A Esposa Perfeita
31 As Primeiras Rachaduras
Notas iniciais
💍 A ESPOSA PERFEITA
Capítulo 31 — As Primeiras Rachaduras
A neblina de Forks parecia ter dado uma trégua na manhã daquele sábado. O sol nascia timidamente, banhando o quarto principal da mansão com uma luz suave e dourada. Quase um mês havia se passado desde a tempestuosa noite do aniversário de casamento, e o tempo provara ser um remédio silencioso, embora frágil.
Edward acordou primeiro. Ele permaneceu deitado, com um braço apoiado sob a cabeça, apenas observando Bella. Ela dormia profundamente, vestindo apenas a camisa de pijama de linho escuro dele, que ficava absurdamente grande em seu corpo miúdo. O contraste da seda da pele dela com o tecido rústico era uma visão que Edward jurou guardar na memória para sempre.
Bella começou a se mexer, os cílios tremendo antes de se abrirem devagar. Encontrar os olhos verdes de Edward tão perto, fixos nela com uma adoração despida de qualquer artifício corporativo, a fez sorrir.
— Bom dia... — a voz dela saiu rouca, um sussurro preguiçoso.
— Bom dia, minha esposa perfeita...— Edward respondeu, a voz igualmente baixa, aveludada. Ele inclinou-se e selou os lábios nos dela em um beijo calmo, que cheirava a intimidade e calmaria. — Você fica linda usando as minhas roupas. Acho que vou confiscar todo o seu guarda-roupa.
Bella soltou uma risada boba, o som mais puro que Edward ouviu em mais de um ano.
— É uma estratégia injusta, Cullen. Mas aceitável.
Edward sorriu, mas o olhar dele mudou, tornando-se mais profundo, mais intenso. Devagar, com dedos quase reverentes, ele começou a abrir os botões da camisa que ela usava, afastando o tecido para revelar a pele clara. Ele inclinou-se sobre ela, distribuindo beijos quentes e lentos por todo o seu corpo, descendo pelo pescoço, pela clavícula, até que seus lábios alcançaram a barriga de Bella.
Ali, por um puro reflexo emocional de um trauma que ainda habitava seu subconsciente, Edward permaneceu. Ele pressionou os lábios contra o ventre liso de Bella, fechando os olhos e deixando um beijo demorado, quase desesperado.
O quarto caiu em um silêncio pesado. O ar pareceu faltar.
Bella engoliu em seco, acariciando os cabelos cobreados dele. Naquele gesto involuntário, ela compreendeu tudo. Edward ainda sofria pela mentira do bebê. Ele não queria apenas uma fachada; no fundo de sua alma torturada, ele realmente desejava aquela família. Desejava aquele filho.
Edward ergueu o rosto, os olhos ligeiramente úmidos, e procurou a mão de Bella, entrelaçando seus dedos. Não precisaram de palavras para explicar o que aquele silêncio significava. O remorso dele era real, e o perdão dela estava começando a criar raízes.
Mais tarde, eles fugiram de Forks. Edward colocou Bella no banco do passageiro de seu conversível antigo e dirigiu até a praia de La Push. O vento frio do Pacífico açoitava seus rostos, mas a sensação de liberdade era inestimável. Eles caminharam de mãos dadas pela areia escura, cercados pelas enormes rochas que emergiam do mar revolto.
— Eu tomei uma decisão, Bella — Edward começou, parando e olhando para o horizonte cinzento. — Eu conversei com o conselho financeiro pessoal esta semana. Vou vender uma parte significativa das minhas ações do Cullen Group. Estou cansado de ver aquela empresa controlar cada respiração nossa, cada decisão, cada mentira que fomos obrigados a sustentar.
Bella o olhou, surpresa.
— Edward, essa empresa é o seu legado...
— Meu legado é o que eu construir com você daqui para frente — ele a interrompeu, segurando seu rosto com as duas mãos. Havia uma determinação feroz em seus olhos. — Daqui a três dias, no evento de aniversário de cem anos da fundação do Cullen Group, eu vou entregar a presidência executiva de volta para o Carlisle. Eu vou renunciar ao cargo de CEO. Vou rasgar o nosso contrato de cinco anos, Bella. Eu não quero uma "esposa perfeita" por contrato. Eu quero uma vida de verdade com você.
