Dona Lorena Willians abre a porta ficando surpresa com a minha presença.

—Filha!- minha mãe vem ao meu encontro me dando um abraço.

—Oi mãe- digo retribuindo o abraço.

—Rafael, como vai?- ela vai até ele lhe dando um abraço,

—Vou bem, Senhora Lorena.

—Senhora Lorena não, me chame apenas de Lorena, me sinto mais velha do que já sou- ela fala e damos risada.- Venham, vamos entrar.

Meu pais sempre respeitaram minha escolha, mesmo meu pai não gostando muito do fato de eu estar namorando uma mulher, fui muito respeitada pela minha família, agradeço muito por isso, sempre receberam a mim e a Juliet muito bem, nunca a desrespeitaram, minha mãe adorava a Juliet, as duas viviam na cozinha fazendo doces e salgados.

—Cadê a minha nora?

—Então, mãe...é sobre isso que eu quero falar- abaixo a minha cabeça.- O papai está em casa?

—Sim, ele está lá na sala- ela fala indo em direção a sala.- Dylan, nossa filha está aqui.

—Oi Amy- ele levanta do sofá e me abraça.

—Oi pai- retribui-o o abraço.

—Rafael, a quanto tempo.

—É mesmo, Senhor Robert- eles dão aquele típico abraço masculino, apertam as mãos e em seguida dão um tapinha nas costas um do outro.

—Me chame de Dylan, já falamos sobre isso- ele dá um sorriso.

—Certo- Rafael sorri.

—Então filha, o que aconteceu?- minha mãe pergunta se sentando fazendo sinal para que todos se sentem também.

—Mãe.......- fico com o olhar triste.

—Ah não, você e Juliet terminaram?

—Não, sim, não sei explicar- digo confusa.- Terminamos, não da forma que eu queria, não que eu quisesse terminar com ela, só que se fosse pra terminar, preferia que tivesse acontecido diferente.

—Filha, o que aconteceu?

—Mãe...a Juliet morreu- dizer aquilo pra minha mãe foi tão difícil, ela sabia de tudo, do jantar, do pedido de casamento, de tudo.

—O quê? Como isso aconteceu?

—No mesmo dia do nosso aniversário de namoro fomos comprar os presentes, cada uma separada, então o táxi que ela estava ultrapassou um sinal vermelho, outro carro veio e bateu neles- falo com o coração na mão.

—Juliet morreu? Eu não posso acreditar.

—Eu também não acreditei.

—Sentimos muito- meu pai fala abraçando a minha mãe que estava a chorar.

—O enterro dela será amanhã- Rafael me abraça porque estou chorando, olho pra ele e dou um pequeno sorriso.

—Amy, eu sinto muito- minha mãe diz vindo me abraçar.

—Eu também sinto, mãe- falo.

O ar ficou triste em casa, minha mãe chorava e meu pai tentava consolar, Juliet era como uma melhor amiga pra minha mãe, não sei como ela vai superar isso.

—Mãe, eu vou indo, só queria te avisar e poder te ver- falo me levantando e limpando minhas lágrimas.

—Filha, fique mais um pouco, que tal dormir aqui?- minha mãe diz.

—Claro, volto aqui depois, vou pegar algumas roupas em casa- vamos até a porta e me despeço dos meus pais.

Rafa abre a porta do carro pra mim e eu entro, ele da a volta e entra. Fico olhando a paisagem esperando chegar em casa.

—Amy? Tudo bem?- Rafael pergunta.

—Acho que sim- olho pra ele.

—Sua mãe está bem triste- ele diz.

—Juliet era uma pessoa importante pra minha mãe- falo.- Era como uma amiga, outra filha.

—Deu pra ver...- ele pega um caminho diferente.

—Pra onde você vai?- pergunto desconfiada.

—Tem um café aqui perto, e também um parque- ele diz estacionando o carro.

—Eu preciso ir pra casa, minha mãe está me esperando- falo.

—Eu sei, mas ela pode esperar um pouco- ele desce do carro e abre a porta pra mim.

—Rafael.

—Vem logo- ele diz apressado.

Bufo e solto o cinto descendo do carro.

—Por que me trouxe pra cá?

