seattle sabia sobre os seus pontos secretos de pesca em Forks. Ninguém sabia que ele preferia a calmaria de La Push ao agito das praias turísticas.
— Como é que você... — Charlie balbuciou, a guarda caindo por completo.
Bella, por sua vez, deu um tapa na própria testa, soltando uma risada nervosa e desacreditada. Ela me puxou pelo braço com força, sussurrando perto do meu ouvido enquanto o monitor do pai continuava a apitar:
— Edward Cullen, você é um perigo público! Você acabou de descobrir que o tratamento dele funciona e agora quer matar o meu pai de curiosidade? Pescaria? La Push? Como você sabe disso?!
Olhei para ela, o amor da minha vida, e pisquei, divertido.
— Eu te disse, senhora Cullen. Eu tenho o mapa do futuro. E a nossa linha de transmissão está apenas começando.
— O que está acontecendo aqui? — a voz cortante e imponente de Rosalie Hale ecoou assim que a porta da suíte VIP foi empurrada.
Atrás dela, Emmett vinha com os olhos arregalados, a chave do carro ainda na mão e uma expressão de quem tinha certeza de que encontraria o melhor amigo vestindo uma camisa de força. Rosalie estava impecável, usando um sobretudo de grife e uma postura defensiva, mas no momento em que seus olhos bateram em mim e em Bella — que ainda estávamos de mãos dadas perto da cama de Charlie —, ela travou.
— Rose! — dei um passo largo na direção dela, o rosto iluminado por uma felicidade genuína que eu não consegui conter.
Antes que ela pudesse dar o seu habitual passo para trás ou lançar um dos seus olhares gélidos de desdém, eu a puxei para um abraço apertado. Um abraço de urso, exatamente do jeito que o Emmett costumava dar nela no meu sonho quando comemorávamos as vitórias do Cullen Group.
— Mas que porra...? — Rosalie exclamou, ficando completamente rígida nos meus braços, os braços esticados para os lados como se temesse ser contaminada. — Edward, me solta! Ficou maluco? Emmett, tira o seu amigo de cima de mim!
Eu me afastei rindo, batendo no ombro de Emmett, que assistia a tudo de boca aberta, olhando de mim para o Charlie deitado na cama e depois para a Bella.
— Cara... você está bem? — Emmett perguntou, a voz caindo um tom, genuinamente preocupado enquanto tocava no meu braço. — Sua secretária disse que você parecia um fantasma quando saiu do escritório. Agora você está aqui... distribuindo abraços de graça? Melhor impossível?
— Melhor impossível, irmão — respondi, respirando fundo e passando a mão pelo cabelo. — Na verdade, nunca estive tão lúcido em toda a minha vida.
Bella soltou uma risada nervosa, dando um passo à frente e cruzando os braços, olhando para Emmett e Rosalie com uma expressão de "por favor, me ajudem a entender".
— Se vocês querem saber a verdade, o amigo de vocês perdeu completamente o juízo — Bella desabafou, apontando para mim com o polegar. — Ele apareceu aqui do nada, pagou o tratamento do meu pai, mentiu dizendo que é meu namorado e, na cabeça dele... nós vamos estar casados até o final da manhã!
Eu me virei para ela na mesma hora, erguendo o dedo indicador com um sorriso divertido e corrigindo-a com total convicção:
— Corrigindo, meu amor: na minha cabeça, nós já somos casados, temos uma filha de quatro anos chamada Charlotte e você acabou de me dar a notícia de que está grávida de gêmeos. Dois meninos.
O quarto do hospital mergulhou num silêncio tão sepulcral que o único som audível era o bipe ritmado do monitor cardíaco de Charlie, que assistia a tudo de olhos arregalados, revezando o olhar entre os quatro jovens lunáticos na sua frente.
Rosalie soltou uma risada de puro escárnio, arqueando uma sobrancelha perfeita.
— Gêmeos? Filha? Edward, você conheceu essa garota ontem à noite! Você bebeu o quê? Alucinógenos?
Eu dei um passo na direção de Rosalie, diminuindo o tom de voz, deixando a brincadeira de lado para encará-la com aquela verdade avassaladora que vinha do fundo dos meus cinco anos de memórias projetadas.
— Eu não bebi nada, Rose — disse, olhando bem no fundo dos olhos dela. — E se você acha que eu estou louco, me explica como é que no meu sonho você e o Emmett também eram casados... e vocês tinham uma filha linda chamada Lily?
Rosalie congelou. A cor sumiu do seu rosto de porcelana em um segundo. Seus olhos azuis dilataram e ela deu um passo atrás, trombando direto no peito de Emmett, que a segurou pelos ombros, sem entender a reação súbita da namorada.
— Em-Emmett... — Rosalie gaguejou, a voz falhando, o pânico nítido em suas feições enquanto ela apontava para mim. — Emmett, o seu melhor amigo enloqueceu de vez... ele está demente!
Ela girou a cabeça abruptamente na direção de Bella, os olhos faiscando em uma mistura de medo e choque.
— Mas como... como você sabe desse nome, Edward?! — Rose quase gritou, a respiração acelerada. — Bella, foi você? Você contou para ele? Vocês andaram mexendo nas minhas coisas? No meu diário? Na minha mente?
Bella deu um passo atrás, erguendo as mãos, totalmente assustada com a reação de Rosalie.
— Eu? Eu nem sabia que você queria ter filhos, Rosalie! Eu te conheci ontem! Eu não sei de nada!
— Ninguém contou, Rose — intervim, a voz mansa, mas firme, trazendo a atenção de todos de volta para mim. — Ninguém mexeu nas suas coisas. Eu sei porque eu vi a Lily correr pela nossa casa em La Push. Eu sei porque eu vivi isso. O universo me deu um mapa completo do nosso futuro... e eu não vou desperdiçar um único segundo dele.
📚 RECADO DA AUTORA
Antes de ir embora, preciso fazer um convite especial...Ontem eu postei uma nova fanfic da Saga Crepúsculo:
✨ UNRAVELED ✨
Uma história inspirada na música The Cure da maravilhosa Olivia Rodrigo. ♡
Se vocês gostam de romance intenso, personagens emocionalmente quebrados, cura, vulnerabilidade, química absurda e aquele tipo de história que aperta o coração antes de aquecê-lo... Venham conhecer Unraveled. ❤️
E agora uma confissão...Minha mente simplesmente entrou em combustão essa madrugada. 😭😂
Eu tive ideias para DUAS novas histórias e estou seriamente pensando se devo postar ou não.
✨ "Antes que o Tempo Acabe" — inspirada no enredo do filme lembranças, com muito drama, romance, dor e reviravoltas emocionais.
✨ Uma segunda história (que ainda não tem nome 👀) inspirada em uma novela turca que mexeu completamente com a minha cabeça e que tem potencial para me fazer sofrer junto com vocês por muitos capítulos. 😂
Então me contem nos comentários:
Vocês querem conhecer essas histórias? Porque se eu receber incentivo suficiente... existe uma grande chance de eu acabar surtando e postar todas. 🤡❤️
Nos vemos no próximo capítulo, minhas leitoras!
E prometo apenas uma coisa: A reta final chegou, mas ainda temos algumas surpresas pela frente. ✨👀❤️
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