Notas iniciais
As Notas iniciais estão junto das notas finais por que o nyah aqui bugou '-'

―Ricard? ―Deveria ter respondido sua pergunta, porém, aquelas foram às únicas palavras que consegui pronunciar. Fora estúpido, na verdade.

―Não imaginei que veria você por aqui...

E eu imaginava que nunca mais veria ele.

Ricard era seu noivo, Sora. Os mundos não são tão grandes quanto parece.

―Há quanto tempo, não? ―Ele era simpático comigo, apesar de tudo.

Ricard deveria estar com mais ou menos uns vinte e cinco anos. Ele tinha quase a mesma altura que Denzel, seus cabelos eram de cor castanho claro, avermelhados. E os olhos verdes... Os verdes que eu me apaixonara, porém, não amara. E sua pele era bem mais pálida do que a de Denzel. Havíamos terminado nosso noivado, de fato, mas não fora por nenhum motivo idiota, como uma briga estúpida ou ciúmes, e estava muito longe de traição.

―Mais de um ano. ―Falei e notei que Denzel nos observava, contudo, não parecia estar a fim de se intrometer. E eu ainda estava tentando processar a ideia de que Ricard estava diante de mim.

―E o que faz aqui em Hibernyan? Veio prestigiar o Festival de Luzes? ―Ele deu um passo à frente, ficando ao meu lado para observar os músicos também.

―Na verdade, vim aqui por trabalho.

―E a Fortaleza de Argos está sempre na ativa, não? ― Ricard sorriu, porém, não me encarou ―O Festival de Luzes é um evento muito bonito, não o perdi ano passado quando vim morar em Hibernyan, e não poderia perder este ano também.

―Realmente.

―E você, está acompanhada?

―Denzel está comigo, e nosso grupo é maior, porém, se espalhou. ―Maneei minha cabeça, dando uma cotovelada em Denzel para chamar sua atenção.

―Prazer em conhecê-lo, Denzel. ―Eles cumprimentaram-se. ―Meu nome é Ricard Elder. É um domador assim como Sora? ―Ele notara os olhos de dragão baterem com a luz das lanternas e brilharem, Ricard quase que ficou parado como uma estátua ao ver aquilo.

―Não. Estou mais para um morto-vivo. ―Fora uma piada funérea. Só pode.

No entanto, Ricard pareceu não se importar com aquilo, apenas parou para ponderar por um instante.

―Então foi você que recebeu o coração de dragão? Desculpe, sei que posso estar sendo inconveniente... Mas é que as notícias se espalham, conforme a língua das pessoas cresce.

―Sim, e você deve estar sabendo que Temesia também foi atacada, certo?

Eles estão tendo um diálogo como se fossem velhos amigos? Isso é brincadeira...

Não, Sora, não é brincadeira.

Obrigada por deixar isso ainda mais claro.

―De fato, foi um acontecimento infeliz. Mas Temesia deve ter se reerguido rapidamente. ―Ricard em seguida voltou sua atenção a mim. ―E você, Sora, como vai os trabalhos com a Fortaleza?

―Como sempre. Encontrei os elementos da profecia, e...

―Você encontrou os elementos da profecia? ― Interrompeu-me, visivelmente atônito. ― Sabe que essa história toda se espalhou por todo canto, não sabe?

―E mesmo assim poucos sabem a verdadeira face de quem faz parte.

―Pelo menos isso.

―Tem razão. E você, como está sua vida? ― Perguntei, e o pior de tudo, é que eu ainda estava curiosa sobre aquilo. Conhecera Ricard em uma briga – irônico, não? –, quando eu tinha quinze anos. Ele parecia-me apenas mais um filho de mercador metido. Mas quando vi que não era, acabei ajudando-o, afinal, não é qualquer um em Temesia que resolveria se meter em briga com um domador, quanto mais eu. Tornamo-nos amigos, e dois anos depois começamos a namorar. Passaram-se mais seis meses e noivamos.

―Hibernyan é uma cidade próspera. Estou cuidando dos negócios de minha família e as coisas vão indo bem.

―Ei! Ricard olha só o que eu comprei?! ― Era uma garotinha, ela deveria ter no máximo dez anos. Reconheci-a imediatamente, era irmã mais nova de Ricard.

―Uma lanterna? Muito interessante Hina. ― Ele agachou-se para ficar a altura dela, Hina encarou-me sobre os ombros dele com os olhos grandões e castanhos, ela me conhecia, mas não disse nada.

