Notas iniciais
Bom... Queria ter demorado um pouco mais para postar esse cap... Mas aí está o/ (Mas o bom de escrever esse capítulo rápido, é que significa que eu tenho chances de concluir essa história logo. Embora, ainda estejamos no capítulo 18, quero pelo menos mais de 30 para ela e.e E tive que dividir ele, por que ia ficar muito grande... e.e' Agradecimentos: Ao Caçador de historias , a Cassiela Collins e o Ryan Phillips o/

― Nossa... Pelos deuses! Que animal é esse?! ―Era um garoto. Deveria ter entre a idade de Fallen e Benjamin. Ele tinha os olhos grandões ainda mais estralados enquanto via o ordhere entrar no estábulo.

―Longa história... ―Benjamin comentou enquanto o garoto forçava a enorme porta do estábulo para poder tranca-la, o vento que vinha da rua empurrava-a. Ele usou uma tranca por fim, para fecha-la.

―Gosto de histórias, e tenho tempo...

―Mas isso não significa que eu vou contar. ―Benjamin era crápula enquanto segurava dois dos cavalos.

Havíamos conseguido chegar a Hibernyan rapidamente após nos separarmos da Aliança de Pale. E enquanto Denzel, Yume e Yoru procuravam uma hospedagem para passarmos a noite, Ben, Fallen e eu havíamos encontrado um local para deixar os cavalos. Ainda havia uma ventania forte na rua e era possível ouvir o vento assoviar.

― Bom e vocês deixarão os cavalos por quanto tempo aqui?

―No máximo dois dias. Provavelmente amanhã mesmo iremos buscar eles. ―Resolvi responder, antes que Benjamin o fizesse.

―E essa outra coisa aqui? ― Ele apontou para o ordhere e o animal deu um passo à frente, o garoto deu um passo para trás.

―Teria como deixar ele aqui também? ― Falei séria.

― Meu tio não iria gostar muito disso...

―Pago o dobro.

―Feito. ―Ele seguiu reto, entre as baias dos cavalos. Boa parte estava vazia. ―Meu nome é Goes. E estou cuidando do estábulo de meu tio enquanto ele está fora. Acho que tenho um bom lugar para eles ficarem.

Goes parou de caminhar mais a frente, ele abriu duas baias.

―O Ruivo pode colocar os cavalos dele aqui. ― Ele apontou para as duas baias abertas. Benjamin se aproximou, porém, ele não parecia muito simpático.

―O “Ruivo”, tem nome. E é Benjamin Break. ― Ele resmungou. E analisando-os de onde estava, Benjamin era bem mais alto do que Goes.

Esses jovens... Não perdem a oportunidade de arrumar briga, não é Sora?

O pior de tudo é que preciso concordar.

Vi Benjamin entrar nas baias, em seguida, Goes abriu mais duas.

―Essa você pode guardar os seus ―Ele foi bem mais simpático com Fallen, porém, ela passou reto e nem olhou para a cara dele. Goes, no entanto ficou analisando-a. ―Deixe que eu guardo os seus, enquanto isso, traga aquele animal. ―Ele abriu duas baias e pegou os dois cavalos que estavam comigo. Caminhei até o ordhere, observei-o.

― Eu realmente... Não faço a menor ideia do porquê de você ter nos seguido. ―Sussurrei e tentei acariciar seu rosto, ele hesitou me observando com os olhos de cor de sangue, porém, acabou cedendo e deixando que o tocasse. ―Você vai passar a noite aqui, mas amanhã buscaremos, está bem? ― Falar com o ordhere, subitamente lembrou-me de Percy falando com Rudolf, como se fosse uma pessoa. Isso também me lembrava... Que não vira mais ela.

Notei que o animal não retrucaria, mas não o conhecia e não fazia a menor ideia do que era capaz de fazer, porém, ele me seguiu enquanto o guiava até a baia. O ordhere obedientemente entrou, como se já estivesse acostumado com aquilo.

Ele deveria pertencer a algum bélico.

Seu dono, ao que está me parecendo, talvez já esteja morto, Arcano.

―Sora, peguei suas coisas. ― Fallen entregou-me as bolças que estavam com os cavalos que eu trouxera, ainda havia a parte de Denzel e os gêmeos, mas eles haviam pegado antes.

―Obrigada. ― Voltei minha atenção a Goes. ―Aliás, quanto lhe devo?

