Notas iniciais
Oi, meus amores ! Se no capítulo anterior a gente começou a montar o jogo… agora as peças começaram a se mover de verdade. Aqui vocês já conseguem sentir melhor o contraste entre os mundos da Bella e do Edward, e como eles estão prestes a colidir de uma forma que nenhum dos dois está preparado. Esse capítulo é sobre observação, tensão e primeiras impressões… porque nem toda conexão começa com algo óbvio, às vezes começa com um olhar que demora um segundo a mais. E me contem: o que vocês acharam do primeiro encontro deles? Boa leitura ♡

— Eu já encontrei.

O silêncio que se instalou no escritório de Edward Cullen não foi imediato, ele se construiu aos poucos, pesado, denso, como se o próprio ar tivesse decidido se tornar mais difícil de respirar. Edward permaneceu imóvel por alguns segundos, os olhos verdes fixos em Emmett McCartney, seu melhor amigo de infância, tentando decifrar se aquilo era mais uma das ideias impulsivas do amigo ou algo que ele realmente deveria levar a sério. Mas Emmett não sorria. Não daquela vez. E isso, por si só, já era um sinal suficiente de que aquilo não era uma brincadeira.

Edward inclinou levemente a cabeça, cruzando os braços com um movimento lento, calculado, como se cada gesto precisasse ser controlado para não demonstrar mais do que ele estava disposto a permitir.

— Você encontrou… uma esposa? — perguntou, com um leve traço de incredulidade na voz, embora o tom permanecesse firme — E espera que eu leve isso a sério?

Emmett não respondeu de imediato. Caminhou até a mesa, apoiando a ponta dos dedos sobre a superfície de madeira escura, inclinando-se levemente para frente. Seus olhos estavam atentos, avaliadores, o tipo de olhar que ele só usava quando realmente acreditava em algo.

— Eu espero que você pare de ignorar o óbvio — disse, por fim, em um tom mais baixo, mais direto — Você precisa de alguém que pareça real, Edward. Alguém que não pareça… fabricado.

Edward soltou uma respiração curta pelo nariz, desviando o olhar por um instante, como se aquilo fosse absurdo demais para sequer considerar.

— E essa pessoa está onde? Em um catálogo? — rebateu, seco.

— Em uma boate.— A resposta veio rápida e direta.

E foi o suficiente para fazer Edward voltar a encará-lo.

O silêncio voltou, mas agora carregado de outra coisa, curiosidade, talvez. Ou irritação. Era difícil dizer.

— Você só pode estar brincando com a minha cara...— disse Edward, dessa vez sem sequer tentar esconder o desdém.

— Eu não estaria aqui se estivesse.—Emmett apenas arqueou uma sobrancelha.

Edward passou a mão pelos cabelos, dando alguns passos pelo escritório, como se precisasse de movimento para organizar os pensamentos. Aquilo era absurdo.Completamente absurdo. E ainda assim…

— E por que, exatamente, você acha que uma garota que trabalha em uma boate seria uma boa escolha? — questionou, parando novamente diante dele.

— Porque ela não está lá porque quer.— Emmett o observou por um segundo mais longo antes de responder.

Aquilo fez Edward hesitar, não visivelmente. Não o suficiente para qualquer outra pessoa perceber, mas Emmett percebeu.

Sempre percebia.

— Ela está lá porque precisa de dinheiro para salvar a vida do pai. — continuou — E isso muda tudo...Facilita bastante, na verdade.

Edward não respondeu imediatamente. Seus olhos se estreitaram levemente, como se estivesse analisando aquela informação, pesando cada detalhe invisível.

— E você acha que necessidade é suficiente para confiar em alguém? — perguntou, por fim.

Emmett deu um pequeno sorriso de lado.

— Não. Mas é suficiente para começar uma negociação.

Silêncio.

E, pela primeira vez naquela conversa, Edward não descartou a ideia imediatamente.


A boate estava ainda mais cheia do que antes.

O som parecia mais alto, as luzes mais agressivas, o ar mais quente. Bella já havia perdido a noção de quantas horas estava ali, quantas bebidas havia servido, quantas vezes havia repetido os mesmos movimentos mecânicos enquanto sua mente vagava para um lugar completamente diferente daquele ambiente.

Seus braços doíam, seus pés imploravam por descanso e ainda assim… ela continuava.

Porque precisava.

— Bella, você vai desmaiar — Rosalie murmurou ao se aproximar novamente, dessa vez com um tom menos brincalhão, mais sério — Você tá pálida.

Bella forçou um sorriso enquanto limpava o balcão com um pano úmido, os movimentos mais lentos do que antes.

— Eu tô bem… — respondeu, mas sua voz saiu mais fraca do que gostaria.

Rosalie estreitou os olhos, claramente não convencida.

— Você não tá — retrucou, cruzando os braços — E eu sei exatamente quando você começa a mentir.

Bella desviou o olhar, respirando fundo.

— Eu só preciso aguentar mais um pouco, Rosie… — disse, quase em um sussurro — Só mais um pouco.

Mas “um pouco” já não era suficiente há muito tempo e as duas sabiam disso.

Foi nesse momento que a porta da boate se abriu novamente, deixando entrar uma rajada de ar mais frio que contrastou com o calor sufocante do ambiente. Rosalie foi a primeira a olhar naquela direção e, por uma fração de segundo, sua expressão mudou.

Sutil.

Quase imperceptível.

Mas Bella percebeu.

— O que foi? — perguntou, franzindo levemente a testa.