Ele deu um passo mais perto, a voz embargada pela emoção.
— Quero comprar uma casa grande aqui em La Push, de frente para o mar. Quero uma casa barulhenta, cheia de filhos de verdade... onde possamos viver em paz até os nossos últimos dias de vida. Sem acionistas, sem imprensa. Só eu, você, Charlie, Sue e nossos bebês...Talvez um cachorro...O que você acha?
Bella sentiu as lágrimas inundarem seus olhos, mas desta vez, eram lágrimas de um alívio avassalador. Ela olhou para o homem à sua frente e percebeu que ele realmente estava tentando mudar por ela. O monstro corporativo havia dado lugar ao homem que ela se apaixonara.
— Eu acho que é o plano mais perfeito que você já arquitetou — ela sussurrou, jogando-se nos braços dele.
E finalmente eles tinham motivos para acreditar que o final feliz estava próximo. Mas o destino dos Cullen era feito de vidro, e os martelos já estavam a caminho.
O tom da história mudou de forma violenta, como o estilhaçar de um espelho.
No antigo apartamento de Milão, a atmosfera era sufocante. A chuva italiana batia forte contra as vidraças, e o interior do imóvel estava na penumbra. Jasper estava de pé junto à janela, com o semblante tenso, enquanto Alice andava de um lado para o outro como uma leoa enjaulada. O ressentimento que acumulara durante aquele mês de isolamento finalmente atingira o ponto de ebulição.
— Já chega, Jasper! Chega dessa farsa! — Alice explodiu, a voz ecoando pelas paredes de mármore como um trovão. Ela não parecia a vítima frágil de antes; seus olhos faiscavam com uma fúria destrutiva.
— Alice, acalme-se. Você ainda está se recuperando... — Jasper tentou se aproximar, mas ela o empurrou com força no peito.
— Me acalmar?! O nosso filho morreu, Jasper! — ela gritou, as lágrimas de puro ódio rolando pelo rosto. — O bebê que foi jogado no lixo daquela clínica era nosso ! Eu perdi o nosso filho! E o que o meu irmão e vadia da Isabella fizeram?! Eles pegaram o meu sangue, o meu luto, a minha dor mais profunda, e transformaram em marketing corporativo para salvar as ações do Cullen Group e a posição de CEO dele!
Jasper congelou. Suas feições, sempre calculistas, desmoronaram.
— Do que você está falando...?
— A Bella nunca esteve grávida, seu idiota! — Alice gargalhou, uma risada histérica e quebrada. — Foi tudo uma mentira! ! Uma farsa para enganar o conselho e manter o Edward no trono de CEO herdeiro! O Edward usou a minha tragédia como um escudo. Ele deixou você espancá-lo, deixou o mundo chorar pela Bella, enquanto eu... a verdadeira mãe, tive que ficar escondida em um quarto de fundos, sangrando em silêncio, vendo a minha melhor amiga roubar o luto do meu filho morto!
Jasper deu um passo para trás, o mundo girando ao seu redor. A verdade pela qual ele tanto caçara finalmente estava diante dele, mas ela veio com o preço de sua própria alma.
— Alice... eu... eu queria desmascarar o Edward. Eu queria destruir o império dele... não destruir você — ele confessou, a voz falhando, os olhos fixos na esposa enlouquecida de dor.
Alice parou, olhando para ele com um desprezo gélido que rivalizava com o que sentia pelo irmão.
— Mas foi exatamente isso que vocês dois fizeram. Vocês dois me destruíram. Você com a sua obsessão por verdade, e ele com a ambição dele. Vocês são iguais.
O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Jasper sentiu o peso de seus atos. Ele não lutava mais por um cargo ou por ações. Ao ver a ruína de Alice, o personagem do vilão calculista quebrou; agora, ele lutava desesperadamente pela mulher que amava.
— O que você quer fazer? — Jasper perguntou, a voz sombria, assumindo uma postura de guerra que Forks nunca havia visto antes.
Alice limpou as lágrimas com as costas da mão, a expressão endurecendo em uma máscara de pura vingança.