― Ah não, vocês só devem me pagar quando vierem buscar eles. Irei anotar e será cobrado pelos dias.

―Então já podemos ir, não é? ― Benjamin passou reto, segurando duas sacolas em direção à porta. Fallen o seguiu.

―Saiam por essa porta, vai entrar menos vento por aqui. ― Goes correu para o outro lado do estábulo e pegou algumas chaves, ele passou correndo novamente e abriu uma espécie de porta menor, que ficava inclusa na maior. Ele abriu-a rapidamente.

Ben e Fallen saíram, segui-os em seguida, ainda havia vento na rua. Afastamo-nos enquanto Goes voltava a trancar a porta. Caminhamos alguns metros à frente, na alameda. A cidade de Hibernyan era formada por prédios altos, interligados por pontes. Era bonita, embora a ventania e o dia cinzento, embora a poeira que era jogada. Realmente, muito diferente de Temesia.

―Não gostei daquele tal de “Goes dos olhos saltados”. ―Benjamin resmungou enquanto caminhávamos.

―Por quê? ―Fallen perguntou, embora parecesse desinteressada no assunto.

―Ele estava secando você, não notou?

Ela apenas encarou-o e revirou os olhos, porém, não disse nada.

―E por que se importaria com isso, Benjamin? ―Intervi no assunto e ele se calou.

Eu poderia rir, mas ficaria óbvio de mais. ―Comentei a Arcano.

Que sabe que eles estão juntos?

Exatamente.

―Sora! ―Olhei para frente e vi Yoru correndo na nossa direção, ela empurrava os cabelos loiros e curtos que batiam em seu rosto. ―Quer ajuda? ―Referia-se as bolças que eu trazia.

―Não, está tudo bem.

―Eu aceito você carregar tudo, se quiser. ― Benjamin ironizou.

―Não, você não precisa de ajuda, Benjamin. ―Yoru também sabia ser tão crápula quando ele quando queria. ― E Sora... Sobre os quartos...

―Hã... Sim? ― Voltamos a caminhar, Denzel e Yume estavam mais a frente nos esperando.

―Bom, havia apenas três disponíveis. Por que hoje tem o Festival de Luzes... Um deles era apenas para um casal.

― E o que tem haver? ― Arqueei uma sobrancelha.

―Vou dividir um quarto com a Fallen, o Ben com o Yume, assim como na Fortaleza. E sobrou só para você e o Denzel.

―E o que tem?

―Nada, só achei que gostaria de saber. ―Ela sorriu fechando os olhos.

Vi Benjamin passar a nossa frente, ele ajeitou os óculos e me encarou pelo canto dos olhos. Pelos deuses, Benjamin, não fale merda.

―Só acho que foi proposital. ― É, realmente ele falara besteira. Mas resolvi dar de ombros enquanto nos aproximávamos da hospedagem.

***

Retirei minha capa, dobrei-a e a coloquei sobre minha bolça. Havíamos passado o resto do dia em função de comprar mais mantimentos, para nossa ida até Eternal. Afinal, o caminho mais rápido até lá passava longe de outras cidades, então, demoraria para termos sorte de poder dormir sobre um teto novamente. Observei o quarto onde estávamos. As paredes eram de madeira, e havia apenas uma cama de casal e um armário, um espelho estava colocado na parede perto da porta e havia um trocador também.

―Eu jurei que estaria caindo os céus há essa hora. ― Denzel comentou, ele estava em frente à janela do quarto que teríamos que dividir. Era fim de tarde, o céu começava a escurecer.

―Parece que teremos uma virada de ano calma, então. ― Sentei na calma e retirei minhas botas, meus pés latejavam.

―Eu não havia perguntado isso antes... Bom, acabei esquecendo, mas, o que Solace falou com você naquele dia?

―Sora! ―Agradeci aos Deuses quando ouvi baterem na porta e Yoru exclamar do outro lado, Denzel e eu encaramos a passagem imediatamente. ―Sora! Denzel! ―Ela nos chamava e, realmente, poderia ser mais discreta.

Denzel deu um risinho e caminhou até a porta para abri-la.

―Vocês demoraram para abrir... ― Não, não havíamos demorado ― Olha só o que eu convenci a Fallen a me deixar comprar... ― Ela entrou quase que como se fosse um furacão com duas caixas nas mãos. Yume a seguiu sem muito animação.

