A Espada do Rei Destruído
1 Prólogo - Traição
Notas iniciais
— O que você acha, meu rei? Sua lâmina está de seu agrado? — Um homem, trabalhador, que acabara de polir uma espada, mostra ela para seu rei.
— Eu quero vê-la reluzir. Quero que, de longe, todos temam o meu reinado por causa do brilho de minha espada.
— I-Isso é impossível, senhor.
— Então faça o impossível.
O trabalhador suspira e volta a polir a espada. Enquanto isso, o rei caminha pelo seu castelo, a procura de sua mais nova escrava. Esta, estava trancada numa sala, acorrentada, nua, longe de seu equipamento perdido em batalha. O rei entra na sala, observando a garota.
— Você falhou. Não conseguiu completar sua missão.
— Ao menos eu lutei pelo meu reino, seu traidor imundo.
— Eu luto pelo meu reino. Ajudo ele fazendo o que estou fazendo agora.
— Que seja. Seu reino continua podre, e você é a causa dessa podridão.
— Não se preocupe com isso. Se você está pedindo, então eu lhe darei com prazer uma morte lenta e dolorosa, para que aprecie o seu sofrimento. — O rei abre um armário de madeira, cheio de vários tipos de armas diferentes, como espadas, machados, facas e outras lâminas. — Escolha sua arma, escrava.
— Acha que só pelo fato de ter me ganhado numa guerra vai te fazer me matar? Saiba que eu não sou uma guerreira por nada.
— Você não é uma guerreira. Você perdeu para um “traidor imundo”. Para a “causa da podridão”. Se você fosse uma guerreira de verdade, quem sabe não teria me vencido? — Um silêncio toma conta do momento, enquanto o rei se decide e pega uma grande lança. Sua ponta era feita de ferro, afiada manualmente com cascalho. Sua base era feita de um cabo de couro, com detalhes dourados. Nada mais foi dito, e a garota simplesmente aceitou. A grande lança foi encravada em seu peito, e ela caiu no chão, morta, com sangue derramado por todos os outros escravos que foram capturados em guerras. A vida dela havia terminado ali, banhada em sangue e ouro. Caída, derrotada. O rei sorriu ao ver que seu serviço foi completado – mais uma vez – com sucesso. Ele a soltou das suas correntes e saiu da sala, sem perceber que, de alguma forma, a garota continuava a se mexer, mesmo com uma lança encravada em seu peito.
— Eu... terei.. minha.. vingança.. — Sua voz é forçada e trêmula. Ela tenta mexer os braços, mas sem forças é obrigada a deixar a deixar a lança encravada no peito. Sem correntes para ser bloqueada, ela se levanta lentamente. Ela grita de dor, fazendo com que todos os guardas percebam a movimentação e se dirijam a sala de tortura. Ela continua a caminhar, em direção ao armário de armas, ganhando forças a partir de seu ódio e fome por vingança. Dentro dele, há mais três lanças idênticas a que foram usadas para sua “morte”.
Os guardas chutam a porta para entrar, e retiram suas espadas das bainhas para se prepararem para o combate. Eles não vêem ninguém na sala, mas adentram ela, na esperança de que haja algum escravo fugitivo escondido. Eles olham para todos os lados e não encontram nada além de corpos mortos de escravos.
Uma névoa negra aparece, e de dentro dela sai a garota recém-executada. Ela segura uma das lanças que achou no armário, enquanto a segunda está no chão e a primeira continua encravada no peito.
Sejam julgados. — Ela prepara sua lança, atirando-a no guarda do meio, que despreparado é acertado e cai no chão. Os outros dois, ao verem o perigo dela, avançam lentamente, se preparando para revidar qualquer golpe. — Alimente nossa causa... — Ela invoca um espectro de uma das almas de escravos torturados, que assusta os dois guardas restantes. Ao aproveitar a distração, a garota joga sua última lança em um deles, enquanto o outro foge.
Ela percebe que ganhou e caminha lentamente em direção a porta, saindo do quarto. Seu objetivo, é vingança. Ela continua a caminhar pelo castelo a procura do rei, lentamente.
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— É hora de começarmos o treinamento. Lutem!
Dada essa ordem, vários soldados e guerreiros começam a lutar. Dentre eles, uma mulher. Linda, com longos cabelos escuros e olhos castanhos. Usava uma armadura grossa feita de ferro, com um capacete. Ela treinava contra outros oponentes utilizando uma tábua de madeira. O objetivo do treinamento era para que os soldados conseguissem incapacitar seu oponente de lutar, o que seria usado nas guerras – a única diferença é que nas guerras eles não iriam apenas incapacitar o oponente. Eles iriam matá-lo.
Ao acabar o treinamento, a bela garota ganhou de seu oponente.
— Você jogou bem.. — dizia a garota, ofegante e cansada por conta da luta.
O oponente agradeceu e todos se sentaram nos bancos, seguindo a ordem do treinador. Porém, durante o treinamento, o sino tocou – dando três barulhentas badaladas. Isso significava que exércitos inimigos se aproximavam, forçando soldados, recrutas e guerreiros a lutarem obrigatoriamente. E isso forçava a garota – que era apenas uma garota – a lutar.
Ao se prepararem para a luta, a garota pôde ouvir uma conversa com o rei de seu reino e um dos guerreiros.
— Eu não sei o que está acontecendo. Eles prometeram que não iriam nos atacar.
— Entenda, pai. No mundo de hoje, não existem promessas. São apenas palavras.
— Eu não pensei que isso fosse acontecer...
A garota se preocupou ao ouvir isso, porque o único reino que era supostamente aliado, era um dos mais fortes da região. Significava que a batalha seria realmente difícil.
No ínicio da guerra, o reino dela estava ganhando. Eles matavam muito e poucos guerreiros haviam morrido. Ela por exemplo, já havia conseguido derrubar três inimigos com sua espada. Estava orgulhosa disso. Até que uma segunda frota inimiga chegou – dessa vez com o rei inimigo e sua espada. A garota mal teve tempo de fugir – um dos guerreiros inimigos cortou sua mão esquerda e ela caiu, desmaiando por causa da tensão da guerra e da dor.
Ela acordou numa sala escura, cheia de corpos mortos. Algemada e nua, a garota não teve o que fazer, e apenas esperou pela sua inevitável morte. O rei inimigo traiu seus aliados. Foi quando ela fez uma promessa a si mesma.
— Eu matarei todos os traidores... eu matarei o rei!
Morte a todos os traidores!
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