— Nós vamos voltar para casa, mas não para nos reconciliarmos. Eu quero destruir a mentira deles. Quero que meus pais saibam que o filho perfeito deles é um monstro sem escrúpulos. Quero acabar com aquele casamento de fachada daqueles malditos. Quero que o Edward perca tudo... exatamente como eu perdi o meu bebê.
Antes de pisarem em solo de Washington, Alice e Jasper fizeram uma parada estratégica em Nova York. Eles sabiam que, para derrubar um império, precisavam de uma aliada que conhecesse os pontos fracos da armadura. E essa aliada era Renée Dywer.
O encontro aconteceu em um restaurante privativo em Manhattan. Renée ouviu tudo em silêncio absoluto. Jasper detalhou o contrato de casamento, a gravidez falsa de Bella, a manipulação médica em Milão e o uso cruel do aborto de Alice para sustentar a farsa perante o conselho.
— Se nos ajudar a expor o Edward no evento de aniversário da empresa, eu garanto a você uma porcentagem das ações do Cullen Group assim que eu assumir o controle do conselho — Jasper propôs, deslizando um documento sobre a mesa. — Vamos destruir Edward Cullen de uma vez por todas.
Renée olhou para o papel e depois para Alice, cujos olhos transmitiam uma frieza assustadora.
— É um plano brilhante, Jasper — Renée disse, sua voz mantendo o tom polido habitual. — Eu aceito. O Edward cruzou todos os limites.
No entanto, por trás da fachada de jogadora implacável, algo inédito aconteceu dentro de Renée. Conforme ouvia os detalhes sobre Milão e o estado psicológico em que Bella se encontrava durante todo o último ano, uma peça de xadrez trancada em uma teia de mentiras e depressão profunda, o coração de Renée, pela primeira vez na vida, ficou genuinamente abalado.
Ela olhou para o documento, mas sua mente estava na filha. Renée percebeu que Bella não havia se tornado uma jogadora ambiciosa como ela; Bella estava quebrada de verdade, sendo esmagada pelas engrenagens da família Cullen. Renée aceitou a aliança de Jasper... mas, secretamente, uma faísca de instinto materno, algo que ela nunca imaginou possuir, acendeu em seu peito. Ela destruiria Edward Cullen, sim. Mas faria isso para resgatar sua filha daquele inferno, custasse o que custasse.
Enquanto os tambores da guerra final ecoavam em Nova York, Edward e Bella viviam os últimos dias de paz nas estradas sinuosas de Forks.
Edward decidira ensinar Bella a dirigir um de seus carros antigos mais valiosos, um Mustang clássico. O motor roncava alto pelas estradas cercadas por florestas densas. Bella segurava o volante com as mãos firmes, enquanto Edward, sentado ao lado dela, ria alto de suas manobras bruscas. Eles cantavam juntos "Inside out" do Jesse Rae que tocava no rádio, as vozes ecoando pelo habitáculo de couro. Bella sorria de verdade, anévoa da depressão parecia estar se dissipando diante da promessa de um futuro simples em La Push.
À noite, o retorno para a mansão trouxe de volta a quietude. Eles estavam no quarto, a lareira acesa estalando com a madeira queimando. O clima não era de agressividade ou desespero, mas de uma vulnerabilidade profunda e tocante.
Edward aproximou-se de Bella, que estava sentada no tapete diante do fogo, e começou a desamarrar o cabelo dela com extrema delicadeza.
— Às vezes eu olho para trás e sinto que vivi um pesadelo de um ano, Bella — ele sussurrou, encostando o queixo no ombro dela, os olhos fixos nas chamas. — Eu teria destruído o mundo inteiro por você... e talvez esse tenha sido o problema. Eu usei as armas erradas para tentar te proteger.
Bella virou o rosto ligeiramente, encontrando os lábios dele a centímetros dos seus. O amor que sentia por ele ardia mais forte do que qualquer ressentimento passado.
— Então me ama sem destruir nada dessa vez, Edward. Só me ama.
O beijo que se seguiu foi uma promessa silenciosa selada na pele. Eles se deitaram no tapete diante da lareira, os movimentos lentos, repletos de um carinho que curava as feridas abertas. Edward a tocou com uma reverência quase sagrada, gravando cada detalhe dela em sua alma, enquanto Bella se entregava sem barreiras, confiando plenamente no homem que ele estava se tornando.