―Desculpe, mas eu não consegui impedir ela. ―Ele comentou, provavelmente torcendo para que Yoru não escutasse.

―Vocês sabem que hoje é o último dia do ano? Certo?

― Sim, mas o que tem haver? ―Denzel perguntou e ela colocou as caixas sobre a cama.

― O Festival de Luzes, ele acontece hoje. E então, eu pedi para que a Fallen fosse comigo comprar os trajes cerimoniais. ―Não necessariamente eram trajes tão importantes, apenas o costume dizia que na virada de ano não deveria se usar roupas que carregassem uma “aura” pesada, o que fazia as pessoas comprarem roupas novas. Uma superstição anódina, apenas.

Não é uma superstição sem importância para quem acredita.

Está bem, Arcano.

―Mas Yoru, nós não vamos ao Festival de Luzes. ―Cortei sua animação.

Ela parou e me observou, seus olhos verdes perderam o brilho.

― Como não?

―Viemos apenas passar a noite aqui, iremos viajar amanha cedo. ―Falei calma.

―Mas é o último dia do ano... A virada de um ano para o outro, tem que ser um dia para se comemorar... E estamos em Hibernyan, dizem que o Festival de Luzes é tão bonito quanto à comemoração do dia de Risteys.

Dia primeiro de Aethen, não é seu aniversário, Sora?

Amanhã irei completar vinte e dois anos.

E por que não comentou nada?

Prefiro que passe despercebido.

― E olhe só, eu comprei isso para você. ― Ela abriu uma das caixas e retirou um vestido.

― Yoru... Por que você ― Yoru parou a minha frente e o segurou pelas alças, era vermelho. Comprido, porém, sua saia tinha uma abertura do lado da perna direita, e tinha detalhes em dourado, assim como os bordados. Deveria ser de um tecido bem leve, e seu peito tinha adornos também de cor dourada. Era muito, mas muito bonito. ― Quando eu lhe devo?

― Não deve nada. ― Ela me entregou o vestido e se aproximou do meu ouvido sussurrando: ― Achou que eu iria me esquecer do seu aniversário? ― Provavelmente ninguém escutara e agradeci por aquilo ― Mas você, Denzel, temos contas para acertar depois.

Depois disso ela pegou a caixa que estava fechada. Entregou a Yume.

―Agora Sora tem que experimentar o vestido. ―Ela começou a empurra-los, Yume fez uma careta e Denzel riu.

―Mas esse é o meu quarto, Yoru. Não pode me expulsar― argumentou, porém, pude decifrar facilmente em seus olhos de dragão, que ele queria apenas saber o que Yoru iria dizer em resposta.

―E você acha que eu vou deixar você ficar olhando a Sora trocar de roupa? ―Ela era apática enquanto empurrava-os para fora do quarto. ―Agora, saiam.

Ainda ouvi mais risadas vindas de Denzel e por fim, ela praticamente os chutou e trancou a porta.

Yoru era divertida.

Eu gostava dela.

***

― Eu sabia que iria acertar.

Observei-me no espelho que havia no quarto que havíamos alugado. Realmente, tinha de admitir, Yoru acertara. E o vestido era muito bonito. Mas não estava em meus planos ir para nenhum festival, e realmente, esses tipos de comemorações não combinavam nada comigo. Motivos? Se dissesse que não gostava, que não me encaixava, que me sentia “deslocada”, seria mentira e estaria fazendo drama, o que era completamente idiota. Apenas não era um motivo de animação para mim, não via muita importância.

―Mas eu não irei, por isso, vou me trocar novamente. ―Falei enquanto pegava minha túnica.

―Não, você vai vir conosco também. ―Ela ficou de pé, usava um vestido de cor verde.

Suspirei, era meio súbita a ideia de que do nada ela chegara com aquela ideia. Mas era Yoru.

―Está bem. ―Larguei a túnica e peguei minha capa, porém, ela segurou a minha mão.

―Mas você não vai usar isso hoje. ―Ela me fez largar a capa e a jogou sobre a cama. ―Agora precisamos descer... ―Após isso Yoru me puxou.

Saímos do quarto rapidamente, seguimos pelo corredor dos cômodos e descemos as escadas que levavam até a recepção. Estava tudo vazio, o que significava, que a cidade toda deveria ter se reunido na praça onde se encontrava o templo. Yoru soltou-me apenas quando chegou até a porta, ela abriu-a e esperou que eu passasse. Por fim fechou-a novamente.

