A Décima Terceira Esposa
11 Sua fera interior
Notas iniciais
Eu mal dormira naquele dia, pensando em meu marido e no que iria acontecer. A simples ideia de combate já me era assustadora e, depois de ouvir através de Tenten que aquele tipo de contenda só finalizava com a morte de um dos lados, eu não aguentava mais esperar em silêncio.
Sasuke escolhera a mim para ficar ao seu lado nos últimos momentos antes da chegada de Gaara porque Sakura tivera que acalmar suas filhas, haja vista que a iminência de uma guerra as assustou. Ele passara a noite em silêncio, ouvindo as minhas lamúrias e os meus pedidos de que ele não lutasse, que eu não suportaria viver sem ele, caso morresse, que aquilo tudo era loucura e que não era preciso tanto. Sasuke simplesmente me sorria e me dedicava um olhar carinhoso. Não me disse nada, apenas me ouvia.
Já de dia, quando a chuva ameaçava cair, eu lhe ajudei a pôr sua armadura, ouvindo suas orientações de como o fazer, colocando-a com cuidado para evitar que algo saísse errado e ele se machucasse. A armadura de Sasuke não cobria seu peitoral e muito menos seu abdômen, deixando em evidência o desenho do tigre que havia em seu corpo. Isso me deixou ainda mais preocupado e aflito, pois as chances dele morrer eram muito maiores sem proteção.
Não sei como este combate vai se desenrolar, mas temo pela vida dele, não quero que nada aconteça a Sasuke, nada.
Então, na hora marcada, com o céu se nublando mais a cada minuto, Sasuke e eu fomos para a arena de combates de Saxian. Gaara já estava lá, completamente enclausurado em sua armadura brilhante, talvez feita de ouro, eu não sei. Ao me ver, sorriu de forma maléfica e acenou para me provocar. Em resposta, apenas apertei mais o braço de Sasuke que me guiava e virei o rosto, sentindo meu marido reagir negativamente àquela provocação.
—Cuidado… Por favor, Sasuke. — sussurrei ao abraçá-lo, compartilhando aquele sentimento só nosso naquele gesto.
Senti sua mão afagar minhas costas e um beijo em meu rosto.
—Não te preocupes… Ele não vai te tirar de mim. — me fitou intensamente e me soltou, seguindo para o meio da arena.
Os dois combatentes se encararam e se saudaram de forma respeitosa. Gaara estava armado de uma lança e sorriu de forma triunfante, como se já estivesse com a vitória nas mãos por ver Sasuke desarmado e de peito desprotegido. Eu apenas juntei minhas mãos e comecei a orar baixinho para os deuses de minha fé, para que protegessem o meu amor. Era tudo o que eu poderia fazer por ele naquele momento.
Senti uma mão em meu ombro e vi que era Lady Sakura, me sorrindo de forma muito maternal. Acabei me aferrando a ela, buscando forças para assistir aquele combate, afinal Gaara era um Lord da guerra, poderoso e poucas vezes perdera. Eu já vira Gaara lutar e ele era, de fato, um lutador mortal. Mas Sakura ainda me sorria, gentil.
—Não se preocupe, Naruto. — ela me disse, afagando os meus cabelos, que estavam um pouco mais longos. — Nosso Sjah não vai perder.
Eu assenti, me propondo a acreditar piamente em suas palavras. Voltei meu olhar para Sasuke e o vi colocar aquelas luvas de ferro que imitavam as garras de um animal e depois colocar sua máscara de combate nos rosto, que era exatamente a parte superior de um crânio de tigre. Foi dado o sinal para o início do combate e eu segurei o ar de meus pulmões por alguns segundos.
—Eu te amo, Drargul-sama! — gritei ao soltar o ar. Sasuke me fitou por cima do ombro e eu senti que ele sorria para mim. Pela fendas do crânio, eu vi seus olhos ganharem um intenso brilho vermelho e eu quase perdi o fôlego ao ser olhado assim, pois é dessa forma que Sasuke me olha durante nossas noites de amor. Essa forma selvagem e possessiva, essa forma que sempre me diz que sou dele e que ninguém pode mudar isso.
Lord Gaara foi o primeiro a atacar, brandindo sua lança no ar e tentando atingir Sasuke, mas este deu um salto mortal para trás e pousou alguns metros mais longe. Seguiu-se uma sequência de golpes e mais golpes em que só Lord Gaara atacava e Sasuke desviava habilmente, saltando, rolando pelo chão, com movimentos bem acrobáticos. De repente, o ruivo acertou um golpe nas pernas de Sasuke, que o fez cair secamente no chão, Gaara tentou acertar meu marido de novo com a lança, mas ele conseguiu escapar rolando pelo chão e parando alguns centímetros de distância.
Os minutos passavam e minha angústia aumentava porque eu via que Sasuke estava sem chance de revidar qualquer um dos golpes. Só Gaara atacava e muitos golpes andavam perto de atingir o corpo e machucá-lo de meu Sjah. Eu não entendia porque Sasuke não se defendia e nem atacava, ele deveria ser um dos guerreiros mais fortes, por que estava apenas fugindo dos ataques?
—Eu sabia que você não era tão poderoso quanto diziam. — debochou Lord Gaara, parando de atacar, eu me sentia aflito e achava que aquilo não podia estar acontecendo. Sasuke era temido, pelo o que eu ouvira, ele era um dos guerreiros mais temidos do mundo e se tornara imperador de Saxian por ter vencido o antigo imperador numa batalha. Por que ele não atacava de volta?
—Parece que não é tão incrível quanto diziam as línguas, não é, Lord Drargul? — Gaara falou, animado. — Parece que você quer ser humilhado e perder, diante de todos, o seu precioso escravo para mim! — e novamente atacou, mas desta vez acertou.
