A Domadora - O Fragmento da Profecia
13 Capítulo 12 - Golpeada
Notas iniciais
— Fique em silêncio. — Falei e Yoru assentiu enquanto observava as feras. Levei minhas mãos até seus ombros e ela me olhou com os olhos verdes arregalados— Irei dar a volta e ataca-las, vou distraí-las e enquanto isso chame os outros.
Em resposta, Yoru maneou positivamente sua cabeça, de maneira frenética e em seguida começou a caminhar, porém, acabou pisando sobre os galhos e fazendo barulho. Uma das feras olhou na nossa direção, rosnando. Yoru parou e me encarou.
— Vai! — Novamente ela assentiu e correu.
É, Arcano, parece que será a hora de agir, não?
Fera... No último ano a presença delas aumentou.
Então, iremos mata-las.
Coloquei o capuz de minha capa e desembainhei as duas espadas, notando que as feras haviam se interessado na minha presença. Era a presa de todas elas. E então corri, os animais vinham na minha direção, tomei impulso, pisei sobre o tronco caído de uma árvore e saltei entre duas das feras, usei as espadas para tentar golpeá-las. No entanto, o que consegui foi apenas um corte em cada uma, fazendo com que o sangue azul jorrasse. Bufei e encravei meus pés na terra lamacenta.
Embainhei as espadas novamente, vendo uma das feras se aproximar e tentar golpear-me, girei e desviei, socando o chão enquanto minha aura exalava de meus olhos. Fiz com que a barreira de gelo se erguesse, derrubando três das feras. Mas não era o suficiente para fazê-las parar, ainda havia o fato de que eles regeneravam-se.
Corri e desviei de mais golpes das feras, duas me seguiam, e outra terceira se aproximava enquanto as outras se levantavam. Lancei espinhos de gelo nas suas direções, acertei, porém, precisava arrancar a cabeça. Materializei minha espada e corri, tentei acertar o pescoço da fera que estava à frente.
Porém.
Fui atingida por ela, lançando-me para longe.
Acabei caindo sobre a grama úmida, vendo a fera saltar sobre mim. Meu corpo doía e, aquela coisa parecia interessada em arrancar a minha cabeça. Tentei me afastar, porém, ela se aproximou. E então, vi sua cabeça rolar enquanto era cortada e derretida pela espada em chamas. Senti os fluídos de o animal jorrar sobre mim. E agora estava suja com restos de fera, seu corpo se transformava em pó. Pelo menos havia uma a menos.
— Ei! Sora, você está bem azarada, não?
Olhei ao redor, vendo Benjamin se aproximar com sua espada de chamas, ele caminhava e Fallen passou correndo. Tomou impulso e saltou, chutou o rosto de uma das feras a deixando tonta e em seguida – ela era realmente muito forte –, encravou o tridente em seu peito derrubando-a. Benjamin correu e tentou acertar a cabeça do animal, porém, foi empurrado e praticamente arremessado para o outro lado.
Levantei, desembainhei minha espada e, aproveitando que a fera ainda estava caída tentei golpear lhe o pescoço, porém, acabei sendo atingida pela outra fera e empurrada para outro lado. Peguei a espada caída no chão e embainhei novamente. Vi que os animais se aproximavam de mim, era sua presa e eles ignoravam Fallen e Benjamin. Então corri, enquanto via que as feras eram atacadas.
Fallen tinha seus olhos tomados pela cor verde agua, ela pegou o tridente correu e o encravou no pescoço de uma das feras, fazendo com que o corpo do animal começasse a se tornar pó. Benjamin tinha os olhos tomados pela cor das chamas, ele desviou de um golpe de uma das feras. Em uma mão empunhava a espada e a outra, estava evolvida por chamas. Então, ele afundou a mão em chamas no peito de uma das feras, na intenção de derruba-la.
Conseguiu o que queria, porém, sujando-se completamente com o sangue e os fluidos do animal. Foi uma cena nojenta e pude notar que ele ficara ainda mais anojado. Porém, serviu para derrubar a fera e, em seguida, ele usou a espada para arrancar o pescoço do animal. Transformando-o em pó.
—Droga! Droga, droga, droga! —Xingou, enquanto tentava limpar as mãos sujas de sangue de fera na roupa. —Isso é muito nojento.
Vi a última fera correr até Benjamin, suspirei, ele se distraíra. Coloquei o capuz de minha capa e, com a espada materializando em minhas mãos, corri, tomei impulso e saltei, contornei no ar e girei o punho da espada acertando o pescoço da fera por fim e ela se transformou em pós. Acabei me desequilibrando, rolei alguns metros a frente e então, o que me deparei...
O animal bufava enquanto me encarava com olhos castanhos.
