A Espada do Rei Destruído
3 Capítulo 2 - Chamado do Destino
Notas iniciais
Karthus e a garota caminharam por vários corredores do palácio durante alguns minutos, até serem encontrados e cercados por 8 guardas. Karthus ficou assustado, porque havia entrado no palácio sem permissão. Já a garota, se prepara para o combate.
— Kalista. — a garota sussurra para Karthus.
— O quê?
— Meu nome é Kalista. Você perguntou quem eu era.
— Claro, mas acho que não é a melhor hora pra isso.
— De qualquer forma, estamos cercados, e eu não tenho muitas lanças.
— Não estamos cercados! — Karthus aponta para uma porta semi-aberta à direita — Rápido!
Os dois correram até a sala que a porta levava – uma grande cozinha, com uma mesa preparada com diversos pratos diferentes e deliciosos. Sentados nessa mesa, estavam os principais governantes do reino, incluindo o rei, que estava sentado na ponta mais afastada da mesa. Ao ver que Kalista conseguiu sobreviver a lança, o rei se levantou da cadeira, espantado com a cena. Todos os governantes olharam para a garota, e assustados largaram seus talheres para observar. Kalista preparou uma de suas poucas lanças para tentar acertar no rei, porém um dos guardas que os cercaram a segurou. Karthus deu um chute no guarda, afastando-o de Kalista. Enquanto isso, o rei correu para se afastar da escrava aparentemente morta. Os governantes logo se juntaram – perceberam que estavam em maior quantidade e que poderiam matar (de novo) Kalista.
— Não se assuste agora, Karthus.
— Como assim? — ele estava quase desmaiando de medo, quando Kalista ergueu a mão e ele começou a flutuar no ar, envolto de uma camada azulada.
— Machuque-os! — ela jogou Karthus em cima dos guardas, incapacitando-os por alguns segundos.
Enquanto os guardas estavam caídos, Karthus e Kalista aproveitaram para correr. Fugiram dos guardas com rapidez, e Karthus nem se atreve a perguntar como ela conseguiu fazer isso. Correram o mais rápido que puderam pelos corredores largos e compridos do palácio, e foram seguidos por 3 guardas. Dessa vez, eles realmente não tinham saída – o corredor estava sem fim. Porém, desta vez foi mais fácil – como eram poucos, Kalista simplesmente atirou suas 3 lanças nestes (incluindo a que estava presa no seu corpo), que morreram rapidamente. Logo, como ela estava sem roupas, ela pegou a armadura de um dos guardas – um capacete preto com um buraco em cima, permitindo que ela passasse seu longo cabelo por ele; um peitoral de ferro preto; uma espécie de saia feita de metal preso num tecido avermelhado rasgado pela lança e joelheiras de ferro pretas. Após colocar o peitoral, ela o perfurou, inserindo as 3 lanças no seu corpo.
— Por que você fica com as lanças encravadas no corpo?
— Elas são um símbolo da minha imortalidade. Se eu perdê-las, eu sinto que não vou conseguir sobreviver. É como se, justamente pelo fato de que eu morri por elas, se eu ficar sem eu não consigo mais “sobreviver”. Além disso, eu não posso carregá-las nas mãos, então deixo elas aqui.
— Entendo.. então você não sobrevive por vingança, como havia dito.
— Não exatamente. Eu já não sou mais a garota que eu era.
— Você é um espectro. Eu li sobre isso nos livros da biblioteca real. Apenas poucos mortos são escolhidos para se tornarem espectros, geralmente são os que têm um motivo muito bom para merecerem a vida pós-morte de forma natural.
— Exato. É justamente por isso que eu não morro. Eu fui escolhida por ter um desejo muito forte de vingança pelo meu povo. Agora, é melhor continuarmos, antes que o rei seja esperto o suficiente para perceber que estou atrás dele.
Os dois continuaram a caminhar pelo castelo, mas não demorou muito para que o rei chamasse mais guardas para defendê-lo. Ao perceberem que a vigilância do castelo aumentou, eles tiveram que começar a andar escondidos pelo castelo – atrás de colunas, paredes e decorações, tudo para não serem vistos.
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— Então, você é capaz de pegar aquela garota para mim? — pergunta o rei, para uma pessoa misteriosa.
— Com certeza.
— Me pergunto como pretende fazer isso.
— Não se preocupe... além de mim, eu tenho alguns “amiguinhos” aqui dentro.
— Dentro.. dessa coisa?
— Sim. Não se preocupe, eu faço isso já fazem anos, não há jeito de falhar nessa missão. Só me pergunto o que eu vou ganhar com tudo isso.
— Bom, você pode ganhar minha espada. Ela vale um pouco mais do que o meu palácio, acredite.
— Não se preocupe, não estou duvidando de seu valor. Mas eu quero algo mais. Da forma que ela parece ser complicada de ser pega, eu quero um valor muito alto para valer a pena.
— Não há nada que valha mais que meu palácio.
— Veja isso.
A pessoa misteriosa solta o objeto que segurava, deixando-o cair no chão. De dentro dele saem várias pequenos objetos transparentes com um tom esbranquiçado, de forma irregular, que voam aleatóriamente pela sala.
— O que é tudo isso? — pergunta o rei.
— São meus “amiguinhos”. E eu quero ser amigo dela, se é que me entende.
— São... almas?
— Sim. E eu quero a alma dela.
— Negócio fechado. Você fica com a espada, e com a alma da garota.
— Antes de tudo, eu vou querer a espada antecipada. Sem ela, eu não vou conseguir matá-la.
— Você só pode estar de brincadeira. A espada nem está pronta ainda, precisamos dar alguns retoques finais nela, polí-la de novo, lavá-la, pintá-la, dentre muitas outras coisas. Não tem jeito de te dar a espada.
— Eu quero aquela espada. Se eu não tiver a espada, eu não vou fazer o que você quer. Entenda isso, são os meus requisitos. Se não cumprí-los... você morre.
Qual é valor de uma alma?
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