A Disputada

3 Lembranças


Notas iniciais
Narrado pelo Sasuke❤ Espero que gostem!

— Bom dia, senhor Uchiha! — Recepciona-me a secretária de Naruto, Kurenai. Cumprimento-a também, e ela me pergunta: — Sobre o senhor Uzumaki, ele ainda não apareceu nem mandou-me mensagem alguma. O senhor sabe se algo está acontecendo?

Olho para a parede do quinto andar de nosso prédio, decorada por inteiro com placas e janelas de vidro especial. Visualmente, tinha um efeito lindo, elegante e moderno. Uma ideia de Hinata, quando nos reunimos para pensar no futuro da empresa se conseguíssemos a licitação. E infelizmente, algo que ela nunca pôde ver sendo realizado.

— Ele não vem hoje. É um dia... Que ele vai querer passar com Boruto.

— É aniversário do pequeno rapaz? Entendo. Posso dirigir ao senhor os arquivos dele de hoje?

— Não, não é aniversário. — Olho para a secretária, que havia sido contratada há um ano. — Hoje fazem 3 anos que ele se tornou viúvo. — Penso na minha melhor amiga, e imediatamente me entristeço.

— Minha nossa! Desculpe, eu não sabia...

— Não se preocupe. Quanto ao trabalho, divida entre mim e meu irmão — digo, e entro na minha sala.

O dia estava nublado. Pego um pequeno porta-retratos em minha mesa, no qual os três sócios fundadores desta empresa estavam reunidos em uma praça quando tudo era apenas uma ideia maluca. Naruto e Hinata já eram casados e ela já estava grávida na época. Eu sempre torci tanto por eles! Desde o ensino médio, aqueles dois combinavam de uma forma incrível. E quando fui padrinho de casamento, pude ver o amor deles nos olhares. Era algo tão lindo e tão puro... Mas um caminhão tinha que interromper a vida da delicada Hinata e estragar tudo.

Ela era minha melhor amiga. Eu a chamava de baixinha, enquanto chamava Naruto de poste. Costumava dizer que quando estavam juntos, pareciam uma montanha russa, que subia na cabeça dele e descia nela, de tão grande que era a diferença de altura. Hinata era doce e muito educada. Sempre embarcou nas minhas loucuras com Naruto.

Lembro de quando eles me contaram da gravidez. A primeira coisa que disse foi: " Coitada dessa criança, com pais tão malucos.". E então eles me chamaram para ser padrinho do bebê junto com Ino, minha irmã mais nova, para "ter alguém com juízo na vida da criança". Foi tão divertido... E todos os nossos dias em trio eram assim.

Eu era a vela suprema, sempre ficava sobrando quando eles começavam a namorar. E no trabalho, sempre tivemos responsabilidade, mas isso não significava que deixava de ser incrível. Lembro tão bem da última vez que falei com ela antes do acidente... Tínhamos conseguido o maior dos negócios que podíamos. Ela fez uma vídeo chamada para contar — estávamos todos pulando de alegria.

A baixinha estava grávida de uma menina, e eu ainda brinquei com as safadezas dela e de Naruto na frente da bebê. E depois, nos despedimos, comigo na condição de vela. E então... Naruto me ligou desesperado. A frase dói em meus ouvidos até hoje: "Hinata sofreu um acidente na volta pra casa!"

O estado de saúde dela era gravíssimo. O carro havia capotado e os destroços perfuraram pontos vitais, além do traumatismo craniano. Quatro dias depois, ela faleceu.

E deixou um buraco no nosso coração.

Um dia antes, ela ainda conseguiu falar. Disse que quando tudo tivesse melhorado, era para comemorarmos muito pela nossa conquista. Mas me disse depois, só nós dois, que sabia que não sobreviveria, e que eu tinha que cuidar bem de Naruto e Boruto. Falei que ela não era pessimista assim, e que ela ia se curar. Sua resposta foi:

" — Nem tudo é do jeito que queremos. Mas de onde eu estiver, cuidarei de vocês. É uma promessa minha. ".

Depois disso, pediu para que eu fosse feliz. Que cuidasse da empresa e criasse responsabilidade com as mulheres, e principalmente, vivesse a vida do meu jeito sempre. Eu chorei naquele dia como talvez nunca tenha chorado. E no dia seguinte, a pior notícia me derrubou. A doutora que cuidou dela fez o que pôde, mas um ataque cardiorespiratório tirou a minha baixinha desse mundo.

Não gosto de lembrar do velório e do enterro. Boruto e Naruto choravam tanto... E eu também. Meu afilhado e meu melhor amigo passaram por coisas que por mais que eu tentasse ajudar do jeito que pudesse, permaneceram sendo dolorosas demais, além do meu entendimento.

Fechei meus olhos em meio a tantas lembranças. Ah, Hinata, como você faz falta...

— Com licença, Sasuke. Ei, tava dormindo? — Surpreendo-me com a voz de meu irmão mais velho entrando na sala.

— Não, Itachi. Estava só pensando.

— Pensando em quê?

— Na Hinata.

— Ah. Hoje fazem três anos. Ela faz tanta falta... Como estão Naruto e Boruto?

— Eu não sei. Vou visitá-los mais tarde. O que veio me trazer?

— Tenho aqui alguns processos para te mostrar, mas talvez seja melhor ver depois.

— Não se preocupe. Me entregue.

Itachi era formado como advogado e trabalhava na área há muito tempo. Quando a tragédia aconteceu, ele entrou na empresa para cuidar dos aspectos legais. Tive que estudar administração para tratar desse ponto também. Hinata trabalhara tanto para que a Kurama Construções se tornasse grande... Minha obrigação era perpetuar o trabalho da baixinha, pela memória dela. Pela saudade que sentimos dela.

— Itachi, esse daqui... É impressão minha ou os Sabaku já estão de olho?

— Estão sim. Na verdade, está sendo uma disputa e tanto entre nós e eles.

— Para variar. Eles vivem de tentar roubar nossos clientes. Bem, priorize esses dois processos. Eu tenho mesmo que ir ver o Naruto.

— Vai lá e deseje meus pêsames a ele. Vou passar lá a noite.

— Pode deixar.

— Aliás, aproveite e vá na faculdade dar uma olhada na Ino por mim?

— Ué, mas por quê?

— Ela disse que hoje tem uma feira do projeto integrador dela e quanto mais pessoas convidadas por ela forem, melhor será a pontuação dela.

— Ah, sim. Tudo bem, passo lá. Até mais!

Saio da sala e desço o elevador. Sei que a empresa precisa de nós, mas não posso evitar ir até meu amigo e meu afilhado. Também sei que já fazem três anos e já retomamos nossas vidas. Mas é que hoje, especialmente, parece que tudo ficou mais dolorido. As recordações estão mais fortes e até o clima parece estar de luto.

Tudo lembra a doce Hinata.

Notas finais