― O Pai e a Mãe querem falar com você, poderia vir?

― Bom, Sora, vou indo, então. ― Ele acenou e se afastou sorrindo. ―Tchau.

―Tchau...

―Muito interessante o entrosamento de vocês... ―Denzel comentou, coçando a garganta.

Revirei os olhos e pensei seriamente em dar de ombros. Mas não.

―Ricard era meu noivo. ―Ele se calou por um instante.

―Quer ir ao templo? ―Mudou de assunto.

―Mas depois, iremos procurar pelos gêmeos e Benjamin. ―Denzel apenas assentiu em resposta.

Fallen é a que menos demonstra dar algum problema, não é?

Na verdade, Arcano: Benjamin é o caótico.

Mas no fim das contas, ele ainda é um garoto de bom coração.

É estranho ouvir você dizer isso, mas tem razão.

Atravessamos o aglomerado de pessoas, mais a frente ficava o templo. Era raro uma cidade que não tinha um. Algumas pessoas gostavam de ir para fazerem preces aos deuses, pedidos, promessas. E o de Hibernyan ficava junto à praça central. Erguia-se em uma escadaria alta, e sua constrição por fora era de cor vermelha e dourada. Com pilares na entrada, e um teto alto e arredondado, pessoas entravam e saiam. A Construção, no entanto, era de formato quadrado. Começamos a subir os degraus, sem pressa.

―Realmente... Eu não fazia a menor ideia de que você tinha um noivo.

―E você nunca teve seus romances, Denzel? ― Arqueei uma sobrancelha, ele riu.

―Já tive sim. E lembro-me que ainda havia Mary, eu gostava dela, gostava muito dela... Mas sabe, as coisas meio que mudaram de rumo.

― Entendo.

Calamo-nos e continuamos a subir os degraus, não demorou muito para que entrássemos no templo, caminhamos mais um pouco, adentrando ele.

Havia algumas pessoas ao redor, e os pilares das paredes eram de cores vivas. Tudo basicamente constituído por cores de vermelho, laranja e dourado, o piso era quadriculado de preto e branco. E o templo, era de forma circular com o teto arredondado. Havia várias lanternas penduras, atravessando o templo, era bonito. Também havia três estátuas, com cerca de dois metros de altura cada uma e feitas de pedra. A primeira era de um homem, cabelos curtos, e roupas simples, a sua frente estava gravada a palavra “Cândido”. Entre eles, estava à estátua de uma mulher de cabelos longos, ela trajava um vestido comprido, tapando seus pés, estava gravado o nome “Alvorada”. Por fim, observamos a última estátua, era de outro homem, mas ele tinha os cabelos mais compridos e lisos, na altura de seus ombros, a palavra gravada na estátua era “Névoa”. Hibernyan era uma cidade que seguia os três Deuses. Suspirei o observei Denzel.

―O que foi? ―Perguntei, ele ainda observava as estátuas. Resolvemos dar a volta no templo e ir para outro lado.

―Hã... A Ideia de que você tinha um noivo ainda me parece ser bem inesperada.

Arqueei uma sobrancelha.

―Por que pensa isso? ―Paramos de caminhar em frente a uma espécie de painel, haviam colocado uma espécie de grade a sua frente, e nelas haviam prendido varias lanternas pequenas. As luzes amarelas refletiam em seus olhos de dragão, deixando o dourado mais claro.

―Sinceramente? Eu não sei. Mas por que terminaram? Ele me pareceu ser uma boa pessoa...

―Eu não amava Ricard da mesma maneira que ele me gostava de mim. Sentia-me sendo cruel por estar com ele em não saber retribuir o mesmo sentimento.

―E você gosta alguém agora? ―Ok, eu não esperava por aquela pergunta, mas tinha uma resposta.

―Creio eu que, não.

Ele se silenciou. E permanecemos assim por um tempo. Só então ele virou-se na minha direção e ficou me encarando.

Franzi o cenho.

―Denzel, eu acho que seria uma boa ideia irmos procurar pelos gêmeos... ―E ele não me deixou terminar a frase.