Rosalie hesitou antes de responder, os olhos ainda fixos na entrada.

— Nada… — disse, lentamente — Só… alguém que eu conheço.

E então ele entrou.

Emmett McCartney não parecia deslocado naquele ambiente, mas também não parecia pertencer completamente a ele. Sua presença era diferente, mais sólida, mais consciente. Ele observava tudo ao redor com um olhar atento, como se estivesse analisando cada detalhe antes de tomar qualquer decisão e então seus olhos encontraram Bella.

Por apenas um segundo.

Mas foi o suficiente.

Ele a observou em silêncio, absorvendo cada detalhe: a forma como ela se movia atrás do balcão, a leve tensão em seus ombros, o cansaço evidente em seus olhos… e ainda assim, a maneira como ela se mantinha firme, como se se recusasse a desmoronar ali.

Rosalie se aproximou dele rapidamente.

— O que você tá fazendo aqui? — perguntou, em tom baixo, mas firme.

Emmett sorriu de lado.

— Vim trabalhar.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— Desde quando você trabalha em boate?

— Desde hoje.

Rosalie cruzou os braços, desconfiada.

— Emmett…

Ele inclinou levemente a cabeça, aproximando-se um pouco mais dela.

— Relaxa — murmurou — Eu só vim confirmar uma coisa.

— O quê?

Emmett desviou o olhar novamente para Bella, que naquele momento entregava uma bebida a um cliente, completamente alheia à conversa.

— Se ela é exatamente como você disse.

Rosalie seguiu seu olhar… e então entendeu.

E, pela primeira vez naquela noite, ela não fez nenhuma piada.

Edward não queria estar ali.

Aquilo era um fato.

O ambiente era caótico demais, barulhento demais, desorganizado demais , tudo o que ele evitava. Ainda assim, ele estava ali, parado próximo à entrada, os olhos percorrendo o local com um olhar crítico, quase clínico.

Ele confiava em Emmett.

Mas não o suficiente para aceitar algo assim sem ver por si mesmo.

— Você podia tentar não parecer que quer processar o lugar inteiro — Emmett comentou ao seu lado, divertindo-se com a expressão do amigo.

Edward ignorou.

Seus olhos continuaram percorrendo o ambiente… até pararem.

Ela não se destacava como as outras.

Não chamava atenção de forma óbvia.

E talvez fosse exatamente por isso que chamou a dele.

Bella estava atrás do balcão, concentrada em preparar uma bebida, completamente focada no que fazia. Seus movimentos eram precisos, econômicos, sem exageros. Não havia sorriso forçado. Não havia tentativa de agradar além do necessário.

Ela fazia o que precisava ser feito.

Nada mais.

Nada menos.

— Aquela ali — disse Emmett, confirmando o que Edward já havia percebido.

Edward não respondeu, apenas observou.

Mais um pouco.

Mais atento agora.

E, pela primeira vez naquela noite… algo nele mudou.

Não era interesse.

Ainda não, mas também não era indiferença.

Bella não percebeu quando ele se aproximou.

Só notou a presença quando uma voz masculina, firme e controlada, soou diante dela:

— Um whisky. Sem gelo.

Ela ergueu o olhar e por um segundo…parou.

Havia algo naquele homem, na postura, na forma como ele a olhava, não com interesse, não com desdém… mas como se estivesse analisando algo que ainda não tinha decidido se valia a pena.

Bella desviou o olhar primeiro, pegando a garrafa.

— Alguma marca específica? — perguntou, mantendo o tom profissional.

— A melhor que você tiver.

Ela serviu a bebida em silêncio, deslizando o copo até ele.

— Vai ser caro — disse, sem olhar diretamente para ele.

Edward quase sorriu.

Quase.

— Eu posso pagar.

Bella finalmente o encarou.

Direto.

Sem submissão.

— Não duvido.

Silêncio.

Curto.

Mas carregado.

E então ela se afastou, atendendo outro cliente como se aquele momento não tivesse significado nada.

Mas teve.

Para os dois.

Do outro lado do balcão, Emmett observava tudo com um sorriso satisfeito.

E, ao lado dele, Rosalie soltou um suspiro baixo.

— Você acabou de complicar a vida de todo mundo, né?

Emmett inclinou levemente a cabeça.

— Não — respondeu, com tranquilidade — Eu acabei de resolver dois problemas com uma única ação.

Ele olhou novamente para Bella.

Depois para Edward.

E então disse, quase como uma conclusão inevitável:

— Agora… é só fazer os dois perceberem isso.

E, sem saber…Bella Swan estava a poucos passos de aceitar a proposta que mudaria completamente sua vida.

Porque, às vezes…a escolha mais perigosa não parece uma escolha.

Parece uma saída.



Notas finais
E então… 👀 O primeiro encontro aconteceu, e não foi nada do que a gente espera de um romance comum, né? Aqui ainda não tem amor, não tem confiança… só análise, julgamento e uma curiosidade que nenhum dos dois vai admitir. Mas a gente sabe: 👉 é exatamente assim que as melhores histórias começam. E agora eu quero saber de vocês: 💭 O que o Edward pensou da Bella? 💭 E a Bella… sentiu alguma coisa ou só viu mais um cliente? 💭 Vocês acham que ela vai aceitar essa proposta? Comentem MUITO, surtos liberados, teorias também 😏 Isso me ajuda demais no desafio! Até o próximo capítulo… (e cuidado: a partir de agora, a mentira começa a tomar forma 👀💔)