A Deusa Fujoshi
3 Bruno Lagarta parte I
Notas iniciais
— Shaga-senpai, eu te amo...
— E então, Shaga-senpai tocou levemente a cabeça do Unudera em meio daquela biblioteca escolar, deixando-o com o rosto completamente corado e...
— Me dê aqui esse mangá, não irei mais devolvê-lo. — Disse o professor de português.
— Mas professor ! Eu estou lendo ele com a Gabi ! — Tentei explicar a ele.
— Amanda, escola é lugar de estudar, e não de ler gibi, ainda mais gibi gay, e outra que você está narrando isso alto demais e atrapalhando a minha aula.
Todos na sala deram risada ao ouvir o professor brigando comigo e pegando meu mangá.
— Não é gibi, é mangá. — Respondi ele friamente.
Ele se dirigiu à mesa dele, e guardou meu mangá no meio das coisas dele.
— E agora Gabi? Como vamos ler o resto de Hekai-ichi Latsukoi? — Perguntei.
— Vamos ter que achar um jeito de conseguir o mangá de volta, acho que se nós fizermos a lição ele devolve. — Disse Gabriele.
— Mas português é tão chato...
Peguei minha apostila, e comecei a ler aquelas páginas tediosas.
Bom, hoje é segunda-feira, já fazem uns três dias desde quando Leo e Fernando começaram um relacionamento sério, por incrível que pareça, até mudaram o status de relacionamento no Facebook mostrando que se amam pra todas as pessoas.
E, sempre que eu olho pra frente em direção ao Leo, vejo ele conversando com o Fernando com um lindo sorriso no rosto.
Fiz a lição do professor, e bateu o sinal que indicava o fim da segunda aula, e então, fui até ele.
— Já acabei professor, agora devolve meu mangá? — Perguntei.
Ele pegou minha apostila e deu um visto na página.
— Isso mesmo Amanda, continue assim, e não, não irei devolver seu mangá, irei mostrar isso para a sua mãe na próxima reunião. — Disse o professor de português.
— Mas... — Antes que eu pudesse terminar de falar, ele saiu da sala de aula.
Vários alunos da sala, saíram também, já que nas trocas de aula ficam todo mundo no corredor, e esse era o momento perfeito.
Quando todos saíram, só ficaram eu, Gabi, Heloísa, Fernando e Leo na sala, e então, fechei a porta deixando os outros lá fora.
— Fernando, vai, é o momento perfeito pra você matar a saudade dos lábios de seu uke !! — Exclamei.
— Uau, também quero ver essa cena ! — Gritou Heloísa do fundo da sala.
Os garotos deram um sorriso malvado, se levantaram de suas carteiras, se abraçaram e deram um longo e bonito beijo.
Segurei a porta com todas as minhas forças, para que ninguém entrasse e atrapalhasse.
Eles decidiram parar e então, sentaram novamente em seus lugares após 30 segundos de beijo.
Parei de segurar a porta e fui até eles.
— Incrível ! Eu queria ver aquela cena para sempre...
Gabi veio até nós.
— Então tudo bem, eu filmei o beijo, agora você poderá ver aquilo para sempre. — Disse Gabi com um olhar maléfico.
Em um piscar de olhos, peguei o celular da Gabi, e comecei a assistir o vídeo dos dois se beijando.
— Pronto Gabi, valeu, agora ela não vai mais precisar ficar pedindo pra gente. — Disse Fernando.
Dois alunos entraram correndo pra dentro da sala, e fecharam a porta, a segurando com força.
David e Bruno, são funkeiros retardados da sala, fazem essas brincadeiras toscas, como segurar a porta para ninguém entrar fazendo com que as pessoas do lado de fora deem vários chutes na porta e...
— Você também estava segurando a porta, isso te torna igual eles né? — Disse Gabi.
— NÃO INTERROMPA MINHA NARRATIVA CARALHO !! — Gritei.
O pessoal do lado de fora então, conseguiu abrir a porta, e todos os alunos entraram, porém, o professor tinha parado no final do corredor, pra conversar com alguém.
Todos se sentaram em seus lugares, menos David e Bruno, que ficaram em pé na frente da porta, e estavam discutindo.
— Porra velho, você tinha que ter colocado uma cadeira na porta ! — Exclamou Bruno.
— Cadeira ? Você por acaso é uma biba e não consegue pegar uma cadeira e colocar você mesmo ? — Disse David.