Selou nossos lábios e puxou-me pela cintura para ficarmos ainda mais próximos. Pensei seriamente em empurra-lo, mas acabei cedendo. E levei meus braços ao redor de seus ombros calmamente. Não tinha vontade alguma de solta-lo, seu beijo... Seu gosto, seu toque... Não era a mesma coisa que sentira com Ricard. E ficamos assim por certo tempo, ninguém pensou na possibilidade de se separar.

E tive a estranha vontade de ficar ali por mais um momento, porém, Denzel subitamente se afastou. Segurando meu rosto suavemente.

―Mas eu gosto muito de alguém sim. ―Ele sorria, e seus olhos de dragão pela primeira vez pareciam-me com vida. Acho que eu ainda estava meio extasiada. ―E nossa... Você está com o rosto da cor do seu vestido!

Acabei sorrindo. Acho que pela primeira vez, após certo tempo, sorrira sinceramente. E seus olhos pareceram brilhar mais.

―Eu jurei a mim mesmo, que um dia ainda iria conseguir ver você sorrir de verdade.

―Denzel...

―O que?

―Você não é normal, sabe disso, não sabe?

―Completamente.

Ele alargou o sorriso e nos beijamos novamente. Que se dane o fato de que aquele local estava cheio de pessoas, e que elas gostavam de cuidar da vida alheia. Denzel parecia-me ser a coisa mais interessante no momento. Não havia trabalho para cumprir, não havia demônio algum me perseguindo, a destruição do portal era apenas um borrão. Sentir seu gosto pareceu-me ser mais importante naquele instante. Abracei-o com força e acariciei seus cabelos, Denzel desceu uma de suas aos e a levou até minha cintura, a outra permanecia segurando meu rosto. Torci mentalmente para que nem Yoru, nem Yume e muito menos Benjamin aparecessem. Ele afastou nossos rostos, porém, permanecemos próximos o suficiente para poder sentir nossas respirações.

― Ainda temos que procurar pelos gêmeos, mas de preferencia Benjamin... Sabe que ele é um desastre.

Denzel riu.

― Mas antes disso. ― Ele puxou-me novamente e beijou-me mais uma vez, só então se afastou. ―Agora vamos.

Assenti e ele segurou minha mão, a sua estava quente e a minha gelada. Atravessamos o templo, desviando das pessoas e começamos a descer as escadas. A praça parecia ter ficado ainda mais cheia. No entanto, não demorou muito para que alcançássemos o fim.

Mas Denzel subitamente parou.

E ele começou a tossir. Fiquei observando-o, não estava entendendo aquela reação. Denzel tapava a boca com as mãos, por fim, ele limpou-as como se tentasse esconder algo... Mas estavam sujas com o sangue de dragão. Assim como acontecera quando voltávamos de Moon.

―Não é a primeira vez que isso acontece, não é? ―Perguntei, e estranhamente, ele mudou o humor, ficando sério.

―Não posso ficar mais aqui... ―Ele tossiu sangue novamente. Já suspeitava a mais tempo que aquilo estava acontecendo, porém, com a história da viagem acabara esquecendo. Tinha haver com o coração de dragão, era a explicação mais plausível. Ou talvez um efeito da magia livre? Mas Solace afirmara que já havia curado

―Então vamos ―Segurei sua mão e dei um passo à frente, porém, ele permaneceu parado. ―Denzel...

Ele não me respondeu, contudo, cambaleou e quase caiu. Só não desabou no chão pois o segurei , Denzel me encarou. Havia ficado pálido subitamente.

―Pelos deuses... O que está acontecendo com você? ―Estreitei meus olhos a maneei minha cabeça, ele novamente não respondeu.

Suspirei, passei um de seus braços sobre meus ombros e segui caminhando entre as pessoas, foi à vez de começar a sentir Denzel soar frio. Atravessamos o aglomerado, não demorando muito para que saíssemos da praça, seguimos então pelas ruas com lanternas nas portas das casas. Dobramos a mesma esquina que havíamos usado antes, estava com pressa.

―Fale-me, não é a primeira vez que isso acontece. E está pior do que quando voltávamos de Moon.

Ele permaneceu um instante calado, só então respondeu, fixando os olhos no chão.

―Não, não e a primeira vez.

―E isso está acontecendo desde quando?

―Alguns meses...

Se Denzel estivesse em uma condição melhor, eu bateria em sua testa naquele momento.

―E por que não falou antes? ―Franzi o cenho.

―Falei com Aghata antes dessa viagem...