E na rua... Agora entendera por que Hibernyan sempre comemorava aquela data. Todo ano, era com se existisse uma lei, o dia em que o inverno iniciava-se oficialmente no Calendário Secula, não era tão frio quanto nos outros dias. Não chovia raramente nevava. E nesse ano, a noite parecia completamente livre de qualquer sinal de que a chuva desabaria. Na rua que estávamos, haviam várias lanternas penduradas nas portas das casas, porém, a movimentação toda encontrava-se mais a frente.

É um trocadilho. Como se quisesse dizer que no primeiro dia do inverno, o início de uma temporada fria, ainda pode-se encontrar luz e calor.

Faz sentido, Arcano. De onde tirou essa ideia?

Apenas constatei.

―As pessoas acreditam que as lanternas irão simbolizar um ano iluminado. Por isso o uso delas na maioria das comemorações no final do ano. ―Denzel comentou, ele vestia uma túnica azul, sob um colete marrom, e calças de cor cinza.

―Quanta superstição... ―Benjamin coçou os cabelos.

―Bom, e eu ouvi dizer que a comida que eles vendem perto do Templo são ótimas. ― Yoru fez uma expressão alusiva.

―Então precisamos ir para lá de uma vez. ―Ben passou a frente e seguiu reto até o fim da rua. Acabamos seguindo ele.

A rua estendia-se apenas mais alguns metros, ao final, ficava o estábulo e ao lado dele outra rua, dobramos a esquerda e só então tivemos a vista da praça. Ela era enorme, pavimentada com pedras e cercada pelas construções altas da cidade, interligadas por pontes ao alto, onde também haviam pendurado mais lanternas. E havia várias barracas espalhadas vendendo coisas que, eu realmente, não me importei em prestar atenção o que cada uma era. E as lanternas... As lanternas que eram o principal símbolo de todo o festival. Elas estavam presas em espécies de cordas – que precisavam ser fortes, pois as lanternas eram pesadas e altura que algumas estavam, uma queda seria terrível–, que atravessavam a praça tumultuada, iluminando-a, assim como as pontes acima. Também, notei que mais a frente, eles vendiam lanternas para quem quisesse carrega-las. Era uma estrutura de ferro, com uma vela acesa dentro, cercada por uma espécie de cúpula de vidro.

― E eu ainda pretendo comer... ― Yoru comentou enquanto adentrávamos a praça.

― E muito. ―Yume completou e após isso eles correram. Realmente, queria ter tempo para puxa-los, porém, não consegui. Eles sumiram rapidamente da nossa vista ao se misturarem entre as pessoas. Suspirei, contando que aparecessem novamente depois, não haveria problemas.

―Eu achei essas tais de lanternas estranhamente legais. ―Benjamin falou. ―Acho quero ver elas mais de perto... ―Ele desviou o caminho e adentrou a multidão para outro lado, Fallen o seguiu.

E sobrara Denzel e eu.

E precisava admitir, não era a melhor das companhias para eventos assim.

Resolvemos então, caminhar mais um pouco entre as pessoas. Mais a frente vimos que pediam para que abrissem espaço para formar um circulo. O aglomerado afastava-se, dando lugar aos músicos. Eles começaram a tocar, a som das flautas e alaúde. Outra mulher se aproximou, ela tocava harpa. E algumas pessoas ao redor batiam palmas, ritmadas com a música.

―Uma vez eu tentei aprender a tocar flauta... ― Denzel comentou puxando assunto, havíamos nos juntado as outras pessoas para ver os músicos. ―Mas foi desastroso. ―Ele riu.

Pensei seriamente em respondê-lo, embora, iria demorar em formular algo para dizer. Contudo, notei alguém segurar meu ombro, imediatamente virei para encara-lo.

―Sora? É você? ―Ele era calmo, mas ao mesmo tempo, os olhos de cor verde pareciam surpresos. E não era para menos.

Notas finais
:O Quem será que foi falar com a Sora? :O :O :O Duvida Criticas? Elogios? Sim, até o próximo capítulo as coisas ficarão mais calmas e-e eles merecem um descanso, né? e.e ( ͡° ͜ʖ ͡°) *sim, essa carinha*