A Décima Terceira Esposa
10 As guerras de cada dia
Notas iniciais
Durante o café da manhã, notei o olhar severo que Lady Sakura me dedicava, era um olhar amargurado, ferido, eu já vi este tipo de olhar. Eu sei porque ela está me olhando assim, mas o que eu posso fazer? Amo meu marido e, abaixo de meus pais, ele está em primeiro plano para mim, principalmente depois de tudo o que descobri de ontem para hoje. Sasuke estava quieto, enquanto suas duas crianças se divertiam com a comida, apesar de não fazerem tanta bagunça. Eu me senti, de certa forma, mal. É complicada essa ideia de dividir o marido com outra pessoa.
Comemos em silêncio e, mesmo eu sendo apenas uma Namir, eu não me deixei abalar pelas regras da casa. O que estava quebrado precisava ser consertado, e eu vou fazer isso. Segui Lady Sakura de forma discreta até os jardins da casa, ela olhava para as flores e chorava contidamente, como uma mulher de luto. Eu me aproximei, quando ela se sentou num balanço, e ela me viu.
—Que faz aqui, sua cobra maldita! — vociferou. Eu engoli em seco e, sem me importar com meu kimono, me sentei sobre meus calcanhares ali na grama, voltando meu olhar para o horizonte.
—Eu tinha dez anos quando conheci Lord Drargul. Ele salvou a minha vida… Eu seria sequestrado por ladrões porque sou um Mukuno no Taiyou. Mas ele ouviu meus clamores e me salvou. Eu não o conhecia na época, mas me apaixonei perdidamente por ele. — comecei, sem saber se ela me ouvia ou não, mas eu precisava lhe falar.
Sakura ficou em silêncio e eu sentia seu olhar sobre mim. Se ela estava assim, provavelmente era porque decidira me ouvir, no fim das contas. Suspirei, pensando em como prosseguir e lhe explicar o meu comportamento. Não quero tirar Sasuke de Sakura, ela é a primeira esposa, a mãe dos filhos dele, aquela que sempre esteve ao lado dele, o apoiando e o servindo como uma digna esposa. Eu, de certa forma, cheguei agora, não posso ousar querer mais daquilo que mereço. Também não quero viver os meus sentimentos e o meu casamento às custas do sofrimento de outra pessoa, ainda mais essa sendo muito importante para Sasuke.
—Lord Drargul é tudo para mim, Lady Sakura. Atualmente, ele é tudo o que tenho, minha esperança de ver meus pais e é a pessoa que eu amo. — eu admiti, sentindo meu corpo mais leve. — Eu dediquei toda a minha vida de geisha a me preparar para ele, para encontrá-lo um dia e confessar meus sentimentos.
Ouvi Sakura se aproximar, pisando levemente na grama, e se sentar ao meu lado, mas ainda não dediquei meu olhar a ela. Mantive-me olhando para frente e mais além, sentindo uma brisa suave soprar minhas vestes e trazer os doces aromas do jardim até nós. Suspirei e continuei.
—Não quero tirá-lo de você, muito menos tomar seu lugar, Lady Sakura. Você é a mãe dos filhos de Lord Drargul e isso eu jamais poderei fazer. Eu sei que Lord Drargul lhe ama, porque você é a primeira esposa, mas ele também me ama e eu o amo profundamente. Não quero me comparar a você, porque jamais serei como você, mas não quero que me despreze por isso. — suspirei.
Eu a fitei e esperei a sua reação. Ela me olhava com atenção, então baixou o olhar para suas vestes, observando o brilho discreto da seda que as compunha, mergulhada em seus milhares de pensamentos femininos. Eu não sei o que esperar dela, muito menos como me portar diante dessa situação muito delicada. Sakura tomou a minha mão e suspirou, se voltando para mim. Estranhei essa atitude, mas não a rejeitei, na verdade trouxe-a mais para meu regaço, apertando-a em sinal de confiança. Nos fitamos.
—Agora eu entendo, Naruto, agora eu finalmente entendo… Meu Sjah evitava conversar comigo sobre seus planos de encontrá-lo. Ele apenas me dizia que precisava te encontrar para se sentir completo, que eu entenderia quando te conhecesse. — ela me sorriu. — Me desculpe ter lhe tratado assim todos esses meses.
—Tudo bem, Lady Sakura. Eu entendo plenamente e não sinto nada de ruim em relação a você, apenas respeito e sinto muita consideração, pois você é a Shamir e eu entendo sua responsabilidade.