Finalmente alcançamos a hospedagem, abri a porta e entramos. Estava tudo silencioso e relativamente escuro, apenas um lampião estava aceso sobre balcão.

―E o que ela disse? ―Chegamos às escadas e começamos a subir.

―É mais do que esperado por causa do coração de dragão. ―Ele fez uma pausa quando alcançamos os últimos degraus, agora sentia o seu corpo tremer. Caminhamos pelo corredor até encontrarmos a porta do quarto, peguei as chaves e a abri, depois entramos. Denzel se afastou e sentou-se na cama ―Aghata disse que o coração de dragão, que está bombeando o sangue negro, pode acabar me matando aos poucos. Posso ter meses, semanas, dias, ou anos de vida.

Encarei a madeira da porta e minha frente, aquelas palavras haviam me pegado de surpresa. Silenciosamente dei a volta na chave e tranquei a passagem, me afastei e escorei minhas costas na madeira.

―E por que só me conta isso agora?

Ele ficou em silencio. Encarei a janela, com a pressa que saíra antes, acabara deixando-a fechada apenas com o vidro, então, entrava claridade da rua e das lanternas que estavam presas perto dela. Vi Denzel calmamente retirar o colete e a camisa que vestia, havia os encharcado enquanto suava. Sua cicatriz, parte dela estava nas costas, devido à barra de ferro que atravessara seu coração, e agora, ele tinha uma nova devido o ferimento com a alabarda.

Aquele fato o afligia, o que o fazia se silenciar. E eu já havia notado isso há bastante tempo, embora o assunto fosse inevitável as vezes .Suspirei, afastei-me da porta e sentei ao seu lado. Denzel respirava com força, como se respirar fosse uma tarefa dolorosa.

―Por que não me contou antes? ―Repeti a pergunta.

―Nunca consegui saber a maneira como você vai reagir diante qualquer coisa.

―E pensou que eu faria o quê?

―Eu não sei.

Suspirei e levantei, no entanto ele segurou meu pulso, impedindo-me. Sua pele queimava, mas ainda suava frio.

―O que vai fazer?

―Ver se o dono da hospedagem está aqui. ― Falei séria ―Irei pedir para ele cobertores, vou dormir no chão e você está ardendo em febre.

―Não. ―Denzel ergueu os olhos dourados de dragão para me encarar. ―Fique aqui.

Suspirei desistente e sentei ao lado dele novamente. Denzel me abraçou e me puxou, fazendo com que deitasse junto dele, notava que seu corpo voltava à temperatura normal. Seu braço estava sobre minha cintura, porém, seu rosto estava afundado no travesseiro e o meu sobre seu ombro. Ele novamente apertou-me com força, era estranho, mas... Notava que toda aquela história com o dragão há um ano, ainda o assombrava.

―Obrigado.

Notas finais
{[Notas iniciais] Li algumas partes do meu livro de novo (o MEU livro :3 Amado e MEU livro :3 sz sz :v) Ah...Teve umas cenas tão legais no final, mas ainda não consegui um jeito de passar ele para vocês :/ Se alguém souber algum site para fazer upload de arquivos em PDF... E um site que tenha um visualizador PDF para mim baixar, pq eu acidentalmente desinstalei do meu pc '-' Agradecimentos: ao Ryan Phillips e o Caçador de historias o/ Eu me divirto com os comentários de vocês :3 E esse capítulo deveria pertencer ao outro, só que ele ficou com mais de 5000 palavras, então resolvi dividir ^^ E uma hora ou outra isso iria acontecer :v } [Notas finais] E a Sora sorriu o/ (cês tão ligado que no livro ela faz isso somente três vezes (tem uma parte que ela quase, realmente quase, dá um risinho), isso, em 33 capítulos, e eu ainda tive a audácia de contar. E nem sei se aquilo poderia ser considerado um sorriso... e.e’) Sim ela tem sentimentos u.u Já posso soltar foguetes e abrir uma garrafa de champanhe o/ Ou não, foi um capítulo para comemorar e ao mesmo tempo, para não fazer isso XD Ah... E eu tenho uma coisa para pedir para vocês... Tipo, quero desenhar alguns personagens mas não tenho ideia por onde começar. Então, como se eu tivesse começando do ZERO, quais personagens vocês querem desenho (vale até mesmo os que eu já desenhei)? E se possível, se quiserem mandar, alguma ideia para o fundo, eu aceito ^^ [Fim das notas finais]