Eles se amaram sob a luz bruxuleante do fogo, alheios ao fato de que, a milhares de quilômetros dali, o castelo de vidro que os protegia já havia recebido o primeiro golpe fatal. As rachaduras estavam se espalhando, e o colapso final estava marcado para acontecer em exatamente três dias.
O grande dia havia chegado: o aniversário de cem anos do Cullen Group. Mas para o casal, aquela noite representava algo infinitamente maior. Era a noite da libertação.
Sue Clearwater estava de pé atrás de Bella, ajustando com dedos cuidadosos os ganchos invisíveis do deslumbrante vestido de alta-costura verde-esmeralda que moldava o corpo da jovem. Sue estava pronta, vestindo um traje sóbrio e elegante; ela acompanharia Charlie oficialmente naquela noite, um passo corajoso que ambos decidiram dar juntos.
— Você está simplesmente magnífica, Bella — Sue elogiou, olhando pelo espelho com um sorriso materno. — Edward vai precisar de um desfibrilador quando te vir descer.
Bella sorriu, mas antes que pudesse responder, levou a mão à penteadeira para pegar seu frasco de perfume Dior. Assim que borrifou a fragrância no pulso, o aroma floral e denso flutuou pelo ar. Instantaneamente, uma onda violenta de náusea atingiu o estômago de Bella. Ela empalideceu, cobrindo a boca com a mão e respirando fundo, lutando contra o mal-estar súbito.
Sue franziu o cenho, imediatamente preocupada, e segurou os ombros de Bella.
— Bella? O que foi? Você está pálida... É o nervosismo por causa do evento?
Bella esperou a tontura passar, respirou o ar puro que vinha da janela entreaberta e, devagar, um sorriso radiante e trêmulo começou a desenhar-se em seus lábios. Ela olhou para Sue, os olhos brilhando com lágrimas de pura felicidade.
— Não é o nervosismo, Sue — Bella sussurrou, a voz embargada. — Minha menstruação estava atrasada alguns dias... Eu não queria criar falsas esperanças, mas fiz um teste de farmácia hoje de manhã. Deu positivo.
Sue soltou um arquejo audível, levando as mãos à boca.
— Bella... meu Deus!
Bella caminhou até a gaveta secreta de sua cômoda e retirou de lá uma caixinha de madeira delicadamente decorada. Ao abrir, revelou a Sue o conteúdo: uma pequenina roupinha de lã branca, tricotada à mão, repousando sobre um envelope de papel texturizado.
— Eu preparei isso para o Edward — Bella disse, a voz falhando pela emoção. — É o meu presente de boa sorte para a nova vida que vamos começar hoje.
Sue sentiu as próprias lágrimas rolarem. Ela envolveu Bella em um abraço apertado e caloroso, o tipo de abraço que Bella não recebia de uma figura materna há anos.
— Vocês merecem essa bênção, querida. Depois de tudo... vocês merecem esse presente.
Minutos depois, as duas começaram a descer as escadas de mármore da mansão. No hall de entrada, Edward e Charlie, ambos impecáveis em seus smokings sob medida, conversavam e riram alto de alguma história antiga de pescaria de Charlie.
Ao ouvir o som dos passos, Edward ergueu o olhar. No mesmo instante, o riso sumiu de seu rosto, substituído por um choque de pura admiração. Ele encarou Bella como se ela fosse a única criatura existente no universo. O vestido esmeralda contrastava perfeitamente com a pele alva e os cabelos castanhos presos em um coque elegante. Ele caminhou até a base da escada, estendendo a mão para ela.
— Você... você está absurdamente deslumbrante, meu amor — Edward murmurou, a voz rouca, depositando um beijo reverente no dorso da mão dela. Ele então olhou para o relógio e depois nos olhos dela, com um brilho cúmplice. — Tem um momento? Preciso que venha comigo ao escritório antes de irmos para o carro.
— Vá indo na frente, eu já te encontro lá — Bella sorriu, o coração batendo acelerado contra as costelas. — Só preciso pegar uma coisa no quarto.