Eu não sei que tipo de revolução eu iniciei com essa minha atitude, ainda não tenho certeza de que tipo de consequências virão com tudo isso, mas posso apenas dizer que meu relacionamento com Lady Sakura melhorou. Havia mais respeito e paciência para comigo. Não posso dizer que somos melhores amigos, ou que criamos um laço especial de intimidade, mas agora eu sinto que não sou mais uma ameaça, e sim um membro de uma família bem grande. De fato, Sasuke apreciou a paz que se instaurou entre suas esposas, e isso me deixou mais feliz em relação a ele, significava que eu estava me portando com adequação e fazendo coisas boas para alguém.
É gratificante. Realmente muito gratificante. Sasuke decidira passear comigo durante a tarde, depois que terminara seus compromissos com o conselho de Saxian. Ele me disse que queria passar algum tempo comigo, curtindo o nosso relacionamento. Quem sou eu para reclamar ou negar um pedido desse tipo?
—Como te encontras hoje, meu Nen? — estávamos de braços dados e seguíamos pelo, o que meu Sjah dissera ser, o Passeio das Fontes, pois havia várias fontes ali.
—Muito bem, meu Sjah. — sorri, ainda mais encantado, por saber o significado daquela forma que ele me chamava. Era como eu se pudesse flutuar sempre que eu ouvia essa duas palavras. Meu Nen.— E como meu Sjah está?
—Melhor impossível de se estar, agora que tu estás ao meu lado, meu Nen. — falou baixo, num tom apaixonado. — Está tudo perfeito agora.
Ele me sorriu e retirou o braço do meu, apenas para contornar a minha cintura e me trazer mais para perto de si. Sorri mais, completamente encantado por sua atitude, e ele, por sua vez, beijou-me a testa com carinho. Andamos por mais alguns metros e nos sentamos num banco perto de uma fonte, ali trocamos beijos e abraços carinhosos, com todo o sentimento que nutríamos um pelo outro.
Na semana seguinte, Sasuke me levou para ver meus pais. Que alegria foi revê-los e abraçá-los de novo, sentir seus carinhos e ouvir suas palavras amorosas. Passei dois dias junto de meus pais e eu estava ainda mais feliz do que eu já estava antes, se é possível algo do tipo.
Mas logo veio a notícia que abalou as minhas estruturas. Só que não foi uma situação negativa: Sasuke me dissera que eu poderia levar meus pais para viver comigo, em nossa casa, se assim eu quisesse. Fiquei tão feliz com isso que não sabia como reagir, a única coisa que fiz foi aceitar.
Eu estava vivendo o melhor momento da minha vida, a recompensa por todo o meu sofrimento e as minhas lutas. Eu estava com meu grande e único amor, com meus pais e nada poderia mudar isso. Pelo menos era isso o que eu achava.
A tempestade finalmente chegou até nós, até mim, novamente. Sasuke e eu fomos despertados por um dos mensageiros de Saxian. Depois de prontos, nós dois fomos até a sala de reunião, onde Sakura já estava nos esperando e parecia muito apreensiva. Fui para perto dela, enquanto Sasuke ocupava-se da reunião.
—Foi claramente uma ameaça, senhor, um ato de guerra contra Saxian e, mais especificamente, contra o senhor. — iniciou um de seus generais. Sasuke apenas assentia, muito sério, ouvindo tudo com atenção.
—Ele disse que ou entregamos seu “tesouro” de volta ou é guerra contra nós. — informou um segundo. — Sua ameaça foi muito séria, senhor, e ele é um senhor da guerra muito perigoso. — eu estremeci ao ouvir aquelas palavras.
Eu soube de imediato de que senhor da guerra, que queria reaver um tesouro, eles falavam. Era de Gaara que eles falavam. Gaara me queria de volta. Estremeci novamente ao me recordar de tudo o que eu passara ao seu lado, que eu sofrera em suas mãos. Quando me dei conta, as lágrimas já estavam caindo e Sakura estava abraçada a mim, tentando me acalentar de alguma forma.
—Não pode permitir, meu Sjah. — ela disse, firmemente e eu a encarei, sem acreditar que ela estava dizendo aquilo por mim. — Naruto é de nossa família agora, nunca teve nenhum vínculo com Lord Gaara, não pode permitir que ele o leve de nós.
—E não permitirei que tal audácia se concretize. — eu o vi apertar os punhos com muita força e alguns soldados se afastarem, temerosos. — Se é guerra que queres, Gaara, pois é guerra que terás. Mensageiro! — e o rapaz se aproximou. — Diga-lhe que eu o desafio num combate e quem vencer, ficará com Naruto.
Sasuke me olhou. Aquele olhar dizia que ele não iria perder, em hipótese alguma, que eu achara meu lar e dali não sairia para lugar nenhum. Eu só assenti, confiando plenamente no meu marido.
O mensageiro se foi, deixando-nos com a sombra de uma guerra iminente pairando sobre Saxian. Duas semanas depois a resposta chegou e junto com ela, o meu tormento pessoal de preocupação com meu marido. “Eu aceito”, era o que dizia.
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