—Olha, muitas coisas ruins acontecem, não adianta tu se deitar e chorar todos os dias sabendo que existe um mundo do lado de fora, sabemos que aqui- ele aponta pro chão.- Não é um grande mundo, mas sabemos que o mundo que você está, é o mundo onde você vai viver tua vida, toda vez que você deita na tua cama pensando todas as coisas ruins do dia e começa a chorar baixinho é o tempo que tu perde não criando novas memorias, do que adianta tu chorar sendo que podia estar dando o mais belo sorriso, existem sim momentos para chorar, mas cada um deles é um momento diferente, tu não vai passar anos chorando pela mesma coisa, ou vai? Todo o tempo que você perde chorando, todo tempo que você perde lembrando daquilo que te faz mal, é o tempo que você poderia estar criando qualquer outra coisa que te faça bem. Tu pode escolher chorar o tempo todo ou, mudar o teu mundo de uma forma que você chore nos momentos precisos e seja feliz o tempo que quiser.

—E se alguém te fizer mal? Uma pessoa que você ama por exemplo? Quando ela te fala palavras horríveis que te machucam, essa pessoa pode até perceber que te machucou, mas nunca vai se importar de verdade, depois ela corre atrás de você só que, você está presa no seu mundo chorando por tudo aquilo que ela te falou, ela te machuca e te perfura como uma faca, quando você cria coragem pra sair na rua e aquela pessoa está sorrindo como se nada tivesse acontecido, mas você lembra, lembra de todas as palavras que te causam dor e sente vontade de chorar, você não chora, não chora porque tem que ser forte ali, mas, você chega em casa tão cansada de viver, e a única coisa que você quer fazer, é deitar e chorar, porque tu sabe que não tem forças pra nada.

—Talvez essa pessoa possa não ter te amado de verdade, mas se ela voltar e pedir desculpas é porque não esqueceu de ti, talvez oque você possa ter tido com a pessoa não volte a ser a mesma coisa, só que tu lembra que ela te pediu desculpas. Você vai chorar por muita coisa, mas é melhor parar, você faz tua vida do jeito que quer, não adianta falar "Mas eu não escolhi ser triste", não, tu faz as coisas serem tristes, as pessoas que tu escolhe para viver na tua vida vão ser um reflexo disso, qualquer um pisa na bola, mas não faça aquela pessoa se martilizar todos os dias por aquilo e nem se martilize, é mais fácil se ajudarem do que ficar todos os dias se magoando. Pisar nas pessoas também não te faz superior, pisar nas pessoas te faz um babaca do pior tipo, porque não procura ter atenção de um jeito melhor? Porque não para de tratar todos a sua volta como se não valessem nada? Eles valem, dois segundos do sorriso deles vale mais do que todas as suas risadas por fazer outra pessoa se sentir inferior- ele começa a andar e vou seguindo ele.- O que acha que as pessoas fazem quando estão felizes?

—Diversas coisas.

—Claro, oque você consegue fazer com um sorriso? Um simples sorriso pode contagiar tantas pessoas no mundo, aproveite pra sorrir pra alguém, fazer um elogio, dizer ela é bonita não importa o jeito que for. O que acha que isso faz?- ele pergunta olhando pra mim.

Fico em silêncio e abaixo a cabeça.

—Isso faz a diferença, todas as vezes que você viu alguém sorrir por receber um elogio, todas as vezes que alguém retribuiu aquele simples sorriso que você deu na rua. Isso faz tanta diferença, isso faz toda a diferença.

—Eu sei que você quer chegar a algum lugar com essa conversa, tudo isso que você está falando em sorrir e não chorar, você só quer me ajudar, eu sei disso, mas as coisas não são tão fáceis assim, como vou conseguir forças pra dar um sorriso se não tenho nada pra me fazer sorrir? Criar algo que me faça feliz também não é fácil, você já tentou tantas vezes que se cansa, só posso pedir que pare, okay? Frases de incentivo, planos para tentar me animar, textos, e outras mil coisas. Nada funciona, só.......só pare de tentar fazer uma coisa que sabe que não vai acontecer, não por agora- eu falo parado um pouco atrás.

—Tudo bem, você quer o seu tempo, darei isso a você- ele passa o braço em volta do meu pescoço e começa a me guiar.- Agora, vamos ao café.

Vou andando junto com ele e 5 minutos depois entramos em uma cafeteria, o cheio de café quente e bolo surge no ar, aquilo era tão gostoso, todos aqueles doces na vitrine pareciam tão bons, todas as pessoas na mesa tomando seus cafés e sorrindo, pessoas lendo e estudando, tão típico de cafeterias, tudo isso acompanhado de um café.

—Pode pedir- ele aponta pro cardápio grudado no alto da parede.

