Notas iniciais
Olá pessoal, como estão? Peço desculpas pela demora... Mas estive pensando a respeito de algumas coisas relacionadas ao andamento da fanfic, principalmente a questão do futuro da Sara. Não vou revelar nada, apenas peço que depositem a fé em mim e me acompanhem... É pedir muito? :x Enfim, esse capítulo apresenta algumas diferenças em relação ao anterior... No começo, planejava reescrever as cenas do ponto de vista da Nyssa, mas estava bem cansativo e repetitivo porque vimos isso na série. Portanto, eu mudei a narrativa e me concentrei nas partes importantes e, principalmente, na essência dos sentimentos da Nyssa. Espero que gostem, boa leitura!

PARTE VII — ATO 2

“Oh, please don’t go! I want you so! I can’t let go for I lose control! Get these left handed lovers out of your way... They look hopeful but you... You should not stay! If you want me break down and give you the keys, I can do that, but I can’t let you leave!”

(Please Don’t Go, Barcelona)

2013: Starling City, USA.

Nyssa escutou o som dos solados de borracha de encontro com o cimento, a assassina se conteve para não olhar em direção aos passos. Sabia que Sara vinha caminhando em sua direção e olhar para aquela mulher, que já não era mais sua, só lhe aumentava ainda mais o vazio que estava consumindo-a desde que acordara sozinha em Nanda Parbat.

A escuridão parecia infinita e, principalmente, faminta. Nyssa sentia que ela a puxava cada vez mais para longe e, daquela vez, Sara não estava disposta a puxá-la de volta.

Sara parou ao seu lado e Nyssa não permitiu que seu corpo pudesse sentir o calor que emanava dela. Instantaneamente, Nyssa lhe deu as costas e começou a caminhar, o vento frio da noite parecia mais aconchegante do que o corpo quente de Sara. Nyssa olhou, pelo canto dos olhos, para Sara e, fria, comentou:

– Você parece diferente.

– Ainda sou eu. — Sara respondeu com tal simplicidade que Nyssa quase perdeu a racionalidade. Aquilo era mentira, não havia nada de simples entre ela... O que as ligava, a fina e tênue linha que as conectava parecia... Partida, para sempre. Nyssa endureceu o caminhar e permitiu-se olhar para Sara, a loira a observava, ansiosa enquanto a morena tinha o olhar gélido.

Sem conseguir conter a dor dentro de si e surda pelos pedaços de seu coração que se partiam e ecoavam dentro de si, Nyssa sorriu amarga, arranhando ainda mais a ferida aberta em seu peito e, cruel, permitiu-se sangrar mais um pouco:

– A Sara que eu conhecia não teria nos traído e muito menos, teria fugido de Nanda Parbat.

– Eu não tive escolha, o terremoto... Eu precisava ver a minha família, ver se estavam bem. — Sara estava calma e tranqüila, ela não se arrependia da decisão que tinha tomado. Nyssa contemplou enquanto ela caminhava à frente, completamente paralisada diante da certeza que, naquele instante, possuía.

Sara não ia voltar.

Entretanto, mais uma vez, a humanidade que Sara trazia a Nyssa chegou à superfície. A assassina permitiu-se quebrar, mais uma vez, em favor daquela que amava. Seu coração acelerou e suas mãos ficaram trêmulas quando ela, suplicante, disse:

– E estão. Volte para casa.

– Não posso. — Sara voltou a negar, veemente. Nyssa revirou os olhos até que Sara virou-se e encarou-a. Pela primeira vez desde que se reencontraram, Nyssa enxergou um pouco de dor nos olhos azuis, eles pareceram, por breves minutos, inconstantes e agitados. — Não posso voltar, Nyssa. Não tenho muita alma sobrando em mim, mas o que ainda resta não agüenta mais matar.

– Você fez um juramento! Meu pai me mandou até aqui para ver se você o honra. — O desespero falou por Nyssa, mesclado a discreta ameaça que existia em seu tom de voz. As duas se olharam e, naquele minuto, existia uma súplica silenciosa nos olhos de Sara. Ela não queria ser obrigada a escolher. Nyssa encontrou uma brecha na fortaleza que enfrentava. — De um jeito ou de outro.

O silêncio diante das palavras de Nyssa permeou entre elas, a troca de olhares foi intensa e Nyssa conseguiu, finalmente, enxergar a bagunça dentro de Sara. O medo que ela sentia, não por si, mas pela família que ela tanto protegia estava latente em suas emoções... Como assassina, ela cometeu o pior erro e entregou a sua inimiga a sua maior fraqueza. Mas, como humana... Sara, mais uma vez, provara quão distante estava da escuridão que Nyssa queria lançar, novamente, sobre ela.

Sara temia morrer sem revelar a família que estivera viva. E esse medo era muito maior que qualquer coisa que ela tivesse vivido na Liga.

Sara respirou fundo e as lágrimas teimosas que chegaram aos seus olhos foram afastadas por um agitar rápido de sua cabeça. Ela encarou Nyssa, destemida e sibilou:

– Nós duas sabemos por que você realmente veio.