Edward assentiu e caminhou em direção ao escritório. Bella subiu os degraus rapidamente, pegou a caixinha de madeira com as mãos trêmulas e desceu, sentindo que cada passo a afastava do passado e a aproximava do futuro que eles tanto sonharam na praia de La Push.
Quando Bella empurrou a porta pesada do escritório, encontrou Edward de pé diante da lareira acesa. Na mão direita, ele segurava as folhas de papel timbrado do Cullen Group, o contrato da Esposa Perfeita que havia ditado a vida deles até ali.
Ao ver a esposa entrar, Edward olhou para o documento com profundo desdém. Com um movimento firme e definitivo, ele jogou os papéis diretamente nas chamas da lareira. Bella observou o fogo lamber as cláusulas, as assinaturas e as regras frias, transformando o maior símbolo da mentira deles em cinzas flutuantes.
— Acabou, Bella — Edward disse, caminhando até ela com os olhos brilhando. — O contrato não existe mais. Esta noite, assim que eu subir naquele palco e entregar a presidência para o meu pai, eu deixo de ser o CEO do Cullen Group e vou ser apenas o homem que te ama. O seu Edward.
Bella sentiu as lágrimas transbordarem, mas sorriu, estendendo a caixinha de madeira que segurava contra o peito.
— Então... eu acho que este é o momento perfeito para te entregar o meu presente de boa sorte para o seu primeiro dia como "apenas Edward".
Edward encarou a caixa, confuso, mas com um sorriso intrigado. Ele a pegou, sentindo o peso leve, e caminhou até a mesa. Ao abrir a tampa, seus olhos pousaram primeiro na carta. Ele desdobrou o papel com cuidado e começou a ler. A caligrafia de Bella era firme, mas as palavras vinham de outro lugar:
"Papai,
Sei que os últimos tempos foram difíceis e que você teve que carregar o peso do mundo nas costas para proteger quem ama. Sei que você teve que fingir, que teve que lutar e que muitas vezes o medo tentou te fazer acreditar que você não era bom o suficiente.
Mas eu estou a caminho para te dizer que a escuridão passou. Daqui a alguns meses, eu vou chegar para encher aquela casa em La Push de barulho, para bagunçar o seu cabelo e para te lembrar, todos os dias, do homem incrível que você é através dos olhos da mamãe.
Você passou anos lidando com aparência de um CEO perfeito, mas agora a vida real está batendo à porta. Eu sou o seu recomeço. E, acima de tudo, eu sou a prova de que não existe mentira perfeita que consiga vencer o poder de um amor de verdade.
Com amor, do seu bebê."
Edward travou. Seus olhos verdes leram a última linha três vezes, enquanto o ar sumia de seus pulmões. Suas mãos começaram a tremer visivelmente. Devagar, ele afastou a carta e viu a pequenina roupinha de lã branca guardada no fundo da caixa.
Ele ergueu o rosto, as lágrimas finalmente rolando livres pelo rosto másculo, encontrando Bella, que o observava com o rosto molhado e o sorriso mais lindo do mundo.
— Bella... isso... isso é o que eu estou pensando? — a voz dele foi um sussurro quebrado, despido de qualquer orgulho.
Bella deu os passos que os separavam, colocou as mãos no peito do smoking dele e olhou no fundo de sua alma.
— Eu estou grávida, Edward. É de verdade. Nós vamos ter um bebê.
Edward soltou um som que foi uma mistura de soluço e riso. Ele largou a caixa na mesa e envolveu a cintura de Bella, tirando-a do chão em um abraço desesperado, apertando-a contra si como se estivesse recebendo a própria salvação. Quando a colocou de volta no chão, ele segurou seu rosto com as duas mãos e a beijou.
Foi um beijo intenso, profundo, que carregava o sabor das lágrimas deles e o peso de uma promessa real. Não havia mais contratos, não havia acionistas na mente de Edward. Havia apenas a boca de Bella, o milagre da vida crescendo dentro dela e a certeza de que eles haviam vencido.
Eles se separaram ofegantes, com as testas coladas, rindo em meio ao choro, completamente alheios ao fato de que o relógio na parede corria impiedosamente. Faltava pouco menos de uma hora para o evento do Cullen Group começar, o mesmo evento onde Alice, Jasper e Renée os aguardavam para iniciar a execução da guerra que mudaria suas vidas para sempre.
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