—Bolo de cenoura com cobertura de chocolate e um cappuccino- peço pra moça que cuida dos pedidos, ela anota e o papel vai pra outra pessoa.

—E o seu?- ela pergunta pro Rafael, com uma voz diferente, típica de mulheres que só querem o cara por um dia, essas mulheres, reviro os olhos.

—Bolo de chocolate e um café expresso- ele parecia não se importar com o jeito dela, parecia saber oque ela estava tentando fazer.

—Claro- ela faz a mesma coisa que fez com meu pedido.

Depois de um tempo ela entrega nossos pedidos e pisca pro Rafa, fico um pouco incomodada.

—Então, ela te passou o número dela?- pergunto sentando na mesa e dando uma garfada no meu bolo de cenoura, aquilo estava maravilhoso.

—O que? Achou que eu sairia com ela?- ele pergunta bebendo seu café.

—Não sei, talvez, ela é bonita- digo dando de ombros.

—Bonita e atirada, ela pode ser e fazer oque quiser, mas eu não sou obrigado a gostar, ela não faz meu tipo- ele olha pra ela que está dando em cima de outro cara e dá um sorriso.

—Deu falsas esperanças a ela?

—Nem dei esperança pra começo de conversa.

—Okay, entendi- falo me rendendo.

Ele termina de comer seu bolo e fica tomando seu café.

—Vamos logo.

—Me deixa comer, Rafael- falo dando mais duas garfadas no meu bolo.

—Você é lenta demais.

—Eu sei apreciar as coisas, é bem diferente- falo terminando o bolo.

—Podemos ir agora?- ele termina seu café e levanta.

Pego meu cappuccino e fico esperando na porta da cafeteria em quanto ele paga. Os pássaros estão fazendo uma linha no céu, o sol está se pondo aos poucos, o céu estava limpo e puro, as ruas não muito movimentadas e sem engarrafamentos, a coloração que o azul do céu fazia com o laranja do sol, os pequenos tons de roxo, aquilo era lindo, uma imagem que não se via hoje em dia, ninguém mais para pra olhar o céu, você só levanta a cabeça pra ver se vai chover, mas aquilo, aquilo era uma pintura que todos os dias mudava, uma tela sempre diferente, tão magico. Rafa finalmente sai do café e vamos andando até o parque, o dia frio tão impedia as crianças de brincar.

—Já viu o céu?- aponto pra cima.

Ele levanta a cabeça e sorri.

—Não é uma coisa que vemos muito hoje em dia.

—Eu estava pensando isso- seguro o meu cappuccino com as duas mãos e ando meio desajeitado.- Me trouxe aqui apenas pra isso?

—Isso oque?

—Me levar pra comer, me trazer pra um parque num final de tarde, ficar em silêncio, e coisas tão idiotas.

—Não sei, eu só gosto do clima de paz que tem aqui.

—Hum, tá bom.

Um garotinho derruba uma menininha e bate nela, vou até lá e seguro a mão dele antes que bata nela de novo.

—O que você pensa que está fazendo? Por que está batendo nela?

—Me solta, moça! Ela pegou meu brinquedo!

—Precisa bater nela por causa disso?

—Sim, o brinquedo é meu.

—Era só pedir de volta.

—Ela não quis me dar de volta.

Olho pra garotinha caída no chão com os olhinhos cheios de lágrima, me agacho e ajudo ela a levantar.

—Por que não devolveu o brinquedo pro seu irmão?

—Porque ele sempre me bate, eu queria me vingar- ela fala baixo e coloca as mãos pra trás das costas.

—Tudo bem, devolve o brinquedo pra ele e nunca mais pegue algo dele sem pedir- ela entrega o brinquedo pra ele.

—E você nunca mais bata na sua irmã, você é exemplo, irmãos são tudo- falo lembrando do Sean.- Voltem a brincar e com cuidado.

Vou até o Rafael que estava sentando em um banco observando tudo, me sento do lado dele e fecho os olhos.

—Você parecia mãe daquelas crianças.

—Imagino onde estão os pais de verdade.

Olho e eles estão brincando, era exatamente assim quando eu e Sean éramos pequenos, chega a ser engraçado.

—Já podemos ir?- pergunto me levantando.

—Já quer ir embora?

—Sim, preciso ir pra minha mãe.

—Tudo bem.

Ele me leva pra casa para que eu possa pegar meus pertences e me leva de volta pra casa da minha mãe, seria um dia difícil amanhã.