A Deusa Fujoshi
25 Bruno Borboleta parte I
Notas iniciais
Amanda POV
Dia 12 de Agosto, Quarta-Feira às 06:00
O dia em que as aulas voltariam, como sempre, acordei e fiz todas as necessidades.
Saí de casa, e fui pensando na conversa que tive com a mãe do Bruno.
Se ela não morreu, então significa que o Bruno mentiu pra mim... Mas por quê ele mentiu... ? E pior, por quê ele estava chorando ?
Pense Amanda... Pense...
Que eu me lembre, algo muito ruim aconteceu com Bruno e David... A mãe de David pegou ambos na cama, com certeza foi algo traumatizante.
Mas acho que Bruno não é o tipo de pessoa que seria afetado por algo assim... Até porquê a mãe dele não liga nem um pouco pra ele.
Pensando bem... Ele não falou mais com o David, nem uma vez na sala de aula. Como podem, dois melhores amigos por anos, terem um romance tão lindo, e depois pararem de se falar de repente !?
Será que o David deu um fora no Bruno, mesmo depois de tudo ? Ou será que o David se apaixonou por outra pessoa ?
D-droga... Seria fácil perguntar pra Helô, pois ela sabe de tudo... Mas ela só deu as informações quando meu irmão foi raptado porquê era uma emergência... Acho que ela não me dará informações assim...
— Olá. — Falou Helô, enquanto parava na minha frente.
— H-Heloísa... — Murmurei.
— Eu vim aqui, porquê eu sabia que você precisaria de mim... Tem algumas coisas que você precisa saber, não é ? — Perguntou ela.
— T-tem... TEM SIM !! — Exclamei.
— Nesse caso, eu não vou te dar as informações... Mas, vou te dar uma dica. — Falou Helô.
— Que dica ?
— Peça ao Rapha.
— Ao Rapha... ?
— Sim... Peça pro feiticeiro desagradável te ajudar, a desvendar sobre as coisas que aconteceram com David e Bruno no passado.
— P-por quê !? Por que você não me fala logo ? Seria tão mais prático ! — Comentei.
— Amanda, coloca logo na sua cabeça que, eu não sei de tudo, apenas sei sobre as coisas ignoradas pela sociedade. — Falou Helô.
— M-mas...
— Mas nada !
Depois daquela conversa tensa com Helô, fomos juntas pra escola, conversando sobre outros assuntos... Mas eu sempre começava a viajar na batatinha, pensando sobre Bruno e David.
Quando cheguei na sala de aula... Fiquei esperando pelo Raphael... E ele chegou junto com Daniel, alguns minutos depois.
— Rapha... Daniel também... Preciso pedir algo a vocês ! — Falei.
Bruno POV
Minhas férias foram tediosamente tediosas. Agora as aulas voltaram... E eu como sempre, estou sentado sozinho, escutando música.
Todos da sala de aula parecem normais... Exceto alguns alunos que estão mais morenos do que o normal... Provavelmente passaram as férias na praia.
Ultimamente, comecei a achar todas as pessoas a minha volta bem tediosas... Todas fazem as mesmas coisas, todos os dias... Com o mesmo sorriso no rosto.
Fiz a lição que a professora de Biologia passou, e esperei as três primeiras aulas acabarem, para ir pro intervalo.
O intervalo é a parte do dia que eu mais gosto. Alias, a maioria dos alunos preferem o intervalo do que as aulas, obviamente.
Gosto do intervalo porquê é onde posso comer e escutar música, sem precisar ou vir um "tira o fone do ouvido" ou "desliga o celular".
Desci para o pátio... Comprei um croissant de chocolate na cantina, e fui comê-lo sozinho, enquanto ficava observando as pessoas, sentado na área livre do pátio.
Área livre é um local que eu mesmo nomeei de "área livre", pois é um lugar do pátio sem teto, então da pra tomar um solzinho. Eu normalmente sento no canto, assim as possibilidades de alguém chegar por trás de mim são 0.
Prefiro não ter contato com as pessoas... Prefiro não ter contato com ninguém... Prefiro nunca mais falar com ninguém... Todos os humanos são desprezíveis.
Fiquei observando um garoto que usava o uniforme da escola... Porém ele tinha algo bastante incomum... Seus cabelos eram prateados e seus olhos eram azuis. Ele parecia o Jack Frosty.
Mais estranho ainda, era que aquele menino era da minha sala.
Ele estava fazendo bolas de chiclete na parte coberta do pátio... Sozinho também. E de repente, começou a andar em minha direção.
