A Disputada
4 Passeio
Notas iniciais
Quando eu e Boruto, que atualmente tem sete anos, voltamos pra casa depois do velório, nos deparamos com uma visita não tão inesperada, mas sempre agradável.
— Sasuke! Abandonando a empresa?
— Claro que não, seu imbecil. Vim só ver como você e meu afilhado estavam.
— Padrinooo! — grita Boruto, e se joga no pescoço do Uchiha. — A gente foi visitar a mamãe e a maninha.
— Foram? — ele diz, com a voz triste. Ainda com meu filho no colo, pergunta para mim:
— Como estão?
— Na medida do possível, bem.
Entramos na casa e mamãe desce as escadas com uma colher de pau nas mãos. Não preciso de muito para entender que ela está irritada com papai.
— Escuta aqui, Minato, se você me inventar de lavar a louça de novo que nem a sua cara, eu enfio essa colher no seu nariz! Já estou avisando! Ah, oi pessoal! Sasuke, nem tinha te visto aí!
— Vovó!
— Olha se não é a minha preciosidade! E aí, como foi, meu pequeno?
— Tudo bem. Deixamos os lírios para ela. Tenho certeza que mamãe vai gostar muito.
— Também tenho, meu amor. Que tal procurar seu avô por mim? — Meu menino assente e corre escada acima.
— Boruto, tome cuidado! — grito, mas ele não me dá importância. Em poucos instantes, já sumiu da minha vista.
— Ei, fique tranquilo, filho. Sasuke, quer comer alguma coisa?
— Não, obrigado, Kushina.
Olho para minha mãe e meu melhor amigo. Andamos até o sofá e nos sentamos. Papai e mamãe vieram me visitar, e Sasuke também. Mesmo em meio a tanta dor, me sentia muito feliz por contar com tanto carinho, mesmo tendo decorrido três anos. Digo isso a eles, e Sasuke fala:
— Nós estamos aqui para tudo. E sentimos tantas saudades dela quanto você.
— Sim. Hinata era incrível e com certeza está em um lugar especial cuidando de todos nós.
— Eu sei. E é isso que me dá força. E como ela me disse no hospital, não quer ver ninguém triste. Então, vamos fazer alguma coisa para cumprir esse desejo dela. Mãe, acho que vou ir trabalhar.
— Você está louco? Eu já te proibi, você não vai mesmo. Hoje vai ficar aqui, pertinho de nós.
— Veja bem, Naruto, foi sua mãe quem disse. E você sabe, manda quem pode e...
— Obedece quem tem juízo. Dona Kushina, sempre conseguindo o que quer.
— Por isso mesmo vocês vão tratar de comer meu bolo de chocolate especial que preparei. Já volto.
Mamãe sai do aposento, e Sasuke olha pra mim e coloca a mão em meu ombro.
— Está mesmo tudo bem?
— Está sim. Por mais que hoje pareça doer mais que o normal, eu sei que ela está em um bom lugar. Ainda estou aprendendo a viver sem ela e nossa filha, mas me sinto feliz com o que tenho. Boruto, a empresa, pessoas especiais. Sim, eu tenho muita coisa boa junto comigo. E ela tem um dedo em tudo.
— Sem dúvidas. E você ainda não quer dar uma chance para esse coraçãozinho?
— Ah, não. Nesse ponto, já te falei... Só ela, e mais ninguém.
— Você é quem sabe. Mas você merece viver outro romance, Naruto. Pense nisso.
— Mamãe e Hanabi também sempre me dizem isso. Mas é estranho, eu não consigo. Talvez um dia... Mas eu ainda acho que não acontecerá nunca mais.
— Nunca mais é tempo demais. Não se sabe o dia de amanhã. Vai que...
— Melhor mudarmos de assunto. Como vão as coisas na empresa?
— Kurenai perguntou por você. Aliás, você acredita que... — Nesse instante, o grito de Boruto ecoa pela casa: — VOVÓ, ACHEI O VOVÔÔÔ!
Papai e Boruto descem as escadas rapidamente. Meu pai tem um semblante assustado e quando vê minha mãe, diz:
— Olha, Kushina, eu te prometo que nenhuma louça vai ficar engordura...
— Eu devia jogar esse bolo na sua cara, sabai? Pensei que você soubesse lavar uma louça decentemente!
— Eu sei, mas é que...
— É que estava com preguiça, não?
Sasuke dá uma pequena risada e comenta:
— Seus pais são uma piada. Adoro eles.
— É verdade. Aliás, como está a dona Mikoto?
— Mamãe está bem. Triste com a ausência de papai, mas bem.
— Quando ele volta?
— Olha, seu Inoichi tinha dito para Itachi que ia aparecer semana que vem. Acho que é essa a previsão.
— Entendo. Itachi ficou na empresa nos cobrindo?
— Mas é claro.
— Coitado. — Sorrio ao pensar no quanto o irmão de meu amigo vai ficar atolado.
— Naruto, Sasuke! Venham comer! — escuto a voz do papai nos chamando. Comento:
— Isso parece até nossa época de ensino médio. — Meu amigo concorda, e seguimos até a cozinha. Lá, enquanto lanchamos, mamãe pergunta sobre a irmã mais nova de Sasuke, sendo interrompida imediatamente por Boruto, que diz:
— Minha madrina!
— Sua madrinha está apresentando um trabalho agora, Boruto. Por falar nisso — ele consulta o relógio. — eu deveria passar lá para ajudá-la. Ei, Naruto, quer ir comigo?
— Pode ser. Boruto, vamos ver sua madrinha?
— Sim!
— Só depois de tomar um banho e limpar essa roupa — diz mamãe, séria.
— Você está cheio de chocolate — comenta papai, rindo. E prossegue: — Filho, deixe Boruto conosco. Vamos adorar cuidar do nosso neto. Vá se divertir.
— É melhor, Naruto. Vamos! — diz Sasuke, e eu concordo. Me despeço de meus pais e meu filho, e entro no carro com o Uchiha rumo a Universidade de Konoha. Olhando para o céu, penso nas bênçãos de minha vida em meio ao caos de perder minha esposa. Sasuke coloca uma música para tocar no carro — Thunder, do Imagine Dragons. — e procuro afastar meus pensamentos por ora. Ficamos como dois adolescentes cantando enlouquecidamente no automóvel, imitando as diferentes vozes que repetiam "Thunder, thunder". Estávamos nos divertindo de verdade. Meu Deus, como é bom ter amigos para contar, mesmo nos piores momentos.
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