Os dois ficaram com o rosto bem perto um do outro, enquanto discutiam.
Eu não tinha interesse em unir dois retardados, então continuei sentada no meu lugar, só achava surpreendente como o Leo que é um otaku supremo, é amigo daqueles dois.
Eles pararam de discutir, e quando olhei de novo, já estavam conversando algo aleatório e rindo.
Bruno apoiou seus dois braços em uma mesa, ficando "de quatro", enquanto David veio por trás e começou a fazer o movimento de vai e vem.
— Ah... Ah... Ah... Ah... Fode David, vai ! — Disse Bruno.
— Oh.... Geme vadia. — Disse David.
Não entendam errado, os dois estavam com roupa, e estavam fazendo aquilo pra chamar a atenção, coisa que funkeiros retardados fazem.
Todos da sala começaram a rir daquela cena, demais.
Eles perceberam que o professor estava próximo, então, se soltaram e voltaram á seus lugares.
— Ei, Amanda. — Disse Gabi enquanto me cutucava por trás.
— O que foi?
— O que acha do Bruno e do David ? — Perguntou Gabi.
— Retardados, burros, ridículos, tontos...
— Não isso, estou perguntando se você acha que eles podem ser gays, ou bissexuais.
— Gays acho que não, no máximo bissexuais mesmo, já que eles vivem namorando meninas. — Respondi.
— Por que não tenta unir eles ? Talvez dê certo. — Disse Gabriele.
— Não sei... Eles não tem QI pra sustentar um relacionamento, tipo, entre dois garotos... Porquê você precisa amar seu companheiro muito, pra poder assumir pra família, amigos, etc.
— Verdade, então deixa quieto. — Disse Gabi.
Continuei pensando naquilo, a aula foi passando e no final concluí que irei unir eles, porquê, se der certo, será ótimo, e se der errado, não fará mal.
Fomos passando pelo corredor, indo pro pátio, já que era intervalo, novamente vi aqueles dois garotos da outra sala, o Otávio que joga basquete, e Diego que adora livros.
— Gabi, unir o Otávio e o Diego também pode ser uma boa ideia.
— Talvez.
Chegamos no pátio, e me separei de Gabi, procurei por Bruno e David.
Eles estavam junto com uns 8 garotos, todos conversando no meio do pátio.
Droga, eu não quero chegar muito perto desses funkeiros, ou irei me contaminar.
Fiquei a uns 4 metros de distância deles, que era suficiente pra mim ouvir o que eles conversavam.
— Ou, Henrique, tu vai no concórdia hoje ? — Perguntou um dos meninos.
— Claro mano, todos nós vamos.
— Vai ser zica da balada !
Concórdia ? O que diabos é isso ? Sai de perto deles, e fui perguntar isso á Heloísa, pois ela sabe de tudo.
Procurei ela pelo pátio inteiro, e vi que ela estava sentada com as amigas dela no refeitório, comendo merenda.
— Helô, o que é concórdia ? — Perguntei a ela.
— Concórdia é um baile funk que vai ter, vários alunos da escola vão.
— Baile funk... Quando, e que horas vai ser? — Perguntei.
— Vai ser hoje ás 20:00. — Respondeu Helô.
— Por quê quer saber? — Perguntou ela.
— Por nada, mas, o que costuma ter nesse baile? — Perguntei.
— Francamente falando ? — Perguntou Helô.
— Sim. — Respondi.
— Vadias, maloqueiros, fumo, narguile, maconha, bebidas, funk, e tudo que há de ruim no mundo. — Disse Heloísa.
— Não me diga que você vai Amanda ! Essa não !, meus preciosos amigos Piing e Póing serão pegos por vários garotos, serão contaminados ! — Insinuou Heloísa se referindo à meus peitos.
— Vá se fuder. — Sai do refeitório e fiquei dando voltas sozinha no pátio, pensando no que eu iria fazer.
Será que se eu for naquele baile, eu conseguirei unir Bruno e David ? Tenho medo das pessoas que irei encontrar, tenho medo de como vou acabar, estou preocupada...
Sem querer esbarrei em um garoto no pátio.
— Ah, me desculpa, não foi minha intenção... — Tentei explicar a ele.
— Ah, tudo bem Amanda, não faz mal ! — Disse o garoto.
— Hã? Como você sabe meu nome ? — Perguntei.
