A Esposa Perfeita
30 Algo Parecido com Paz
Notas iniciais
Capítulo 30 — Algo Parecido com Paz
Forks acordou sob uma névoa espessa, mas para Charlie Swan, o dia tinha uma cor diferente. Parado em frente ao espelho do corredor, ele ajeitou a gola da camisa de flanela pela décima vez. Ele se sentia como um adolescente prestes a ir ao baile da escola, uma sensação que julgava ter enterrado junto com sua saúde anos atrás.
O encontro fora marcado em uma cafeteria simples no centro, um lugar que cheirava a café torrado e torta de maçã, longe do brilho frio e impessoal do universo que cercava sua filha. Quando Sue Clearwater entrou, Charlie sentiu o ar escapar de seus pulmões. Ela não usava o uniforme da mansão, mas sim um vestido simples de algodão e um casaco de lã. Ela parecia nervosa, as mãos brincando com a alça da bolsa.
— Você está linda, Sue — Charlie disse, levantando-se apressadamente, quase derrubando o cardápio.
— Eu me sinto um pouco deslocada, Charlie — Sue confessou, sentando-se à frente dele. — Passamos tanto tempo com você doente e eu cuidando de você... virar "social" parece um salto grande. Você merece alguém mais... refinado, eu suponho.
Charlie estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a dela. A pele de Sue era quente e real, calejada pelo trabalho, mas infinitamente mais acolhedora que qualquer seda.
— A verdade é que eu comecei a esperar pelo som dos seus passos, Sue. Você trouxe vida para mim quando eu era apenas um fantasma esperando o fim. Eu não quero refinamento, o que eu quero de verdade é alguém que me veja.
Sue sorriu, um brilho de esperança nos olhos que foi subitamente estilhaçado pelo som de saltos altos batendo contra o piso de madeira.
— Mas que cena pitoresca — a voz de Renée cortou o ambiente como uma lâmina de gelo.
Ela estava parada ao lado da mesa, impecável em um sobretudo bege que custava mais do que o café faturava em um mês. Ela olhou para Sue com um desprezo que não se preocupou em esconder. — Charlie, querido, eu sabia que seus padrões haviam caído com a idade, mas não imaginei que a "ajuda doméstica" agora também fizesse o papel de acompanhante social. — Renée arqueou uma sobrancelha, voltando-se para Sue. — Diga-me, Sue , a proximidade com o patrimônio dos Cullen despertou seu interesse no meu ex-marido, ou você só gosta de colecionar homens frágeis que não percebem quando estão sendo usados?
Sue empalideceu, começando a recolher suas coisas, mas Charlie segurou o pulso dela. Ele se levantou, a postura reta, encarando Renée com uma fúria fria que a fez recuar um milímetro.
— Já chega, Renée. — A voz de Charlie era um trovão contido. — A diferença entre você e a Sue é que ela apareceu quando eu estava doente, sozinho, sem nada para oferecer a ninguém e decidiu ficar.Você sempre foi mestre em enxergar cifrões, mas nunca aprendeu a enxergar caráter. Saia daqui e não ouse falar com ela assim novamente.
Renée piscou, chocada com a resistência. Ela abriu a boca algumas vezes, tentado falar algo, mas nenhuma palavra conseguia sair de sua boca, ela girou nos calcanhares e saiu, mas o veneno já estava no ar. Sue olhou para Charlie, emocionada pela coragem do homem em sua frente e finalmente depois de décadas de sofrimento nas mãos crueis do monstro chamado Renée, Charlie Swan havia escolhido o amor em vez da solidão.
Enquanto isso, na mansão, o clima era de uma vulnerabilidade quase dolorosa. Edward e Bella estavam tentando novamente, não como parceiros de contrato, mas como duas pessoas que se amavam e tinham medo do estrago que haviam causado.
Edward passara a manhã na cozinha, algo raro. Ele preparou um chá e trouxe para Bella na varanda, onde ela observava a chuva. Ele a envolveu no mesmo cobertor que ele usava, abraçando-a por trás.
— Sem reuniões ou relatórios hoje. Só nós, senhora Cullen... — ele sussurrou no ouvido dela.
Mais tarde, no quarto, ele insistiu em escovar o cabelo dela após o banho. O movimento era lento, quase rítmico. Bella fechou os olhos, sentindo a tensão abandonar seus ombros. Edward não estava agindo como o CEO. Ele estava ali, presente, beijando o topo de sua cabeça e rindo de uma piada boba que ela fizera sobre os hábitos alimentares de Emmett.
— Eu não sei mais viver sem você, Bella — Edward confessou, enquanto a envolvia em seus braços diante da lareira apagada. — E pela primeira vez na vida... isso me assusta mais do que perder a empresa. Eu tenho medo de que essa paz seja um empréstimo que eu não possa pagar...
Bella o olhou, sentindo a mesma fragilidade.
— Então vamos viver o agora, Edward. Sem planos para os próximos cinco anos...
A noite de amor que se seguiu foi radicalmente diferente da anterior. Não havia a urgência da raiva ou o desespero da reconciliação física. Foi uma exploração lenta, marcada por toques suaves e vulnerabilidade total. Edward admirava o corpo dela como se fosse a primeira vez, beijando cada centímetro de sua pele com uma devoção que fazia Bella querer chorar.
Eles se beijaram como duas pessoas que estavam cansadas de sobreviver e finalmente queriam apenas viver. Não era apenas sexo; era uma tentativa de reconstruir a alma um do outro através do toque.
Bella acordou de madrugada. A chuva ainda batia no vidro, mas o quarto estava quente. Edward dormia profundamente, o braço pesado sobre a cintura dela, puxando-a para perto mesmo em sonhos, como se tivesse medo de que ela desaparecesse ao amanhecer. Bella sentiu uma lágrima solitária escorrer. Era uma paz linda, mas ela sabia, no fundo de seu coração, que a calmaria era sempre o prelúdio da tempestade mais devastadora.
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