Não era uma fera, mas não me lembrava de ver um ser como aquele. Lembrava um búfalo, porém, era um pouco maior do que um comum, e sua pelagem... Deveria ser marrom, porém, algumas partes eram ralas, manchas sem pelo que deixavam à mostra a pele avermelhada por baixo.
—Mas o que é isso? — Acabei falando, enquanto não me levantava e o animal me encarava.
Corre Sora, agora.
Levantei-me rapidamente e percorri, o búfalo me seguiu. Meus pés enroscavam-se nas raízes das arvores, e parecia que a quantidade aumentava por eu estar fugindo. Só então, percebi que havia mais dois. Tentei me afastar, porém, os animais eram rápidos, também, pude rapidamente ver que Fallen e Benjamin me seguiam. Os outros dois búfalos preferiram levar sua atenção a eles e apenas o outro continuou a me seguir.
Notei que estava afastada o suficiente para fazer algo, então, virei, e soquei o chão. Fazendo com que o animal parasse bruscamente devido o gelo que se erguera. Porém, ele correu para outro lado, novamente na minha direção. Desembainhei uma das duas espadas e, em um golpe rápido em forma de “x”, arranquei sua cabeça antes que me atacasse.
Olhei ao redor, com toda a corrida, acabara me separando do grupo. E ainda havia um corpo decapitado a minha frente.
— Pelo menos, feras se transformam em pó. —Falei.
Mas, de onde veio esse animal?
Não faço a menor ideia, Arcano.
Resolvi então correr, precisava encontrá-los.
Segui percorrendo em direção ao local onde julguei ser o que viera. Precisava acha-los. Cursei mais alguns metros e ouvi o som de vozes, era noite e escuro, olhei para o céu, estava trovejando.
Revirei os olhos, era tudo o que precisava naquele momento.
Corri mais alguns metros e então, vi a imagem deles se formarem entre as arvores, ainda estava relativamente distante e ainda combatiam contra os dois búfalos. Denzel chegara junto de Yoru. Instintivamente acabei parando de correr, ofegante e embora ainda distante, vi Yume correr com a sua Arma da Missão, a lança, e joga-la em direção ao búfalo. Ele tinha uma boa pontaria, e derrubou o ultimo animal.
Comecei então a caminhar em direção a eles, porém, entre um pouco mais distante, notei uma sombra mexer-se atrás das arvores. Olhei para ela e então, vi a figura de um homem. Era alto, porém, esguio. Usava roupas pretas e largas com cintos de tecido vermelho, e um capuz que cobria seu rosto, assim como um pano de cor carmesim que usava para tampar até acima de seu nariz. Deixando a mostra apenas seus olhos que não era possível ver a cor de onde estava.
Não, não poderia ser um demônio perseguidor. Não aparentava.
Porém, ele acabou notando minha presença ali, encarando-o.
E em um piscar de olhos, sumiu, como se tivesse acabado de se teletransportar. Olhei ao redor a sua procura, porém, não havia sinal dele.
E então, percebi a lâmina de um punhal em frente ao meu pescoço.
Suspirei, girei e tentei chuta-lo, porém, mais uma vez havia sumido.
E reapareceu atrás de mim, notei isso somente ao sentir a rasteira me derrubando.
Levantei-me e ele se materializou a minha frente, desembainhei uma das espadas e tentei ataca-lo. Porém, ele se desmaterializou e sumiu novamente, reaparecendo ao meu lado e tentando me golpear, desviei e como não havia tempo de desembainhar minha espada, tentei soca-lo. Mas ele se desmaterializou mais uma vez.
O que ele é, Arcano?!
Um Desultor...
Realmente, irie perguntar-lhe mais alguma coisa, mas homem surgiu novamente a minha frente, tentou socar-me, porém, consegui desviar e derruba-lo no chão. Seus golpes eram rápidos e eu precisava agir da mesma maneira. E ele mais uma vez sumiu.
Por um momento e olhei ao redor procurando-o.
Encontrei-o somente ao velo materializar-se sobre o ganho de uma das arvores, saltando na minha direção. Soquei o chão e fiz com que a barreira de gelo se erguesse, porém, ele sumiu mais uma vez, agora, antes de alcançar o chão. E reapareceu, atrás de mim, novamente com o punhal em frente ao meu pescoço.
E realmente, pensei em lhe perguntar algo, porém, preferi ficar calada. Dei-lhe uma cabeçada, girei e joguei espinhos de gelo na rua direção. Porém, ele sumiu antes de ser acertado. Reaparecendo novamente atrás de mim, desta vez, tentaria ser mais rápida. Antes que ele fizesse algo, materializei minha espada e tentei goleá-lo.
Mas uma vez errei.
Ele havia desaparecido.