Não... Ele não pode estar vindo em minha direção... Nunca falei com ele. Será que ele vai vir me zoar ? Ou será que vai parar e fazer algo, no meio do caminho ?
O Garoto continuou se aproximando.
D-droga... Não quero ter que conversar com ninguém agora... Será que ele quer um pedaço do meu croissant... ? O que eu faço... ?
Ele mexeu os lábios, provavelmente falou alguma coisa, mas eu não ouvi, pois estava com os fones no ouvido, escutando rock.
Retirei os fones de ouvido.
— O que ? — Perguntei.
— Só falei oi. — Respondeu ele.
— Ah, oi.
O garoto se sentou do meu lado.
Aff... O que ele quer comigo... ? Vai mesmo ficar sentado do meu lado... ? Irei levantar, e ir pra outro lugar.
— Espera... Não vai embora, fica aqui. — Falou ele.
Como ele sabia que eu ia me levantar e ir embora... ? Ele leu meus pensamentos... ?
— Eu não vou embora.. — Falei.
— Mentiroso.
— Errr... O que você quer comigo ? Por quê sentou do meu lado ? Vá embora, eu odeio você. — Falei.
— Sentei porquê eu quis, o pátio é 100% acessível aos alunos. — Respondeu ele.
— Mas tem muito lugar pra sentar, por que tem que ser justo do meu lado ?
— Porque você parece ser muito legal !!! — Exclamou ele.
— Errrrrrrrrr...
— S-sério !!! Eu fico observando você na sala de aula, sempre sozinho... Puxa, ficar sozinho deve ser ruim... Eu quero ser seu amigo !!! — Exclamou o menino, com um grande sorriso no rosto.
Como assim, ele quer ser meu amigo ? Que estranho isso, tão de repente.
— Cara... Não !! Eu já falei, eu odeio você. — Falei.
Ele fez um olhar triste.
— C-como você me odeia, se eu não te fiz nada !?
— Eu apenas te odeio. Me deixa. — Falei, enquanto levantava e saía andando.
O garoto veio até mim e colocou seu braço esquerdo no meu ombro.
— Já falei ! Quero que você seja meu amigo ! — Exclamou ele.
— Solta. — Falei.
— Não.
— SOLTA !!!!!! — Gritei.
Gritei tão alto, que todos do pátio escutaram.
O menino soltou e foi embora. Que problemático.
Eu não quero mais amigos, eu não preciso de ninguém. Os humanos são horríveis... E eu provei isso na pele.
O meu amigo... A pessoa que eu amava... Conseguiu me destruir de todas as maneiras... Porquê eu era fraco.
Mas agora, nunca passarei por algo assim de novo.
Fiquei dando voltas aleatórias no pátio, e vi David conversando com aquela garota da minha sala... Amanda.
Os dois estavam com um belo sorriso no rosto.
A verdade é que meu coração sempre dói quando eu vejo o David... Vejo tudo passando como um flashback, em alta velocidade na minha mente... Todas aquelas memórias do passado.
Sobre nossos momentos felizes, que no final tiveram o pior acabamento.
A culpa foi minha... Como eu disse mais a cima, eu fui fraco, muito fraco. Eu não deveria ter me apaixonado por meu amigo... Eu não deveria nem ter falado com ele desde o início... Eu não deveria ter a amizade dele.
Flashback ON (em alta velocidade)
E-eu amo o Daví... Ele foi sempre muito legal comigo... Queria ir em encontros com ele.. Acho que seria bem divertido se fôssemos juntos, como um casal...
— E-eu t-te amo...
Falei... Eu finalmente disse... Finalmente consegui dizer a ele o que eu sinto !
Bom... Talvez eu tivesse apressando as coisas... Afinal... Tudo começou ontem... É mesmo possível eu começar a amar uma pessoa em tão pouco tempo ?
Ou talvez eu já amasse ele antes... Mas não sabia... Acho que eu não me entendo... Tanto que nem tenho certeza se é amor... Só sei que nunca senti isso por alguém antes.
— Cara, que porra é essa ? Para de me tratar como seu namorado, eu não sou viado. Se você quiser dar o cú, tem um monte de cara que vai querer ai, mas não fique dando em cima de mim. — Disse ele.
— M-mas D-daví...
Cruel.
— Não tem problema... Daví... Não ligue pra sua mãe... Nós podemos ficar juntos... Eu já te disse que te amo... Não lembra... ? — Falei a ele...
— Mas eu nunca disse que te amava, e nem que gostava de você.
Flashback OFF
É... Ele nunca disse que me amava... Em nem um momento...