Ele ficou vermelho, virou o rosto e disse :
— Apenas aconteceu de eu saber, bom, preciso ir ali, até mais. — Disse ele.
Hora... Que menino esquisito... E bonito.
Ele tem cerca de 1,73 de altura, os olhos dele são castanhos, o cabelo dele é preto e curto, apesar de ser bem liso, e a pele dele é morena, só que um moreno claro.
O garoto que esbarrei distraiu meus pensamentos, bom, continuei pensando sobre o tal concórdia.
As aulas passaram rapidamente, e então, fui pra casa, entrei no meu quarto e fiquei em frente á meus mangás.
— Me desculpem mangás, me desculpem otakus do mundo, me desculpe cultura japonesa, me desculpem pessoal do Haion, estou prestes a trair-lhes, mas é por um bom motivo, e não será para sempre.
— Amém.
— Amanda, você vai vir comer ? — Perguntou minha mãe.
— Não, eu vou dormir agora, valeu. — Respondi.
Ah, eu ainda não descrevi David e Bruno antes, então irei falar sobre eles agora.
David tem cerca de 1,72 de altura, com os olhos pretos e cabelos pretos, ele se parece com Lhuffy do Two piece.
Já bruno, tem a mesma altura de David, os olhos dele são verdes, a pele dele é branca e ele tem algumas sardas no rosto, só que bem poucas, o cabelo dele é preto com luzes loiras, a parte lateral do cabelo dele é mais curta do que a parte de cima, já que as vezes ele faz um moicano.
Mas na maioria das vezes, Bruno vem pra escola sem moicano mesmo, com o cabelo todo escorrido com um boné por cima.
Deitei na minha cama e dormi, eu estava com sono pois acordei cedo pra ir pra escola.
Acordei às 19:00 da noite, pois é, sou dorminhoca.
Liguei meu pc e fui procurar na net o lugar do concórdia, rapidamente achei e anotei o endereço.
Desliguei o pc e fiquei em frente à meu espelho.
Sou uma garota ruiva com 1,65 de altura, uso óculos, tenho peitos grandes e sou magra, meu cabelo normalmente fica solto e é liso, porém as pontas dele ficam um pouco enroladas, mas isso vocês já sabem.
Tomei um belo banho sem lavar o cabelo, depois, fiz escova nele.
Coloquei um shorts bem curto e pequeno, mostrando minha perna toda, coloquei um sutiã preto, e uma camisa vermelha curta, que deixava metade da minha barriga de fora.
Em seguida, coloquei uma sandália e arrumei meu cabelo, eu normalmente tinha uma franja jogada pro lado e sendo presa por cima da orelha, decidi deixar ela daquele jeito mesmo.
Amarrei meu cabelo, e fiz um rabo de cavalo na parte de trás.
Bom, eu não irei ir com óculos naquele lugar, e então, tirei meu óculos e o guardei.
Meus olhos são pretos, e minha visão é ruim, então coloquei lentes azuis de 1 grau.
Peguei uma bolsa no fundo do armário, só coloquei dentro dela o endereço do lugar.
Peguei vários algodões e guardei no bolso de trás desse shorts curto.
Sai do meu quarto.
— Amanda, aonde você vai desse jeito !!? — Perguntou meu pai.
Eu tinha esquecido desse detalhe, meu pai nunca iria deixar eu sair daquele jeito e muito menos ir a um baile funk, coisa que eu detesto e nunca vou.
— Não te interessa velhote. — Sai de casa e bati a porta.
Peguei um ônibus e cheguei próxima ao endereço do baile, já dava pra ouvir a músi... Digo, já dava pra ouvir o barulho que acabava com nosso cérebro.
— Tomara que eu consiga unir os dois, se não, isso tudo será tudo em vão.
Cheguei na entrada do baile, haviam seguranças na porta, e várias pessoas entrando, sendo elas, garotas adolescentes (vadias) e garotos marginais.
Ah, seria um sacrifício encontrar David e Bruno naquele local também.
Passei pelos seguranças e entrei ali dentro.
Lá dentro era bem grande, era um salão enorme, com um palco na frente, havia um tal de "mc" cantando com várias garotas dançando com ele em cima do palco.
Na lateral direita do salão, tinha um bar, onde podia-se comprar bebidas, e na lateral esquerda, havia uma escada que levava pro segundo andar, e em baixo dela, haviam mesas e cadeiras, onde quem não queria dançar ficava sentado.