Os sentimentos mostravam-se ser os piores inimigos de Nyssa. Eles vieram à tona, em forma de lágrimas que embaçaram o olhar negro. A assassina sorriu tristemente para o chão aos seus pés e aproximou-se, rendendo-se ao seu vício e encontrando o calor de Sara. Suas mãos frias envolveram as pálidas quentes e o ar saudoso em sua voz revelava o tamanho de seu ferimento durante todo aquele tempo:

– Quando encontrei você, você estava passando fome e sozinha, esperando a morte. — Conforme falava, as memórias invadiam Nyssa. A ilha, o olhar amedrontado, a súplica e, finalmente, a existência de sua alma... Aquilo não lhe machucava, era o mais feliz que Nyssa tinha dentro de si. A assassina tocou uma mecha dos cabelos loiros relembrando quão quebradiços eles estavam naquela noite em que se apaixonou. — A Liga aceitou você, cuidou de você até sua saúde voltar. Você só está viva hoje por minha causa.

O remorso, a dor, a incompreensão... Todos os sentimentos provindos da partida de Sara atravessaram o corpo físico de Nyssa e fizeram-se presentes pelas suas palavras. Sara a olhava com incredualidade e inquieta, respondeu:

– Eu não estava com você porque me salvou... Eu estava com você porque lhe amava.

O passado.

Sara falava delas no passado. A expressão de resignação e culpa deixava claro que os sentimentos dela realmente haviam mudado. Nyssa não conseguiu mais conter e sua expressão vacilou, revelando sua fragilidade e o domínio que aquela mulher tinha sobre si. A assassina afastou-se alguns passos, os lábios trêmulos abriram-se para falar em um fio de voz:

– Mas não ama mais.

Sara não teve como negar e Nyssa preferiu dessa forma, ao menos, a sinceridade entre elas era uma coisa que ela ainda podia possuir. Cega pela dor, os pedidos de Sara eram apenas sussurros dentro de sua mente descontrolada:

– Ra’s escuta você, peça para ele me libertar!

– Meu pai nunca liberou ninguém da Liga... — Nyssa murmurou debilmente, sem conseguir pensar direito. Sara rapidamente a contra-atacou:

– Ele liberou Malcom Merlyn.

– Uma atitude que ele e o povo dessa cidade em muito lamentam. — Nyssa respondeu fria, olhando indignada para Sara que apenas a contemplou, com aquele mesmo olhar de pena. A loira tocou a face de Nyssa e os corpos, instantaneamente se aproximaram.

O calor de Sara que, antes, a aconchegava e a trazia para a luz, dessa vez, queimou a pele de Nyssa como se fosse fogo. Mesmo assim, a assassina permitiu-se fechar os olhos e respirar o cheiro daquela mulher que, tantas vezes, dividiu a cama com ela. Sara afagou seus cabelos e, dura, disse em seu ouvido:

– Faça o que tiver que fazer.

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Nyssa não conseguiu fazer o que deveria ter feito. Não cumpriu seus deveres como assassina e, tão pouco, conseguiu realizar os seus desejos de amante.

“Ta-er al-Asfer, em nome de Ra’s Al Ghul... Eu lhe liberto.”

Em vez disso, Nyssa a libertou. Concedeu a ela a chance de viver com outra pessoa o que sempre planejara para ela. A assassina, entregue a sua meditação em Nanda Parbat, não conseguia pensar se havia justificativa para o que tinha feito.

Foram os olhos, os malditos olhos azuis que, mais uma vez, perseguiram-na e desarmaram-na, exatamente como na noite do encontro das duas. Nyssa a libertou porque, no fundo dos olhos azuis que lhe suplicavam pela vida, ela encontrou um motivo para não matar.

Algo que sua natureza assassina não compreendia e nem julgava que existisse. Uma palavra dita e Nyssa parava a sua busca. Seus sentimentos de posse se calaram, sua necessidade de ser amada se foi e ela, inutilmente, só enxergou o que Sara queria e o que ela precisava.

Naquele momento, naquele cruel momento em que Nyssa enxergou a sua amada nos braços de outro, sendo amparada por outro... Ela compreendeu a natureza de seu amor e do que era feito. Sara não seria dela, mas seria feliz, com outro e, talvez... Aquilo lhe bastava.

Nyssa sempre acreditara que o amor era algo grande demais para caber dentro da sua existência escura e sombria e, de fato, era... Sara era demais para a sua vida como ceifadora e carregadora de almas.

Sara Lance era uma alma que Nyssa jamais possuíra. O espírito daquela Canário era livre e ela seria incapaz de prendê-lo no calor de seu inferno. Entretanto, a liberdade daquela mesma Canário a aprisionara... Para sempre.

Antes das portas de seu quarto abrirem-se, revelando a figura furiosa de seu pai, Nyssa teve certeza de apenas uma coisa... E não era a respeito da punição física que receberia pela sua falha.

E sim, a respeito do conturbado órgão que batia em seu peito. Ela não seria capaz de amar outra pessoa. Sara estava em seu coração mesmo que estivesse longe de seus braços.

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Notas finais
Modéstia à parte, eu gostei muito do que escrevi no final. Apesar de ter doído a beça porque eu, SEMPRE, entro de cabeça no que meus personagens preferidos estão sentindo :/ Então, o que acharam? Espero reviews, preciso de feedback, funciona como um combustível para a minha inspiração Hahahahaha Até a próxima, FerRedfield