A culpa foi minha... Eu vivi uma ilusão... Fiquei imaginando coisas que nunca aconteceriam... Fiquei imaginando que o David poderia me amar... Mas...
Eu estava errado. Fui ingênuo. Fui fraco.
Agora, o meu castigo é que... Sempre que vejo ele sorrindo, me lembro de tudo que aconteceu... Me lembro o quanto eu me ferrei por amar alguém.
— O que você está fazendo !? Vai mesmo ficar andando sem rumo desse jeito, Bruninho !? — Falou o garoto parecido com Jack Frosty, enquanto colocava seu braço em cima de meu ombro de novo.
— Bruninho... ? — Perguntei.
— Ah... Sim ! Eu sei o seu nome ! A propósito, eu me chamo Raphael ! — Falou o garoto, com um grande sorriso no rosto.
— Solta. — Falei.
O garoto soltou, antes que eu gritasse de novo.
— Você é muito desagradável, Bruninho. — Falou ele.
— Jura ? Não me diga.
— Escuta essa música Bruninho, é muito zica. — Falou Raphael, enquanto enfiava um fone de ouvido dentro do meu ouvido.
Ouvi a música por alguns segundos. Era um funk.
— Cara... Eu não curto funk... — Falei.
— É ?? É da hora pow, escuta aê. — Falou ele.
— Tira.
— Não, escute primeiro !
Abri a boca pra dar outro gritão, mas ele tapou minha boca com sua mão.
— N-nada de gritos dessa vez ! — Exclamou ele.
Eu mesmo tirei o fone do meu ouvido.
— Tsk. — Falei.
Amanda POV
Eu estava conversando com o David, no intervalo.
— Ué, então você não fala mais com o Bruno ? — Perguntei.
— Não.
— Por quê ?
— Sei lá... — Respondeu David.
— Ele parece estar se divertindo bastante com o novo amigo dele. — Falei, enquanto apontava pro Rapha e pro Bruno, que estavam agindo de um modo "hiperativo" no meio do pátio.
— Ah, legal.
Bruno POV
— Posso sentar em dupla com você, hoje ? — Perguntou Raphael.
— Não.
— Deixa vai !
— Não.
— Por favor, deixa, deixa, deixa, deixa, deixa !!! — Insistiu Raphael.
— Nãão.
— Deixa vai, deixa, deixa, deixa !!!!!!!!!!!!!!!
Subimos pra sala de aula depois do intervalo... E Raphael acabou vindo sentar do meu lado, na sala de aula.
— Eba ! É a primeira vez que sentamos em dupla. — Comentou ele, com um sorriso no rosto.
— Cara... Você é chato pra PORRA ! — Exclamei.
— Oh... Você falou um palavrão ! Finalmente ! Pensei que fosse um santo. — Falou o garoto.
— Não existem santos na humanidade. Os humanos são podres. — Falei a ele.
— Tchú tchá tchá tchú tchú tchá ! — Cantou Raphael.
— ...
— Escuta !!! É foda essa musica !!! — Falou ele, enquanto colocava o fone em meu ouvido de novo.
Ouvi um barulho de pancada bem forte vindo do outro canto da sala, e rapidamente olhei o que era.
Um menino tinha socado a parede tão forte, que até abriu um buraco.
— C-calma Daniel, você precisa aguentar !!! — Exclamou Amanda, enquanto ia até o menino.
— Hihihihihi. — Riu Raphael.
— O que foi ? — Perguntei.
— O que foi o quê ?
— Por quê você está rindo ?
— Nada não. — Respondeu ele.
Até que as musicas que Raphael estava me forçando a ouvir eram legais, fazia tempo que eu não escutava um bom funk.
Senti até saudades daquela batida... O problema, é que eu sempre me lembro de David quando escuto funk.
Me lembro do sorriso dele... E dele se divertindo... E fazendo palhaçada comigo...
— Bruninho... Tá tudo bem ? — Perguntou Raphael.
— Ah... Está sim.
— Você me parece meio triste.
— Não... Eu estou normal.
— Ah... Bruninho, preciso te contar e mostrar algo interessante ! — Exclamou o menino hiperativo.
— O que ?
Ele juntou suas duas mãos, e depois começou a afastar elas lentamente.
Ondas elétricas começaram a ligar as mãos uma a outra.
— V-viu ? E-eu sou um feiticeiro ! — Falou ele.
O-o que diabos era aquilo... ?
— C-como você... ?
— É que eu tenho poderes... Consigo fazer esse tipo de coisa desde quando me tornei governor no Haion. — Falou ele, mas não entendi direito.
Eu não acreditava nos meus olhos. Alguém com super poderes, realmente existe ?