O segundo andar também era acessível às pessoas, me perguntei o que teria lá em cima.
Era cerca de 21:20, eu tinha chegado atrasada, e não sabia como iria encontrar David e Bruno.
Também vi várias pessoas da minha sala e escola, porém, ninguém que eu fosse amiga ou conversasse frequentemente.
Me lembrei daqueles garotos que estavam com David e Bruno no intervalo, e vi eles juntos, porém, David e Bruno não estavam entre eles.
Fui até eles.
— Oie, vocês viram o Bruno ? — Perguntei fazendo uma voz sensual.
— Sei lá, eles beberam pra caralho, devem ter ido pro segundo andar. — Um deles respondeu.
Era difícil conversar com aquele barulho, então, tínhamos que "gritar" pra falar.
— O que há no segundo andar ? — Perguntei.
— Haha, tem de tudo no segundo andar, tem um monte de sala lá em cima, normalmente as pessoas que não querem dançar vão lá pra cima.
Não entendi muito bem o que ele quis dizer, mas, fui subindo as escadas, até chegar no segundo andar.
Eu só via um corredor bem grande que ficava em cima do salão, já que é o segundo andar.
Dos lados esquerdos e direitos do corredor haviam várias portas, e o corredor era bem fundo.
A primeira porta do lado esquerdo era o banheiro feminino, e a primeira do lado direito era o banheiro masculino.
Continuei andando naquele corredor, de vez em quando, algumas pessoas passavam por mim.
A maioria das portas que eu passava estavam fechadas, então, cansei de ficar curiosa pra saber o que tinha dentro, e abri a quarta porta que ficava na parede direita do corredor.
Era uma sala sem nada dentro, mas haviam 3 garotos da minha idade sem shorts e sem cueca, também havia um quarto garoto completamente nu com uma câmera filmando, e uma menina pelada, chupando o membro de um dos garotos, a menina estava virada de costas pra mim ajoelhada no chão.
As roupas da menina, e os shorts e cuecas dos garotos estavam todos jogados num canto daquela sala.
Todos os garotos começaram a me encarar e um deles disse :
— Eita, a mina ali é da hora né, ela quer também ?
Um outro garoto disse :
— Se quiser pode entrar e tirar a roupa aê, tem pau pra todas.
Me senti completamente horrorizada e desesperada por dentro, eu não queria estar ali, nunca senti tanto nojo na minha vida, nunca senti uma sensação tão ruim na minha vida, medo, angustia, mal-estar, estresse, comecei a sentir tudo aquilo junto.
Mas eu tinha que me controlar pra não pagar mico na frente desses lixos.
— Ui, até que eu queria, mas nesse caso eu só errei a porta, estou procurando alguém. — Respondi.
— Ah, beleza. — Disse um dos garotos
A menina que estava chupando parou de chupar, e virou o rosto pro meu lado olhando pra mim.
— Amanda !? — Perguntou.
— Heloísa... — Não tinha reconhecido Heloísa por trás, ela havia arrumado bastante o cabelo dela pra vir nesse baile pelo visto.
Fiquei muito atordoada por ver Heloísa fazendo aquilo, apenas fechei a porta e deixei eles lá.
— Cara... Não acredito que a Heloísa faz esse tipo de coisa... Ela estuda comigo desde a quarta série, não pode ser...
Aquela cena já tinha feito eu desistir de tudo, eu estava saindo do corredor indo em direção à escada, eu ia pra casa.
Mas ai, quase no fim dele, ouvi uma voz vindo da segunda porta da parede esquerda do corredor.
Eu conhecia aquela voz... Não consegui ouvir o que ele falou, mas eu abri a porta.
Vi David abraçando Bruno enquanto beijava-o, Bruno estava encostado na parede e como a outra sala, não havia nada dentro dela, apenas os dois garotos.
Olhei pra parte de baixo deles, e vi que eles estavam sem shorts e sem cueca, com seus membros encostando um no outro, como uma luta de espadas, enquanto pisavam em seus shorts e cuecas retiradas.
Eles estavam bêbados...
Entrei no salão, ficando nós três lá dentro, eles não perceberam minha presença.
Peguei do bolso do meu shorts, dois algodões, e coloquei nas narinas, porquê eu sabia que ia sangrar.
— Que os jogos comecem. — Falei com um sorriso no rosto enquanto fechava a porta.
Continua no capítulo 04.
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