A Espada do Rei Destruído

2 Capítulo 1 - Agonia, êxtase, paz


Notas iniciais
Olá pessoal. Leiam o capítulo e comentem no final o que acharam, me dando dicas, sugestões e ideias para continuar a história. Obrigado!

A garota continua a caminhar pelo castelo do rei, deixando rastros de sangue derramado por todo o caminho. A lança continua no seu peito, porém a dor já não estava incomodando. Ela havia sido traída, seu reino havia sido traído, e sua família dizimada pela vitória traiçoeira do reino inimigo. Tudo que ela queria era vingança contra o ato de crueldade cometido pelo rei, procurando ele pelo castelo. Foi quando ela ouviu um grito alto vindo de uma outra sala, numa outra sala de tortura. Ela caminhou em direção ao som do grito, abrindo a porta da sala para observar o que acontecia.

Tudo que foi visto era um adolescente, caído no chão. Não parecia ferido ou morto, e não estava nu como todos os outros escravos torturados. Atrás dele, haviam diversos livros e papéis espalhados sobre o mesmo tema: a morte. Ao se levantar, o garoto parecia assustado, mesmo sem ver que havia uma garota com uma lança encravada no peito em sua frente. Ao perceber que ele estava mexendo com a morte, a garota tirou a lança de seu peito com força, e a jogou, encravando-a no chão perto do garoto. Uma fumaça negra azulada saiu de perto do garoto, e uma ligação – uma pequena linha esfumaçada azul entre os dois – foi criada.

— O pacto foi feito. — disse a garota, tirando a sua lança do chão e inserindo novamente no peito, sem sentir dor. — Apenas um tolo abraçaria a morte.

— O que.. aconteceu? — o garoto permanece em dúvida sobre o que está acontecendo. — Q-Quem é você?

— Não importa.

— Você.. vai me ajudar com a morte?

— Não. Você vai me ajudar. O que está fazendo aqui? É uma sala proibida, ninguém como você deveria estar aqui. Essa é a biblioteca real.

— Isso não importa agora, você está sangrando! E você tem uma lança no peito!

— E você falsificou sua morte. Perdeu tudo o que tinha pelo seu interesse obsessivo na morte. Seus amigos, sua família, abandonou tudo para fazer parte de um lugar no qual não deveria estar. Tudo o que eu desejo ter de volta, você abandonou. Você é nojento.

— C-Como sabe de tudo isso?

— Você traiu as pessoas que mais te amavam por um desejo obsessivo. É por isso que eu te conheço perfeitamente, Karthus.

— Certo... e o que vai fazer com essa informação?

—Caso você me ajude, eu te concederei seu desejo de entrar nesse mundo.

— Isso é impossível, eu já tentei de todas as maneiras, não dá certo. Estudei todas as formas de tentar fazer isso, nunca consegui.

— Apenas confie em mim. Você já não tem mais nada a perder.

Karthus foi obrigado a confiar na garota, seguindo-a pelo imenso palácio real a procura do rei. Ela já não sangrava mais, porque este já tinha acabado – seu coração parou de bater, e todos os seus orgãos pararam de funcionar. Mas de alguma forma, ela não se sentia morta. Karthus não sabia o que pensar, apenas seguia a garota.

— Mas me diga, como vou poder te ajudar? — disse Karthus, observando a seriedade da garota.

— Não se preocupe, quando esse momento chegar, você será de grande utilidade.

— E por que.. você não morre?

— O meu desejo de vingança é maior do que minha obrigação de morte. Antes de ser executada, eu fiz uma promessa a mim mesma.

— Como assim?

— Eu prometi que mataria todos os traídores. E eu farei isso. Caso eu não cumpra minha promessa, serei uma traídora, logo terei de me matar. E eu não quero ir embora sem matar o homem que traiu meu reino e matou a todos os que me amavam.

Karthus era um garoto solitário e, de acordo com seus conhecidos, um louco. Ele tinha um desejo obsessivo em saber de tudo sobre a morte e controlá-la. Para todos, isso era uma loucura muito grande. Até que chegou o dia em que ele mesmo falsificou sua morte, e assistiu o seu suposto enterro de longe. Depois desse dia, ninguém mais considerava ele um vivo. As pessoas diminuíram ainda mais o seu respeito por ele e começaram a ignorá-lo, incluindo sua família.

Seus sentimentos não mudaram – ele não ligava pelo fato de ser solitário. Seu interesse obsessivo na morte o forçou a visitar o local onde a morte se materializava: a Ilha das Sombras. Um local obscuro, morto, e horrível. Foi a primeira vez em que o garoto se sentira em casa, um lugar que ele adorava e onde todos os seus desejos se realizavam.

Ele desejou então, se tornar parte da Ilha das Sombras, virando uma materialização da morte, uma criatura maléfica, destruidora, imunda. Dessa forma, ele procurou diversas formas de se tornar um espírito. Pesquisou e estudou muito sobre o assunto, porém nada o fazia chegar uma conclusão. Foi quando ele se lembrou – na Ilha das Sombras, em um dos reinos que lá estavam, no palácio real havia uma biblioteca secreta, na qual haviam livros nunca antes publicados em bibliotecas comuns pelos reinos. Logo, ele conseguiur invadir o palácio e entrou na biblioteca. Ele leu todos os livros, até achar um em especial. Este continha diversos tipos de feitiços e invocações obscuras, envolvendo magia negra. Foi quando ele achou o feitiço que procurava e o executou, e um grande clarão apareceu. Ele sentiu uma dor imensa e gritou o mais alto que pôde, chamando a atenção de todos no palácio – incluindo a garota.

Agonia, êxtase, paz. Cada passagem tem sua beleza.

— Karthus

Notas finais
E então, o que acharam do capítulo? Fico no aguardo dos comentários! :D