— I-incrível... — Comentei.
— E não é ? — Falou ele, enquanto parava de gerar eletricidade.
— O que mais consegue fazer ? — Perguntei.
— Hm... Olha só... — Falou ele, apontando pro meio da sala.
Fiquei observando atentamente.
— Mini, Summon WhirlWind ! — Falou Raphael.
Um pequeno tornado surgiu no meio da sala de aula, bagunçando todas as carteiras e fazendo os alunos caírem no chão.
Morri de rir com aquela cena. HAHAHAHAHAHAHAHAHA
— F-foi a primeira vez que você riu... — Falou Raphael.
— E daí ?
— S-seu sorriso é bonito, deveria rir mais vezes. — Falou ele.
— V-valeu...
O povo achou o tornado bem inexplicável... E até demoraram um tempo pra arrumar a bagunça.
— Mas então... Poderia explicar direito, qual a origem dos seus poderes ? — Perguntei.
— Oh.... Então você ficou interessado, né ?
— Sim... Me conta.
— Eu jogo um jogo online... Chamado Haion... E quando eu peguei o ranking 1 no jogo da minha raça... Eu me tornei o Elyos army-governor no jogo. E, por algum motivo, ganhei os poderes do jogo na realidade. — Explicou ele.
— Mas, como é possível ?
— Lembro que virei governor né... Ai no outro dia, quando acordei, havia uma carta em cima do meu computador... Dizendo que eu ganhei os mesmos poderes do meu personagem no Haion, e que eu só teria eles enquanto fosse governor no jogo. — Explicou Raphael.
— Mesmo assim... Continua sendo muito inexplicável.
— Eu pedi ajuda a uma amiga minha que sabe de tudo... E ela me disse que... A organização, dona do Haion... Está envolvida em pesquisas para dar habilidades especiais a seres humanos. — Explicou ele.
— Nossa... Mas você acordar já com poderes, é bem anti-lógico. — Falei.
— É a conexão... A conexão que tenho com meu personagem... (Tsunayuki), bom... Eu não consigo explicar direito... — Falou ele.
— Tudo bem, mas você pode fazer muita coisa com esses poderes.
— Sim, eu posso... Mas eu prefiro não aparecer... Por isso não mostro isso pra impressa, e nem faço nada grande demais como assaltar um banco.
— Entendi.
Raphael pegou na minha mão, e ficou olhando fixamente nos meus olhos.
— E-eu posso te provar... Que a magia existe... — Falou ele.
— A magia... ?
— Sim...
— Solta. — Falei.
— Desculpe. — Falou ele, enquanto soltava minha mão.
— C-calma Daniel !! Não soque a parede de novo !! — Gritou Amanda, do outro lado da sala, enquanto segurava o garoto maluco.
Olhei pro David, e ele estava olhando pra mim...
Que raro... O David olhar pra mim.
— Bruninho ? Alô ? — Perguntou Raphael.
— O quê foi ?
— Você aí... Fica viajando na maiounelse...
— Maiounelse...? HAHAHAHAHAHA.
— A-ah... É que não consigo falar direito... Minha língua é presa. — Falou Raphael.
— Que escroto, cara. — Falei.
— Pelo menos você deu risada... Seu sorriso é bonito. — Comentou ele.
— A-ah... V-valeu.
Fizemos a lição, e logo o sinal de ir embora tocou, a aula passou voando... Fiquei conversando com Raphael as aulas inteiras.
Ele veio andando comigo, pra casa.
— Você mora perto de mim ? — Perguntei.
— Acho que sim... Se você vai por essa direção.
— Ah, legal, então podemos ir juntos. — Comentei.
— Sim !!! Vou adorar voltar pra casa com você. — Falou Raphael.
— Achei engraçado o tornado hoje na sala de aula. — Falei.
— Hm... Engraçado mesmo é você estar puxando assunto. — Falou ele.
— Aff, eu não to puxando assunto, é que não tem nada pra fazer.
— Pensei que você nunca fosse puxar assunto comigo... Mas eu gostei bastante por você ter puxado. — Falou Raphael, enquanto tocava no meu rosto.
— Larga.
— Tá bom, já larguei.
— Bruninho, minha casa fica nessa direção... Preciso ir agora, até amanhã. — Falou ele.
— A-até... — Falei.
Cheguei em casa, joguei a mochila no sofá e fui pro quarto.
Era 12:45, me deitei na cama e fiquei olhando pro teto.
Raphael né... ? Ele é bonito... E legal...
Aff... O quê eu estou pensando !?
Continua no capítulo 26.
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