Pus o capuz de minha capa, suspirei. Sentindo os pingos de chuva começar a cair. E olhei mais a frente, estava sozinha de novo, provavelmente, ou haviam voltado, ou, estavam me procurando.
Arcano, o que você quis dizer antes?
Desultores vem da Luz. Eles têm a habilidade de se teletransportar, utilizando a magia livre.
Aquilo explicava um pouco. Mas não o fato de que ele me atacava. Apertei o punho de minha espada, esperando que ele aparecesse novamente. Olhei ao redor, fiquei em silêncio, a chuva ainda era fraca.
E então fui derrubada.
Desmaterializei minha espada, enquanto ele surgia a minha frente, tentei chuta-lo, porém, o Desultor novamente sumiu. Levantei, pus o capuz de minha capa e, quando o vi novamente aparecer a minha frente, concentrei minha aura em minha mão direita e tentei congela-lo. Mas não fora rápido o suficiente e o gelo apenas surgira a minha frente enquanto ele sumia.
E novamente materializou-se, desta vez, mais a minha frente, corri e desfiz minha espada, soguei o chão e as barreiras de gelo ergueram-se, porém, ele desmaterializou-se. Surgindo novamente ao meu lado, acertando-me um golpe em minhas costelas. Empurrou-me e então acertou outro golpe em minha coluna e aquilo doeu.
Doeu muito.
E a chuva começava a engrossar.
Cambaleei e quando tentei novamente golpeá-lo com a espada que materializava, ele deu-me mais uma rasteira. E só então, percebi a descida que havia.
Caí no chão e acabei rolando, era noite e eu não notara o barranco que havia perto de onde estava. Senti-me tonta, enquanto debatia-me nas raízes e na terra, não iria parar facilmente. Era rápido e então, senti o baque forte ao atingir uma árvore. Tentei levantar, porém havia me arranhado, meu corpo doía os ferimentos ardiam, havia mordido minha boca e ela sangrava. Minha cabeça latejava e tudo girava. A chuva caia com força gelada o que apenas piorava tudo.
Levante-se. —Ele não parecia me obrigar ou repreender, pedia para que tivesse forças.
Meu corpo dói, Arcano.
Você já aguentou coisas piores. Levante-se.
Pus minha mão ao chão, enterrando-a na terra molhada e tentando me equilibrar, meu braço direito doía devido à batida contra a árvore. Será que aqueles animais eram dele? Deveria ter ficado com raiva por tê-los matado...
Tentei me contrapesar, vendo o Desultor me encarar de cima do barrando. Estava tremula, consegui erguer-me, porém, tropiquei ao dar alguns passos. Meu braço doía demasiadamente, deveria ter quebrado.
Porém, vi o Desultor sumir novamente.
E ele apareceu mais uma vez, agora, de frente para mim.
Com minha mão esquerda desembainhei uma das espadas, tentei acerta-lo, porém, meus movimentos eram tortos, acertaram o ar e ele, desmaterializou-se. Apareceu ao meu lado novamente, acertando outro golpe em minhas costelas. Em seguida, outro em minhas costas.
E então, aquilo fez com que o ar faltasse.
Mas tentei abnegar, girei e mais uma vez dei-lhe uma investida com a espada, mas ele sumiu. E acertou minhas vertebras novamente. Impulsionando-me para frente, cambaleei e quase caí, porém, antes disso ele surgiu ao meu lado e chutou-me, acertando meu estomago e empurrando-me para trás.
E ainda não sabia o exato motivo dele atacar-me.
Quase caí, porém, mais uma vez tentei dar um estúpido golpe com a espada, ele chutou minha mão e lançou-a para longe.
Aquilo estava começando a ficar irritante, não conseguia atingi-lo. E estava apanhando. Estava apanhando demasiadamente.
Foi à vez de ele acertar mais um golpe em minhas gostas derrubando-me, acabei rolando até a arvore novamente. Mordi minha boca e cuspi sangue, minha cabeça latejava e meu corpo todo ainda era somente agonia. Tentava respirar normalmente, porém, até isso estava alterado.
Arrisquei erguer-me, mas não consegui. Foi à vez de tudo começar a ficar um borrão. Ouvi relampear e em seguida, trovejar. Minha visão estava turva e eu zonza.
Vi o Desultor aproximar-se, ele ainda me analisava de longe.
Mais uma vez tentei sair do lugar, mas não consegui. Pensei em chamar por Arcano, mas não daria certo e estava fraca de mais para usar suas habilidades.
Vi uma mulher vestindo roupas brancas com azul e dourado, ela segurava um cajado e jurei estar vendo coisas. Estava começando ter alucinações, só poderia .Ela então bateu o cajado no chão.
E eu apaguei, de vez.
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