O cabo da lança acertou a cintura do meu marido e o chicoteou ali de forma severa. Eu quase gritei quando vi a ponta metálica tocar a pele e um corte surgir, eu teria gritado se Sakura não tivesse me abraçado com força. Eu a fitei e ela me sorriu.
—Acalme-se, Naruto, não se esqueça: Lord Drargul é o mais poderoso furian que há em Saxian e ele nunca foi derrotado.
Franzi o cenho. Isso era verdade. Sasuke é um furian, mas eu não sabia com exatidão o que essa raça era capaz de fazer. Engoli em seco e tentei aquietar o meu coração. Eu passara tempo demais esperando encontrar o meu amor, para perdê-lo agora.
A chuva começou a cair e eu e Lady Sakura recebemos um abrigo dos empregados de Sasuke. Eu foquei meu olhar em Gaara e vi algo estranho acontecer. Ele estava muito ofegante, apesar de sorrir como se já tivesse vencido a batalha por ter acertado dois golpes em meu marido. Estranhei essa atitude. Foquei em Sasuke e vi um brilho intenso vindo de sua máscara, o brilho de seus olhos.
Então, Gaara parou de atacar, ficou apoiado na lança, tomando fôlego. Sasuke simplesmente sacudiu o corpo, como que para afastar a água da chuva, e encarou o outro. Seu corpo ficara mais forte e a tatuagem em seu peito desaparecera em algum momento. O que acontecera? Sasuke se curvou um pouco e rugiu alto. Todos nós, inclusive Gaara, nos surpreendemos.
Num movimento veloz, Sasuke moveu-se na direção do ruivo e começou a lhe golpear o corpo, usando suas garras de ferro para quebrar a madeira da lança e assim desarmá-lo. Sasuke chutou o corpo de Gaara e este foi ao chão, rolando indefinidamente, só parou quando se chocou com uma poça de lama. A chuva ficou mais forte e Sasuke parecia nem se importar. Continuou atacando, atacando, destruindo a armadura de Gaara, que já não tinha forças para revidar.
Golpe após golpe, eu vi o tão falado Senhor da Guerra ser derrotado e foi só em sua derrota que eu entendi a tática de combate de Sasuke: deixá-lo se cansar, para então desarmá-lo e fazê-lo perder suas defesas, para só assim finalizar o combate. O tigre em seu peito era o espírito que lhe dera força, resistência, agilidade e nobreza para não matar Gaara.
—Perdeste, Lord Gaara. — Sasuke falou, evitando de dar o último golpe, um soco, no rosto do outro. — Esqueças a mais remota das possibilidades de que tu poderias possuir meu Naruto. — meu peito se encheu de emoção quando eu ouvi aquelas palavras. — Naruto é minha esposa, meu Nen e ninguém vai tirá-lo de mim. Arredas-te daqui, parta para tuas terras e eu não atacarei teu país por tamanha afronta. Concordas?
Gaara o fitou e assentiu, quase choroso, por sentir todo seu corpo doer.
—Certo…! — gemeu. — Como queiras, Lord Drargul…!
Sasuke soltou o corpo de Gaara e fez um gesto para que os súditos dele viessem buscá-lo e levá-lo embora. Assim, sob a chuva, a contenda finalizou e eu finalmente seria unicamente e sem sombra de dúvidas de Sasuke. Ele retirou sua máscara e me sorriu, gentil, veio até nós e abraçou suas duas esposas, uma com cada braço, dando beijos em nós, no topo da cabeça.
—Vamos para casa, minhas amadas esposas. — ele me olhou com paixão e não resistiu de me dar um beijo sincero em meus lábios. — Amo-te, meu Nen, e farei qualquer coisa para ter-te ao meu lado e assim garantir a tua felicidade.
—Minha felicidade é estar contigo, meu amor! — abracei-o com mais força, sentindo o amor em meu peito explodir por ele.
Nós fomos para casa, Sakura e eu cuidamos dos poucos ferimentos superficiais que Sasuke tivera e depois comemoramos a vitória com as filhas e os irmãos dele, bem como com meus pais e a mãe dele. Fora uma grande comemoração em Saxian, cheia de luzes e de alegria, como se o país inteiro tivesse vencido uma guerra. Eu dancei para o meu amor como há tantos anos eu não o fazia, dancei com liberdade, motivado pelo amor e os meus passos contavam a nossa doce história.
Naquela noite, nos entregamos um ao outro. Fora apaixonante e intenso, como só alguém como Sasuke poderia corresponder a alguém como eu. Beijávamo-nos a todo momento e ele sussurrava constantemente que me amava e que me queria, eu só conseguia responder me entregando mais e mais a ele.
Na madrugada, ainda acordados, Sasuke se colocara perto da janela de seu quarto, sentado no chão, observando meu corpo nu ser iluminado pela lua cheia. Ele estava também nu e parecia não se importar com os ventos frios que vinha de fora. Eu estava hipnotizado por sua visão tranquila e calma.
—Será que seremos felizes para sempre? — perguntei, meio abobalhado, mais apaixonado. Levantei, sem pôr nenhuma peça de roupa ou tecido e fui ao seu encontro.
Ele me recebeu em seu colo e me beijou os lábios rapidamente.
—Só posso garantir fazer-te feliz um dia após o outro. — sussurrou, sorrindo para mim. — Mas juro amar-te até o último dia que o sol brilhar.
—E eu juro amar-te até o dia que não houver mais estrelas no céu.
Beijamo-nos e ali mesmo continuamos nossa noite de amor. Talvez seja isso que um Filho do Sol mereça no fim das contas: seu próprio pedaço de céu. Eu posso ser nascido do dia, mas foi na noite que encontrei a razão da minha existência.
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